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domingo, 24 de março de 2013

Apanhador de café faz 20 reféns em igreja evangélica

Após sair da igreja, ele levou uma mulher e andou 18 quilômetros com ela até Itaguaçu
Catador de café faz 20 reféns em igreja evangélica Após sair da igreja, ele levou uma mulher e andou 18 quilômetros com ela até Itaguaçu


O catador de café Sebastião Barcelos do Nascimento, de 32 anos, ameaçou 20 pessoas em uma igreja e fez uma fiel de refém após fugir por ter furtado R$ 1,35 mil em dinheiro da casa do patrão em Alto Paraju, interior de São Roque do Canaã, no Noroeste do Estado. Antes de ser preso, ele fugiu por 16 km a pé e precisou ser convencido por um delegado e um oficial da PM a liberar a refém.


O homem entrou em uma igreja Assembléia de Deus e rendeu cerca de 20 fiéis com uma arma. Para continuar a fuga, ele pediu uma moto para ir para Alto Limoeiro, mas não conseguiu. Então, levou uma mulher de 23 anos e fugiu a pé, com um revólver calibre 38 apontado para ela. O sequestro aconteceu na noite de sábado e foi até a madrugada deste domingo.

De acordo com a Polícia Militar, o catador fugiu por uma estrada estreita no meio do mato e andou juntamente com a mulher por 16km até Itaguaçu. Chegando à cidade, ele ficou sentado com a mulher em uma calçada da rua principal, e continuava com a arma apontada para cabeça dela.

O delegado de Itaguaçu, Adriano Scárdua, foi ao local, e, com a ajuda do tenente César Cristófari - que estava no comando dos policiais militares -, conseguiram negociar com o catador e libertar a mulher sem que ninguém ficasse ferido.

Scárdua conta que quando chegou onde o catador e mulher estavam, a PM já tinha feito o cerco. "Negociamos, e em um momento de distração dele, parti para cima e dominei o catador. Ele não atirou em ninguém", detalhou o delegado.

Preso
O catador foi preso e encaminhado para Delegacia de Colatina. O delegado de plantão em Colatina Isaac Gagno indiciou o catador Sebastião Barcelos do Nascimento pelos crimes de sequestro e furto qualificado.

Gagno disse ainda que foram três horas de negociação, e Sebastião com a arma apontada na cabeça da refém. Segundo o delegado, consta na ocorrência que ela ficou em estado de choque e que foi encaminhada para um hospital de Itaguaçu.

O delegado informou que Sebastião furtou, além da casa do patrão, também a casa do pai do patrão, em Alto Paraju. Em depoimento, o suspeito negou o crime, disse que a moça foi a única que o ajudou. Gagno disse que o homem estava com sinais de embriaguez.

Arma
A arma do crime foi apreendida e o dinheiro também. O catador disse à polícia que comprou o revólver de um caminhoneiro. Sebastião já tinha um mandado de prisão em aberto, e era fugitivo do regime semiaberto.

O caso será encaminhado para Delegacia de Itaguaçu. Sebastião foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Colatina. Participaram da ação policiais militares de Santa Teresa, São Roque, Itaguaçu, além da Polícia Civil e GAO de Itaguaçu. Segundo a PM, o catador mora em Afonso Cláudio, mas todos os anos ele vai para São Roque catar café.



Fonte: A Gazeta

sábado, 16 de março de 2013

Igreja metodista em Portland: 'Deus prefere ateus bons a cristãos com ódio'

Uma igreja metodista em Portland (Oregon, EUA) causou controvérsia ao exibir na sua entrada a mensagem "Deus prefere ateus bons a cristãos com ódio". Muitos fiéis da United Methodist Church (Igreja Metodista Unida) e  de outras igrejas cristãs se sentiram ofendidos, mas muitos outros vieram manifestar simpatia, de acordo com Kay Pettygrove, a administradora do templo.

A medida foi do reverendo Tom Tate, que notou a necessidade de incentivar que o seu rebanho demonstre mais amor aos que estão ao seu redor.

A mensagem pode ter sido uma pílula difícil de engolir para alguns cristãos que acreditam que a crença não é uma ocorrência social trágica - ainda mais trágicos são os cristãos se comportando mal - Kay Pettygrove, o administrador da igreja, disse que a positividade foi o sentimento predominante . Pettygrove afirma que houve 30 comentários positivos para cada um negativo e diz que a Igreja está "perplexo" com a resposta.

"Eu recebi um e-mail de um jovem Mórmon dizendo: 'Muito obrigado. Isso me fez repensar a forma como eu trato as pessoas", ele explicou. "Muitos ateus disseram: 'Se houvesse mais igrejas como a sua, nós provavelmente reconsideraríamos."

Rev. Tate, cuja igreja tem 385 membros, afirma que o sinal mostra "hospitalidade radical" para com aqueles que se sentem alienados de sistemas de fé.

"Ele tocou em um o interior de pessoas de uma forma que foi muito surpreendente para mim", Tate proclamou.


A foto se tornou viral nas redes sociais, amplificando a polêmica.


Fonte: theblaze.com


terça-feira, 12 de março de 2013

Pastor da Maranata mostrou arma para testemunha mudar depoimento, diz promotor

Promotor: "Pastor da Maranata chegou a mostrar arma para testemunha mudar depoimento". Pelo menos seis pessoas que colaboraram com às investigações foram coagidas moralmente


Polícia prende presidente e ex-presidente e outros dois pastores da igreja Maranata


Foram presos o atual presidente Elson Pedro dos Reis, o ex-presidente Gedelti Gueiros e outros dois pastores, Amadeu Loureiro e Carlos Itamar Coelho

Pelo menos seis testemunhas foram coagidas por membros da cúpula da Igreja Maranata para que mudassem o depoimento nas investigações sobre desvio de dinheiro do dízimo pago pelos fiéis. A afirmação é do promotor Paulo Panaro, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, que investiga as denúncias.

Em entrevista à Rádio CBN Vitória, na manhã desta terça-feira (12), o promotor informou que, além das testemunhas, investigadores, promotores e até juízes alegaram ter sofridos ameças indiretas de pessoas ligadas à Igreja Maranata.

Uma das testemunhas afirmou em depoimento prestado ao Gaeco que foi convidado a alterar o discurso porque estaria atrapalhando a vida de muitas pessoas. Segundo o promotor, a testemunha ainda confirmou que, ao ser confrontado por um membro da igreja, havia uma arma sobre a mesa para intimidá-lo. "Se fizeram isso com juízes, imagine o que não fazem comigo", disse a testemunha em depoimento.

Paulo Panaro disse que os membros da cúpula da Igreja Maranata se utilizam do poder administrativo que possuem e da credulidade dos fiéis para alterar os depoimentos. "O que você está fazendo não está bom. Está prejudicando fulano e sicrano. Ficaria melhor se você puder ir lá e mudar o depoimento", narrou Panaro, sobre um trecho de um depoimento de uma testemunha coagida.

Foto: Letícia Cardoso | CBN Vitória (93,5 FM)
Policial federal recolhe documentos na casa do pastor Amadeu Loureiro. Ao lado, carro com o religioso seguindo para a sede da Polícia Federal

Segundo o promotor Paulo Panaro, às investigações vão continuar pelo tempo que for necessário. "Os membros da Igreja Maranata detidos nesta terça-feira, entre eles o atual presidente, Elson Pedro dos Reis, o ex-presidente Gedelti Gueiros e outros dois pastores, Amadeu Loureiro e Carlos Itamar Coelho, estão envolvidos nas coações de testemunhas", disse o promotor.

Nas tentativas de coação a integrantes do Ministério Público, os acusados tentavam, diplomaticamente, como ressaltou o promotor, convencê-los a mudá-los o procedimento de investigação. "Eles tentaram coagir, mas um promotor ou qualquer outra pessoa do órgão não são ignorantes e conseguiram detectar estas tentativas de fraudes nos inquéritos".

Com a detenção dos líderes, o Gaeco aguarda uma indicação de um nome, que deverá passar por apreciação da Justiça, para que administre a instituição pelo período de afastamento dos atuais líderes. Todos os envolvidos foram detidos preventivamente e às detenções não deverão ser longas. "Acredito que não fiquem muito presos, pelo poder de ingerência que a instituição tem em nível municipal, estadual e federal. Acreditamos e queremos que dure o tempo que for necessário. Enquanto mantiverem coações a terceiros, as prisões serão mantidas", concluiu Panaro.

O Ministério Público do Estado destaca, em nota oficial, que "as autoridades responsáveis pelas apurações verificaram que tais condutas foram levadas à efeito objetivando interesses dos investigados em obter situação favorável no âmbito das investigações, intimidando testemunhas e autoridades e dificultando o correto andamento dos trabalhos relativos à desarticulação de um grupo de pessoas, que aproveitando-se do bom nome da Igreja Cristã Maranata (ICM), vem praticando ilícitos, como por exemplo, estelionato, falsidades, tráfico de influência, desvio de erário, lavagem de dinheiro, dentre outros.

