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terça-feira, 2 de abril de 2013

Para oxigenar a igreja, mulheres terão mais visibilidade na Maranata


Mulheres terão mais visibilidade na Maranata
A partir do dia 10 de abril, a tradicional Reunião de Senhoras da Igreja Maranata, que era promovida nas esvaziadas tardes de sábado e de quarta-feira, passará a ser realizada às quartas à noite.


A partir do dia 10 de abril, a tradicional Reunião de Senhoras da Igreja Maranata, que era promovida nas esvaziadas tardes de sábado e de quarta-feira, passará a ser realizada às quartas à noite. A reunião, que é aberta, deverá atrair um público bem maior, inclusive de homens.

Homens presentes
Mas as mulheres ainda não vão comandar os cultos da Maranata, hoje prerrogativa exclusiva dos pastores. Mas há quem diga que essa seria a solução para oxigenar a igreja, cuja cúpula está sendo acusada pelo Ministério Público de diversas irregularidades.

Leonel Ximenes
A Gazetaa

terça-feira, 12 de março de 2013

Pastor da Maranata mostrou arma para testemunha mudar depoimento, diz promotor

Promotor: "Pastor da Maranata chegou a mostrar arma para testemunha mudar depoimento". Pelo menos seis pessoas que colaboraram com às investigações foram coagidas moralmente


Polícia prende presidente e ex-presidente e outros dois pastores da igreja Maranata


Foram presos o atual presidente Elson Pedro dos Reis, o ex-presidente Gedelti Gueiros e outros dois pastores, Amadeu Loureiro e Carlos Itamar Coelho

Pelo menos seis testemunhas foram coagidas por membros da cúpula da Igreja Maranata para que mudassem o depoimento nas investigações sobre desvio de dinheiro do dízimo pago pelos fiéis. A afirmação é do promotor Paulo Panaro, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, que investiga as denúncias.

Em entrevista à Rádio CBN Vitória, na manhã desta terça-feira (12), o promotor informou que, além das testemunhas, investigadores, promotores e até juízes alegaram ter sofridos ameças indiretas de pessoas ligadas à Igreja Maranata.

Uma das testemunhas afirmou em depoimento prestado ao Gaeco que foi convidado a alterar o discurso porque estaria atrapalhando a vida de muitas pessoas. Segundo o promotor, a testemunha ainda confirmou que, ao ser confrontado por um membro da igreja, havia uma arma sobre a mesa para intimidá-lo. "Se fizeram isso com juízes, imagine o que não fazem comigo", disse a testemunha em depoimento.

Paulo Panaro disse que os membros da cúpula da Igreja Maranata se utilizam do poder administrativo que possuem e da credulidade dos fiéis para alterar os depoimentos. "O que você está fazendo não está bom. Está prejudicando fulano e sicrano. Ficaria melhor se você puder ir lá e mudar o depoimento", narrou Panaro, sobre um trecho de um depoimento de uma testemunha coagida.

Foto: Letícia Cardoso | CBN Vitória (93,5 FM)
Policial federal recolhe documentos na casa do pastor Amadeu Loureiro. Ao lado, carro com o religioso seguindo para a sede da Polícia Federal

Segundo o promotor Paulo Panaro, às investigações vão continuar pelo tempo que for necessário. "Os membros da Igreja Maranata detidos nesta terça-feira, entre eles o atual presidente, Elson Pedro dos Reis, o ex-presidente Gedelti Gueiros e outros dois pastores, Amadeu Loureiro e Carlos Itamar Coelho, estão envolvidos nas coações de testemunhas", disse o promotor.

Nas tentativas de coação a integrantes do Ministério Público, os acusados tentavam, diplomaticamente, como ressaltou o promotor, convencê-los a mudá-los o procedimento de investigação. "Eles tentaram coagir, mas um promotor ou qualquer outra pessoa do órgão não são ignorantes e conseguiram detectar estas tentativas de fraudes nos inquéritos".

Com a detenção dos líderes, o Gaeco aguarda uma indicação de um nome, que deverá passar por apreciação da Justiça, para que administre a instituição pelo período de afastamento dos atuais líderes. Todos os envolvidos foram detidos preventivamente e às detenções não deverão ser longas. "Acredito que não fiquem muito presos, pelo poder de ingerência que a instituição tem em nível municipal, estadual e federal. Acreditamos e queremos que dure o tempo que for necessário. Enquanto mantiverem coações a terceiros, as prisões serão mantidas", concluiu Panaro.

O Ministério Público do Estado destaca, em nota oficial, que "as autoridades responsáveis pelas apurações verificaram que tais condutas foram levadas à efeito objetivando interesses dos investigados em obter situação favorável no âmbito das investigações, intimidando testemunhas e autoridades e dificultando o correto andamento dos trabalhos relativos à desarticulação de um grupo de pessoas, que aproveitando-se do bom nome da Igreja Cristã Maranata (ICM), vem praticando ilícitos, como por exemplo, estelionato, falsidades, tráfico de influência, desvio de erário, lavagem de dinheiro, dentre outros.

Com as prisões, a Justiça busca preservar a vida e incolumidade física e psíquica de testemunhas e autoridades Judiciais, do Ministério Público e da Polícia, todas envolvidas no caso, permitindo o curso livre e desembaraçado dos procedimentos e impedindo afrontas aos poderes constituídos, às leis e a Justiça.

A operação consistiu, ainda, no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão, sendo que todo o material arrecadado será analisado e os presos, juntamente com novas testemunhas, serão ouvidos pelo MPES nos próximos dias.

O MPES finaliza destacando que a ação desta terça-feira não tem como intenção macular a imagem da Igreja Cristã Maranata, ao contrário, respeita-se integralmente a liberdade de crença, direito constitucional de exercício ao culto religioso.

Quem são os presos?

Elson Pedro dos Reis: pastor e atual presidente da igreja Maranata. Ele foi indicado pela própria igreja como interventor, assumiu a presidência no final do ano passado, quando o então presidente Gedelti Gueiros foi afastado do cargo pela Justiça.

Gedelti Gueiros: pastor, ex-presidente e um dos fundadores da igreja Maranata.
Amadeu Loureiro: pastor, médico e faz parte da cúpula da igreja Maranata.
Carlos Itamar Coelho: pastor, advogado e também faz parte da cúpula da Igreja Maranata.


A GAZETA

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Pastor briga para retormar a liderança da igreja Maranata.

Pastor briga para retormar a liderança da igreja Maranata
Gedelti Gueiros já obteve uma vitória na Justiça Federal para reassumir o comando da igreja, mas uma decisão estadual o mantém afastado


Uma briga na Justiça está sendo travada para garantir que Gedelti Victalino Gueiros reassuma o comando da Maranata. Ele e os demais diretores da igreja foram afastados de suas funções no final do ano passado por decisões da Justiça estadual e da federal. Todos tiveram seus bens bloqueados, sigilos bancário e fiscal quebrados e foram impedidos de entrar no Presbitério de Vila Velha, a sede de comando da instituição.
Ao todo 26 pessoas estão sendo investigadas pelo desvio do dinheiro doado pelos fiéis. Na edição deste domingo do Jornal A GAZETA foi revelado detalhes das investigações feitas pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Entre eles está o possível enriquecimento ilícito dos pastores, cujo patrimônio chegou a crescer até seis vezes nos últimos cinco anos. E mais: a movimentação financeira desses pastores chega a ser até dez vezes superior ao rendimento declarado ao Imposto de Renda.

Comando
Na esfera federal a igreja conseguiu reverter o afastamento de Gedelti. No último mês, um habeas corpus assinado pelo desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF da 2ª Região) Raldênio Bonifácio Costa, o autoriza a reassumir suas atividades junto à igreja e ao Conselho Presbiteral, bem como ter acesso à sede administrativa da instituição.

Mas ele continua impedido de retornar ao cargo ou mesmo entrar no Presbitério porque ainda está valendo a decisão da juíza Sayonara Couto Bittencourt Barbosa, da Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, que determinou seu afastamento, assim como o dos demais diretores da igreja, no final do ano passado.
O advogado Sérgio Carlos de Souza, que faz a defesa da Maranata, garante que um recurso já foi entregue à Justiça Estadual. "Já apresentamos documentos e fatos que comprovam a lisura da administração da igreja, mas a nossa defesa ainda não foi apreciada", assinalou, acrescentando ainda que já conseguiram uma decisão que garantiu o desbloqueio dos bens.

