Corpo de aluno que morreu em escola do ABC é velado
Davi Nogueira tinha 10 anos e atirou na própria cabeça.
Antes, ele feriu uma professora; crime foi em escola de São Caetano do Sul.
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| Alunos da escola, acompanhados dos pais, foram ao velório (Foto: Carolina Iskandarian/G1) |
A família do garoto não quis dar entrevistas. Na porta do velório, a todo momento chegavam amigos do irmão mais velho de Davi, um adolescente que teria 17 anos. Alguns pais de alunos da escola também foram velar o corpo da criança.
O administrador do Cemitério das Lágrimas, Roberto Morales, contou que só na manhã desta sexta (23) o local e o horário do enterro serão definidos.
O estudante Lucas Fernando Alves Rocha de Souza, de 15 anos, contou que viu o corpo de Davi no chão logo após o menino disparar contra a própria cabeça. “Subimos para a sala (depois do intervalo) e logo ouvimos o barulho do disparo. Ele caiu na escada, ficou tremendo.”
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| David Mota Nogueira. Menino atirou na professora em sala de aula e se suicidou com tiro na cabeça |
Em coletiva mais cedo, o secretário da Segurança Pública do município, Moacyr Rodrigues, disse que o revólver usado por Davi era do pai dele, um guarda-civil municipal. No entanto, a arma era particular, e não da corporação. Guardas-civis, colegas de trabalho do pai do menino, faziam a segurança da sala do velório.
Morte em escola. Garoto que se matou em SP pode ter tentado assustar professora, diz delegada Brenda Tayná Souza, de 16 anos, e aluna do 9º ano, contou que houve pânico e correria nos corredores da escola. “Pensamos que era uma bomba. Foi horrível”, disse ela sobre o barulho dos disparos.
Carolina Iskandarian
Do G1, em São Caetano do Sul
Aluno que atirou no ABC fez desenho com armas e professor, diz polícia
Desenho foi encontrado dentro de mochila, junto com o material escolar.
Pai do menino foi ouvido informalmente pela polícia.
Além da mochila, a polícia apreendeu também o revólver calibre 38, que pertence ao pai de David, o guarda-civil metropolitano Milton Evangelista Nogueira. De acordo com a delegada, o pai do menino foi ouvido informalmente por cerca de 30 minutos. Segundo Lucy, ele se encontra bastante abalado com o ocorrido.
O guarda-civil contou à polícia que levou o filho à escola e que chegou a carregar a mochila dele. Ao retornar para casa, deu por falta da arma, que costumava deixar escondida sobre o armário do quarto. Em seguida, ele relatou que ligou para a mulher, mas, diante da negativa dela sobre o paradeiro da arma, decidiu voltar para a escola, segundo a delegada. "Ele disse que pressionou os dois filhos, o mais novo de 10 e o adolescente de 14 anos, mas eles negaram todo o tempo saber da arma. Ele então disse que voltou para casa para fazer uma busca mais minuciosa", disse Lucy.
De acordo com a delegada, o guarda-civil lamentou profundamente não ter olhado na mochila do filho e se disse arrasado com a tragédia. No boletim de ocorrência, o crime foi registrado como ato infracional, mas, segundo a delegada, o correto é ato antissocial. "É o ato cometido por menor de 12 anos", disse. Em relação ao guarda-civil, ele deverá ser enquadrado com base no Estatuto do Desarmamento, por não ter guardado a arma de forma adequada.
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| Mochila também foi apreendida (Foto: Marcelo Mora/G1) |
O caso
O estudante da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão atirou na professora por volta das 16h, e depois disparou contra a própria cabeça. Ele havia acabado de sair do intervalo, quando pediu para ir ao banheiro. Na volta, chegou atirando. De acordo com a Prefeitura, os dois foram socorridos com vida, mas o estudante morreu.
A professora, identificada como Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, deixou a escola consciente. No momento em que o menino do 4º ano usou a arma, havia 25 estudantes na classe.
O secretário da Segurança de São Caetano do Sul disse que quando um guarda-civil sai com a arma para trabalhar ele a devolve no final do expediente. "[O pai do garoto] é um homem de bom conceito dentro da Guarda Civil, com mais de 14 anos dentro da corporação", disse Rodrigues, acrescentando que esta "é uma situação muito difícil de descrever".
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| Revóver calibre 38 utilizado pelo aluno (Foto: Marcelo Mora/G1) |
As aulas na escola foram suspensas nesta quinta e na sexta-feira (23). A Prefeitura afirmou que o menino era considerado um aluno calmo e sem histórico de violência. O motivo para o crime ainda é desconhecido.
O delegado-titular da Delegacia-Sede de São Caetano do Sul, Francisco José, disse que o pai do garoto pode ser responsabilizado criminalmente pelo ocorrido. "Vamos investigar se ele agiu com imprudência ou negligência na guarda desta arma", afirmou.
O delegado informou que irá procurar famílias de outros alunos da escola e que duas testemunhas adultas serão ouvidas já nesta sexta-feira (23).
Movimentação era intensa na porta da escola de São Caetano (Foto: Reprodução/ TV Globo)