Com as prisões, a Justiça busca preservar a vida e incolumidade física e psíquica de testemunhas e autoridades Judiciais, do Ministério Público e da Polícia, todas envolvidas no caso, permitindo o curso livre e desembaraçado dos procedimentos e impedindo afrontas aos poderes constituídos, às leis e a Justiça.

A operação consistiu, ainda, no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão, sendo que todo o material arrecadado será analisado e os presos, juntamente com novas testemunhas, serão ouvidos pelo MPES nos próximos dias.

O MPES finaliza destacando que a ação desta terça-feira não tem como intenção macular a imagem da Igreja Cristã Maranata, ao contrário, respeita-se integralmente a liberdade de crença, direito constitucional de exercício ao culto religioso.

Quem são os presos?

Elson Pedro dos Reis: pastor e atual presidente da igreja Maranata. Ele foi indicado pela própria igreja como interventor, assumiu a presidência no final do ano passado, quando o então presidente Gedelti Gueiros foi afastado do cargo pela Justiça.

Gedelti Gueiros: pastor, ex-presidente e um dos fundadores da igreja Maranata.
Amadeu Loureiro: pastor, médico e faz parte da cúpula da igreja Maranata.
Carlos Itamar Coelho: pastor, advogado e também faz parte da cúpula da Igreja Maranata.


A GAZETA

sábado, 1 de dezembro de 2012

Igreja Cristã Maranata. MP afasta cúpula suspeita de desvio de R$ 21 milhões vindos do dízimo


Na última segunda-feira (26), uma operação do Ministério Público do Estado do Espírito Santo realizou buscas e apreensões na sede da Igreja Cristã Maranata. Algumas horas depois, toda a cúpula da institução foi afastada, incluindo o presidente, Gedelti Gueiros, pastores e diáconos, que também tiveram seus bens bloqueados e a quebra de seus sigilos bancário e fiscal autorizada. A suspeita é de que o esquema tenha desviado R$ 21 milhões vindos do dízimo doado pelos fiéis.

Foto: Nestor Müller

Às 6h de segunda, policiais militares e federais realizaram busca no Presbitério da maranata, em Vila Velha


Ao todo, 26 pessoas e empresas estão sendo investigadas por sua participação em um esquema de corrupção que desviou recursos provenientes do dízimo doado pelos fiéis


Toda a cúpula da Igreja Cristã Maranata – incluindo seu presidente, Gedelti Gueiros – foi afastada e está proibida de entrar nas áreas administrativas da instituição. Ao todo, 26 pessoas e empresas estão sendo investigadas por sua participação em um esquema de corrupção que desviou recursos provenientes do dízimo doado pelos fiéis. Estimativas iniciais da própria igreja indicam que o rombo pode ultrapassar os R$ 21 milhões.

Os envolvidos no esquema – pastores e diáconos – tiveram ainda os bens bloqueados, e foi determinada a quebra de seus sigilos bancário e fiscal. A decisão é da Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, que atendeu a um pedido do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual.


A denúncia da fraude foi divulgada, com exclusividade, em A GAZETA, em fevereiro deste ano. O Ministério Público deu início à investigação e no final do mesmo mês abriu um inquérito criminal.

Operações

Na manhã desta seunda-feira (26), o Gaeco, com o apoio de 72 policiais militares, realizou a busca e apreensão determinada pela Justiça, de documentos e equipamentos em setores da Maranata. O alvo principal foi o Presbitério, localizado em Vila Velha, e que concentra o comando da igreja no mundo.


Foram ainda vistoriadas a Fundação Manoel dos Passos Barros, na Serra, e os Manains de Cariacica, Vila Velha, Serra e Domingos Martins. Não escaparam nem mesmo empresas que prestavam serviços para a igreja, como a Econtábil, de Leonardo Alvarenga, que, além de diácono, era o contador da igreja no país.

Além do Gaeco – cuja operação foi denominada "Entre Irmãos" –, a Polícia Federal fez busca e apreensão nos mesmos locais. As duas operações têm o objetivo de obter mais provas para as investigações iniciadas em fevereiro deste ano. As apurações já apontavam o envolvimento da cúpula da igreja no desvio do dízimo. O golpe era viabilizado por notas fiscais frias, que permitiam a retirada de valores do caixa da igreja. Elas eram emitidas por fornecedores do Presbitério da Maranata com valores superfaturados, bem acima do cobrado pelo serviço. Há indícios de que empresas foram criadas – em nome de laranjas – para essa finalidade.

O dinheiro desviado era destinado a pastores e até a funcionários. Há suspeitas de que o dinheiro era utilizado na compra de imóveis, em pagamento de contas pessoais e na compra de dólares, enviados para o exterior na mala dos fiéis.

Outra saída do caixa investigada pela Polícia Federal é a compra de equipamentos eletrônicos no exterior para o sistema de videoconferência sem pagamento de impostos.

Há indícios da utilização irregular de policiais para guarda e segurança dos membros e templos da igreja, desvios de emendas parlamentares, falsificação de documentos e tráfico de influência. Para justificar as situações por trás dos desvios, o argumento era de que o dinheiro serviria para "ajudar irmãos no exterior".

Desvio de verba pública investigado em fundação

A Fundação Manoel dos Passos Barros, que pertence à Igreja Maranata, é um dos alvos da investigação do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. Há indícios de que houve desvios das verbas públicas destinadas por parlamentares para a instituição. Entre os anos de 2005 e 2011, a fundação recebeu R$ 1,8 milhão.

Entre os parlamentares que destinaram os recursos para a fundação estão Elcio Álvares, Aparecida Denadai, Geovani Silva e Jurandy Loureiro. Os três primeiros são fiéis da igreja; e o último, amigo pessoal do presidente da instituição, Gedelti Gueiros.

Os valores foram entregues para compra de ambulâncias, subvenções sociais, apoio a entidades filantrópicas, compras de equipamentos e melhorias no atendimento. Quem mais fez doações no período foi Elcio (R$ 860 mil), seguido de Aparecida (R$ 450 mil), Geovani (R$ 410 mil) e, por último, Jurandy (R$ 80 mil).

A deputada estadual Aparecida Denadai não acredita que as emendas tenham sido alvo de desvios. "Há algum engano. A fundação é um exemplo de administração do dinheiro público", destacou.

Ela relata que os recursos foram destinados depois que visitou a instituição, onde verificou que os equipamentos eram aplicados no atendimento a pacientes com câncer e problemas renais. "Fiquei impressionada com o trabalho. Ainda acredito que o dinheiro estava sendo bem aplicado", pontua Aparecida.

A parlamentar acrescentou que conhece os administradores da fundação: "São pessoas honestas, competentes. Não acredito que estejam envolvidos em nenhum tipo de desvio", assinala.

O deputado estadual Elcio Álvares destaca que a fundação é credenciada a receber emendas parlamentares e que cabe ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas fazer a fiscalização. "A emenda foi destinada a projetos sociais. Cumpri todas as normas legais", acrescenta. Geovani Silva e Jurandy Loureiro não foram localizados para falar sobre o assunto. Seus telefones estavam desligados.

A fundação leva o nome do primeiro presidente da Maranata, Manoel dos Passos Barros, sogro do atual líder da igreja, Gedelti. É ainda investigada por improbidade administrativa e por pendências relativas a prestação de contas de 2010.

Federal apreende aparelhos em caminhão 

No Manaim de Jaburuna, em Vila Velha, foi localizada nesta segunda-feira por policiais militares e federais a unidade móvel que transmite os cultos da Maranata para templos do Brasil e no exterior. As denúncias que já estão sendo investigadas é de que a unidade foi montada – assim como o sistema de videoconferência da igreja – graças à compra de equipamentos eletrônicos de forma irregular. Aparelhos que estavam dentro do caminhão foram apreendidos.

O material teria sido comprado fora do país e trazido clandestinamente na mala dos fiéis. Em algumas ocasiões, os produtos vinham de Miami (EUA) para o Brasil. Em outras, eram comprados no Paraguai, levados a Curitiba (PR) e, em seguida, a Vitória.

Pastores da própria Maranata chegaram a apontar, em depoimento, que o custo inicial para montar o sistema de videoconferência era de R$ 24 milhões. A economia foi feita com a decisão da igreja de montar o sistema, que custou cerca de R$ 3 milhões.

Essa transação comercial, assim como a compra de dólares e o esquema de envio de recursos para o exterior, também na mala dos fiéis, já está sendo investigada pela Polícia Federal.