Na última segunda-feira a Justiça homologou o nome de três pastores para a direção da igreja. A indicação foi feita pela própria Maranata, em documento assinado por sua advogada, Bárbara Valentim. Acatava assim uma decisão da juíza Sayonara Couto Bittencourt Barbosa, que determinou que novos membros assumissem o comando da instituição.

Novos líderes
Para a diretoria administrativa, de Recursos Humanos e Financeira foi apontado o nome de Carlos Manoel de Souza Moraes, assim como o de Elson Pedro dos Reis para o posto de diretor de Engenharia e Construção, e de Izaldino Athayde Lima para o a diretoria de patrimônio. Na mesma lista aparecia o nome do coronel carioca Sérgio Gomes Novo para representar o Conselho Presbiteral.

Na última segunda, porém, uma decisão do juiz Marcelo Menezes Loureiro, da Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, homologou os nomes de três diretores. Um dos indicados, Sérgio Novo, foi eliminado. De acordo com o advogado Sérgio Cardoso, o coronel reside no Rio de Janeiro e enfrentaria dificuldades para vir ao Estado com a frequência que o cargo exige, por isso foi feita a retirada de seu nome da lista. Até o momento a igreja não indicou um nome para representar o Conselho Presbiteral, que comanda a Maranata e seus mais de cinco mil templos no Brasil e outros no exterior.

Por intermédio de nota a igreja reafirmou a sua posição de que as acusações serão todas esclarecidas. "A Maranata jamais se insurgiu contra qualquer tipo de investigação que esclareça os fatos. Pelo contrário, sempre mostrou interesse em dirimir todas as eventuais dúvidas e acusações", diz, em nota oficial.
Ao todo, 26 pessoas – a maioria pastores – estão sendo investigadas por sua participação num esquema de corrupção que, segundo as investigações, desviou recursos doados por fiéis, um rombo que pode ultrapassar os R$ 21 milhões, segundo estimativas da própria igreja.

Igreja nega enriquecimento de pastores
Em nota oficial, publicada na edição de A GAZETA deste domingo, a Maranata garante que não há enriquecimento ilícito dos seus pastores. Diz ainda que o pastor Gedelti Gueiros teve uma movimentação financeira atípica nos período de 2008/2011 porque vendeu imóveis e que ingressaram em seus rendimentos recursos de aluguéis e salários que recebe.

A nota oficial afirma ainda que o patrimônio de Gueiros é "fruto do trabalho de toda uma vida", anterior a fundação da igreja e que pode ser comprovado em sua evolução patrimonial e declaração de Imposto de Renda. "A movimentação é totalmente legal pois havia lastro para embasá-la".

A nota é concluída atribuindo as dificuldades às dissidências. A igreja "lamenta que tais leviandades construídas por uma dissidência da igreja atentem contra os pilares firmes que há 45 anos sustentam a instituição", diz o texto.

As investigações do Ministério Público apontam que a movimentação financeira de Gueiros foi sete vezes superior a seu rendimento e que o patrimônio dos pastores cresceu até seis vezes nos últimos cinco anos.
Para o advogado Sérgio Carlos de Souza, que faz a defesa da igreja, outra incoerência vem da citação, nas investigações do patrimônio e movimentação financeira de outros três pastores: Adaísio Fernandes, José de Anchieta Fraga e Alexandre Melo Brasil. "A investigação é de 2007 a 2011, mas eles só passaram a fazer parte da diretoria no final de 2011", argumenta.

Souza, que também é pastor, assinala que as investigações não afetaram a rotina da igreja. Garante que há normalidade, não só administrativa, mas também nos cultos e nas reuniões com os fiéis. "O que temos vivido é um aumento do seu número de fiéis e uma firmeza entre os seus membros, que conhecem a origem dos problemas", disse. Sérgio assinala que uma prova disso foi o ingresso de mais de mil pastores na igreja em 2012.


Fonte: A Gazeta

domingo, 20 de janeiro de 2013

Desvios de dízimos. Bens de pastores da igreja Maranata crescem seis vezes

Bens de pastores da Maranata crescem 6 vezes
Foi a quanto chegou o aumento do patrimônio de alguns dos administradores da igreja, segundo investigação do Ministério Público 


Um total de 26 pessoas, a maioria pastores da Maranata,
está sendo investigado pelo desvio de dinheiro do
dízimo doado por fiéis
As investigações que apuram o desvio do dinheiro do dízimo doado pelos fiéis da Maranata revelam que os pastores que administravam a igreja podem ter enriquecido de forma ilícita. Um exemplo vem do patrimônio deles, que, nos últimos cinco anos, chegou a engordar até seis vezes. E não fica só aí: a movimentação financeira em suas contas foi até dez vezes maior do que o rendimento declarado ao Imposto de Renda.

A análise das finanças faz parte das investigações que estão sendo conduzidas pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e estão no processo que tramita na Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, ao qual A GAZETA teve acesso.

O material serviu de respaldo para que a Justiça autorizasse a busca e a apreensão de documentos e equipamentos na igreja e na casa dos investigados, além do sequestro de bens da instituição e de seus pastores, no final do ano passado.

"Ressaltamos a corrida por retificações nas declarações de Imposto de Renda de boa parte das pessoas físicas alvos do processo, que fizeram acrescer transações, bens e valores até então omitidos para não demonstrar incompatibilidade."

"É possível extrair variadas descrições das práticas ilícitas adotadas por membros da igreja."

Relato dos promotores no processo que tramita na Justiça


Clandestino
Foi a partir da quebra do sigilo fiscal dos investigados que o Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro, do Ministério Público Estadual, acabou confirmando as denúncias sobre a destinação clandestina do dinheiro doado pelos fiéis. "Era utilizado por determinados membros para investimento em bens e vantagens particulares", diz o relato dos promotores, no processo.

De acordo com as denúncias, com o dinheiro doado foram comprados apartamentos, casas, sítios, carros, e pagas contas de cartões de crédito. Até dólares foram enviados para o exterior na mala dos fiéis. O resultado, segundo relato dos promotores, é uma evolução patrimonial "considerável e incompatível" com a renda declarada.

Enriquecimento

Para exemplificar a situação à Justiça, foram utilizados cinco casos de pastores e suas respectivas situações patrimonial e financeira. "Há exemplos do súbito, injustificado e suspeito enriquecimento de alguns membros da igreja", relata o texto.

Um dos casos apontados é o de Gedelti Victalino Gueiros, um dos fundadores e presidente da Maranata, afastado do cargo no final do ano passado. A movimentação de dinheiro em sua conta foi sete vezes superior ao seu rendimento, "indicando clara incompatibilidade entre os anos de 2009 e 2011", diz o texto do processo.

Em 2009, por exemplo, seu rendimento bruto declarado foi de R$ 127 mil, mas a movimentação em sua conta superou os R$ 964 mil.

Sem crise
Não é muito diferente a situação de Antonio Angelo Pereira dos Santos, ex-vice-presidente, que foi apontado pela própria igreja como um dos responsáveis pelo esquema de corrupção. Seus bens, assim como sua movimentação financeira, cresceu mais de seis vezes nos último cinco anos.

Um detalhe curioso é que o seu patrimônio continuou aumentando até mesmo nos períodos em que seus vencimentos estavam em queda. De 2009 para 2010, seu rendimento caiu de R$ 77 mil para R$ 45 mil, mas seu patrimônio foi de R$ 349 mil para 375 mil.

Há ainda o caso do pastor Adaíso Fernandes Almeida, cujo patrimônio saltou de R$ 667 mil para R$ 2,97 milhões em cinco anos; do pastor José de Anchieta Fraga Carvalho, cujo patrimônio triplicou, e sua movimentação financeira foi quase dez vezes superior ao seu rendimento declarado; e também do pastor Alexandre Melo Brasil, cujo entra e sai em sua conta foi oito vezes maior do que seus vencimentos.

