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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Top 10 maiores tribos de Índios Brasileiros

A população total de indígenas no Brasil é atualmente de 421.000 indivíduos, isso dá aproximadamente 0,3% da população total em nosso país. 

Diversos povos indígenas já estão adaptados a "cultura branca" e com isso acabaram perdendo vários aspectos de suas culturas ricas em elementos próprios. Com isso, se nada for feito, em menos de um século pode ser que índios brasileiros passem a ser apenas mais um capítulo dos livros de escolares.

Mas você sabe quem são essas pessoas?

Abaixo temos uma foto representativa de casa uma das 10 maiores tribos indígenas do Brasil.

1 - Ticuna
Área: Alto Solimones. Outros nomes: Tikuna, Tukuna, Magua. Primeiro Contato: 1532. População: 32.613 (1998). Economia: Pesca e Agricultura. Idioma: Alolfilo (ainda não identificado)

Os Ticuna, também escrito Tukuna ou Tikuna, residem na floresta amazônica brasileira perto das fronteiras do Peru e Colômbia. Há mais de 70 aldeias Ticuna estabelecidas no Alto Solimões. Existe também uma população na Colômbia. Os Ticuna foram uma das primeiras tribos principais da Amazônia a ser contactados pelos primeiros conquistadores. Eles são um dos últimos grandes grupos populacionais deixados no Brasil. Mesmo com mais de 400 anos de contato, a Nação Ticuna conseguiu preservar sua identidade pessoal através da sua língua nativa, as religiões tradicionais, rituais e formas artísticas e culturais. Eles sobreviveram a constante ameaça de extermínio violento e as políticas forçado de integração da sociedade ocidental. Os Ticuna são uma tribo muito artística cujos talentos incluem a madeira, cestaria e escultura em pedra, e uma máscara de decisões. Eles também fazem tecido de cascas. Este tecido é muitas vezes incorporadas muitas coisas, tais como máscaras e bonecos, bem como a pintura sobre sobre tela ou papel. Eles são uma das poucas tribos amazônicas que pintam apenas pelo valor da pintura em si, em oposição à pintura como decoração em um objeto utilitário.

2 - Guarani


Os Guaranis foram um dos primeiros povos contactados depois da chegada dos europeus na América do Sul há cerca de 500 anos atrás.

No Brasil, existem hoje cerca de 46.000 vivem Guarani em sete estados, tornando-se a tribo mais numerosa do país. Muitos outros vivem no vizinho Paraguai, Bolívia e Argentina.

O povo Guarani no Brasil são divididos em três grupos: Kaiowá, Ñandeva e M'byá, dos quais o maior é o Kaiowá que significa 'povo da floresta'.

As crianças Guarani trabalham nos canaviais, que agora cobrem grande parte das terras de seus ancestrais no Mato Grosso do Sul.

Eles são um povo profundamente espiritual. A maioria das comunidades têm uma casa de oração, e um líder religioso, cuja autoridade é baseada no prestígio ao invés de poder formal.

3 - Caingangue


Os caingangues elegem seus lideres democraticamente e homens maiores de 15 anos podem ser escolhidos. São atualmente 25.000 indivíduos. Estão presentes em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

4 - Macuxi


Os Macuxi habitam o norte da Amazônia. Sofrem com a devastação provocada pelo homem branco em suas terras e sobrevivem com o auxilio de criações de gado. A população aproxima-se de 23.000 indivíduos

Os índios Macuxi da Amazônia têm tradições orais que falam sobre um tempo em que lhes eram confiadas com o conhecimento secreto uma porta de entrada para o reino subterrâneo da terra. Os Macuxi foram autorizados a visitar esta terra escondida e interagir com os gigantes que residiam lá. A eles foi prometido que, se eles levassem as suas funções de tutela com fidelidade, seriam autorizados a reencarnar nos reinos pacíficos do mundo interior.

Infelizmente, quando o homem branco da Europa veio e roubou as terras dos nativos da América do Norte e do Sul, foi necessário fechar este portal para proteger as terras escondidas das tendências destrutivas das nações conquistadoras dos homens brancos. Os Macuxis foram advertidos a fugir para o reino interior. Aqueles que ficaram sofreram nas mãos dos seus conquistadores e vivem hoje em dia com as memórias e tradições orais de um paraíso perdido.

5 - Terena


Os terena são muito urbanizados. Alguns trabalham no comercio e vivem normalmente no estado do Mato Grosso do Sul. Atualmente sua população esta próxima de 20.000 índios.