Fonte: A Gazeta

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

J.J. Benítez, autor da célebre saga literária "Cavalo de Troia" diz que Igreja "mente muito" sobre a vida Jesus

O escritor e jornalista espanhol J.J. Benítez, autor da célebre saga literária "Cavalo de Troia", disse nesta quarta-feira (1º) em São Paulo que a Igreja "mente muito" sobre a vida de Jesus, além de ter enterrado sua autêntica mensagem de igualdade entre os seres humanos.

Em declarações à Agência Efe, o escritor, que autografou exemplares de suas obras em uma livraria paulistana, contou como uma leitora se aproximou dele e lhe disse que considerava que a Igreja mentia um pouco, observação à qual Benítez respondeu que, na realidade, "mente muito".

"A Igreja mente, manipula e censura", disse o escritor ao referir-se às dúvidas sobre a autenticidade da autoria dos evangelhos.

Em sua opinião, se desconhece com clareza como os evangelhos foram escritos e destacou a possibilidade de diferentes pessoas ao longo da história terem modificado os fatos da vida de Jesus a partir de notas de algum dos evangelistas.

Juanjo Guillón/Efe
O escritor J. J. Benítez, da saga "Cavalo de Troia"


Além disso, considerou que o sucesso de seus livros se deve ao fato de oferecerem um tratamento da figura de Jesus como um ser "próximo" e lhe conferirem uma humanidade que a Igreja esqueceu por "ignorância ou por interesse".

Também disse que a autêntica mensagem de Jesus que todos os seres humanos são filhos de Deus e iguais entre si foi "enterrada" pelos padres da Igreja.

"Estamos vivendo uma falsidade histórica", lamentou.

Autor de 55 livros, Benítez garantiu que talvez sua obra "de maior importância" seja "Cavalo de Troia", fenômeno que, reconheceu, lhe entristece um pouco pelo fato de ter escrito com o mesmo empenho e amor toda sua obra.

O autor, que deve deixar o Brasil na sexta (2), passou cinco dias no país, onde visitou as cidades de Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e, finalmente, São Paulo.

folha.uol.com.br

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pastor investigado por desvio de dízimos da Igreja Maranata no ES morre em acidente. Veja


 A Igreja Cristã Maranata do ES está desde fevereiro/12 sob investigação de desvio de dízimos. No esquema denunciado envolveu vários nomes da cúpula da igreja  e dentre eles o nome do pastor Júlio Cesar Viana que pastoreava uma das igrejas no Paraná e faleceu de forma trágica o dia 28 no PR. 

O pastor da igreja Cristã Maranata no Espírito Santo, Júlio César Viana, morreu em um grave acidente em uma rodovia estadual do Paraná, no domingo (28). Ele era um dos investigados no esquema que desviou dinheiro do dízimo da igreja capixaba. O Ministério Público Federal investiga a denúncia desde fevereiro deste ano.

O advogado de defesa do pastor Júlio informou ao G1 que o corpo foi velado e enterrado na última segunda-feira (29) no Sul do país. Ele ainda disse que não tem informações sobre o andamento do processo que investiga a sua participação no esquema da Maranata.

Sobre o acidente, a Igreja Maranata informou que o carro dirigido pelo pastor seguia da cidade de Marechal Cândido Rondon para Curvado, também no Paraná. Júlio César perdeu o controle em uma curva, saiu da pista, capotou e caiu num barranco às margens da rodovia PR- 467.

De acordo com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), a queda foi de aproximadamente dois metros. O pastor ficou preso nas ferragens e morreu no local. Outras três pessoas que estavam no carro tiveram ferimentos leves e foram encaminhadas para um hospital de Marechal Cândido Rondon. A polícia não soube afirmar o que fez o pastor perder o controle da direção. Não chovia no momento do acidente.


Entenda o caso
A suspeita de desvio de mais de R$ 2 milhões arrecadados do dízimo pago por fiéis, além de compras superfaturadas e caixa dois, fez ex-membros da Igreja Maranata, no Espírito Santo, processarem três pastores e um contador. Entre eles, está um ex-vice-presidente da instituição, criada há 43 anos no estado e que já possui 5,5 mil templos no Brasil e em outros países. A ação corre na 8ª Vara Cível de Vitória e o G1 teve acesso ao documento que apontava fraudes. O Ministério Público Estadual (MP-ES) informou que as denúncias direcionam para diversas irregularidades.

Como funcionava?
Um serviço que custaria, por exem
plo, R$ 5 mil, era registrado como se valesse R$ 8 mil. Segundo a denúncia, a igreja pedia nota fiscal com valor superfaturado e no acerto de contas as empresas ficaram com o valor real do serviço. Os demais R$ 3 mil, nesse exemplo, eram desviados para o ex-vice presidente da igreja ou por pessoas indicadas por ele. "Vi documentos que comprovam que o patrimônio de um dos denunciados é assustador, incompatível com o que ele ganhava”, exemplificou o ex-pastor, que preferiu não se identificar. Ele ainda disse que há evidências de que a fraude acontecia desde 2006.

Investigação interna
Diante dos acontecimentos, a própria igreja maranata resolveu investigar, um procedimento administrativo foi aberto e uma comissão interna ouviu depoimentos, analisou o que aconteceu no escritório de contabilidade da igreja nos últimos 5 anos.

De acordo com o procedimento administrativo, somas que chegam a mais de R$ 20 milhões foram movimentadas nos últimos anos por meio de notas fiscais suspeitas. O dinheiro que teria sido usado, inclusive, para pagamento de prestação de imóveis, carros e compra de dólares enviados para o exterior pelo ex-vice-presidente.

Um grupo formado por ex-membros da Maranata investigou e montou um relatório sobre a atividade irregular na igreja. De acordo com o advogado que representa o grupo, os fornecedores, a pedido de um funcionário da igreja, emitiam notas fiscais superfaturadas como se os serviços houvessem sido realizadas, quando, na verdade, não eram.

Pastor da Igreja Maranata/ES morre em acidente.
G1

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Homossexualidade. Igreja diz que relações gays estão na Bíblia


Igreja diz que relações gays estão na Bíblia


Igreja, bíblia, homossexualidade
O que diz a Bíblia, de fato, sobre a homossexualidade? Se para a maioria das igrejas a resposta é simples e está ligada à condenação ou a pecado, outra denominação que já existe há dois anos em Vitória se propõe a mostrar uma nova visão - não menos polêmica - sobre este antigo tema.

Para a Igreja da Comunidade Metropolitana de Vitória, que se propõe a acolher gays, lésbicas, travestis, bi e transsexuais, a homossexualidade não só não é condenada na Bíblia como lá estão vários exemplos de relações homoafetivas. "Davi e Jônatas, Rute e Noemi, o centurião romano e seu servo são exemplos. Davi era um homem de Deus, e lá está escrito que ele amava Jônatas mais que às mulheres", argumenta a pastora interina da igreja, Eliana Ferreira.

Para a pastora, que frequentava e era liderança antes numa tradicional igreja evangélica, a maioria das interpretações dos trechos da Bíblia que falam de homossexualidade baseiam-se em traduções e não no texto original. "A palavra homossexual apareceu no século XIX.

As palavras em hebraico que aparecem não se referem ao homossexualismo em si", defende. Esses e outros argumentos serão postos em debate hoje, no seminário "Homossexualidade não é doença nem pecado", que acontece a partir das 15h, na capela ecumênica da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Diferente

Não apenas por ter essa visão das sagradas escrituras, mas também por ser conhecida pela proposta de acolher homossexuais, a igreja desperta muita curiosidade. O rito, no entanto, é muito parecido com o de outras denominações. Seus onze membros - a maioria jovem - se reúnem aos domingos para louvar a Deus, conversar sobre a Bíblia e cear juntos.

"Temos muitos visitantes. A maioria é um público universitário. Muitos ficam curiosos sobre os encontros, mas não é nada de anormal, temos ritual de batismo, louvor. Somos uma igreja evangélica com uma proposta inclusiva, voltada para o público GLBTT", explica a pastora, que vai ser oficialmente ordenada em breve. Além de Vitória, a igreja, fundada no fim da década de 60 nos Estados Unidos, tem sedes em Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Fortaleza.

Espaço para a espiritualidade sem preconceito

Membro da igreja, o administrador André Luis Santos, 32 anos, vai falar sobre a Teologia Queer (gay), durante o seminário. "Vou apresentar o assunto de uma forma mais simples. A teologia fala da inclusão de todas as pessoas", resume.

Ele ressalta que os membros da igreja não querem se colocar em evidência, ou fazer um movimento em prol da causa homossexual, mas apenas ter a liberdade de culto respeitada, assim como sua orientação sexual. "Só queremos dizer que existe essa opção para as pessoas que querem viver sua espiritualidade.