Boa parte dessa movimentação ocorreu no momento em que o mundo vivia os reflexos da crise financeira que teve início em 2008 e teve repercussões nos governos federal, estaduais e municipais e até nas empresas nos anos que se seguiram.



Investigados


Ao todo, 26 pessoas estão sendo investigadas pelo Gaeco como responsáveis pelas fraudes. A maioria fazia parte da administração da igreja, grupo destituído pela Justiça no final do ano passado. Entre essas pessoas estão Gedelti Victalino Gueiros e Antonio Angelo Pereira dos Santos.

O esquema de corrupção que desviou o dinheiro doado pelos fiéis foi viabilizado por intermédio de notas fiscais frias que pagavam serviços superfaturados, segundo as denúncias. Elas indicam o envolvimento de pastores, diáconos e até fornecedores do Presbitério de Vila Velha, que concentra a administração dos mais de 5 mil templos no Brasil, além de outros no exterior.

Segundo relato dos promotores do Gaeco, constantes no processo que tramita na Justiça, o dízimo foi usado até em outras vantagens particulares. "E, para acobertar os desvios e as irregularidades, os envolvidos no esquema criminoso se valiam da constituição fraudulenta de empresas e acordavam a emissão de notas fiscais superfaturadas", diz o texto.

Há denúncias ainda de que equipamentos eletrônicos foram adquiridos no exterior e importados de forma ilegal. O material teria sido utilizado na montagem de um sistema de audiovisual para a igreja transmitir seus cultos para templos no Brasil e no exterior.

Entre os crimes que podem ter sido cometidos estão estelionato, falsidade ideológica, formação de quadrilha, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e até formação de curral eleitoral. Há investigações também sendo feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Silêncio
O promotor do Gaeco, Lidson Fausto da Silva, não quis se manifestar sobre detalhes do caso, argumentando que as informações são fornecidas por intermédio de nota oficial do Ministério Público Estadual, quando necessárias.

Silêncio semelhante, segundo as poucas informação confirmadas pelo promotor, vem sendo mantido pelos membros da igreja já intimados a depor. Quase todos têm se recusado a falar, sob o argumento de que só comentam o caso em juízo.

Uma preocupação de que essas pessoas poderiam sofrer algum tipo de intimidação está presente no processo. Promotores relatam as dificuldades encontradas para colher novas provas e depoimentos em decorrência até do "receio de sofrer retaliações, perseguições e difamações na igreja", diz o texto do processo judicial.

A juíza Sayonara Couto Bittencourt Barbosa chegou a proibir que as 26 pessoas investigadas, incluindo os pastores, façam contato com qualquer testemunha que já foi ouvida ou que ainda vá prestar depoimento. Há pessoas que têm recorrido à Ouvidoria do Ministério Público Estadual e ao Gaeco para fazer suas denúncias por telefone. "Quem liga para o 127 ou 3145-7150 tem o sigilo garantido", assinala o promotor Lidson.

Resposta


O advogado Rodrigo Horta, que faz a defesa do pastor Adaísio, disse que só fala sobre o assunto em juízo. José Luiz Oliveira de Abreu, advogado de Antonio Angelo, discorda das afirmações dos promotores. Ele garante que o patrimônio de seu cliente é compatível com o rendimento do mesmo e que isso será provado no momento certo, "na Justiça", assinalou.

Foi por intermédio da assessoria de imprensa da Maranata que os demais pastores citados na matéria responderam às denúncias de enriquecimento ilícito. José de Anchieta informou que o aumento de seu patrimônio "se deve ao trabalho prestado por sua empresa a uma multinacional que lhe rendeu um faturamento especial naquele período".

Já Alexandre Mello, que também é advogado, explicou que "recebe quantias em nomes de clientes, faz o saque e repasses, ficando apenas com os honorários, o que justifica sua movimentação bancária".

Convicção
O ex-presidente da Maranata, Gedelti Victalino Gueiros, assinalou que, "de acordo com parecer técnico de auditoria independente, a evolução financeira no período de 2007 a 2011, contrapondo aos dados apresentados pelo Ministério Público Estadual, é compatível com seus rendimentos". Acrescentou ainda que os dados estão à disposição da Justiça.

A Igreja Maranata, por sua vez, assinala que reafirma sua convicção de que as acusações serão esclarecidas. "A igreja jamais se insurgiu contra qualquer tipo de investigação que esclareça os fatos", disse em nota oficial, acrescentando que "é com base na transparência e respeito integral à verdade que a Igreja Cristã Maranata confia no rápido desfecho para esse lamentável episódio".
Entenda o caso

Denúncias
No final de 2011,  circularam informações de que o dízimo doado por fiéis da Maranata estava sendo desviado por pastores, diáconos e fornecedores da igreja

Matérias

Após A GAZETA publicar matérias sobre as fraudes, o Ministério Público Estadual abriu uma investigação criminal em fevereiro do ano passado

Rombo

O prejuízo estimado era de R$ 21 milhões, mas a Maranata recorreu à Justiça, pedindo o ressarcimento de R$ 2,1 milhões

Acusados

O então vice-presidente da igreja, Antônio Angelo Pereira dos Santos, e o diácono e contador Leonardo Alvarenga foram apontados, pela Maranata, como os responsáveis pelo esquema de corrupção que desviou o dízimo. Os dois foram afastados de suas funções e processados na Justiça

Investigações

As investigações conduzidas pelo Gaeco revelaram que outros pastores da cúpula da Maranata, incluindo seu líder, Gedelti Gueiros, estavam envolvidos nas fraudes. Seus sigilos bancário e fiscal foram quebrados

Operações

No fim de 2012, os promotores do Gaeco e a Polícia Federal realizaram uma operação conjunta, denominada “Entre irmãos”, em que  foi feita a busca e a apreensão, além do sequestro de bens da igreja e dos pastores investigados
Vilmara Fernandes

sábado, 1 de dezembro de 2012

Igreja Cristã Maranata. MP afasta cúpula suspeita de desvio de R$ 21 milhões vindos do dízimo


Na última segunda-feira (26), uma operação do Ministério Público do Estado do Espírito Santo realizou buscas e apreensões na sede da Igreja Cristã Maranata. Algumas horas depois, toda a cúpula da institução foi afastada, incluindo o presidente, Gedelti Gueiros, pastores e diáconos, que também tiveram seus bens bloqueados e a quebra de seus sigilos bancário e fiscal autorizada. A suspeita é de que o esquema tenha desviado R$ 21 milhões vindos do dízimo doado pelos fiéis.

Foto: Nestor Müller

Às 6h de segunda, policiais militares e federais realizaram busca no Presbitério da maranata, em Vila Velha


Ao todo, 26 pessoas e empresas estão sendo investigadas por sua participação em um esquema de corrupção que desviou recursos provenientes do dízimo doado pelos fiéis


Toda a cúpula da Igreja Cristã Maranata – incluindo seu presidente, Gedelti Gueiros – foi afastada e está proibida de entrar nas áreas administrativas da instituição. Ao todo, 26 pessoas e empresas estão sendo investigadas por sua participação em um esquema de corrupção que desviou recursos provenientes do dízimo doado pelos fiéis. Estimativas iniciais da própria igreja indicam que o rombo pode ultrapassar os R$ 21 milhões.

Os envolvidos no esquema – pastores e diáconos – tiveram ainda os bens bloqueados, e foi determinada a quebra de seus sigilos bancário e fiscal. A decisão é da Vara de Inquéritos Criminais de Vitória, que atendeu a um pedido do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual.


A denúncia da fraude foi divulgada, com exclusividade, em A GAZETA, em fevereiro deste ano. O Ministério Público deu início à investigação e no final do mesmo mês abriu um inquérito criminal.

Operações

Na manhã desta seunda-feira (26), o Gaeco, com o apoio de 72 policiais militares, realizou a busca e apreensão determinada pela Justiça, de documentos e equipamentos em setores da Maranata. O alvo principal foi o Presbitério, localizado em Vila Velha, e que concentra o comando da igreja no mundo.


Foram ainda vistoriadas a Fundação Manoel dos Passos Barros, na Serra, e os Manains de Cariacica, Vila Velha, Serra e Domingos Martins. Não escaparam nem mesmo empresas que prestavam serviços para a igreja, como a Econtábil, de Leonardo Alvarenga, que, além de diácono, era o contador da igreja no país.

