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sábado, 26 de maio de 2012

Finlândia. Atirador de 18 anos abre fogo, mata 2 pessoas e fere 7

Armado com rifle, atirador abre fogo na Finlândia e mata 2 pessoas
Ataque ocorreu na cidade de Hyvinkaa e atingiu nove pessoas.
Sete feridos foram internados, uma menina em estado grave.

Um rapaz de 18 anos armado abriu fogo a partir de um telhado na cidade de Hyvinkaa, na Finlândia, a 50 quilômetros da capital Helsinque, na madrugada deste sábado (26). Ele matou duas pessoas, sendo um homem e uma jovem também de 18 anos, e feriu outras sete, segundo as agências de notícias.
Entre os feridos há outra jovem, de 23 anos, em estado grave, e um policial.
Um policial recupera num telhado a arma do atirador. (Foto: Lehtikuva / Jussi Nukari / AP Photo)

O atirador se posicionou em um telhado de um centro comercial para realizar o ataque, que ocorreu perto das 2 horas da manhã, horário local, numa área de bares e restaurantes da cidade. De acordo com a polícia, parece se tratar de disparos aleatórios.
Corpo coberto com um lençol. Vítima seria uma mulher. (Foto: Lehtikuva / Sari Gustafsson / AP Photo)

No momento do tiroteio ele vestiu um uniforme de combate. Em um primeiro momento, o homem conseguiu fugir, mas foi detido cerca de cinco horas depois. De acordo com o detetive responsável Markku Tuominen, ele não resistiu à prisão. "Encontramos o rapaz com duas armas... incluindo um rifle de caça," disse Tuominen, acrescentando que a polícia não sabe ainda de possíveis motivações.
Policiais guardam área em Hyvinkaa, na Finlândia, onde um atirador matou uma pessoa e feriu outras oito. (Foto: Lehtikuva / Sari Gustafsson / AP Photo)

Situações como a dessa madrugada não são incomuns na Finlândia, um país de 5,4 milhões de pessoas e com uma forte tradição de caça, onde cerca de 650 mil pessoas oficialmente possuem armas. Nos últimos anos, houve dois atiradores em escolas.(G1)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Atirador mata 7 e fere 3 em faculdade da Califórnia

Atirador mata 7 e fere 3 em faculdade da Califórnia

OAKLAND, Estados Unidos, 2 Abr (Reuters) - Um homem armado abriu fogo na segunda-feira numa faculdade cristã de Oakland, na Califórnia, deixando pelo menos sete mortos e três feridos antes que um suspeito, supostamente ex-aluno, fosse detido, segundo autoridades.

O incidente aconteceu durante a manhã (à tarde no Brasil) na Universidade Oikos. As autoridades acreditam que o atirador agiu sozinho, mas não identificaram o suspeito nem esclareceram suas motivações.

O pastor Jong Kim, fundador da faculdade, disse ao jornal Oakland Tribune que o homem preso em um shopping a cerca de oito quilômetros do campus é um ex-aluno de enfermagem.

Kim disse ao jornal que ouviu cerca de 30 tiros.

"Como vocês devem ter ouvido, o atirador suspeito nos letais disparos de hoje na Universidade Oikos, na Edgewater Drive, está sob custódia, e parece ter agido sozinho", informou a prefeitura em nota.

"Os arredores estão isolados, mas a polícia orientou que nenhuma ameaça iminente à segurança pública parece existir na área imediata", acrescentou o curto texto.

Horas depois, dois corpos permaneciam num gramado em frente à escola, cobertos por um lençol.

Há pouco mais de um mês, um aluno matou três colegas na cantina de um colégio em Ohio, no pior incidente desse tipo nos EUA em seis meses.

A Oikos, que dá cursos de teologia, enfermagem, música e medicina asiática, se descreve em seu site como tendo a missão de oferecer "os mais elevados padrões de educação com inspiração e valores cristãos".
Corpos cobertos no gramado da escola Oikos University, em Oakland, na Califórnia, que foi invadida por atirador nesta segunda-feira (2) (Foto: Noah Berger / AP)


(Reportagem adicional de Dan Whitcomb, Mary Slosson e Emmett Berg)


Reuters
Por Noel Randewich

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Corpo de menino que atirou em professora e depois se matou é velado no Velório Municipal do Cemitério das Lágrimas, em São Caetano do Sul


Corpo de aluno que morreu em escola do ABC é velado
Davi Nogueira tinha 10 anos e atirou na própria cabeça.
Antes, ele feriu uma professora; crime foi em escola de São Caetano do Sul.

Alunos da escola, acompanhados dos pais, foram
ao velório (Foto: Carolina Iskandarian/G1)
O corpo do estudante David Mota Nogueira, de 10 anos, que atirou contra uma professora e se matou em seguida, começou a ser velado às 23h30 desta quinta-feira (22), no Velório Municipal do Cemitério das Lágrimas, em São Caetano do Sul, no ABC paulista. O crime ocorreu dentro da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, em uma sala de aula onde havia outras 25 crianças do 4º ano. O motivo do crime é desconhecido.

A família do garoto não quis dar entrevistas. Na porta do velório, a todo momento chegavam amigos do irmão mais velho de Davi, um adolescente que teria 17 anos. Alguns pais de alunos da escola também foram velar o corpo da criança.

O administrador do Cemitério das Lágrimas, Roberto Morales, contou que só na manhã desta sexta (23) o local e o horário do enterro serão definidos.

O estudante Lucas Fernando Alves Rocha de Souza, de 15 anos, contou que viu o corpo de Davi no chão logo após o menino disparar contra a própria cabeça. “Subimos para a sala (depois do intervalo) e logo ouvimos o barulho do disparo. Ele caiu na escada, ficou tremendo.”

David Mota Nogueira. Menino atirou na professora em sala de aula e se suicidou com tiro na cabeça
A professora, identificada como Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, deixou a escola consciente, por volta de 16h30. Atingida na região lombar, ela foi encaminhada ao Hospital das Clínicas, Zona Oeste de São Paulo.

Em coletiva mais cedo, o secretário da Segurança Pública do município, Moacyr Rodrigues, disse que o revólver usado por Davi era do pai dele, um guarda-civil municipal. No entanto, a arma era particular, e não da corporação. Guardas-civis, colegas de trabalho do pai do menino, faziam a segurança da sala do velório.
Morte em escola. Garoto que se matou em SP pode ter tentado assustar professora, diz delegada Brenda Tayná Souza, de 16 anos, e aluna do 9º ano, contou que houve pânico e correria nos corredores da escola. “Pensamos que era uma bomba. Foi horrível”, disse ela sobre o barulho dos disparos.

Carolina Iskandarian
Do G1, em São Caetano do Sul

Aluno que atirou no ABC fez desenho com armas e professor, diz polícia
Desenho foi encontrado dentro de mochila, junto com o material escolar.
Pai do menino foi ouvido informalmente pela polícia.


O aluno que atirou em uma professora dentro da sala de aula e depois se matou em São Caetano do Sul, no ABC, na tarde desta quinta-feira (22), fez um desenho no qual se retratou com duas armas e com um professor. O desenho foi encontrado junto com o material escolar dentro da mochila  do estudante David Mota Nogueira, de 10 anos, que foi apreendida pela polícia, de acordo com a delegada titular do 3º DP de São Caetano, Lucy Mastellini Fernandes. No desenho, ele escreveu: "Eu com 16 anos" e "Professor", indicando cada uma das figuras desenhadas. A delegada não quis mostrar o papel.