É só um espaço onde não se considera a homossexualidade um pecado", ressalta. Ex-estudante de colégio católico, André diz que chegou a se perguntar como iria sobreviver num mundo com visões tão excludentes em relação à sexualidade. "A sorte é que procurei me informar e estudar. Mas sempre há sofrimento".

Pronta para realizar até casamentos

Além de participar de todas as atividades, os membros da Igreja da Comunidade Metropolitana podem casar-se com pessoas do mesmo sexo, o que não seria possível nas igrejas que frequentavam antes. A igreja de Vitória ainda não realizou casamentos, mas está apta a fazer isso. "Já fui procurada por um casal de lésbicas, mas depois elas não voltaram. Basta apenas que eles ou elas tenham um relacionamento de mais de um ano", explica a pastora interina Eliana Ferreira.

A igreja também orienta que os interessados procurem oficializar a união em cartório, com um contrato civil. "Não basta ficar algumas vezes para poder casar", avisa. A mesma igreja em São Paulo já realizou casamentos coletivos.

A pastora lembra que igreja segue uma orientação teológica e uma hierarquia como as demais. "Não criamos uma igreja, não estamos isolados. Teologicamente está tudo amarrado. Boa parte da teologia cristã é aceita por nós. Não é uma igreja moralizante da cultura gay. Apenas está aberta aos que sentiram excluídos e não tiverem preconceito".


(E lisangela B ello - A Gazeta)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Igreja Universal abrirá concurso para pastor; salário inicial é de R$ 8 mil


O Centro de Seleção e de Promoção  de Eventos da Universidade de Brasília (CESPE/UnB) abrirá o primeiro concurso para pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo representante da Universal, o concurso público tem a intenção de recrutar profissionais qualificados para participarem do “a grande expansão da Palavra” e a “cultura popular de Deus”.

“Já conquistamos nosso espaço em 172 países. Temos obras sociais espalhadas nos quatro cantos do globo. Precisamos de profissionais não apenas ungidos pelo Espírito Santo e preparados no fogo do Pai das Luzes para cumprir nossa missão evangelizadora, mas também de pastores com conhecimento técnicos para darem continuidade a essa obra tremenda” explica empolgado o pastor Ricardo Ibrahim, responsável interno da IURD pela organização do concurso.

Adavilson dos Santos, de 23 anos, morador de Guarulhos, pensa em fazer o concurso. “Estou muito ansioso, sou pastor desde os meus 18 anos e obreiro da minha igreja desde os 11. Colei grau em Teologia ano passado. Sempre estudei bastante. Esta é uma oportunidade muito grande na carreira de qualquer pastor e não vou perdê-la”, vibra o jovem.

As vagas serão abertas para candidatos do sexo masculino com curso superior em quaisquer áreas. Candidatos com Bacharelado em Administração Eclesiástica ou Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Administração de Igrejas e disciplinas afins ganham pontos na prova de títulos. O número de vagas não foi divulgado. O salário inicial na investidura do cargo é de R$ 8.234,82 mais benefícios.

Fonte : Guia-me

domingo, 8 de abril de 2012

Igreja desaba e mata 22 na Nigéria

Desabamento de igreja na Nigéria mata 22
Vinte e duas pessoas morreram e 31 ficaram feridas no Estado de Benue, na Nigéria, após uma igreja desabar sobre elas durante a vigília de Páscoa, disse neste domingo um porta-voz do governo. "Após uma forte chuva e uma tempestade no sábado à noite, o prédio da Igreja Católica de St. Robert em Adamgbe desabou, matando 22 fiéis, enquanto 31 sofreram diversos graus de ferimentos", afirmou Cletus Akwaya à France Presse (AFP).

"Era uma vigília de Páscoa ao ar livre, porém dentro das dependências da igreja. Quando a chuva começou, seguida de uma tempestade, os cerca de três mil fiéis correram para dentro do prédio e lotaram a igreja. Aí o edifício desabou, matando 22", afirmou o porta-voz. As informações são da Dow Jones.

sábado, 31 de março de 2012

"Pastores" da universal ungem "canetas para passar em concurso público"

A Igreja Universal do Reio de Deus (IURD) é notória por lançar várias campanhas abençoando objetos como rosas e pulseiras. A denominação costuma também ungir objetos com o objetivo de que seus fiéis conquistem supostas bençãos em áreas específicas.

Um vídeo publicado no Youtube mostra dois pastores da igreja fazendo uma convocação para uma dessas campanhas. A campanha anunciada pelos pastores é destinada a pessoas que querem passar em concursos públicos, para isso o pastor diz que o candidato deve levar uma caneta para ser ungida na igreja e que dessa forma nada dará errado.

“Todos os concurseiros, traz a caneta pra nós ungirmos sábado agora (sic) ”, convoca o pastor que diz ainda que quem já fez a prova deve levar o comprovante de inscrição para ser ungido. Ele pede ainda para que o espectador avise aos amigos e conhecidos sobre a unção.

O pastor afirmou: “Vamos fazer uma prece poderosa! Olha, Deus tem toda a sabedoria, se Deus iluminar você e te der a direção, nada vai dar errado, vai dar tudo certo” (sic).

Depois de anunciar sobre a unção das canetas os pastores pediram ainda para que os fiéis levassem uma garrafa de água à igreja, para que eles pudessem colocar nela o “elemento do milagre.”

Os pastores fazem parte da Igreja Universal de Brasília, Templo maior – Asa Sul.

Veja o vídeo da convocação feita pelos pastores:


domingo, 18 de março de 2012

Rede Record, de Edir Macedo, faz denúncias sobre Apóstolo Valdemiro Santiago

Domingo Espetacular faz denúncias sobre Apóstolo Valdemiro Santiago

Domingo Espetacular faz denúncias sobre Apóstolo Valdemiro Santiago 
A reportagem do domingo Espetacular, programa semanal da Emissora de TV Aberta a Rede Record, através de documentos cartorários, afirmam que o Apostolo Valdemiro Santiago possui uma fazenda de mais de 11 mil hectares, comprada no valor de R$ 29 milhões de reais.

Ainda a reportagem afirma que a Igreja Mundial do Poder de Deus, comprou uma outra fazenda por nome de FORMOSA com aproximadamente 13.500 hectares, no valor de R$ 20.000 (Vinte milhões de reais).

A reportagem ouviu Um Funcionário do Indea-MT que afirmou que o Apostolo possui 2 registros, ativos no INDEA.

As áreas formadas são de 26.134 hectares, 2 vezes maior que a cidade de Jerusalém.
O Rebanho é de aproximadamente 5.000 cabeças de gado.



Bispo Edir Macedo usa Record e R7 para denunciar Apostolo Valdomiro Santiago



Saiba com exclusividade como o dirigente evangélico Valdemiro Santiago desvia dinheiro doado pelos fiéis para enriquecimento pessoal. Documentos obtidos pelo Domingo Espetacular comprovam que o apóstolo comprou várias fazendas no Pantanal (MT) com dinheiro da igreja. São terras de perder de vista e milhares de cabeças de gado, pista de pouso e mansão com piscina.

São fazendas riquíssimas encravadas no coração do Pantanal, que foram compradas com dinheiro dos fiéis da Igreja Mundial do Poder de Deus. O dono delas é o homem que se intitula apóstolo e presidente da igreja.

Segundo a Justiça, a Igreja Mundial tem dezenas de templos ameaçados de fechar por ordens de despejo. Ao mesmo tempo, o apóstolo Santiago fica cada vez mais rico.

Foi no município de Santo Antônio de Leverger, em Mato Grosso, que o apóstolo Valdemiro virou dono de várias fazendas, uma ao lado da outra. Juntas, as fazendas formam uma imensa propriedade, de dar inveja aos homens mais ricos do país. São mais de 26 mil hectares, aproxidamente 13,4 mil estádios do Maracanã.

Somando tudo, gado, terras e benfeitorias, o investimento total de Valdemiro chega a R$ 50 milhões em dinheiro vivo, mais do que a maioria dos prêmios da Mega-Sena acumulada. O valor é suficiente para comprar 20 Ferraris 0 km, o carro mais caro do Brasil, ou dez coberturas em Nova York (EUA), a cidade mais cara do mundo.

Assista ao vídeo:





Repercusão da reportagem:

O pastor Silas Malafaia classificou os 26 minutos dedicados ao assunto pela Record como “palhaçada”.

Para quem acompanha os últimos acontecimentos envolvendo Edir Macedo e Valdomiro Santiago, não deve ser surpresa o que deve ser mostrado neste domingo (18).

Na semana passada, o bispo usou seu blog para criticar abertamente o apóstolo. Os ânimos estão acirrados desde que pessoas supostamente possessas por demônios foram ouvidas durante cultos na Igreja Universal do Reino de Deus afirmando que Valdomiro Santiago era influenciado pelo maligno e que espíritos imundos “atuavam na Mundial”.