Além do Gaeco – cuja operação foi denominada "Entre Irmãos" –, a Polícia Federal fez busca e apreensão nos mesmos locais. As duas operações têm o objetivo de obter mais provas para as investigações iniciadas em fevereiro deste ano. As apurações já apontavam o envolvimento da cúpula da igreja no desvio do dízimo. O golpe era viabilizado por notas fiscais frias, que permitiam a retirada de valores do caixa da igreja. Elas eram emitidas por fornecedores do Presbitério da Maranata com valores superfaturados, bem acima do cobrado pelo serviço. Há indícios de que empresas foram criadas – em nome de laranjas – para essa finalidade.

O dinheiro desviado era destinado a pastores e até a funcionários. Há suspeitas de que o dinheiro era utilizado na compra de imóveis, em pagamento de contas pessoais e na compra de dólares, enviados para o exterior na mala dos fiéis.

Outra saída do caixa investigada pela Polícia Federal é a compra de equipamentos eletrônicos no exterior para o sistema de videoconferência sem pagamento de impostos.

Há indícios da utilização irregular de policiais para guarda e segurança dos membros e templos da igreja, desvios de emendas parlamentares, falsificação de documentos e tráfico de influência. Para justificar as situações por trás dos desvios, o argumento era de que o dinheiro serviria para "ajudar irmãos no exterior".

Desvio de verba pública investigado em fundação

A Fundação Manoel dos Passos Barros, que pertence à Igreja Maranata, é um dos alvos da investigação do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. Há indícios de que houve desvios das verbas públicas destinadas por parlamentares para a instituição. Entre os anos de 2005 e 2011, a fundação recebeu R$ 1,8 milhão.

Entre os parlamentares que destinaram os recursos para a fundação estão Elcio Álvares, Aparecida Denadai, Geovani Silva e Jurandy Loureiro. Os três primeiros são fiéis da igreja; e o último, amigo pessoal do presidente da instituição, Gedelti Gueiros.

Os valores foram entregues para compra de ambulâncias, subvenções sociais, apoio a entidades filantrópicas, compras de equipamentos e melhorias no atendimento. Quem mais fez doações no período foi Elcio (R$ 860 mil), seguido de Aparecida (R$ 450 mil), Geovani (R$ 410 mil) e, por último, Jurandy (R$ 80 mil).

A deputada estadual Aparecida Denadai não acredita que as emendas tenham sido alvo de desvios. "Há algum engano. A fundação é um exemplo de administração do dinheiro público", destacou.

Ela relata que os recursos foram destinados depois que visitou a instituição, onde verificou que os equipamentos eram aplicados no atendimento a pacientes com câncer e problemas renais. "Fiquei impressionada com o trabalho. Ainda acredito que o dinheiro estava sendo bem aplicado", pontua Aparecida.

A parlamentar acrescentou que conhece os administradores da fundação: "São pessoas honestas, competentes. Não acredito que estejam envolvidos em nenhum tipo de desvio", assinala.

O deputado estadual Elcio Álvares destaca que a fundação é credenciada a receber emendas parlamentares e que cabe ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas fazer a fiscalização. "A emenda foi destinada a projetos sociais. Cumpri todas as normas legais", acrescenta. Geovani Silva e Jurandy Loureiro não foram localizados para falar sobre o assunto. Seus telefones estavam desligados.

A fundação leva o nome do primeiro presidente da Maranata, Manoel dos Passos Barros, sogro do atual líder da igreja, Gedelti. É ainda investigada por improbidade administrativa e por pendências relativas a prestação de contas de 2010.

Federal apreende aparelhos em caminhão 

No Manaim de Jaburuna, em Vila Velha, foi localizada nesta segunda-feira por policiais militares e federais a unidade móvel que transmite os cultos da Maranata para templos do Brasil e no exterior. As denúncias que já estão sendo investigadas é de que a unidade foi montada – assim como o sistema de videoconferência da igreja – graças à compra de equipamentos eletrônicos de forma irregular. Aparelhos que estavam dentro do caminhão foram apreendidos.

O material teria sido comprado fora do país e trazido clandestinamente na mala dos fiéis. Em algumas ocasiões, os produtos vinham de Miami (EUA) para o Brasil. Em outras, eram comprados no Paraguai, levados a Curitiba (PR) e, em seguida, a Vitória.

Pastores da própria Maranata chegaram a apontar, em depoimento, que o custo inicial para montar o sistema de videoconferência era de R$ 24 milhões. A economia foi feita com a decisão da igreja de montar o sistema, que custou cerca de R$ 3 milhões.

Essa transação comercial, assim como a compra de dólares e o esquema de envio de recursos para o exterior, também na mala dos fiéis, já está sendo investigada pela Polícia Federal.

Fonte: A Gazeta

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Pastor investigado por desvio de dízimos da Igreja Maranata no ES morre em acidente. Veja


 A Igreja Cristã Maranata do ES está desde fevereiro/12 sob investigação de desvio de dízimos. No esquema denunciado envolveu vários nomes da cúpula da igreja  e dentre eles o nome do pastor Júlio Cesar Viana que pastoreava uma das igrejas no Paraná e faleceu de forma trágica o dia 28 no PR. 

O pastor da igreja Cristã Maranata no Espírito Santo, Júlio César Viana, morreu em um grave acidente em uma rodovia estadual do Paraná, no domingo (28). Ele era um dos investigados no esquema que desviou dinheiro do dízimo da igreja capixaba. O Ministério Público Federal investiga a denúncia desde fevereiro deste ano.

O advogado de defesa do pastor Júlio informou ao G1 que o corpo foi velado e enterrado na última segunda-feira (29) no Sul do país. Ele ainda disse que não tem informações sobre o andamento do processo que investiga a sua participação no esquema da Maranata.

Sobre o acidente, a Igreja Maranata informou que o carro dirigido pelo pastor seguia da cidade de Marechal Cândido Rondon para Curvado, também no Paraná. Júlio César perdeu o controle em uma curva, saiu da pista, capotou e caiu num barranco às margens da rodovia PR- 467.

De acordo com a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), a queda foi de aproximadamente dois metros. O pastor ficou preso nas ferragens e morreu no local. Outras três pessoas que estavam no carro tiveram ferimentos leves e foram encaminhadas para um hospital de Marechal Cândido Rondon. A polícia não soube afirmar o que fez o pastor perder o controle da direção. Não chovia no momento do acidente.


Entenda o caso
A suspeita de desvio de mais de R$ 2 milhões arrecadados do dízimo pago por fiéis, além de compras superfaturadas e caixa dois, fez ex-membros da Igreja Maranata, no Espírito Santo, processarem três pastores e um contador. Entre eles, está um ex-vice-presidente da instituição, criada há 43 anos no estado e que já possui 5,5 mil templos no Brasil e em outros países. A ação corre na 8ª Vara Cível de Vitória e o G1 teve acesso ao documento que apontava fraudes. O Ministério Público Estadual (MP-ES) informou que as denúncias direcionam para diversas irregularidades.

Como funcionava?
Um serviço que custaria, por exem
plo, R$ 5 mil, era registrado como se valesse R$ 8 mil. Segundo a denúncia, a igreja pedia nota fiscal com valor superfaturado e no acerto de contas as empresas ficaram com o valor real do serviço. Os demais R$ 3 mil, nesse exemplo, eram desviados para o ex-vice presidente da igreja ou por pessoas indicadas por ele. "Vi documentos que comprovam que o patrimônio de um dos denunciados é assustador, incompatível com o que ele ganhava”, exemplificou o ex-pastor, que preferiu não se identificar. Ele ainda disse que há evidências de que a fraude acontecia desde 2006.

Investigação interna
Diante dos acontecimentos, a própria igreja maranata resolveu investigar, um procedimento administrativo foi aberto e uma comissão interna ouviu depoimentos, analisou o que aconteceu no escritório de contabilidade da igreja nos últimos 5 anos.