6 - Guajajaras

Os guajajaras (também conhecidos como teneteara ou tenetehára) são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil. Habitam onze terras indígenas na margem oriental da Amazonia, todas situadas no Maranhão.

A língua falada por eles é o teneteara, da família tupi-guarani. Sua história de mais de 380 anos de contato foi marcada tanto por aproximações com os brancos como por recusas totais, submissões, revoltas e grandes tragédias. A revolta de 1901contra os missionários capuchinhos teve como resposta a última "guerra contra os índios" na história do Brasil. Foram também conhecidos por muitos povos brasileiros como os "cuia de aço" por fazerem ferramentas excelentes para o trabalho.

Se alimentam principalmente de caça e de frutas cultivadas por eles. (fonte: Wikipédia)

A língua guajajara pertence à família tupi-guarani, sendo as línguas mais próximas o Asurini (do Tocantins), o Avá (Canoeiro), o Parakanã, o Suruí (do Pará), o Tapirapé e o Tembé, que lhe é muito semelhante. Os guajajara chamam sua língua de ze'egete ("a fala boa"). Ela é subdividida pelos lingüistas em quatro dialetos que são mutuamente inteligíveis, sem maiores complicações.
Nas aldeias, o guajajara é falado como primeira língua, enquanto o português tem a função de língua franca, que é entendida pela maioria.

A situação sociolingüística dos guajajara que moram nas cidades é desconhecida.

A pesca é uma das atividades mais praticadas pelas aldeias ribeirinhas. Os guajajara costumam pescar cerca de 36 espécies diferentes, sendo o cará, o cascudo, a lampreia, o mandi, o pacu, o piau e a traíra as mais comuns. Nos últimos anos, no entanto, foram construídos, em diversos projetos comunitários, pequenos açudes perto de algumas aldeias que ficam distantes de rios.

Para os moradores destas aldeias os açudes permitem tanto a pesca de subsistência quanto a comercial.(fonte: http://pib.socioambiental.org)


7 - Ianomâmi


Ianomâmis fazem grandes casas e diversas famílias habitam juntas. Normalmente índios ianomamis se casam com membros da própria família. São hoje em torno de 16.000 índios

Os  Ianomâmis vivem em aldeias geralmente consistem de seus filhos e famílias. Os tamanhos aldeias variam, mas geralmente contêm entre 50 e 400 pessoas. Neste sistema, é comum a vida da aldeia inteira sob um mesmo teto comum chamado de Shabons. Shabons têm uma forma característica oval, com base livre, com uma média de 100 metros. O abrigo shabono constitui o perímetro da vila, se não tiver sido enriquecido com paliçadas.

Sob o teto, as divisões existem marcada apenas por mensagens de apoio, particionamento de casas individuais e espaços. Shabonos são construídos a partir de matérias-primas das florestas circundantes, tais como folhas, cipós, ameixas e troncos de árvores. Eles são suscetíveis a danos por causa das chuvas, ventos, e infestação de insetos. Como resultado, aldeões construir shabonos novos cada 1 a 2 anos.


8 - Xavante
Cerca de 70 aldeias de índios xavantes estão localizadas no estado do Mato Grosso. Em festas típicas os xavantes usam uma espécie de gravata feita de algodão. População de quase 13.000 indivíduos.

Os Xavante tornaram-se famosos no Brasil em fins da década de 1940, com a massiva campanha que o Estado Novo empreendeu para divulgar sua “Marcha para o Oeste”. A campanha promoveu a equipe do SPI (Serviço de Proteção aos Índios) por seu trabalho de “pacificação dos Xavante.” No entanto, o grupo local que foi “pacificado” pelo SPI em 1946 constituía apenas um dentre os diversos grupos xavante que habitavam o leste do Mato Grosso, região que o Estado brasileiro então procurava franquear à colonização e à expansão capitalista. Na versão Xavante, é importante notar, foram os “brancos” os “pacificados”. De meados da década de 1940 a meados da de 60, grupos xavante específicos estabeleceram relações pacíficas diversificadas com representantes da sociedade envolvente – representantes diferenciados entre si, incluindo equipes do SPI, missionários católicos e protestantes.