Além da mochila, a polícia apreendeu também o revólver calibre 38, que pertence ao pai de David, o guarda-civil metropolitano Milton Evangelista Nogueira. De acordo com a delegada, o pai do menino foi ouvido informalmente por cerca de 30 minutos. Segundo Lucy, ele se encontra bastante abalado com o ocorrido.

O guarda-civil contou à polícia que levou o filho à escola e que chegou a carregar a mochila dele. Ao retornar para casa, deu por falta da arma, que costumava deixar escondida sobre o armário do quarto. Em seguida, ele relatou que ligou para a mulher, mas, diante da negativa dela sobre o paradeiro da arma, decidiu voltar para a escola, segundo a delegada. "Ele disse que pressionou os dois filhos, o mais novo de 10 e o adolescente de 14 anos, mas eles negaram todo o tempo saber da arma. Ele então disse que voltou para casa para fazer uma busca mais minuciosa", disse Lucy.

De acordo com a delegada, o guarda-civil lamentou profundamente não ter olhado na mochila do filho e se disse arrasado com a tragédia. No boletim de ocorrência, o crime foi registrado como ato infracional, mas, segundo a delegada, o correto é ato antissocial. "É o ato cometido por menor de 12 anos", disse. Em relação ao guarda-civil, ele deverá ser enquadrado com base no Estatuto do Desarmamento, por não ter guardado a arma de forma adequada.
Mochila também foi apreendida
(Foto: Marcelo Mora/G1)

O caso
O estudante da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão atirou na professora por volta das 16h, e depois disparou contra a própria cabeça. Ele havia acabado de sair do intervalo, quando pediu para ir ao banheiro. Na volta, chegou atirando. De acordo com a Prefeitura, os dois foram socorridos com vida, mas o estudante morreu.

A professora, identificada como Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, deixou a escola consciente. No momento em que o menino do 4º ano usou a arma, havia 25 estudantes na classe.

O secretário da Segurança de São Caetano do Sul disse que quando um guarda-civil sai com a arma para trabalhar ele a devolve no final do expediente. "[O pai do garoto] é um homem de bom conceito dentro da Guarda Civil, com mais de 14 anos dentro da corporação", disse Rodrigues, acrescentando que esta "é uma situação muito difícil de descrever".
Revóver calibre 38 utilizado pelo aluno (Foto:
Marcelo Mora/G1)
De acordo com Rodrigues, todos os guardas-civis da cidade foram alertados para que ficassem atentos à possibilidade de armas em escolas desde que um estudante matou 12 alunos em Realengo, no Rio de Janeiro, em abril. "A segurança da escola já é feita, esse tipo de situação não tem como prever", afirmou o secretário.

As aulas na escola foram suspensas nesta quinta e na sexta-feira (23). A Prefeitura afirmou que o menino era considerado um aluno calmo e sem histórico de violência. O motivo para o crime ainda é desconhecido.
O delegado-titular da Delegacia-Sede de São Caetano do Sul, Francisco José, disse que o pai do garoto pode ser responsabilizado criminalmente pelo ocorrido. "Vamos investigar se ele agiu com imprudência ou negligência na guarda desta arma", afirmou.

O delegado informou que irá procurar famílias de outros alunos da escola e que duas testemunhas adultas serão ouvidas já nesta sexta-feira (23).
Movimentação era intensa na porta da escola de São Caetano (Foto: Reprodução/ TV Globo)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Aluno de 10 anos atira em professora e depois se mata em escola de SP

 Aluno de 10 anos atira em professora e depois se mata em escola de São Caetano do Sul, SP

SÃO PAULO - Um aluno de 10 anos atirou na professora e depois se matou com um tiro na cabeça, na tarde desta quinta-feira, em uma escola em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Caetano, David Mota Nogueira, aluno do 4º ano C da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, fez o disparo contra a professora por volta das 15h50m, logo após o intervalo do lanche, em sala de aula.

Movimentação em frente a escola - Reprodução/TV Globo

A professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, foi atingida com um tiro nas costas. No momento, cerca de 25 alunos estavam na sala de aula, mas nenhum deles ficou ferido. Houve correria e pânico.

As aulas na escola, que tem 1.900 alunos e fica no bairro Mauá, foram suspensas nesta quinta e sexta-feira.

Segundo o capitão Robinson Castropio, porta-voz da Polícia Militar, o menino provavelmente entrou com o revólver calibre 38 escondido na mochila. A arma, de acordo com a PM, pertence ao pai do garoto, que é guarda civil em São Caetano do Sul.

De acordo com o policial, o estudante pediu para ir ao banheiro e quando voltou já estava com a arma em punho.

- Ele acertou a professora na região lombar. Em seguida, ele saiu da sala, desceu uma escada e disparou contra a cabeça - explicou o policial.

David era aluno do quarto ano da escola e tinha boas notas. No momento dos tiros, estavam na sala 25 alunos. De acordo com testemunhas, depois de atirar na professora, o aluno se retirou da sala de aula e disparou dois tiros na própria cabeça.

O estudante é filho de um GCM (Guarda Civil Municipal) de São Caetano. Ele pegou a arma do pai escondido, de acordo com apuração da Delegacia Seccional de São Bernardo. O que motivou a ação do menino ainda não é sabido. Ele agiu logo depois do intervalo, às 15h50, quando os colegas haviam acabado de entrar na sala.
O aluno foi levado com vida ao Hospital de Emergência Albert Sabin. David teve duas paradas cardíacas e morreu por volta das 16h50m. A Polícia Militar acionou o helicóptero Águia para socorrer a professora. O garoto foi transportado de ambulância.


- O estado dele já era crítico quando foi socorrido - afirmou o policial.

Em nota, a prefeitura informou que o estado de saúde da professora é estável. Ela não corre risco de morte e foi transferida para o Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo. A professora levou um tiro na região posterior do lado esquerdo, altura do quadril e sofreu uma fratura na patela direita, segundo a nota.

Ainda não se sabe a motivação do crime. O caso foi registrado no 3º Distrito Policial de São Caetano do Sul, onde o pai do garoto presta depoimento esta noite.


Professora baleada por aluno em escola de São Caetano do Sul, SP, não corre risco de morte

SÃO PAULO - O estado de saúde da professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38 anos, baleada por um aluno de dez anos na Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, na região do ABC, é estável. Segundo nota divulgada pela prefeitura de São Caetano ela está internada no Hospital das Clínicas, em São Paulo. A professora levou um tiro na região posterior do lado esquerdo, altura do quadril e sofreu uma fratura na patela direita e ela não corre risco de morte.

O aluno David Mota Nogueira, 10 anos, aluno do 4º ano C, disparou com um revólver calibre 38, por volta de 15h50, um tiro contra a professora dentro da sala de aula. No momento estavam no local 25 alunos. Em seguida, segundo informações de testemunhas, o aluno se retirou da sala de aula e disparou contra a cabeça. Ambos foram socorridos com vida. O aluno foi atendido no Hospital de Emergência Albert Sabin, na avenida Keneddy, em São Caetano, e teve duas paradas cardíacas, e morreu às 16h50. As aulas estão suspensas. [O Globo.  Leonardo Guandeline  e João Sorima Neto Com SPTV]


Pai de garoto que se matou no ABC foi até escola tentar recuperar arma, diz delegada

O guarda municipal Nilton Nogueira, pai do garoto D.M.N., 10, que atirou contra a professora e depois se matou na escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul (SP), foi até o colégio tentar recuperar seu revólver calibre 38, após sentir falta da arma, segundo a delegada Lucy Fernandes.