De acordo com o procedimento administrativo, somas que chegam a mais de R$ 20 milhões foram movimentadas nos últimos anos por meio de notas fiscais suspeitas. O dinheiro que teria sido usado, inclusive, para pagamento de prestação de imóveis, carros e compra de dólares enviados para o exterior pelo ex-vice-presidente.

Um grupo formado por ex-membros da Maranata investigou e montou um relatório sobre a atividade irregular na igreja. De acordo com o advogado que representa o grupo, os fornecedores, a pedido de um funcionário da igreja, emitiam notas fiscais superfaturadas como se os serviços houvessem sido realizadas, quando, na verdade, não eram.

Pastor da Igreja Maranata/ES morre em acidente.
G1

segunda-feira, 12 de março de 2012

Maranata. Crimes federais investigados

Crimes federais investigados 
Na mira da apuração está material de videoconferência


foto: Fábio Vicentini
Toda a direção da Igreja Maranata está sendo investigada pelo desvio de recursos do dízimo

Rombo
R$ 21 milhões: 
É a estimativa inicial do quanto foi desviado de dízimo da Maranata

Parte das irregularidades praticadas na cúpula da Igreja Cristã Maranata vão ser investigadas pelo Ministério Público Federal. Trata-se da compra de equipamentos de videoconferência de forma irregular, em outros países, e do envio de remessas de dólares para o exterior. As informações vão ser encaminhadas pelos promotores estaduais responsáveis por um inquérito criminal aberto na última semana.

Os possíveis crimes fazem parte de um conjunto de irregularidades já investigadas pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti). Trata-se do desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis.

São alvo das investigações toda a cúpula da Maranata, incluindo seu presidente, Gedelti Gueiros. Até o momento, os promotores estaduais já identificaram cinco tipos de crimes: estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crime contra a ordem tributária.

As denúncias de compra de dólares aparecem até mesmo na investigação feita pela própria Maranata no final do ano passado. O argumento dos pastores, segundo os depoimentos, era de que o dinheiro serviria para ajudar os "irmãos no exterior". Os valores eram levados para o exterior na mala dos fiéis.

Já os equipamentos de videoconferência teriam sido comprados nos Estados Unidos e no Paraguai e ttrazidos para o Espírito Santo de forma irregular, na mala dos fiéis.

O processo, inclusive, já é alvo de um inquérito na Polícia Federal, a pedido da Procuradoria da República. O caso foi reaberto após A GAZETA publicar que a pessoa que intermediava a compra dos equipamentos de videoconferência foi presa em janeiro de 2010 pela Polícia Federal.

O autônomo Julio Cesar Viana foi flagrado transportando rádios e projetores estrangeiros sem nota fiscal, dentro da mala. Ele chegou a ser denunciado, mas apenas pelo transporte dos equipamentos. O nome de Viana aparece na descrição de vários documentos de caixa da Maranata. O dinheiro era destinado à compra de equipamentos ou de passagens aéreas.

Diante destes novos fatos, o MPF decidiu reabrir o caso, já que há indícios de que o material seria destinado à Maranata. A GAZETA tentou falar com Viana e seu advogado, Antonio Marcos de Aguiar, em Curitiba, Paraná, mas não obteve retorno das ligações.

Igreja diz que está tranquila e que pediu a apuração dos fatos
O Conselho Presbiterial da Igreja Cristã Maranata – eleito no fim do ano passado – diz que está tranquilo em relação as investigações do Ministério Público Federal. Por intermédio de nota afirmou que se antecipou e já procurou tanto a Receita Federal quanto a Receita Estadual solicitando que apurassem as possíveis irregularidades na compra dos equipamentos de videoconferência. O sistema interliga os templos no Brasil e no exterior.

Quanto às denúncias de envio de dólares para o exterior na mala de fiéis, assinalam que desconhecem o assunto. "Não há registro oficial na Igreja Cristã Maranata de envio de recursos financeiros para o exterior", diz o texto da nota enviada pela igreja.

No mesmo documento fez ainda questão de pontuar que partiu da igreja a iniciativa de apurar as denúncias, levando os fatos até mesmo ao Ministério Público Estadual e que agora aguarda o resultado das investigações com a punição dos culpados. "A Igreja não se furtará a adotar novas medidas para obter ressarcimento do que lhe foi subtraído e para punir os responsáveis", acrescenta o texto.

Fraude milionária
Um esquema de corrupção foi montado na cúpula da Maranata com a participação de pastores, diáconos e fornecedores para desviar recursos do dízimo doado pelos fiéis

Rombo: 
Estimativas iniciais apontam para um rombo de pelo menos R$ 21 milhões. A Maranata pede na Justiça o ressarcimento de R$ 2,1 milhões

Inquérito: 
Na última semana o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o caso

Igreja: 
Na Justiça ela aponta como cabeças da fraude o seu vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga

Investigados: 
Os promotores investigam toda a cúpula da igreja, incluindo seu vice-presidente, Gedelti Gueiros

Golpe: 
O golpe era viabilizado por notas fiscais fornecidas por empresas que prestavam serviços para a igreja. Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais

Uso: 
Com os recursos desviados compravam carros, imóveis, pagavam contas pessoais, e até dólares, que eram enviados para o exterior na mala dos fiéis
Autor/ Fonte: Letícia Cardoso e Vilmara Fernandes (A Gazeta)

domingo, 11 de março de 2012

Maranata: líder da igreja é investigado

Maranata: líder da igreja é investigado 
A análise de documentos e de depoimentos ao Ministério Público revela que tudo o que acontecia na igreja passava pelo pastor Gedelti Gueiros

Quarenta dias após ter sido divulgado um esquema de corrupção na Igreja Cristã Maranata, o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis. O presidente da instituição, Gedelti Gueiros, que não era apontado como um dos responsáveis pelo crime, é agora alvo da investigação junto com o restante da cúpula da igreja. Estimativas iniciais apontam que o rombo pode superar R$ 21 milhões. 

Entre os crimes já identificados estão estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha e crimes contra a ordem tributária. O trabalho é conduzido pelos promotores do Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti).

Outra realidade

A Maranata, em uma apuração interna feita em outubro do ano passado, apontou como responsáveis pelo desvio três pastores e um diácono. Mas em uma ação movida na Justiça, a igreja acusou como cabeças do esquema o seu vice-presidente, o pastor Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador e diácono Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos afastados de suas funções.

As investigações dos promotores mostram, porém, uma realidade diferente. A análise de documentos e até os depoimentos de fiéis e empresários que eram fornecedores da igreja revelaram que Gedelti Gueiros é tido como um líder absoluto, uma espécie de mito que detém o controle da Maranata. Ele está na cúpula da igreja desde a sua fundação e há cinco anos é seu presidente.

A gestão da Maranata estava nas mãos dele e de seus assessores diretos – vice-presidente, diretores, secretários, assessores e membros do conselho presbiterial. Juntos nomeavam e delegavam poderes e cargos estratégicos, aprovavam e avalizavam contas e condutas. Isso, segundo as investigações, indica que Gedelti sabia de tudo o que acontecia na igreja, não só no âmbito religioso, mas também administrativo.

Essa competência está prevista no estatuto da igreja que vigorava até o final do ano, quando foram feitas as denúncias de fraude. Ao presidente, segundo o documento, cabe: "Convocar e presidir reuniões, representar a igreja e indicar assessoria administrativa, econômica, jurídica e outras".

Concentração

Outra conclusão dos promotores é de que a administração de toda a estrutura da igreja está centralizada no Presbitério, localizado em Vila Velha. De lá parte todo o comando administrativo e espiritual seguido com rigor pelos pastores nos mais de cinco mil templos no Brasil e exterior.

É também no Presbitério que está o caixa único da igreja, que recebe os recursos oriundos do dízimo de todos os templos. A Maranata não informa quanto arrecada por mês, mas sabe-se que é a segunda em número de evangélicos no Estado e uma das que mais cresce no país. Foi dessa conta que os recursos foram desviados.

A investigação indica que os autores do desvio podem ter praticado fraudes que caracterizam estelionato, e que o crime seria semelhante ao dos dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, vista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) como "uma organização criminosa que se valia da estrutura da igreja e de empresas vinculadas para arrecadar vultuosos valores, ludibriando os fiéis".