Os agentes do contato e as maneiras como este se deu influenciaram os grupos xavante de distintos modos. Crenças e práticas religiosas, bem como algumas instituições sociais e práticas cerimoniais foram afetadas, em especial entre aqueles que travaram contato com missionários, sejam eles católicos ou evangélicos. Apesar desses impactos, a Cultura Xavante continua a se manifestar com extrema vitalidade, sendo retransmitida de geração em geração através da língua e de inúmeros mecanismos sociais, cosmológicos e cerimoniais. Para além de algumas diferenças notadas pelos etnógrafos entre os diversos grupos locais xavante por conta das referidas experiências distintas de contato, a língua comum, os padrões de organização social e instituições, as práticas cerimoniais e a cosmologia definem os Xavante como uma totalidade social. Suas comunidades, contudo, são politicamente autônomas, ainda que às vezes se unam para atingir objetivos comuns.


9 - Pataxó
Sobrevivem basicamente de seu artesanato rico em peças de madeira, penas e cipó. Em suas festas típicas fazem o Mukussuy, um peixe assado em folhas de palmeira e o Kauím, um vinho feito de mandioca. São quase 11.000 índios.

Os Pataxó criaram a maioria das coisas que precisam usando vários recursos naturais. Além disso, eles garantem a sobrevivência de espécies raras de árvores, plantas e arbustos em sua área de preservação, que é chamado de "Reserva da Jaqueira". Os Pataxós tentam viver em harmonia com a natureza, tanto quanto possível, e para ganhar a vida vendem seus produtos caseiros, tais como bijuterias e instrumentos musicais. Estes produtos também são vendidos no mercado local. As bijuterias são feitas de coco, sementes e penas de galinha.

10 - Potiguara


O termo Potiguara significa "comedores de camarão". Após a entrada da religião católica em sua cultura, vários índios foram batizados e adotaram "Camarão como sobrenome". Atualmente são em torno de 10.000 índios.




Fontes: Mais Estudo e Indigena

domingo, 20 de maio de 2012

Tribos. Índios isolados no Brasil


ÍNDIOS ISOLADOS NO BRASIL
Eles existem como gente invisível, e vivem em fuga a vida na floresta. Se escondem nas sombras, e podem, por exemplo, passar anos em uma caverna praticamente sem sair dela – como aconteceu com uma família de índios ava-canoeiro, a 200 km de Brasília, nos anos 1980. Nas áreas mais remotas da selva amazônica vivem índios que, de forma heróica, se afastam do contato e do convívio com a população que se instalou no Brasil. São os índios isolados – também chamados, pelos antropólogos, de comunidades “autônomas”.
Últimos índios akunt'su, Corumbiara, em Rondônia Araquém Alcântara

De acordo com Elias Bigio, coordenador Geral de Índios Isolados da Funai, há hoje 71 grupos indígenas vivendo nessa situação. Poucos anos atrás a Funai só tinha o conhecimento de cerca de 40 povos. A maioria desses índios sabe da existência do homem branco e até já tiveram encontros acidentais, mas preferem ficar escondidos. Podem ser aldeias com centenas de integrantes, ou, nos casos mais trágicos, um, dois, três indivíduos, uma família apenas que tenha conseguido sobreviver à carnificina em que se transformou, em fatos reais, a ocupação da Amazônia. Este é o caso dos dois piripkuras contatados em agosto, assim como dos kanoê e akunt’su, em Rondônia, os juma, no Amazonas, os ava-canoeiros, em Goiás e Tocantins, entre alguns outros.

Em 1995, depois de anos se metendo nos restos de matos de fazendas no sul de Rondônia, o sertanista Marcelo dos Santos conseguiu encontrar e estabelecer contato com uma família de índios kanoê. Eram nada mais do que cinco pessoas: uma mãe, um filho homem e uma filha mulher – já mãe de um pequeno menino–, e uma sobrinha. Poucos anos depois, sobraram só os dois irmãos, o rapaz Pura e a moça Tiramantú. Ela conseguiu engravidar outra vez, com algum homem que não diz quem é, e já teve mais um filho – o outro que tinha morreu de malária, junto de sua avó. A índia prima foi morta pelos vizinhos índios akunt’su. Quando tiveram confiança na equipe da Funai, os kanoê guiaram os sertanistas barbudos até encontrar outra tribo que vivia espremida entre os caminhos de madeireiros: sete índios Akunt’su. Até hoje, os dois homens akunt’su carregam pedaços de chumbo no corpo – a marca que ficou dos massacres que extinguiram o povo. Uma das índias dessa tribo morreu quando uma árvore caiu sobre a maloca, dois anos após o contato.
Até hoje, os dois homens akunt’su carregam pedaços de chumbo no corpo – a marca que ficou dos massacres que extinguiram o povo
Perto dessas duas tribos, também na região de Corumbiara, embaixo da fumaça das queimadas e no meio de imensos pastos e uma multidão de bois brancos, há uma bola de mato que é um verdadeiro portal para outras eras da humanidade. Em oito mil hectares de mata nativa, na Terra Indígena Tanaru, vive o povo de um homem só. Esse homem é chamado de “índio do buraco”, e ele não quer saber nada de entrar em contato com gente de outros povos – inclusive já flechou sertanistas da Funai quando se aproximaram dele. O “Índio do buraco” é o que lhe sobrou de um povo isolado que foi massacrado nos anos 1980 e 1990, assassinado e envenenado por arsênico misturado a brindes de açúcar e farinha ganho das mãos de fazendeiros. Último representante de uma tribo totalmente desconhecida, com hábitos e costumes próprios (como o buraco místico que faz dentro de sua oca), ele é, também, o retrato da desumana destruição da floresta.