Além do garoto que morreu, um outro filho de Nogueira, de 14 anos, também estuda no local. “Ele deu falta da arma hoje e, antes de acontecer a tragédia, foi até a escola questionar os filhos se algum deles tinha pegado. Ele suspeitava que o maior tivesse com a arma”, afirmou a delegada.

Por volta de 19h, Nogueira estava a caminho do 3º DP de São Caetano, onde o caso está sendo investigado, para prestar depoimento. Lucy Fernandes afirmou que é cedo para responsabilizar os pais pelo ocorrido. “O crime que eles podem ter cometido é de omissão, mas não dá para falar isso agora. É atropelar as investigações”, diz.

A perícia na escola já foi concluída. A delegada afirmou que só deverá ouvir as crianças e testemunhas a partir de amanhã. “Temos que ter muito cuidado. Vamos lidar com testemunhas que lideram com um trauma muito grande. Só vamos conversar com as crianças quando elas tiverem condições psicológicas e de saúde”, afirma.

Fernandes disse que o caso surpreendeu os funcionários da escola. “Todo mundo ficou surpreso. Não era um menino com problemas. Ninguém imaginava que ele faria isso.” [Guilherme Balza Do UOL Notícias Em São Paulo]



Tragédia no ABC: 'Menino doce, bom aluno e disciplinado', descreve escola

David Mota Nogueira, de 10 anos, (fotos acima) era um aluno de boas notas, nunca teve registro disciplinar e não há qualquer informação de que sofria bullying na escola municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul. Esta é a avaliação que Márcia Gallo, a diretora do colégio considerado modelo no município, faz do aluno que, na tarde desta quinta-feira, atirou contra uma professora e se matou em seguida, com um tiro na própria cabeça. Segundo ela, o menino estudava desde 2008 na escola e era um aluno regular.

- Ele era uma criança de dois, três amigos. Não era de turma e não era o mais agitado. Era muito querido pelos colegas - diz Meire Cunha, coordenadora pedagógica da escola, que também descreve o aluno como "doce, tranquilo e calmo".

- Foi muito chocante para nós. É difícil saber o que fazer agora - diz Meire.

Vizinhos da família e amigos de David também não encontram explicações. Carmelita Cordeiro, de 65 anos, diz que conhecia David desde que ele nasceu. Para Carmelita, ele era muito diferente "dos meninos de hoje em dia" e não se metia em confusão.

- Era um menino educado e calmo - diz Carmelita.

- Ele era calmo, estudioso, não bagunçava e não falava na aula, não gostava de atrapalhar - disse G.S, 9 anos, que estudava na mesma sala de David e costumava brincar com ele nos intervalos.

Segundo Carmelita, o pai de David está inconsolável. Sem saber, ele carregou a arma usada pelo filho. Na avaliação dela, a família era estruturada. Não eram ouvidas brigas. O pai, acrescenta, tratava muito bem os filhos.

Sala de aula ficará fechada
Na manhã desta sexta-feira, a direção da escola convocou a imprensa para informar que as aulas só serão retomadas na quarta-feira. Na segunda e na terça serão feitas reuniões com os professores para discutir como enfrentar a tragédia e como abordar o assunto com os alunos.

Na sala onde David atirou contra a professora estavam ontem 22 alunos, além dele. A direção decidiu que nenhum deles voltará a estudar na mesma sala. A turma, porém, não será desfeita, apenas transferida para outra sala de aula. A do crime ficará fechada.

Márcia Gallo descarta a possibilidade de a escola passar a revistar as mochilas das crianças na entrada para as aulas. Afinal, além de ser um caso isolado, a escola recebe em média 900 alunos por período.

Revistar as mochilas entrou na pauta de discussões porque David levou na mochila a arma que usou para ferir a professora e se matar. O pai dele carregou a mochila sem saber que sua arma estava dentro dela.

Logo depois de deixar os dois filhos na escola, o homem, que é guarda municipal e faz bicos como segurança, se deu conta do sumiço do revólver. Retornou então à escola para falar com eles.

Márcia disse que a escola não perguntou o motivo, pois é considerado um direito dos pais falarem com seus filhos a qualquer hora. O pai de David teria pedido autorização à coordenação, que avisou o inspetor por rádio e os dois meninos foram encaminhados ao pátio. Os três conversaram e o pai foi embora. Os garotos voltaram para a aula.

Segundo a polícia, o pai de David foi justamente perguntar aos filhos se algum deles tinha tirado a arma do lugar. Os dois negaram e ele retornou para a casa. Não havia, até aquele momento, nenhum motivo para que desconfiasse dos filhos.

No meio da tarde, foi surpreendido pela tragédia. As imagens que mostram o menino com a arma e no corredor da escola foram encaminhadas à polícia.

Professora é submetida a cirurgia e passa bem
A professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, foi socorrida e está internada no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ela recebeu um tiro pelas costas, na altura do quadril, e a bala ficou alojada entre o útero e o reto. Sofreu ainda uma fratura no joelho.

A cirurgia para extração do projétil durou três horas. A recuperação, segundo os médicos, é boa e ela pode ser transferida para um quarto e receber visita ainda nesta sexta.

O corpo de David está sendo velado no Cemitério das Lágrimas, na própria cidade, desde a madrugada desta sexta-feira. A família não falou com os jornalistas.

Muitos guardas municipais fazem um controle das pessoas que têm acesso ao velório. Do lado de fora, vários curiosos se aglomeram. Dentro da sala de velório estão apenas familiares e amigos mais íntimos da criança. O enterro está marcado para às 16 horas.

A tragédia
O crime ocorreu logo depois do intervalo, perto das 16h. David pediu para ir ao banheiro e retornou com a arma em punho. Atirou na professora e saiu imediatamente. Foi para uma escada e atirou na própria cabeça. Vinte e dois alunos estavam na sala de aula. Houve correria e pânico, mas as crianças não se machucaram.

David chegou a ser socorrido no Hospital de Emergência Albert Sabin, em São Caetano, mas sofreu duas paradas cardíacas, e morreu às 16h50m.

A professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, foi socorrida de helicóptero ao Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Na manhã desta sexta-feira, surgiu uma pichação no muro da escola, com erro de português: "Crianças choram, mas pais não vê". A Prefeitura determinou a limpeza, que já foi feita.

 Jaqueline Falcão e Guilherme Voitch
 (oglobo.com.br)



MAIS MORTES EM ESCOLAS

Esse ano a violência nas escolas já foi destaque no noticiário nacional e internacional. O mais chocante talvez tenha sido o Massacre de Realengo; no dia sete de abril, por volta das 8h30min da manhã, na Escola Municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a escola armado com dois revólveres e começou a disparar contra os alunos presentes, matando doze deles, com idade entre 12 e 14 anos. Oliveira foi interceptado por policiais, cometendo suicídio.