Esquema

O esquema seria viabilizado por intermédio da emissão de notas fiscais frias fornecidas por um grupo de empresas que prestavam serviços – que não existiam ou eram superfaturados – para a Maranata.

Na investigação realizada pela própria igreja diversos empresários chegaram a dar depoimentos confirmando a emissão de notas frias. Um deles é o proprietário de uma pequena papelaria localizada em São Torquato, Vila Velha. A Maranata chegou a pagar mais de R$ 941 mil por materiais que nunca foram entregues.

Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais. Atos que configuram, segundo os promotores, em outro crime, o de falsidade ideológica.

A possível associação entre os pastores que administravam a igreja para efetivar os crimes é caracterizada como formação de quadrilha, com viés de organização criminosa. O objetivo de tudo, segundo o que indicam as investigações, seria o enriquecimento ilícito. Algo que foi identificado a partir de movimentações financeiras discrepantes e pela ostentação de bens e patrimônio sem comprovação.

Carros e imóveis

Nos depoimentos há relatos de que os recursos desviados eram usados na compra de carros, imóveis, terrenos, apartamentos e no pagamento de contas pessoais. Outra parte do dinheiro era investida na compra de dólares, enviados para o exterior na mala dos fiéis.

Foram constatadas ainda provas de fraude ao fisco, com a emissão de notas fiscais frias e falsas, além da falsificação de dados em livros contábeis, que eram lavrados de forma ilícita para justificar os gastos que eram desviados da igreja. Para o Ministério Público Estadual isso constitui crimes contra a ordem tributária e de lavagem de dinheiro.

Parte das informações obtidas durante o processo de investigação vai ser encaminhada para o Ministério Público Federal. Dentre elas, a compra de equipamentos de videoconferência, que teriam entrado no Brasil de forma irregular. Os equipamentos eram adquiridos no Paraguai e nos Estados Unidos e trazidos para o Espírito Santo na mala de alguns fiéis.

Prazo

A investigação tem prazo de 90 dias para ser concluída, podendo ser prorrogada conforme a necessidade dos promotores. A partir de agora, todos os que supostamente teriam participado das ações ilícitas serão intimados a prestar depoimento.

O inquérito criminal tramitará com restrições a publicidade dos fatos apurados, o que significa que parte das informações não será divulgada. O objetivo, segundo os promotores, é não atrapalhar o andamento das investigações.

Igreja diz que "busca a justiça"

"Buscar sempre a justiça". Esse sempre foi o objetivo da Maranata, segundo nota emitida pela igreja e assinada pelo advogado responsável por sua defesa criminal, Homero Mafra. Nela destacam que prova disso foram as medidas adotadas, como a realização de um procedimento interno de investigação e contratação auditoria independente para apurar as irregularidades cometidas contra a instituição. "Tudo por iniciativa da própria igreja", diz a nota.

Houve ainda, segundo a nota, a troca dos membros do Conselho Prebiteral, que solicitaram ao Ministério Público Estadual e à Receita Federal que apurassem as possíveis irregularidades. "Vamos aguardar a apuração de todos os fatos e a responsabilização dos envolvidos". Acrescentam que a igreja "utilizará de todos os meios disponíveis para preservar o seu rebanho e seus valores éticos, morais e espirituais".

Na Justiça a igreja move uma ação contra o vice-presidente Antônio Ângelo Pereira dos Santos e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos já afastados de suas funções. O processo estava nas mãos do juiz Robson Albanez, que na última semana suspendeu o segredo de justiça e se deu por impedido para julgar a causa, alegando "questões de foro íntimo". O caso foi transferido para o juiz da 7ª Vara Cível, Marcos Assef.

O caso também está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. O presidente da Maranata, Gedelti, chegou a ser convidado a depor, mas não compareceu.

A GAZETA
Vilmara Fernandes e Letícia Cardoso

domingo, 12 de fevereiro de 2012

História contada em livro diz que Maranata é "uma igreja que surgiu da luta pelo poder"


Maranata: "uma igreja que surgiu da luta pelo poder"
História é contada em livro escrito a partir de atas oficiais

A "igreja do seu Abílio". Assim era conhecida a instituição frequentada pela família de Abílio Gueiros, que, no fim dos anos 60 – após um racha com a Presbiteriana –, deu origem à Maranata. Hoje, a instituição, que possui quase 5 mil templos espalhados pelo país, é comandada por um de seus filhos, Gedelti.

A criação da Maranata foi relatada em um livro escrito por Joel Ribeiro Brinco. A intenção do autor, que conviveu com os Gueiros desde os 7 anos, foi a de contar a história de sua igreja – a Presbiteriana – em Vila Velha, uma história que está ligada à criação da Maranata.

Segundo a obra de Joel, a nova igreja surgiu de um racha ocorrido no seio da Presbiteriana. "A paz terminou em 28 de janeiro de 1965", relata. Ele refere-se à data em que o irmão de Gedelti, Jedaias, perdeu a eleição para pastor, pondo fim à hegemonia da família Gueiros à frente da Presbiteriana.

Jedaias havia sido eleito pastor por três vezes consecutivas, mas não chegou a assumir o último mandato. Decidiu aceitar um convite para pastorear uma outra unidade presbiteriana no Rio de Janeiro. Seis anos depois, após passar em um concurso para juiz no Estado, decidiu retornar e reassumir o comando da igreja, em uma nova eleição. "A família Gueiros dava como certa a eleição de Jedaias", conta Joel.
foto: Bernardo Coutinho


Convivência
Joel Ribeiro Brinco (foto colorida) conviveu desde os 7 anos com a família Gueiros.


Surpresa

Para surpresa de todos, o resultado foi outro. "Jedaias perdeu para um pastor humilde, recém-chegado a Vila Velha, do interior do Estado", conta Joel. Era o reflexo, diz o autor, do crescimento do município, de sua população e, por consequência, do número de presbiterianos.

Esses novos fiéis, pondera Joel, não tinham ligação com a família Gueiros. "Os Gueiros, reconhecidamente, fizeram muito por Vila Velha. Mas para os novos moradores eram desconhecidos". Pesava ainda o fato de que Jedaias estava fora da comunidade havia seis anos.

O irmão de Gedelti perdeu as eleições para Sebastião Bittencourt dos Passos por uma diferença de 21 votos, resultado que não foi aceito. "A família Gueiros julgava ser muito improvável a eleição do Sebastião, face a grande influência que sempre exerceu na igreja", diz Joel.

Resultado

O resultado disso se viu nos anos seguintes. O primeiro passo foi uma tentativa da família Gueiros de anular a eleição. Num primeiro momento até conseguiram. A cúpula da Presbiteriana aceitou o pedido e manteve Sebastião na igreja apenas como pastor evangelista e não titular.

Essa decisão não agradou a outros membros da igreja, que alegavam desconhecer os motivos que levaram a eleição a ser anulada. Com a pressão dos fiéis, a cúpula da Presbiteriana decidiu confirmar a vitória de Sebastião, que voltou a ser pastor titular. "Essa decisão foi um balde de água fria nos propósitos dos Gueiros", pondera Joel.

Nos meses seguintes, os Gueiros começaram a se reunir em outra congregação, numa comunidade chamada Cruz do Campo, no bairro da Toca, em Vila Velha. Lá recebiam pastores de outras denominações. "Com uma doutrina diferente da presbiteriana, que incluía revelações e línguas estranhas", diz o autor.

Foi dessa pequena congregação que surgiu uma nova igreja, a Cristã Presbiteriana. Alguns anos depois seu nome foi trocado para Maranata. "Uma igreja que surgiu a partir de uma luta por poder", assinala Joel, cujo livro foi baseado nas atas históricas mantidas nos arquivos da Igreja Presbiteriana.


Igreja diz que história é outra

A Maranata garante que a história da igreja é outra. Por intermédio de nota, informou que o primeiro culto aconteceu em 1968, na Igreja Cristã Presbiteriana, em Itacibá. O pastor, Milton Leitão, falou para um grupo de 200 membros "que desejava uma maior comunhão com Deus".

O grupo expandiu-se no ano seguinte, com membros de Vitória, Vila Velha, Ataíde, Campo Grande e Afonso Cláudio. A construção do primeiro templo foi em 1972, no bairro de Belém, conhecido como Toca. "Uma igreja de taipa, coberta de telha de amianto", diz a nota.