Edir Macedo chegou a afirmar que o fundador da Igreja Mundial, deixou que um “espírito imundo” ocupasse o seu coração. Mas ressaltou que perdoava Valdomiro.

A resposta do apóstolo Santiago foi usar o mesmo recurso, afirmando que perdoava seus acusadores, referindo-se ao líderes da IURD.



segunda-feira, 12 de março de 2012

Maranata. Crimes federais investigados

Crimes federais investigados 
Na mira da apuração está material de videoconferência


foto: Fábio Vicentini
Toda a direção da Igreja Maranata está sendo investigada pelo desvio de recursos do dízimo

Rombo
R$ 21 milhões: 
É a estimativa inicial do quanto foi desviado de dízimo da Maranata

Parte das irregularidades praticadas na cúpula da Igreja Cristã Maranata vão ser investigadas pelo Ministério Público Federal. Trata-se da compra de equipamentos de videoconferência de forma irregular, em outros países, e do envio de remessas de dólares para o exterior. As informações vão ser encaminhadas pelos promotores estaduais responsáveis por um inquérito criminal aberto na última semana.

Os possíveis crimes fazem parte de um conjunto de irregularidades já investigadas pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti). Trata-se do desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis.

São alvo das investigações toda a cúpula da Maranata, incluindo seu presidente, Gedelti Gueiros. Até o momento, os promotores estaduais já identificaram cinco tipos de crimes: estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crime contra a ordem tributária.

As denúncias de compra de dólares aparecem até mesmo na investigação feita pela própria Maranata no final do ano passado. O argumento dos pastores, segundo os depoimentos, era de que o dinheiro serviria para ajudar os "irmãos no exterior". Os valores eram levados para o exterior na mala dos fiéis.

Já os equipamentos de videoconferência teriam sido comprados nos Estados Unidos e no Paraguai e ttrazidos para o Espírito Santo de forma irregular, na mala dos fiéis.

O processo, inclusive, já é alvo de um inquérito na Polícia Federal, a pedido da Procuradoria da República. O caso foi reaberto após A GAZETA publicar que a pessoa que intermediava a compra dos equipamentos de videoconferência foi presa em janeiro de 2010 pela Polícia Federal.

O autônomo Julio Cesar Viana foi flagrado transportando rádios e projetores estrangeiros sem nota fiscal, dentro da mala. Ele chegou a ser denunciado, mas apenas pelo transporte dos equipamentos. O nome de Viana aparece na descrição de vários documentos de caixa da Maranata. O dinheiro era destinado à compra de equipamentos ou de passagens aéreas.

Diante destes novos fatos, o MPF decidiu reabrir o caso, já que há indícios de que o material seria destinado à Maranata. A GAZETA tentou falar com Viana e seu advogado, Antonio Marcos de Aguiar, em Curitiba, Paraná, mas não obteve retorno das ligações.

Igreja diz que está tranquila e que pediu a apuração dos fatos
O Conselho Presbiterial da Igreja Cristã Maranata – eleito no fim do ano passado – diz que está tranquilo em relação as investigações do Ministério Público Federal. Por intermédio de nota afirmou que se antecipou e já procurou tanto a Receita Federal quanto a Receita Estadual solicitando que apurassem as possíveis irregularidades na compra dos equipamentos de videoconferência. O sistema interliga os templos no Brasil e no exterior.

Quanto às denúncias de envio de dólares para o exterior na mala de fiéis, assinalam que desconhecem o assunto. "Não há registro oficial na Igreja Cristã Maranata de envio de recursos financeiros para o exterior", diz o texto da nota enviada pela igreja.

No mesmo documento fez ainda questão de pontuar que partiu da igreja a iniciativa de apurar as denúncias, levando os fatos até mesmo ao Ministério Público Estadual e que agora aguarda o resultado das investigações com a punição dos culpados. "A Igreja não se furtará a adotar novas medidas para obter ressarcimento do que lhe foi subtraído e para punir os responsáveis", acrescenta o texto.

Fraude milionária
Um esquema de corrupção foi montado na cúpula da Maranata com a participação de pastores, diáconos e fornecedores para desviar recursos do dízimo doado pelos fiéis

Rombo: 
Estimativas iniciais apontam para um rombo de pelo menos R$ 21 milhões. A Maranata pede na Justiça o ressarcimento de R$ 2,1 milhões

Inquérito: 
Na última semana o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o caso

Igreja: 
Na Justiça ela aponta como cabeças da fraude o seu vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga

Investigados: 
Os promotores investigam toda a cúpula da igreja, incluindo seu vice-presidente, Gedelti Gueiros

Golpe: 
O golpe era viabilizado por notas fiscais fornecidas por empresas que prestavam serviços para a igreja. Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais

Uso: 
Com os recursos desviados compravam carros, imóveis, pagavam contas pessoais, e até dólares, que eram enviados para o exterior na mala dos fiéis
Autor/ Fonte: Letícia Cardoso e Vilmara Fernandes (A Gazeta)

domingo, 11 de março de 2012

Maranata: líder da igreja é investigado

Maranata: líder da igreja é investigado 
A análise de documentos e de depoimentos ao Ministério Público revela que tudo o que acontecia na igreja passava pelo pastor Gedelti Gueiros

Quarenta dias após ter sido divulgado um esquema de corrupção na Igreja Cristã Maranata, o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis. O presidente da instituição, Gedelti Gueiros, que não era apontado como um dos responsáveis pelo crime, é agora alvo da investigação junto com o restante da cúpula da igreja. Estimativas iniciais apontam que o rombo pode superar R$ 21 milhões. 

Entre os crimes já identificados estão estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha e crimes contra a ordem tributária. O trabalho é conduzido pelos promotores do Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti).

Outra realidade

A Maranata, em uma apuração interna feita em outubro do ano passado, apontou como responsáveis pelo desvio três pastores e um diácono. Mas em uma ação movida na Justiça, a igreja acusou como cabeças do esquema o seu vice-presidente, o pastor Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador e diácono Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos afastados de suas funções.

As investigações dos promotores mostram, porém, uma realidade diferente. A análise de documentos e até os depoimentos de fiéis e empresários que eram fornecedores da igreja revelaram que Gedelti Gueiros é tido como um líder absoluto, uma espécie de mito que detém o controle da Maranata. Ele está na cúpula da igreja desde a sua fundação e há cinco anos é seu presidente.

A gestão da Maranata estava nas mãos dele e de seus assessores diretos – vice-presidente, diretores, secretários, assessores e membros do conselho presbiterial. Juntos nomeavam e delegavam poderes e cargos estratégicos, aprovavam e avalizavam contas e condutas. Isso, segundo as investigações, indica que Gedelti sabia de tudo o que acontecia na igreja, não só no âmbito religioso, mas também administrativo.

Essa competência está prevista no estatuto da igreja que vigorava até o final do ano, quando foram feitas as denúncias de fraude. Ao presidente, segundo o documento, cabe: "Convocar e presidir reuniões, representar a igreja e indicar assessoria administrativa, econômica, jurídica e outras".

Concentração

Outra conclusão dos promotores é de que a administração de toda a estrutura da igreja está centralizada no Presbitério, localizado em Vila Velha. De lá parte todo o comando administrativo e espiritual seguido com rigor pelos pastores nos mais de cinco mil templos no Brasil e exterior.

É também no Presbitério que está o caixa único da igreja, que recebe os recursos oriundos do dízimo de todos os templos. A Maranata não informa quanto arrecada por mês, mas sabe-se que é a segunda em número de evangélicos no Estado e uma das que mais cresce no país. Foi dessa conta que os recursos foram desviados.

A investigação indica que os autores do desvio podem ter praticado fraudes que caracterizam estelionato, e que o crime seria semelhante ao dos dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, vista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) como "uma organização criminosa que se valia da estrutura da igreja e de empresas vinculadas para arrecadar vultuosos valores, ludibriando os fiéis".



Esquema

O esquema seria viabilizado por intermédio da emissão de notas fiscais frias fornecidas por um grupo de empresas que prestavam serviços – que não existiam ou eram superfaturados – para a Maranata.

Na investigação realizada pela própria igreja diversos empresários chegaram a dar depoimentos confirmando a emissão de notas frias. Um deles é o proprietário de uma pequena papelaria localizada em São Torquato, Vila Velha. A Maranata chegou a pagar mais de R$ 941 mil por materiais que nunca foram entregues.

Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais. Atos que configuram, segundo os promotores, em outro crime, o de falsidade ideológica.