Na quinta– feira passada, uma outra tragédia, dessa vez em São Caetano do Sul, onde um aluno de 10 anos atirou na professora dentro da sala de aula e depois disparou contra a própria cabeça. Os dois foram socorridos com vida, mas o estudante David Mota Nogueira morreu. A professora, identificada como Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, deixou a escola consciente

domingo, 7 de agosto de 2011

Atirador mata 7 pessoas em Ohio, nos EUA, e é morto pela polícia

Atirador mata 7 pessoas em Ohio, nos EUA, e é morto pela polícia

A polícia de Copley, no Estado americano de Ohio, disse que oito pessoas morreram, incluindo um menino de 11 anos, depois que um homem disparou tiros na área da estrada Schocalog e da avenida Goodenough. O atirador está entre as vítimas, morto por policiais após atirar contra os guardas.

Uma mulher sobreviveu aos tiros e está no hospital geral de Akron. Seu estado de saúde não foi informado, de acordo com o site da ABC.

O chefe da polícia de Copley, Michael Mier, disse que o primeiro chamado para o 911 se deu por volta das 11h (hora local) da manhã deste domingo, dizendo que um homem estava atirando na área da estrada Schocalog e da avenida Goodenough. Quando a polícia chegou ao local, encontrou diversas pessoas feridas.

Vizinhos informaram a ABC que o atirador poderia ter uma determinada família como alvo, mas a polícia não recebera nenhum aviso sobre o suspeito ou o que pode tê-lo levado a atirar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Para atirador da Noruega, mistura de raças do Brasil é ‘catastrófica’

Para atirador da Noruega, mistura de raças do Brasil é ‘catastrófica’
Anders Behring Breivik autor do atentado em Oslo

Andrew fez manifesto de 1.518 páginas

A mistura de raças em países como o Brasil resultou em “altos níveis de corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas” para Andrew Behring Breivik, o norueguês que assumiu a autoria dos atentados em Oslo. A observação está presente no manifesto “A European Declaration of Independence – 2083” (Uma declaração de Independência Europeia - 2083) – atribuído a Breivik e divulgado na internet horas antes do massacre na Noruega.
Criminoso covarde: Anders Behring Breivik não é muçulmano, não é de esquerda, não é brasileiro, mas assassinou 91 compatriotas.

A declaração diz ainda que o “Brasil vem se estabelecendo como o segundo país do mundo com o menor nível de igualdade social". Noutro trecho, ele volta a citar o Brasil como exemplo de desigualdade: “(...) Um país que tem culturas que competem entre si vai acabar se dividindo internamente ou, a longo prazo, vai terminar como um lugar permanentemente disfuncional como o Brasil e outros países semelhantes”.

Cheio de referências históricas, o manifesto inclui detalhes da personalidade do agressor, seu modo para fabricar bombas e seu treinamento de tiro, além de um diário detalhado dos três meses que precederam o ataque. Na parte em que fala sobre a fabricação de bombas, ele menciona o acidente radioativo com o césio 137, em Goiânia, que vitimou centenas de pessoas em 1987. “Seja extremamente cuidadoso quando lidar com material radiológico”, alerta Andrew.

O norueguês também incluiu o Brasil na lista de países que sofreram intervenções dos Estados Univos e que se tornaram independentes com “golpes de estado sanguinários”: “Em 1889, o Brasil se tornou uma república via um golpe de estado sanguinário”.

O texto tem as palavras “Brasil” ou “brasileiro” pelo menos 12 vezes no documento.


Por Yahoo! Brasil

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Matador de crianças de Realengo é enterrado em uma cova rasa no Caju

Matador de crianças de Realengo é enterrado no Caju

Rio - Foi enterrado hoje o corpo do atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos no cemitério do Caju, às 9h. Ele matou doze crianças e feriu outras 12 depois de invadir a Escola municipal Tasso da Silveira,em Realengo, no dia 7 de Abril. O corpo do ex-aluno, que estava no IML desde o dia em que cometeu o suicídio após matar as crianças. Nenhum familiar acompanhou o sepultamento que foi feito em uma cova rasa sem lápide. Segundo a polícia,o corpo foi reconhecido, mas constava como não reclamado pelos parentes. O enterro só foi possível devido a determinação da justiça já que o prazo para os familiares comparecerem ao Instituto Médico Legal terminava hoje. A Santa Casa de Misericórdia realizou o sepultamento. O ofício enviado ao Caju é assinado por Sérgio Simonsen, diretor do IML.


Laudo
No último dia 12, o IML divulgou nota afirmando que o laudo cadavérico de Wellington concluiu que o atirador cometeu suicídio. Segundo a nota, os ferimentos penetrantes e transfixantes que levaram a morte de Wellington foram provocados por "ação perfuro contundente de projétil de arma de fogo (PAF) no crânio (têmpora direita) e abdômen com lesão de encéfalo, fígado e rim direito". De acordo com os legistas, um dos indícios de que houve suicídio foi o tiro encostado na têmpora, mas o confronto balístico ainda será finalizado.

A nota do IML informa ainda que a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, determinou que os laudos cadavéricos das crianças não será divulgado.

Entenda o caso
Na quinta-feira (7), por volta de 8h30, Wellington Menezes de Oliveira entrou na escola Tasso da Silveira, em Realengo, dizendo que iria apresentar uma palestra. Já na sala de aula, o jovem de 23 anos sacou a arma e começou a ameaçar os estudantes.

Segundo testemunhas, o ex-aluno da escola queria matar apenas as virgens. Wellington deixou uma carta com teor religioso, onde orienta como quer ser enterrado e deixa sua casa para associação de proteção de animais.

O ataque, sem precedentes na história do Brasil, foi interrompido após um sargento da polícia, avisado por um estudante que conseguiu fugir da escola, balear Wellington na perna. De acordo com a polícia, o atirador se suicidou com um tiro na cabeça após ser atingido. Wellington portava duas armas e um cinturão com muita munição.

Doze estudantes morreram - dez meninas e dois meninos - e outros 12 ficaram feridos no ataque.
Na sexta (8), 11 vítimas foram sepultadas nos cemitérios da Saudade, Murundu e Santa Cruz. Já no sábado pela manhã, o corpo de Ana Carolina Pacheco da Silva, 13, o último a deixar o Instituto Médico Legal (IML), foi cremado no crematório do Carmo, no centro do Rio.

O Globo e UOL

sábado, 16 de abril de 2011

Corpo do atirador de Realengo será enterrado na próxima semana

Wellington Menezes de Oliveira permanece no Instituto Médico Legal e pode ser enterrado como "corpo não reclamado"

Isabela Vieira/Agência Brasil
Foto não datada, mostra Wellington posando com arma
Foto: Reuters
Rio de Janeiro – Mais de uma semana depois do ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, o corpo do atirador Wellington Menezes de Oliveira permanece no Instituto Médico Legal e pode ser enterrado como "corpo não reclamado", na próxima semana, segundo informou a Polícia Civil.

A família tem até a próxima quinta-feira ( 21), fim do prazo de 15 dias contados desde a morte de Wellington, para fazer a liberação do corpo para o enterro. Caso isso não ocorra, ele será sepultado pelo estado no Cemitério de Santa Cruz, na zona oeste da capital fluminense.

Como o corpo do atirador foi identificado, ele não é considerado indigente pela Polícia Civil.

O ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira ocorreu no último dia 7. Na ocasião, Wellington, ex-aluno da escola, entrou nas salas de aula atirando indiscriminadamente. Doze crianças foram mortas e 12 ficaram feridas. Atingido por um policial que foi socorrer as crianças, o atirador se matou. [Fonte: Rede TV!]