Não é só no Brasil que existem índios isolados, apesar de provavelmente ser aqui que exista a maior quantidade de povos nessa condição no mundo inteiro. Criado por Sidney Possuelo, em 1989, o departamento, mesmo capenga em recursos, é uma referência mundial. Ao menos no que toca a ideologia de se tentar proteger essas tribos. No Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guianas, Suriname, todas as fronteiras do bioma amazônico, ainda existem índios isolados. Ao contrario do que ocorre no Brasil, por lá eles vivem ser terras protegidas. Para tentar expandir essa política, a ONU criou o Comitê Indígena Internacional para a Proteção de Povos em Isolamento Voluntário e em Contato Inicial (Cipaci). Antes tarde, ao menos na lei começa-se a tentar proteger essas pessoas da floresta. (Fonte: Revista Trip)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A história de Linhares ES

A vigilância ao tráfico de ouro através do Rio Doce é que deu origem ao Povoado de Coutins, com o estabelecimento de um Quartel Militar, com o mesmo nome, no ano de 1800, em volta do qual surgiu o povoamento.

Os índios do grupo Botocudos, nação Gês ou Tapuias, primeiros donos da terra, resistiam tenazmente à qualquer colonização branca na área e assim o fizeram, até que armas superiores às suas os dizimaram totalmente.

Naquela época toda área da região era coberta pela Mata Atlântica, que aos poucos, e decorrer de um século, foi devastada dando lugar a povoamento, extração, pastoreio e agricultura.

O primeiro povoamento foi inteiramente destruído por ataques dos índios botocudos e, em 1809, outro povoado foi levantado no mesmo lugar, recebendo o nome de Linhares, em homenagem a D. Rodrigo de Souza Coutinho, Conde de Linhares.

O povoado ficava situado num platô em forma de meia-lua, às margens do Rio Doce e, a leste e à oeste do povoado ficavam situados dois quartéis militares para avisar a população de ataques prováveis dos indígenas: um, onde é hoje o Bairro Aviso (daí o nome) e outro, nas proximidades de onde fica hoje o Colégio Estadual."

Por ordem cronológica, seguiram-se os seguintes fatos
• Estabelecimento dos primeiros lavradores, a convite do Governo da Capitania, ainda em 1809, (Espírito Santo era Capitania, na época) vindo assim para Linhares a família João Felipe du Pin Almeida Calmon, como colonos, para colonizar a região, ou seja, povoar e explorar a terra.

• Em 1811, o novo Governador da Capitania - Francisco Alberto Rubim, providenciou a vinda de mais colonos e, em 1819, é feita, por sua ordem, uma "Vista e Perspectiva do Povoado de Linhares", e nela, vê-se também a Primeira Igreja , construída sob o patrocínio de Rubim. O povoado foi construído em volta de uma Praça quadrada (hoje Praça 22 de Agosto), que guarda até hoje seu traçado original e onde os índios dançavam e cantavam no passado.


• Em 1818, visitou o povoado o naturalista Augusto de Saint Hilaire, deixando, em suas memórias de viagens, uma descrição do povoado, economia, do Rio Pequeno, da Lagoa Juparanã e prevê que, segundo suas palavras, "este lugar será, por certo, um dos mais belos do Brasil".

• Em abril de 1833, em execução a uma Provisão de Paço Imperial, anterior, o Povoado é elevado a VILA, sendo sede do Município do mesmo nome - Linhares - e sob a proteção de N. S. da Conceição. Provisão de Paço corresponde, hoje, a um decreto do Presidente da República.