A partir daí, a igreja cresceu, organizou sua doutrina e alterou o nome para Maranata. "Emergiu do seio da comunidade evangélica mundial, com ênfase no batismo com o Espírito Santo e nos dons espirituais", diz a nota.

Descartam ainda um racha com a Presbiteriana. Sobre a participação da família Gueiros, assinalam em nota que no início aderiram apenas Sara Gueiros e seu filho Gedelti.

"Os dois, com mais seis membros de Vila Velha e Vitória, aderiram à doutrina avivalista, que já tinha pontos de propagação em todo o Brasil, com diversas designações", pontua a nota.

Esclarece que a escolha do presidente e do Conselho Presbiteral é feita por voto ou aclamação em assembleia, com representantes das coordenações regionais do Brasil. Esses representantes são eleitos em suas regiões e trazem suas credenciais em atas.

Convivência

Joel Ribeiro Brinco (foto colorida) conviveu desde os 7 anos com a família Gueiros. Na
foto em preto e branco, ele aparece à direita. Ao centro está Gedelti, presidente da
Igreja Maranata; e, à esquerda, Abílio Gueiros.

Letícia Cardoso
Vilmara Fernandes
(em A Gazeta)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Escândalo na Igreja Maranata: presidente contratou empresa de sobrinho por R$ 23,7 milhões


Maranata: presidente contratou empresa de parente por R$ 23,7 milhões

Uma das empresas contratadas pela Igreja Cristã Maranata pertence ao sobrinho do presidente da instituição, Gedelti Gueiros. O dono da Work Sistemas e Equipamentos, responsável pela sonorização dos templos, é Hélvio Gueiros. Pelos serviços prestados nos últimos seis anos a microempresa recebeu
R$ 23,7 milhões, o que dá uma média de quase R$ 4 milhões ao ano.

Por intermédio de nota, a Maranata informou que “Gedelti Gueiros não tem qualquer tipo de ingerência na gestão administrativa da instituição”. A contratação de fornecedores para construção e aparelhamento da igreja, acrescenta a nota, segue o critério de cotação de preços.

Diversos fornecedores prestaram depoimento na investigação feita pela própria igreja. Nela, não há relatos dos proprietários da Work – Hélvio Gueiros e Sandra Pretti.

Comissão

Foi a comissão responsável por essa investigação que apontou a existência de um esquema de corrupção na cúpula da igreja, que desviava recursos provenientes do recolhimento do dízimo.

O esquema de fraudes contava com a participação do vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e do contador Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos já afastados de suas funções administrativas e religiosas.

Estimativas iniciais apontam que o rombo pode chegar a R$ 21 milhões. A igreja já ingressou com uma ação na Justiça para solicitar  a ressarcimento de R$ 2,1 milhões.

Documentos obtidos pela Rádio CBN e A GAZETA mostram que, entre as empresas, cujos proprietários foram ouvidos pela comissão que fez a investigação da igreja, todas têm faturamento bem inferior ao da Work. A maior delas recebeu no mesmo período – 2005 a 2011 – R$ 4 milhões.

Igreja, fundação e acusados têm o mesmo advogado



Resposta

Os proprietários da Work Sistemas e Equipamentos, Sandra Pretti Gueiros e Helvio Freitas Gueiros não retornaram as ligações da reportagem. Sandra Gueiros chegou a atender ao telefone, mas ao saber que se tratava de A GAZETA ela pediu para que retornasse dez minutos após. A reportagem retornou, mas até o fechamento desta edição não conseguiu mais contato com ela.

“Ele  está abalado”, diz novo advogado

Um novo advogado assumiu ontem a defesa da Igreja Cristã Maranata. Homero  Mafra – que ocupa a presidência da Ordem dos Advogados (OAB) no Estado – vai cuidar dos processos criminais da igreja.
O fato foi comunicado na manhã de ontem, no horário em que o presidente da igreja, Gedelti Gueiros, deveria prestar seu depoimento na Delegacia de Defraudações. Por telefone, Mafra comunicou ao delegado Gilson Gomes que Gedelti não poderia atender à intimação recebida na quarta-feira.
O argumento foi de que Mafra   havia sido convidado a assumir o caso no dia anterior e  não teve tempo de analisar todas as informações. “Por isso solicitei ao delegado um prazo maior”, afirmou o advogado.






De acordo com Mafra, foi uma boa oportunidade para evitar que Gedelti tivesse que comparecer a mais de um depoimento.

“É um senhor de 80 anos e que está muito abalado com a situação”, falou. O advogado adiantou também que uma das questões que precisarão ser analisadas diz respeito a um conflito de atribuições na investigação. “O trabalho está sendo feito pelo Ministério Público Estadual e pela polícia. É preciso se definir quem vai ficar com o caso”, disse.

O delegado informou que se reúne hoje com Mafra e adiantou que espera que o presidente da Maranata compareça para depor. “Ele terá que ratificar o que estamos apurando”.

Na avaliação dele, a igreja não deve ter motivos para manter em segredo dados relativos à apuração. “O grande pecado deles é tentar manter isso no âmbito interno. Já não é possível mais”, destacou.


Rádio CBN Vitória (93,5 FM)
Letícia Cardoso
Vilmara Fernandes
Vídeo. Igreja Cristã Maranata - Denuncia de desvio de dízímos processa suspeitos


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Igreja Maranata. Envolvido em compras foi preso pela federal

Envolvido em compras foi preso pela federal
Julio Viana foi flagrado com equipamentos sem nota fiscal

A pessoa que intermediava a compra de equipamentos de videoconferência para a Igreja Cristã Maranata foi presa em janeiro de 2010 pela Polícia Federal. O autônomo Julio Cesar Viana foi flagrado transportando rádios e projetores estrangeiros sem nota fiscal, dentro da mala. Foi detido pelos agentes federais quando desembarcou no Aeroporto de Vitória.

O material que estava com o autônomo e foi apreendido pela polícia – 19 projetores e dois rádios – é semelhante ao usado nos equipamentos de videoconferência da igreja. Na hora da prisão, Julio alegou que o material seria revendido na Grande Vitória e que teria comprado em Curitiba, Paraná, por R$ 20 mil.

A explicação não convenceu o Ministério Público Federal, que o denunciou. "Não é crível (...) que um vendedor autônomo de pisos de madeira despenderia o montante de R$ 20 mil com a compra de equipamentos eletroeletrônicos com a finalidade de revendê-los em outro Estado, sem ao menos ter um destinatário certo", diz o texto da denúncia.

O nome de Viana aparece na descrição de documentos de caixa da Maranata, com saída de recursos depositados na conta corrente dele ou de seus parentes. O dinheiro era destinado à compra de equipamentos ou de passagens aéreas.

foto: Fábio Vicentini
Igreja pediu  à Receita Federal   que apure as possíveis irregularidades


Um desses documentos é o adiantamento de R$ 70 mil para compra de 300 projetores do sistema de videoconferência. A transação foi aprovada por intermédio de uma "visão", que para os maranatas têm um significado especial por ser uma manifestação divina.

Segundo relatos presentes na investigação feita pela igreja, parte dos equipamentos era comprada no Paraguai e levada a Curitiba. De lá, seguiam para Vitória. A capital do Paraná é a terra natal de Viana e era de lá que ele vinha ao ser detido em Vitória.

Por nota, a Maranata informou que já havia recebido informações sobre esse tipo de irregularidade praticada por ex-membros, afastados pela direção. A igreja fez um requerimento à Receita Federal para que apure as possíveis irregularidades cometidas por essas pessoas. O advogado de Viana – Stênio Sant’Anna Sales – preferiu não se manifestar sobre o assunto e não informou o telefone do cliente.


Surpresa, decepção e revolta entre fiéis

Surpresa, decepção, tristeza, revolta. Esses foram alguns dos sentimentos dos fiéis da Maranata no último fim de semana. Muitos souberam da fraude milionária praticada por membros da diretoria por intermédio de amigos ou familiares. "Fiquei muito decepcionada após ler a matéria no jornal", relata a aposentada E., 60 anos.