A possível associação entre os pastores que administravam a igreja para efetivar os crimes é caracterizada como formação de quadrilha, com viés de organização criminosa. O objetivo de tudo, segundo o que indicam as investigações, seria o enriquecimento ilícito. Algo que foi identificado a partir de movimentações financeiras discrepantes e pela ostentação de bens e patrimônio sem comprovação.

Carros e imóveis

Nos depoimentos há relatos de que os recursos desviados eram usados na compra de carros, imóveis, terrenos, apartamentos e no pagamento de contas pessoais. Outra parte do dinheiro era investida na compra de dólares, enviados para o exterior na mala dos fiéis.

Foram constatadas ainda provas de fraude ao fisco, com a emissão de notas fiscais frias e falsas, além da falsificação de dados em livros contábeis, que eram lavrados de forma ilícita para justificar os gastos que eram desviados da igreja. Para o Ministério Público Estadual isso constitui crimes contra a ordem tributária e de lavagem de dinheiro.

Parte das informações obtidas durante o processo de investigação vai ser encaminhada para o Ministério Público Federal. Dentre elas, a compra de equipamentos de videoconferência, que teriam entrado no Brasil de forma irregular. Os equipamentos eram adquiridos no Paraguai e nos Estados Unidos e trazidos para o Espírito Santo na mala de alguns fiéis.

Prazo

A investigação tem prazo de 90 dias para ser concluída, podendo ser prorrogada conforme a necessidade dos promotores. A partir de agora, todos os que supostamente teriam participado das ações ilícitas serão intimados a prestar depoimento.

O inquérito criminal tramitará com restrições a publicidade dos fatos apurados, o que significa que parte das informações não será divulgada. O objetivo, segundo os promotores, é não atrapalhar o andamento das investigações.

Igreja diz que "busca a justiça"

"Buscar sempre a justiça". Esse sempre foi o objetivo da Maranata, segundo nota emitida pela igreja e assinada pelo advogado responsável por sua defesa criminal, Homero Mafra. Nela destacam que prova disso foram as medidas adotadas, como a realização de um procedimento interno de investigação e contratação auditoria independente para apurar as irregularidades cometidas contra a instituição. "Tudo por iniciativa da própria igreja", diz a nota.

Houve ainda, segundo a nota, a troca dos membros do Conselho Prebiteral, que solicitaram ao Ministério Público Estadual e à Receita Federal que apurassem as possíveis irregularidades. "Vamos aguardar a apuração de todos os fatos e a responsabilização dos envolvidos". Acrescentam que a igreja "utilizará de todos os meios disponíveis para preservar o seu rebanho e seus valores éticos, morais e espirituais".

Na Justiça a igreja move uma ação contra o vice-presidente Antônio Ângelo Pereira dos Santos e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos já afastados de suas funções. O processo estava nas mãos do juiz Robson Albanez, que na última semana suspendeu o segredo de justiça e se deu por impedido para julgar a causa, alegando "questões de foro íntimo". O caso foi transferido para o juiz da 7ª Vara Cível, Marcos Assef.

O caso também está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. O presidente da Maranata, Gedelti, chegou a ser convidado a depor, mas não compareceu.

A GAZETA
Vilmara Fernandes e Letícia Cardoso

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Assembleia de Deus: dízimo vai parar na conta de pastores


A polícia está investigando um possível desvio dos recursos provenientes do dízimo da Assembleia de Deus da Serra-Sede. A unidade, que é responsável por 82 templos, chega a arrecadar R$ 115 mil por mês. Até agora, segundo a polícia, já foi comprovado que os valores estavam sendo depositados nas contas pessoais de pastores. As denúncias apontam ainda para o enriquecimento ilícito do pastor-presidente da igreja, Délio Nascimento, que teria patrimônio superior a R$ 6 milhões.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. Segundo o delegado Gilson Gomes, a polícia apura se os valores depositados nas contas do pastores foram de fato desviados. “Se as informações forem configuradas, isso se caracteriza como apropriação indébita”, disse.

A denúncia, também protocolada no Ministério Público Estadual, aponta para outras irregularidades. Entre elas, a compra de carros e a venda de imóveis envolvendo o nome da igreja. Revela também um volume de dívidas, no nome da igreja, que gira em torno de R$ 350 mil.

Depoimentos


Nesta segunda-feira (27), três pastores prestaram depoimento na delegacia. Um deles é o tesoureiro da igreja, Amazildo Gonçalves dos Santos, que confirma ter recebido, nos últimos seis anos,  depósitos de dízimos em sua conta. O valor, segundo ele, totalizaria R$ 800 mil. Seu argumento é de que os recursos serviram para cobrir despesas que fazia em nome da instituição. “Como a conta da igreja estava inativa, acabava pagando as despesas com meu cheque”, argumenta.

O segundo tesoureiro, o pastor Henrique Gonçalves, confirmou ter feito depósitos na conta de Amazildo. Segundo o texto do seu depoimento, isso aconteceu após “receber uma ligação em que ele alegava ter emitido alguns cheques que precisavam ser cobertos”.

Gonçalves acrescentou que tudo foi feito com anuência do pastor-presidente da igreja, Délio Nascimento. “Fiz tudo cumprindo ordens quando assumia a primeira tesouraria na ausência do Amazildo”, afirmou.

Já o pastor Francisco Alves Feitoza diz que, durante um ano e dois meses, fez vários depósitos na conta de Délio Nascimento e na  de Amazildo. “Foram vários depósitos, mas não me recordo do montante”, assinalou ele,  em depoimento.

Preocupado com a denúncia, que classificou como infundada, o pastor Délio Nascimento, se defendeu, citando o caso de desvio de dízimos ocorrido na Igreja Maranata e denunciado com exclusividade pela Rádio CBN e A GAZETA : “A igreja tem uma gestão nada parecida com a da Maranata. Abro todo o sigilo financeiro”, disse.

Nascimento foi categórico ao descartar qualquer irregularidade na Assembleia que administra. Afirma que as contas particulares eram emprestadas para cobrir as despesas da igreja. “Não trabalhamos com gestão centralizada. Cada pastor é responsável por sua igreja”, frisa Délio, que deve prestar depoimento nos próximos dias.

O assunto também será avaliado pela Convenção das Assembleias de Deus no Estado (Cadeeso), que dá as diretrizes a todas as unidades no Estado. O primeiro vice-presidente da Cadeeso, pastor Arnaldo Candeias, adiantou que não há orientação para que o depósito de dízimo seja feito em contas particulares. “Nunca vi isso em lugar nenhum. Todas as igrejas devem ter suas próprias contas”, ressalta.


Convenção da Assembleia de Deus pode intervir em templo sob suspeita


A Assembleia de Deus da Serra-Sede sofrerá uma intervenção se as investigações da polícia confirmarem que houve desvio de recursos provenientes do dízimo. A afirmação é do segundo vice-presidente da Convenção das Assembleias de Deus no Estado (Cadeeeso), pastor Ozéias de Moura.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. Até agora, segundo a polícia, já foi comprovado que os valores estavam sendo depositados nas contas pessoais de pastores. As denúncias apontam ainda para  enriquecimento ilícito do pastor-presidente da igreja, Délio Nascimento, que teria patrimônio superior a R$ 6 milhões.

Esclarecimentos

Nos próximos dias, Délio Nascimento e o primeiro tesoureiro, Amazildo Gonçalves, serão convocados a prestarem esclarecimentos à  Cadeeso. Moura adianta que o ato de depositar o dízimo em contas particulares de pastores é completamente reprovado pela convenção.

Todas as igrejas, segundo Moura, têm independência administrativa, e a convenção sempre orienta os pastores a agirem de forma transparente. "Nenhum pastor tem autorização para fazer uma coisa dessa. Isso é totalmente reprovado por nós", destacou o vice-presidente da Cadeeso.

Moura afirma que, apesar de esse ter sido um caso isolado, as denúncias arranham a imagem da Assembleia de Deus. "Todo escândalo nos preocupa. Nossa igreja é muito séria. É a maior em evangélicos no Estado e no país", diz.

Nesta quinta-feira (01) o assunto será discutido na reunião da diretoria da Cadeeso.  Moura adianta que a entidade vai emitir comunicado aos pastores, reforçando as orientações quanto à movimentação financeira da igreja.

A orientação, destaca o pastor, foi sempre a de que cada unidade tivesse sua própria conta bancária, acompanhada por um comitê gestor. "Agindo com transparência e lisura com os fiéis", destaca.

A denúncia, também protocolada no Ministério Público Estadual, aponta para outras irregularidades. Entre elas estão a compra de carros e a venda de imóveis envolvendo o nome da igreja. Revela também um volume de dívidas no nome da igreja em torno de R$ 350 mil. 
Pastor: denúncia afeta todas as igrejas

O dízimo doado por fiéis é destinado a manutenção das igrejas, para a evangelização e obras sociais. Por este motivo, afirma o pastor Álvaro Oliveira Lima, é preciso ter “responsabilidade e cuidado com a administração destes recursos”. Lima é presidente de uma das convenções de Assembleias de Deus no Estado, a Cemades.