Identificar distúrbios mentais na pré-escola pode evitar atos violentos no futuro

Se Wellington de Oliveira tivesse sido tratado na infância, a tragédia que ele provocou poderia ter sido evitada, diz especialista

Wellington de Oliveira, o atirador de Realengo Foto: Reuter

Rio – Caso Wellington de Oliveira tivesse sido avaliado na infância e recebido tratamento adequado, a tragédia na escola Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, poderia ter sido evitada. A afirmação é do psiquiatra Timothy Brewerton, especialista em infância e adolescência e estudioso de casos de tiroteios em escolas, como a de Columbine, nos Estados Unidos, onde dois estudantes mataram 13 colegas em 1999, deixando 21 feridos.

Timothy Brewerton está no Brasil com mais sete psiquiatras e um psicólogo norte-americanos para conhecer o trabalho de algumas instituições que desenvolvem serviços para a infância e adolescência. Ele deu uma palestra para estudantes do curso de psiquiatria infantil da Santa Casa da Misericórdia, no centro do Rio.

“Há muitos distúrbios mentais associados à violência que podem ser identificados precocemente e, se tratados, é possível, sim, evitar que esse indivíduo se transforme num futuro antissocial ou psicopata. Por isso, segundo ele, o papel do Estado é vital, oferecendo um programa educacional e de saúde voltado para a pré-escola.”

O médico explicou que a maioria das doenças mentais se desenvolve na infância e na adolescência. “E este é o momento de intervir, pois faz uma enorme diferença e pode determinar o futuro dessa criança ou adolescente”.

Brewerton disse que embora o bullying (agressões entre alunos) esteja associado a 75% dos casos de ataques a escolas, este não é o fator determinante, mas, sim, o fato de que todos os atiradores que sofreram bullying apresentavam transtornos mentais. O psiquiatra alertou, no entanto, que a pratica de bullying é responsável por muitos problemas de saúde mental e devem ser reprimidos.

“A maioria das escolas americanas fecha os olhos para esse tipo de problema e algumas culpam mesmo a criança que sofre o bullying. Quando há uma briga, as duas crianças são suspensas ou punidas. A violência nas escolas é um problema de saúde pública e é preciso enfrentar isso com mais seriedade”.

Ele informou que dados da Associação Nacional de Educação dos Estados Unidos mostram que 160 mil crianças faltam aula diariamente por medo de ataques ou intimidações. O psiquiatra mostrou que entre 1966 e 2011 ocorreram 66 incidentes envolvendo atiradores em escolas. Do total 70% foram nos EUA (46) e 76% (57) cometidos por adolescentes. “Não existe um perfil. É impossível criar um esterótipo de um possível atirador. Mas posso garantir que a assistência de saúde mental evita todos os dias um ato violento na sociedade”.

O fácil acesso a armas para ele é decisivo no alto número de ataques a escolas em seu país, e não deve ser ignorado, embora as autoridades norte-americanas se recusem a discutir o assunto. “Em 2009, um em cada dez jovens levou uma arma para a escola”, lamentou o médico. “E 58% dos casos de expulsão nas escolas foram por porte de arma, sendo 17% por arma de fogo”.

No entanto, segundo o médico é importante enfatizar que apenas 1% das mortes de crianças ocorre nas escolas, que ainda são um dos locais mais seguros do mundo.

Flávia Villela/Agência Brasil

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Video recuperado no HD do computador mostra que atirador planejava massacre desde 2010

RIO - Video recuperado no HD do computador da casa de Wellington Menezes de Oliveira, e divulgado na tarde desta quarta-feira pela Polícia Civil, mostra que o assassino já planejava uma ação violenta contra uma escola desde julho de 2010. Nas imagens, gravadas por uma webcam, Wellington afirma que se vingará em nome "daqueles que são humilhados, agredidos e desrespeitados, principalmente em escolas e colégios, pelo fato de serem diferentes", como ele acreditava ser.

- Eles descobrirão da maneira mais radical quem eu sou - afirmou o assassino, na gravação.

A polícia científica começou na terça-feira a recuperar dados que haviam sido apagados do computador de Wellington. Para o diretor geral de Polícia Técnica, Sérgio Henriques, as provas até agora recolhidas e os laudos cadavéricos mostram que os alvos do assassino era as meninas.

O Globo -  Elenilce Bottari

Entenda o caso

Por volta das 8h de quinta-feira (7), Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou no colégio após ser reconhecido por uma professora e dizer que faria uma palestra (a escola completava 40 anos e realizava uma série de eventos comemorativos).

Armado com dois revólveres de calibres 32 e 38, ele invadiu duas salas e fez vários disparos contra estudantes que assistiam às aulas. Ao menos 12 morreram e outros 12 ficaram feridos, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Saúde.

Duas adolescentes, uma delas ferida, conseguiram fugir e correram em busca de socorro. Na rua Piraquara, a 160 m da escola, elas foram amparadas por um bombeiro. O sargento Márcio Alexandre Alves, de 38 anos, lotado no BPRv (Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário), seguiu rapidamente para a escola e atirou contra a barriga do criminoso, após ter a arma apontada para si. Ao cair na escada, o jovem se matou atirando contra a própria cabeça.

Com ele, havia uma carta em que anunciava que cometeria o suicídio. O ex-aluno fazia referência a questões de natureza religiosa, pedia para ser colocado em um lençol branco na hora do sepultamento, queria ser enterrado ao lado da sepultura da mãe e ainda pedia perdão a Deus.

Os corpos dos estudantes e do atirador foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, para serem reconhecidos pelas famílias. Onze estudantes foram enterrados na sexta-feira (8) e uma foi cremada na manhã de sábado (9).

O corpo do atirador permanece no IML. Ele ficará no local por até 15 dias aguardando reconhecimento por parte de um familiar e liberação para enterro. Caso isso não ocorra, o homem pode ser enterrado como indigente a partir do dia 23 de abril. (R7)

Atirador do massacre que matou 12 alunos de Escola do Rio consumia bebida alcoólica e fumava

Criado por pais seguidores da seita Testemunhas de Jeová, a partir de 2010 Wellington passou a dizer que frequentava uma mesquita

AGÊNCIA ESTADO

Autor do massacre que matou 12 alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, Wellington Menezes de Oliveira consumia bebidas alcoólicas e fumava cigarros em excesso desde 2009, após a morte da mãe adotiva, de acordo com o depoimento de familiares à Delegacia de Homicídios (DH). A revelação contradiz ainda mais a hipótese de uma ligação entre ele e um grupo religioso ou extremista.

Os depoimentos à polícia mostram que a suposta ligação foi revelada pelo próprio atirador aos parentes e ao seu barbeiro, mas nunca foi comprovada. Ele disse à irmã, ao primo e a um sobrinho que havia se tornado "adepto de Bin Laden", depois que deixou a barba crescer até a altura do peito, a partir de outubro do ano passado.

Todos os familiares dizem que os problemas com a bebida e as ideias confusas sobre suicídios e assassinatos em massa ficaram mais intensas após a morte da mãe de criação de Wellington, Dicéa Menezes de Oliveira. Ele ficou isolado dos parentes, abandonou o emprego no almoxarifado de um abatedouro de frangos e foi morar sozinho em Sepetiba, na zona oeste. Em 2010, ele iniciou uma transformação visual com o crescimento da barba e "começou a se intitular fundamentalista", depois de ficar obcecado pelas imagens do atentado contra as Torres Gêmeas, em Nova York, ocorrido em setembro de 2001.