Ela frequenta a Maranata desde os 17 anos. Lá casou e educou seus filhos. Afirma que há idosos da igreja que choram ao falar sobre o assunto. "É difícil descobrir que isso está acontecendo dentro da nossa igreja", assinala.

Na avaliação dela, daqui para frente os fiéis terão que ficar mais atentos. "Temos que ser mais prudentes, não confiar tanto. É o que a Bíblia orienta", pondera E.

A aposentada avalia que o presidente da igreja, Gedelti Gueiros, teria que ter acompanhado mais as finanças da Maranata. "A igreja cresceu, ele viaja muito e entregou tudo na mão de uma pessoa que não era de confiança", opina ela.

 Entenda o caso

Fraude milionária
Um esquema de corrupção foi montado na cúpula da Maranata com a participação pastores, diáconos e fornecedores para desviar  recursos do dízimo doado pelos fiéis

Rombo
Estimativas iniciais apontam para um rombo de pelo menos R$ 21 milhões. A Maranata recorreu à Justiça para  pedir o ressarcimento de R$ 2,1 milhões


Acusados
Na Justiça,  a igreja aponta como cabeças da fraude o seu vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga,  também   diácono. Os dois foram afastados  – assim como   outros dois pastores – das funções administrativas e religiosas

Golpe
O golpe era viabilizado por notas fiscais frias, que permitiam a retirada de valores do caixa da igreja. Há indícios de que até empresas foram criadas  em nome de laranjas. Os envolvidos alegavam que o dinheiro serviria para “ajudar irmãos no exterior”

Uso
Parte dos recursos desviados era usada na compra de carros e imóveis e no pagamento de contas pessoais. Outra parte era investida na compra de dólares, que eram enviados para o exterior na mala dos fiéis

Irregular
O dinheiro da igreja também foi usado para comprar – fora do país, de forma irregular – equipamentos para videoconferência  no valor de R$ 3 milhões

Sem rastros
Funcionários teriam sido orientados a destruir recibos e a formatar computadores



Letícia Cardoso
Vilmara Fernandes

A GAZETA (gazetaonline.globo.com)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Igreja Maranata: mais de R$20 milhões teriam ido parar no bolso de pastores

Igreja Maranata: mais de R$20 milhões teriam ido parar no bolso de pastores

O pastor Antônio Ângelo, vice-presidente da

Um esquema de corrupção para desviar recursos provenientes do recolhimento do dízimo foi montado na cúpula da Igreja Cristã Maranata, com o envolvimento de pastores, diáconos e até fornecedores. A ação, identificada em uma investigação da própria instituição, foi parar na Justiça. Nela, aparece o nome do vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos. Estimativas iniciais da igreja indicam que o rombo é de, no mínimo, R$ 21 milhões. Mas a ação protocolada na Justiça pede o ressarcimento de R$ 2,1 milhões.

foto: Fábio Vicentini
A Igreja Cristã Maranata é uma das que mais crescem no país. Acima, foto do templo na Praia da Costa
A diretoria da Maranata diz que a situação é grave e que já adotou as providências contra as irregularidades que vinham sendo praticadas. Uma delas foi afastar três pastores e um diácono das funções administrativas e religiosas.

O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual. Em nota, o MP adiantou que os documentos exigem melhor apuração, mas apontam para várias irregularidades e crimes. Diz ainda que, se aproveitando da isenção de tributos que as igrejas possuem e da boa-fé dos fiéis, pastores estariam usando bens da igreja em benefício próprio. A lista de prováveis crimes praticados inclui desvio de recursos para o exterior, criação de empresa irregular, contrabando, fraudes ao Fisco e ao sistema financeiro.

foto: Divulgação

O pastor Antônio Ângelo e o contador Leonardo Alvarenga, vice-presidente e o contador da instituição, respectivamente, são acusados de desvio


Derrame
Cerca de 5 mil templos no Brasil são administrados pelo presbitério da igreja, em Vila Velha, que concentra o dízimo doado no país. O dinheiro foi desviado desse caixa único. A igreja não informa quanto arrecada, mas sabe-se que é a segunda em número de evangélicos no Estado e uma das que mais crescem no país.

O golpe era viabilizado por notas fiscais frias, que permitiam a retirada de valores do caixa da igreja. Segundo documentos obtidos pela Rádio CBN Vitória e pelo jornal A GAZETA, as notas eram emitidas por fornecedores do Presbitério da Maranata. Há indícios de que empresas foram criadas - em nome de laranjas - somente para essa finalidade.

O dinheiro desviado era destinado a um grupo de pastores. Além do nome do vice-presidente, as investigações chegaram ao do contador da Maranata, Leonardo Meirelles de Alvarenga. Eles foram denunciados na ação judicial aberta pela igreja. Há indícios de participação de mais pastores e funcionários. Nas apurações, envolvidos afirmaram que o dinheiro serviria para "ajudar irmãos no exterior".

As informações fazem parte de investigação interna da igreja, que orientou uma auditoria externa, cuja análise preliminar confirma as irregularidades. "Elementos obtidos (...) são contundentes quanto à ocorrência de fraudes e desvios perpetrados pelo vice-presidente e o contador", diz trecho do relatório da auditoria citado na ação judicial.

Parte dos recursos desviados era usada na compra de carros e imóveis e no pagamento de contas pessoais. "Por várias vezes fui orientado a depositar valores na conta do Antônio Ângelo para pagamento de cartão de crédito, prestação de veículos, condomínios, compras de equipamentos", diz um funcionário ouvido na investigação.


Outra parte dos recursos era investida na compra de dólares, diz um empresário no mesmo relatório: "O valor era depositado nas contas das minhas empresas. No mesmo dia, eu comprava os dólares e os entregava no presbitério". Os dólares eram levados para o exterior nas malas de fiéis.
Destruição

Para evitar que a prática dos crimes fosse descoberta, funcionários foram orientados a destruir cópias de recibos. "Fui orientado pelo Antônio Ângelo e pelo Leonardo a destruir todos os documentos, recibos e depósitos que não passavam pelo caixa central do presbitério para não cair em nenhum tipo de fiscalização", relata um funcionário da igreja.

Há informações de que computadores foram formatados para que os rastros dos desvios fossem destruídos. "Os HDs foram corrompidos. Programas de envio de relatórios fiscais por internet (Receitas Federal e Estadual) foram apagados", consta num dos documentos. Outro problema detectado são atrasos na contabilidade da igreja há pelo menos quatro anos.

"Um montante muito elevado, chegando a cerca de R$ 500 mil mensais nos últimos 30 meses e R$ 6 milhões em 2010", relatório da Igreja Maranata sobre os desvios

Trechos da ação


"A igreja pagou um total de R$ 941 mil em notas fiscais que não correspondem a mercadorias efetivamente entregues"



"Relatório elaborado culmina com o prejuízo financeiro para os cofres da igreja equivalente a
R$ 2,1 milhões"



"A senha do contador Leonardo Meirelles lhe dava amplos poderes, alguns dos quais extrapolavam os limites das atividades próprias de contador"


"Verifica-se que documentos emitidos pela empresa do contador Leonardo Meirelles, assim como os registros da contabilidade, foram fraudulentos"


Depois do questionamento, a expulsão


"Fui usado como mula. No ano passado, foram três viagens"

X, 28 anos, frequentava a igreja desde pequeno


"Fui um dos muitos fiéis que transportaram os equipamentos do projeto de videoconferência dos Estados Unidos para o Brasil. Fui usado como mula. Só no ano passado, foram três viagens. Trazia-os em minha bagagem, escondidos no meio das roupas. Nunca foram descobertos pela Alfândega. Após ganhar a confiança dos pastores, fui convidado pelo vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, no final do ano passado, para uma outra viagem. Só que desta vez deveria levar
US$ 10 mil, valor máximo permitido para entrada nos Estados Unidos, e entregar a um outro pastor. Nesse dia, percebi que algo estava errado e o questionei sobre a legalidade das ações do Presbitério. Não aceitei levar os dólares e fui comunicado de que seria expulso de todos os trabalhos dentro da igreja."
Letícia Cardoso
Vilmara Fernandes
A Gazeta