Destaca ainda que a situação se torna mais grave por se tratar de um Ministério onde os fiéis, em sua maioria, são moradores de áreas de áreas carentes e com baixa renda. “São pessoas sacrificadas, mas  que não deixam de contribuir com o dízimo”, pontua.


Embora a igreja que vem sendo alvo de denúncias, localizada em Serra-Sede, não seja vinculada à Cemades, Lima destaca que todas as Assembleias foram afetadas. “É lamentável. Isso não poderia ter acontecido. A igreja é pública, pertence a todos”, destaca o pastor.



Letícia Cardoso
Rádio CBN Vitória (93,5 FM)
Vilmara Fernandes


Fontes: Rádio CBN e A GAZETA

domingo, 12 de fevereiro de 2012

História contada em livro diz que Maranata é "uma igreja que surgiu da luta pelo poder"


Maranata: "uma igreja que surgiu da luta pelo poder"
História é contada em livro escrito a partir de atas oficiais

A "igreja do seu Abílio". Assim era conhecida a instituição frequentada pela família de Abílio Gueiros, que, no fim dos anos 60 – após um racha com a Presbiteriana –, deu origem à Maranata. Hoje, a instituição, que possui quase 5 mil templos espalhados pelo país, é comandada por um de seus filhos, Gedelti.

A criação da Maranata foi relatada em um livro escrito por Joel Ribeiro Brinco. A intenção do autor, que conviveu com os Gueiros desde os 7 anos, foi a de contar a história de sua igreja – a Presbiteriana – em Vila Velha, uma história que está ligada à criação da Maranata.

Segundo a obra de Joel, a nova igreja surgiu de um racha ocorrido no seio da Presbiteriana. "A paz terminou em 28 de janeiro de 1965", relata. Ele refere-se à data em que o irmão de Gedelti, Jedaias, perdeu a eleição para pastor, pondo fim à hegemonia da família Gueiros à frente da Presbiteriana.

Jedaias havia sido eleito pastor por três vezes consecutivas, mas não chegou a assumir o último mandato. Decidiu aceitar um convite para pastorear uma outra unidade presbiteriana no Rio de Janeiro. Seis anos depois, após passar em um concurso para juiz no Estado, decidiu retornar e reassumir o comando da igreja, em uma nova eleição. "A família Gueiros dava como certa a eleição de Jedaias", conta Joel.
foto: Bernardo Coutinho


Convivência
Joel Ribeiro Brinco (foto colorida) conviveu desde os 7 anos com a família Gueiros.


Surpresa

Para surpresa de todos, o resultado foi outro. "Jedaias perdeu para um pastor humilde, recém-chegado a Vila Velha, do interior do Estado", conta Joel. Era o reflexo, diz o autor, do crescimento do município, de sua população e, por consequência, do número de presbiterianos.

Esses novos fiéis, pondera Joel, não tinham ligação com a família Gueiros. "Os Gueiros, reconhecidamente, fizeram muito por Vila Velha. Mas para os novos moradores eram desconhecidos". Pesava ainda o fato de que Jedaias estava fora da comunidade havia seis anos.

O irmão de Gedelti perdeu as eleições para Sebastião Bittencourt dos Passos por uma diferença de 21 votos, resultado que não foi aceito. "A família Gueiros julgava ser muito improvável a eleição do Sebastião, face a grande influência que sempre exerceu na igreja", diz Joel.

Resultado

O resultado disso se viu nos anos seguintes. O primeiro passo foi uma tentativa da família Gueiros de anular a eleição. Num primeiro momento até conseguiram. A cúpula da Presbiteriana aceitou o pedido e manteve Sebastião na igreja apenas como pastor evangelista e não titular.

Essa decisão não agradou a outros membros da igreja, que alegavam desconhecer os motivos que levaram a eleição a ser anulada. Com a pressão dos fiéis, a cúpula da Presbiteriana decidiu confirmar a vitória de Sebastião, que voltou a ser pastor titular. "Essa decisão foi um balde de água fria nos propósitos dos Gueiros", pondera Joel.

Nos meses seguintes, os Gueiros começaram a se reunir em outra congregação, numa comunidade chamada Cruz do Campo, no bairro da Toca, em Vila Velha. Lá recebiam pastores de outras denominações. "Com uma doutrina diferente da presbiteriana, que incluía revelações e línguas estranhas", diz o autor.

Foi dessa pequena congregação que surgiu uma nova igreja, a Cristã Presbiteriana. Alguns anos depois seu nome foi trocado para Maranata. "Uma igreja que surgiu a partir de uma luta por poder", assinala Joel, cujo livro foi baseado nas atas históricas mantidas nos arquivos da Igreja Presbiteriana.


Igreja diz que história é outra

A Maranata garante que a história da igreja é outra. Por intermédio de nota, informou que o primeiro culto aconteceu em 1968, na Igreja Cristã Presbiteriana, em Itacibá. O pastor, Milton Leitão, falou para um grupo de 200 membros "que desejava uma maior comunhão com Deus".

O grupo expandiu-se no ano seguinte, com membros de Vitória, Vila Velha, Ataíde, Campo Grande e Afonso Cláudio. A construção do primeiro templo foi em 1972, no bairro de Belém, conhecido como Toca. "Uma igreja de taipa, coberta de telha de amianto", diz a nota.

A partir daí, a igreja cresceu, organizou sua doutrina e alterou o nome para Maranata. "Emergiu do seio da comunidade evangélica mundial, com ênfase no batismo com o Espírito Santo e nos dons espirituais", diz a nota.

Descartam ainda um racha com a Presbiteriana. Sobre a participação da família Gueiros, assinalam em nota que no início aderiram apenas Sara Gueiros e seu filho Gedelti.

"Os dois, com mais seis membros de Vila Velha e Vitória, aderiram à doutrina avivalista, que já tinha pontos de propagação em todo o Brasil, com diversas designações", pontua a nota.

Esclarece que a escolha do presidente e do Conselho Presbiteral é feita por voto ou aclamação em assembleia, com representantes das coordenações regionais do Brasil. Esses representantes são eleitos em suas regiões e trazem suas credenciais em atas.

Convivência

Joel Ribeiro Brinco (foto colorida) conviveu desde os 7 anos com a família Gueiros. Na
foto em preto e branco, ele aparece à direita. Ao centro está Gedelti, presidente da
Igreja Maranata; e, à esquerda, Abílio Gueiros.

Letícia Cardoso
Vilmara Fernandes
(em A Gazeta)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Escândalo na Igreja Maranata: presidente contratou empresa de sobrinho por R$ 23,7 milhões


Maranata: presidente contratou empresa de parente por R$ 23,7 milhões

Uma das empresas contratadas pela Igreja Cristã Maranata pertence ao sobrinho do presidente da instituição, Gedelti Gueiros. O dono da Work Sistemas e Equipamentos, responsável pela sonorização dos templos, é Hélvio Gueiros. Pelos serviços prestados nos últimos seis anos a microempresa recebeu
R$ 23,7 milhões, o que dá uma média de quase R$ 4 milhões ao ano.

Por intermédio de nota, a Maranata informou que “Gedelti Gueiros não tem qualquer tipo de ingerência na gestão administrativa da instituição”. A contratação de fornecedores para construção e aparelhamento da igreja, acrescenta a nota, segue o critério de cotação de preços.

Diversos fornecedores prestaram depoimento na investigação feita pela própria igreja. Nela, não há relatos dos proprietários da Work – Hélvio Gueiros e Sandra Pretti.

Comissão

Foi a comissão responsável por essa investigação que apontou a existência de um esquema de corrupção na cúpula da igreja, que desviava recursos provenientes do recolhimento do dízimo.

O esquema de fraudes contava com a participação do vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e do contador Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos já afastados de suas funções administrativas e religiosas.

Estimativas iniciais apontam que o rombo pode chegar a R$ 21 milhões. A igreja já ingressou com uma ação na Justiça para solicitar  a ressarcimento de R$ 2,1 milhões.

Documentos obtidos pela Rádio CBN e A GAZETA mostram que, entre as empresas, cujos proprietários foram ouvidos pela comissão que fez a investigação da igreja, todas têm faturamento bem inferior ao da Work. A maior delas recebeu no mesmo período – 2005 a 2011 – R$ 4 milhões.

Igreja, fundação e acusados têm o mesmo advogado



Resposta

Os proprietários da Work Sistemas e Equipamentos, Sandra Pretti Gueiros e Helvio Freitas Gueiros não retornaram as ligações da reportagem. Sandra Gueiros chegou a atender ao telefone, mas ao saber que se tratava de A GAZETA ela pediu para que retornasse dez minutos após. A reportagem retornou, mas até o fechamento desta edição não conseguiu mais contato com ela.