Criado por pais seguidores da seita Testemunhas de Jeová, a partir de 2010 Wellington passou a dizer que frequentava uma mesquita no centro do Rio e na Barra da Tijuca. No entanto, não existe templo muçulmano na Barra da Tijuca e o situado no centro da cidade está fechado há três anos. A única mesquita da cidade funciona na Tijuca, na zona norte.

Um funcionário do matadouro, onde Wellington trabalhou, também revelou que ele era alvo de gozações na empresa, assim como os parentes confirmaram à DH que Wellington também era perseguido na escola.

Todos os depoimentos apontam que o criminoso tinha algum problema mental. "Wellington parecia ter distúrbios mentais, pois se sentava na cadeira e ficava olhando para o espelho fixamente, olhando repentinamente para os lados", contou o cabeleireiro Maxwell Almeida, de 30 anos, que cortava o cabelo do atirador há sete anos. O primo L., de 24 anos, chegou a criticar a família ao afirmar que o rapaz era "muito louco e muito estranho", mas nenhum parente"admitia as debilidades de Wellington".

Sigilo

A juíza Alessandra de Araújo Bilac de Moreira Pinto, da 42.ª Vara Criminal do Rio, autorizou hoje, a quebra do sigilo eletrônico de Wellington Menezes de Oliveira. O pedido partiu da DRCI - Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, e pretende esclarecer se houve participação direta ou indireta de outras pessoas no fato, "levando em conta que há indícios de que o atirador participava de organização religiosa capaz de cometer atos semelhantes ao ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira."

Cartas às famílias

Agentes do governo federal entregaram hoje cartas da presidente Dilma Rousseff às famílias das vítimas do massacre. A mensagem foi elaborada pelo gabinete pessoal da presidente. No documento, Dilma diz que "não há qualquer palavra que possa reduzir vossa dor. É terrível que crianças indefesas possam perder seu futuro num momento de tamanha violência".

Dilma diz ainda que "o coração que me dói é o de mãe e avó. Permitam, mesmo que por um instante, dividir com vocês esse momento de perda e angústia. Recebem meu respeito, meu amor e minha solidariedade".


terça-feira, 12 de abril de 2011

Em vídeos, atirador de Realengo fala de razões para ataque

Imagens foram obtidas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, e divulgadas na noite desta terça-feira

Segundo o laudo, a arma estava encostada
na cabeça de Wellington Menezes de Oliveira,
o que comprova que foi ele quem atirou
Foto:  Reprodução/AE
Dois vídeos divulgados na noite desta terça-feira mostram o suposto atirador que assassinou 12 crianças em uma escola no Realengo, no Rio de Janeiro, explicando os motivos do crime. As gravações teriam sido feitas dois dias antes do massacre. Nas imagens, obtidas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, Wellington Menezes de Oliveira fala sobre as razões para atacar os estudantes.

Mensagem foi gravada em dois arquivos de vídeo.
Ele culpa pessoas que chama de 'covardes' pelo ato que cometeu.


Em dois vídeos gravados antes de assassinar 12 crianças em uma escola de Realengo, no Rio de Janeiro, Wellington Menezes de Oliveira fala sobre as razões para atacar os estudantes. As imagens teriam sido feitas supostamente dois dias antes do massacre.

O Jornal Nacional teve acesso à mensagem deixada pelo atirador, que foi gravada em dois arquivos de vídeo. Ele aparece sem barba, na frente do que parece ser um muro.



Nas imagens, Wellington tem a mesma fisionomia e está no mesmo local de uma foto usada em um perfil atribuído a ele no site de relacionamentos Orkut. Aparentemente, o próprio rapaz gravou o vídeo.
Wellington fala de maneira confusa sobre os supostos motivos do crime e culpa pessoas que chama de "covardes" pelo ato que cometeu.

"A luta pela qual muitos irmãos no passado morreram, e eu morrerei, não é exclusivamente pelo que é conhecido como bullying. A nossa luta é contra pessoas cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem”, afirma.

Na segunda parte do vídeo, o assassino dá detalhes do longo planejamento da ação e diz porque tirou a barba de forma premeditada.

"Os irmãos observaram que eu raspei a barba. Foi necessário, porque eu já estava planejando ir ao local para estudar, ver uma forma de infiltração. Eu já tinha ido antes, há muitos meses. Eu fui. Eu ainda não usava barba. Eu fui para dar uma analisada”, diz.

O atirador também diz que esteve na escola dois dias antes do massacre. “Hoje, é segunda, terça-feira, aliás. Eu fui ontem, segunda. Hoje é terça-feira, dia 5. E essa foi uma tática para não despertar atenção. Apesar de eu ser sozinho, não ter uma família praticamente... eu vivo sozinho, não tenho pessoas a dar satisfação. Mas, como eu precisava ir ao local e interagir com pessoas, para não chamar atenção, eu decidi raspar a barba”, afirma.

O Instituto Médico Legal divulgou, nesta terça-feira (12), o laudo cadavérico de Wellington Menezes de Oliveira. Segundo o documento, o assassino sofreu lesões no crânio provocadas por um tiro na têmpora direita, o que comprova que ele se suicidou.


Do G1, com informações do Jornal Nacional

Massacre na escola: "Fingi que estava morto", conta menino sobrevivente

"Fingi que estava morto", conta sobrevivente

Carlos Matheus, que levou três tiros do atirador Wellington Menezes de Oliveira, conta como escapou da morte na escola Tasso da Silveira


Carlos Matheus com a família: para sobreviver, ele figiu que estava morto
(Cecília Ritto)
A história do menino Carlos Matheus Vilhena de Souza, de 13 anos, se encaixa com a do colega Mateus Moraes, da mesma idade. O segundo é o aluno que ficou conhecido por ter sido poupado pelo assassino Wellington Menezes de Oliveira: “Relaxa, gordinho, não vou te matar”, disse o maníaco, pedindo passagem para abrir fogo contra outros alunos.

Carlos Matheus era quem estava logo atrás de Mateus, “o gordinho”. Ele foi baleado três vezes e foi operado às pressas no Hospital Albert Schweitzer, com outras vítimas do atirador. Na tarde desta segunda-feira, com o braço esquerdo ainda enfaixado, ele contou como escapou do matador.

“Eu fingi que estava morto. Caí no chão do lado da Laryssa (uma das meninas mortas). Depois ouvi a polícia gritando e percebi que tinha chegado ajuda. Depois, ouvi três tiros do lado de fora. Mais alguns minutos, um vizinho chegou e me levou para a ambulância", lembra Carlos Matheus.

Ele estava na segunda sala atacada por Wellington, onde estava a professora Patrícia. O assassino primeiro foi à sala da professora Leila. “A minha professora, quando viu o que era, se mandou. As meninas foram para trás da mesa da professora, por isso foram alvos fáceis. Depois de atingir as meninas, ele atirou em mim. Eu tinha ido para trás da carteira. Do aluno da frente, o gordinho, ele gostou e disse que não ia matar. Eu estava logo atrás dele. Ele mandou o Mateus sair, e deixar a frente livre para atirar em mim”, lembra o menino, ainda assustado.