“Ele  está abalado”, diz novo advogado

Um novo advogado assumiu ontem a defesa da Igreja Cristã Maranata. Homero  Mafra – que ocupa a presidência da Ordem dos Advogados (OAB) no Estado – vai cuidar dos processos criminais da igreja.
O fato foi comunicado na manhã de ontem, no horário em que o presidente da igreja, Gedelti Gueiros, deveria prestar seu depoimento na Delegacia de Defraudações. Por telefone, Mafra comunicou ao delegado Gilson Gomes que Gedelti não poderia atender à intimação recebida na quarta-feira.
O argumento foi de que Mafra   havia sido convidado a assumir o caso no dia anterior e  não teve tempo de analisar todas as informações. “Por isso solicitei ao delegado um prazo maior”, afirmou o advogado.






De acordo com Mafra, foi uma boa oportunidade para evitar que Gedelti tivesse que comparecer a mais de um depoimento.

“É um senhor de 80 anos e que está muito abalado com a situação”, falou. O advogado adiantou também que uma das questões que precisarão ser analisadas diz respeito a um conflito de atribuições na investigação. “O trabalho está sendo feito pelo Ministério Público Estadual e pela polícia. É preciso se definir quem vai ficar com o caso”, disse.

O delegado informou que se reúne hoje com Mafra e adiantou que espera que o presidente da Maranata compareça para depor. “Ele terá que ratificar o que estamos apurando”.

Na avaliação dele, a igreja não deve ter motivos para manter em segredo dados relativos à apuração. “O grande pecado deles é tentar manter isso no âmbito interno. Já não é possível mais”, destacou.


Rádio CBN Vitória (93,5 FM)
Letícia Cardoso
Vilmara Fernandes
Vídeo. Igreja Cristã Maranata - Denuncia de desvio de dízímos processa suspeitos


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Casal processa Igreja Universal por cobrar cura que não aconteceu

 Casal processa igreja por promessa enganosa de cura

Um casal de Nova Ponte (MG) entrou na Justiça contra a Igreja Universal do Reino de Deus, dizendo ter sido enganado por um pastor que, segundo eles, prometeu curar uma criança de 3 anos, nascida com hidrocefalia - acúmulo de líquido no cérebro, que provoca paralisia cerebral. Segundo o pai da criança, o operador de máquina Wederson Reis da Silva, apesar de ter sido alertado por médicos de que a doença não tem cura, o pastor lhe garantiu que poderia curá-la, mas isso não aconteceu.
Apesar da oferta e da fé do casal, a cura da criança não aconteceu e agora a família está sem carro e sem dinheiro. Paola Amália Souza, diz que não tem como levar o filho ao médico porque não tinha carro e também não tinha dinheiro para pagar o aluguel. “Me sinto enganada”, desabafa.
De acordo com o pai do menino, ele e sua mulher foram incentivados por um pastor da Igreja Universal da cidade a participar da Fogueira Santa - um ritual em que os fiéis fazem doações para terem seus pedidos atendidos. "O pastor falou que podia dar certo, que era só a gente acreditar". Segundo Silva, a família doou várias joias, um carro seminovo, além de R$ 800 em dinheiro, em 2009. Apesar das orações, que duraram cerca de um ano e meio, a criança não apresentou melhora na saúde até hoje.


Processo

A segunda audiência sobre o caso deverá acontecer em 15 dias. Uma advogada que defende a Igreja Universal na ação movida pela família da criança disse que o departamento jurídico da igreja em Belo Horizonte não vai comentar o assunto. Segundo a advogada, que preferiu não se identificar, a Fogueira Santa é um processo no qual os fiéis fazem doações espontâneas. O pastor acusado pelo casal se mudou da cidade e não prestou esclarecimentos.


Fonte: O Tempo

Igreja Maranata. Envolvido em compras foi preso pela federal

Envolvido em compras foi preso pela federal
Julio Viana foi flagrado com equipamentos sem nota fiscal

A pessoa que intermediava a compra de equipamentos de videoconferência para a Igreja Cristã Maranata foi presa em janeiro de 2010 pela Polícia Federal. O autônomo Julio Cesar Viana foi flagrado transportando rádios e projetores estrangeiros sem nota fiscal, dentro da mala. Foi detido pelos agentes federais quando desembarcou no Aeroporto de Vitória.

O material que estava com o autônomo e foi apreendido pela polícia – 19 projetores e dois rádios – é semelhante ao usado nos equipamentos de videoconferência da igreja. Na hora da prisão, Julio alegou que o material seria revendido na Grande Vitória e que teria comprado em Curitiba, Paraná, por R$ 20 mil.

A explicação não convenceu o Ministério Público Federal, que o denunciou. "Não é crível (...) que um vendedor autônomo de pisos de madeira despenderia o montante de R$ 20 mil com a compra de equipamentos eletroeletrônicos com a finalidade de revendê-los em outro Estado, sem ao menos ter um destinatário certo", diz o texto da denúncia.

O nome de Viana aparece na descrição de documentos de caixa da Maranata, com saída de recursos depositados na conta corrente dele ou de seus parentes. O dinheiro era destinado à compra de equipamentos ou de passagens aéreas.

foto: Fábio Vicentini
Igreja pediu  à Receita Federal   que apure as possíveis irregularidades


Um desses documentos é o adiantamento de R$ 70 mil para compra de 300 projetores do sistema de videoconferência. A transação foi aprovada por intermédio de uma "visão", que para os maranatas têm um significado especial por ser uma manifestação divina.

Segundo relatos presentes na investigação feita pela igreja, parte dos equipamentos era comprada no Paraguai e levada a Curitiba. De lá, seguiam para Vitória. A capital do Paraná é a terra natal de Viana e era de lá que ele vinha ao ser detido em Vitória.

Por nota, a Maranata informou que já havia recebido informações sobre esse tipo de irregularidade praticada por ex-membros, afastados pela direção. A igreja fez um requerimento à Receita Federal para que apure as possíveis irregularidades cometidas por essas pessoas. O advogado de Viana – Stênio Sant’Anna Sales – preferiu não se manifestar sobre o assunto e não informou o telefone do cliente.


Surpresa, decepção e revolta entre fiéis

Surpresa, decepção, tristeza, revolta. Esses foram alguns dos sentimentos dos fiéis da Maranata no último fim de semana. Muitos souberam da fraude milionária praticada por membros da diretoria por intermédio de amigos ou familiares. "Fiquei muito decepcionada após ler a matéria no jornal", relata a aposentada E., 60 anos.


Ela frequenta a Maranata desde os 17 anos. Lá casou e educou seus filhos. Afirma que há idosos da igreja que choram ao falar sobre o assunto. "É difícil descobrir que isso está acontecendo dentro da nossa igreja", assinala.

Na avaliação dela, daqui para frente os fiéis terão que ficar mais atentos. "Temos que ser mais prudentes, não confiar tanto. É o que a Bíblia orienta", pondera E.

A aposentada avalia que o presidente da igreja, Gedelti Gueiros, teria que ter acompanhado mais as finanças da Maranata. "A igreja cresceu, ele viaja muito e entregou tudo na mão de uma pessoa que não era de confiança", opina ela.

 Entenda o caso

Fraude milionária
Um esquema de corrupção foi montado na cúpula da Maranata com a participação pastores, diáconos e fornecedores para desviar  recursos do dízimo doado pelos fiéis

Rombo
Estimativas iniciais apontam para um rombo de pelo menos R$ 21 milhões. A Maranata recorreu à Justiça para  pedir o ressarcimento de R$ 2,1 milhões


Acusados
Na Justiça,  a igreja aponta como cabeças da fraude o seu vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga,  também   diácono. Os dois foram afastados  – assim como   outros dois pastores – das funções administrativas e religiosas

Golpe
O golpe era viabilizado por notas fiscais frias, que permitiam a retirada de valores do caixa da igreja. Há indícios de que até empresas foram criadas  em nome de laranjas. Os envolvidos alegavam que o dinheiro serviria para “ajudar irmãos no exterior”

Uso
Parte dos recursos desviados era usada na compra de carros e imóveis e no pagamento de contas pessoais. Outra parte era investida na compra de dólares, que eram enviados para o exterior na mala dos fiéis

Irregular
O dinheiro da igreja também foi usado para comprar – fora do país, de forma irregular – equipamentos para videoconferência  no valor de R$ 3 milhões

Sem rastros
Funcionários teriam sido orientados a destruir recibos e a formatar computadores



Letícia Cardoso
Vilmara Fernandes

A GAZETA (gazetaonline.globo.com)