"As meninas fora para trás da mesa da professora, por isso foram alvos fáceis. Depois de atingir as meninas, ele atirou em mim. Eu tinha ido para trás da carteira. Do aluno da frente, o gordinho, ele gostou e disse que não ia matar. Eu estava logo atrás dele”, conta Carlos Matheus


Wellington deu três tiros em Carlos Matheus. Um o acertou de raspão no peito. Outro no antebraço e outro no braço esquerdos. Acompanhado do pai, o motorista Carlos Alberto Vilhena de Souza, 35 anos, do irmão, Carlos Alberto, de 14, e da mãe, Carla, de 31, o pequeno sobrevivente tenta se livrar o trauma. Carlos Matheus não quer mais voltar para a Tasso da Silveira. Nem o irmão, que estuda no horário da tarde. O pai entende o pedido. “A gente queria que tudo isso fosse fácil, mas não é”, comenta.

Carla foi a primeira mãe a chegar ao Albert Schweitzer. Assim que soube da confusão na escola, ela correu para o portão da Tasso da Silveira. Lá, foi informada de que Carlos Matheus “já tinha ido”.

“Vim para casa, achando que ele tinha sido liberado. Meu cunhado avisou que ele estava no hospital. Ele estava subindo para a cirurgia. Peguei na mão dele, ele começou a chorar. Estava todo ensanguentado. Falei para ele ficar tranquilo, que não o largaria”, lembra Carla. A primeira noite foi a mais difícil. Carlos Matheus acordava gritando, com medo de o assassino voltar. “Ele queria saber quem eram os colegas que tinham morrido”, lembra a mãe.

Em casa, Carlos Matheus começa a tentar retomar a vida. Psicólogos orientaram a família a deixar que ele fale sobre o problema quando se sentir à vontade. É certo que as lembranças daquela quinta-feira talvez nunca mais o abandonem. Por enquanto, ele já tem um objetivo. “Prefiro mudar de escola e não quero ver mais aquela sala. Mas não quero perder esse ano. Repetir não dá”, diz, determinado.

Fonte: VEJA

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Matança na escola: Textos deixados por Wellington revelam mente perturbada


Eles reforçam a mania de perseguição, e fazem uma enorme confusão de preceitos religiosos, que não têm nada a ver com a doutrina real dessas religiões.
Wellington de Oliveira se colocava no papel de vítima. Dizia ter sido alvo de maus tratos na escola. E decidiu se vingar matando crianças inocentes, que não tinham nada a ver com as agressões que ele sofreu. Vamos conhecer mais textos de Wellington. Eles reforçam a mania de perseguição, e fazem uma enorme confusão de preceitos religiosos, que não têm nada a ver com a doutrina real dessas religiões. Sugerem, também, uma possibilidade perturbadora. Se não for delírio, o assassino pode ter tido, no passado, contato com um grupo extremista.

Livros espalhados sobre a cama. Mais uma cena que chamou a atenção dos peritos que entraram na casa do atirador no dia do crime. Entre os volumes, "Estudo perspicaz das escrituras", "Anuário das Testemunhas de Jeová", "O segredo de uma família feliz", "Tradução das escrituras sagradas".

Para o professor de teologia da PUC do Rio Paulo José Tapajós Viveiros não são livros que permitem um estudo profundo de nenhuma religião:

"Você não vai encontrar nesses livros um lado mais radical, um lado mais fundamentalista, pode até encontrar, mas de uma forma muito subliminar”.

O Fantástico teve acesso a manuscritos encontrados na casa do assassino. Há um exercício de inglês, anotações soltas, e o principal deles: uma espécie de carta, aparentemente dirigida a uma mulher, escrita provavelmente antes da morte da mãe, há dois anos.

Há muitas referências religiosas e sinais de tendências suicidas.

"Os prazeres e o reconhecimento deste mundo são coisas passageiras e o que importa é ser reconhecido por Deus, porque não será com as pessoas limitadas desse mundo que viverei, eternamente e sim com Deus" 
Wellington é de uma família de Testemunhas de Jeová e critica os pais por não seguirem os preceitos da religião estritamente.

"Meus pais têm fé em Jeová, mas deixam de cumprir com as exigências da congregação" 
Ele relata sua rotina:

"Infelizmente tenho que dividir meu tempo com tarefas de colégios, limpeza da casa, e ir à Igreja das Testemunhas de Jeová". 
Em nota, a liderança das Testemunhas de Jeová no Rio de Janeiro diz que "o homem que cometeu os crimes bárbaros na Escola Municipal Tasso da Silveira não era membro da religião das Testemunhas de Jeová." E expressa "solidariedade às famílias das vítimas".

Nos últimos anos, Wellington parece se interessar também por outra religião: o islamismo.

Uma das irmãs do atirador disse à polícia, em depoimento, que Wellington passou a frequentar uma mesquita no Centro do Rio.

Na carta, ele relata um conflito:

"Já errei com minha família, mas eu mudei com o alcorão e eles não confiam em mim..." 
Wellington faz referência ao que seria um grupo. E relata dividir o próprio tempo entre orações e reflexões sobre o terrorismo.

"Estou fora do grupo, mas faço todos os dias a minha oração do meio-dia, que é a do reconhecimento a Deus, e as outras cinco, que são da dedicação a Deus e umas quatro horas do dia passo lendo o alcorão. Não o livro, porque ficou com o grupo, mas partes que eu copiei para mim. E o resto do tempo eu fico meditando no lido e algumas vezes meditando no 11 de setembro". 
Para o professor de Teologia, a mudança é um sinal claro da confusão mental de Wellington:

“Acharia muito difícil um Testemunha de Jeová realmente trocar Jesus por Maomé. Não é que seja contraditório, que seja um contra o outro, mas acho meio complicado um fanático por Jesus ser fanático por Maomé, acho difícil acontecer”. 
O sheik Jihad Hassan diz que Wellington não era muçulmano e afirma categoricamente:
“A religião islâmica proíbe esses atos. A religião islâmica não dá amparo, não ensina, a religião islâmica não dá esses ensinamentos, ela não acolhe esse tipo de pessoa, esse tipo de pensamento, a religião islâmica ensina o bem. Ensina a preservar a vida, e não a tirar a vida”.

Apesar de viver em aparente isolamento, Wellington Menezes de Oliveira deixou muitas pistas que precisam ser seguidas para entender qual foi o caminho que o levou a praticar tal barbaridade. Seguir essas pistas não é um trabalho fácil, porque é preciso separar o que é fato, realidade, do que é pura ficção.

Documentos como os que o Fantástico apresenta levantam muitas perguntas, que precisam ser respondidas. Por exemplo: Wellington participou de algum grupo extremista, com ligações até no exterior, como diz nos papéis? Ou isso é apenas fruto de uma imaginação fértil e doentia?

No manuscrito, Wellington volta a citar o "grupo" e o nome de alguém que teria vindo do estrangeiro se repete: Abdul.

"Tenho certeza que foi o meu pai quem os mandou aqui no Brasil. Ele reconheceu o Abdul e mandou que ele viesse com os outros precisamente ao Rio, porque quando eu os conheci e revelei "tudo" a eles eu fui "muito" bem recebido e houve uma grande comemoração" 
No mesmo trecho, ele diz algo que pode ser uma referência ao atentado de 11 de setembro. O tal Abdul parece ter se vangloriado de quase ter participado do atentado às torres gêmeas, uma fanfarronice para impressionar Wellington, se for verdadeira essa interpretação:

"E o Abdul teve uma conversa comigo e me revelou que conheceu meu pai e que chegou a comprar uma passagem para um dos voos, mas não fazia parte do plano e usou uma identidade com algum dado incorreto pensando no futuro para não reconhecerem ele". 

Mais adiante, surge um novo nome, Phillip. E sinais de desentendimento dentro do grupo.

"Tive uma briga com o Abdul e descobri que o Phillip usava meu PC para ver pornografia. Com respeito ao Phillip, eu já esperava isso. Mas do Abdul eu não esperava isso. Nos dávamos bem e ele sempre foi flexível nas nossas conversas e dessa vez ele foi muito rígido." 

O motivo da briga teria sido uma menina, de uma certa igreja, que Wellington teria tentado levar ao grupo:

"É que eu resolvi falar sobre a menina que me convidou a ir à igreja dela e antes de eu terminar, ele já foi cortar ela logo no início, ao invés de ouvi-la. Depois disso ele me ligou umas vezes e eu disse que estou saindo por respeito ao grupo" 

Wellington também manifesta vontade em conhecer países de população islâmica:

"Pretendo trabalhar pra sair desse estado ou talvez irei direto ao Egito." 
Além da carta, a polícia encontrou uma folha com anotações soltas, e uma referência à Malásia, um país de maioria islâmica, onde há alguns dos edifícios mais altos do mundo. Ele anota que é preciso verificar as condições climáticas da Malásia em setembro, mês dos ataques de 2001 em Nova York. Sinais de uma mente delirante, obcecada por atentados:

"Retornar fotos e dados sobre tais condições climáticas na Malásia no mês de setembro". 
A fixação pelo terrorismo tinha sido percebida por pessoas que conviviam com Wellington, como o barbeiro que o atendia há sete anos.

À polícia, ele disse que "no último ano Wellington passou a deixar a barba crescer, atingindo o comprimento até o peito". Quando brincou com Wellington, dizendo que cortaria a barba dele, o cliente o impediu, dizendo: "Vou ser expulso".

O barbeiro entendeu que Wellingon se referia ao grupo de islamismo, pois ele dizia que o islã era a religião mais correta, e que estava estudando o alcorão.

De tudo o que veio à tona, não há dúvida de que o assassinato dos 12 alunos foi obra solitária de Wellington. Mas os manuscritos revelados pelo Fantástico podem levantar uma ação paralela: o atirador teve contato com algum grupo radical? Abdul e Phillip existem? A polícia vai investigar?

“Eu acho que é uma necessidade. Nenhuma prova pode ser excluída. Há necessidade de se buscar tudo, desde uma simples suspeita. Se a gente pensar num quebra-cabeça, e uma investigação é sempre um quebra-cabeça, uma peça pequena pode estabelecer várias ligações e pode dar a solução para a montagem de um mosaico. Tudo é importante numa investigação. Qualquer policial sabe muito bem disso”, avalia Walter Maierovitch, jurista especializado em criminologia.

O responsável pelo inquérito, no entanto, não considera necessário abrir essa linha de investigação.

“Tudo afasta de grupos extremáticos, e sim um louco, que de forma covarde resolveu buscar atingir a vida de crianças indefesas pra depois se suicidar como ocorreu”, analisa o delegado Felipe Ettore.

Líderes espirituais e especialistas concordam que atos como o do assassino Wellington nada têm a ver com religião.

“A coisa mais complexa quando alguém pode ter uma conduta fanática é que ele não consegue enxergar a si mesmo como alguém que está num nível equivalente a outros seres humanos. Ele se considera ou um escolhido, ou um eleito, ou uma pessoa especial. Esta auto-imagem muito completa, aquela que não tem críticas sobre si mesmo, ela dá uma convicção e a convicção vira obsessão e a obsessão pode gerar uma conduta horrorosa, como a que nós tivemos”, explica Mário Sérgio Cortella, especialista em estudos da religião.

“Acho muito importante as pessoas saberem diferenciar esses discursos ultra-radicais, intolerantes, de posições, de tradições, de religiões, que na verdade são de milhões de pessoas pelo mundo inteiro, que não se pautam por esse nível de violência, não se pautam por nada que tenha essa função destrutiva”, afirma Nilton Bonder, rabino da Congregação Judaica do Brasil.

Fonte:  Fantástico 

domingo, 10 de abril de 2011

Wellington, o atirador do massacre de Realengo, em carta parabeniza vítima de bullying que reagiu a ataque de agressor em escola australiana

O homem que atirou contra alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, deixou uma segunda carta sobre o ataque em sua casa. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, queimou seu computador e, explicou num bilhete que precisava fazer isso para "proteger fornecedores". Ele não explicou quem seriam essas pessoas, mas a polícia chegou aos homens que lhe venderam as duas armas usadas no tiroteio e fez pesquisas sobre aula de tiros.

Wellington - Atirador deixou 2ª carta e alegou
 proteger "fornecedores"
Wellington também disse pessoas que "se aproveitam da bondade ou da inocência de um ser" foram as "responsáveis por todas essas mortes, inclusive a minha". Na carta, deixou sinais que teria sofrido bullying no colégio: "Muitas vezes, aconteceu comigo de ser agredido por um grupo e todos os que estavam por perto debochavam, se divertiam com as humilhações que eu sofria sem se importar com meus sentimentos."
"Quero parabenizar o irmão Casey Heynes pela sua excelente atitude", registrou, numa referência ao menino que ficou famoso após um vídeo em que aparece revidando com violência ao bullying vazou na internet.

Atentado
Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e, segundo a polícia, se suicidou logo após o atentado. O atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.

Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola quando foi acionado. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Numa carta, Wellington não deu razões para o ataque - apenas pediu perdão a Deus e que nenhuma pessoa "impura" tocasse em seu corpo.





Menino acima do peso apanha na escola e acaba revidando as agressões. Ele ergue o garoto no alto e atira o mesmo no chão, quebrando sua perna. Entenda os perigos do bullying na mente de crianças e adolescentes.

Wellington sofria bullying e deixou tratamento psicológico

Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, planejou o ataque à escola onde, quando criança, era ridicularizado, tendo chegado a ser jogado na lata de lixo.

Um de seus apelidos era Sherman, em referência a um nerd do filme American Pie. Outro era Suíngue, por mancar de uma das pernas.

Sua masculinidade era colocada em dúvida, sendo chamado de "viadinho", segundo o Extra, e de "o virgem", já mais velho, no trabalho.

Na adolescência, encontrou refúgio na web, em jogos violentos, e na religião.

Testemunha de Jeová, se interessou pelo islamismo e escreveu em carta, encontrada pelaVeja, que lia o Alcorão quatro horas por dia, e que o atentado às Torres Gêmeas o fazia meditar.

Uma semana antes do crime, Wellington esteve na escola para pedir 2ª via do histórico, o que, para a criminóloga Illana Casoy, mostra seu problema com o colégio, onde ele escolheu matar e morrer.

Só humilhação não explica

O bullying, por si só, não explica o crime, afirma o psiquiatra Gustavo Teixeira. Segundo declarou à Folha de S.Paulo, matar em série dá indício de doença mental.

Há cinco anos, Wellington abandonou o tratamento psicológico.