• Em 22 de Agosto de 1833, realizou-se a primeira sessão solene da Câmara de Vereadores do Município de Linhares, tendo "início a sua vida político - administrativa" como judiciosamente sugere Xenocrates João Calmon de Aguiar". Nessa época, o Brasil era Império, Espírito Santo uma Província, e Vila, a sede dos Municípios; não existindo Prefeito, os Municípios eram administrados pela Câmara de Vereadores.

• O Território do Município de Linhares abrangia os que são hoje os Municípios de: Linhares, Rio Bananal, Colatina, Baixo Guandu, Pancas, São Gabriel da Palha, Sooretama e partes de Ibiraçu, Santa Tereza e Itaguaçu.

• No dia 03 de fevereiro de 1860, a Vila de Linhares recebe a ilustre visita de D. Pedro II. Na época, era Presidente da Câmara Municipal de Linhares o Sr. Carlos Augusto Nogueira da Gama. D. Pedro II aprecia o panorama do Rio Doce, escrevendo mais tarde: "Nenhum mais belo!". Visita a Lagoa Juparanã, parando para almoçar em uma pequena ilha que mais tarde recebeu o nome de Ilha do Imperador. A visita de D. Pedro II trouxe importantes benefícios à Vila de Linhares. Além do reconhecimento histórico que o fato em si representou, D. Pedro destinou 500 mil réis para a construção de um Cemitério (os enterros eram feitos em frente à primeira Igreja que havia desmoronado) e 300 mil réis destinados a compra de parâmetros sacerdotais para celebração na Capelinha. Esta foi a segunda Igreja de Linhares, conhecida atualmente como Igrejinha Velha, situada à praça 22 de Agosto.

• A construção da Casa da Câmara foi outra luta de anos travada pelos vereadores do Município, planejada desde 1849, para funcionar junto com a Intendência Militar (cadeia hoje), só foi construída no final do século, quando foram plantadas as 04 palmeiras que a ladeavam, duas de cada lado, ( só restam duas do lado esquerdo).

• Todo o comércio e transporte para a Vila de Linhares era realizado pela navegação no Rio Doce, destacando-se os vapores: " Muniz Freire", "Milagre":, "Santa Maria", "Tupi" e o "Juparanã". Atracavam estes barcos no cais do Porto do Rio Doce e, alguns, como o "Juparanã", tinham o apelido de "Gaiolas"; o mais famoso comandante do "Juparanã" foi Pedro Epichin, navegando pelo Rio Doce nas primeiras décadas deste século, desde 1927 até aproximadamente 1950, ( não temos a data exata do seu desativamento).

• Em 1887, naufragou na barra do rio Doce, em Regência, o navio "Imperial Marinheiro", durante violenta tempestade, destacando-se no resgate de 128 vidas o heroi Linharense: Caboclo Bernardo, que recebeu posteriormente, das mãos da Princesa Isabel, uma homenagem e medalha de ouro, em recompensa pela sua ação.
• No final do século XIX, a Vila de Linhares entra em decadência e o Povoado de Colatina, que pertencia ao Município de Linhares, conhece rápido crescimento graças a colonização italiana com o plantio de café e a inauguração dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória - Minas.

• Assim, por decreto de 30 de dezembro de 1921, ficou criado o Município de Colatina, englobando a Vila e o antigo Município de Linhares, fato este que contribuiu mais ainda a decadência de Linhares durante 22 anos.

• Neste período, entretanto, o plantio do cacau, cujas primeiras mudas haviam sido introduzidas no início do século atual, começa a apresentar resultados consistentes, economicamente. Em 1930, começam a chegar em Linhares os trabalhos de abertura de uma estrada, ligando-a a Vitória, para o sul e depois, ao norte, até São Mateus. Estes fatos, somados ao trabalho de Linharenses junto ao Governo do Estado, fazem com que a situação se transforme.

• No dia 31 de dezembro de 1943 - por decisão do Governo do Estado, restabelece-se o Município de Linhares, desligando-se do Município de Colatina, fato este muito festejado pelos Linharenses, sendo nomeado o primeiro Prefeito de Linhares - Dr. Roberto Calmon. A partir de 1943, a escalada do desenvolvimento de Linhares não é mais detida, sendo que alguns fatos devem ser analisados:
1º) Inauguração da ponte sobre o Rio Doce, na presença do Presidente Getúlio Vargas, sendo o Prefeito de Linhares na época o Sr. Joaquim Calmon.
2º) Em 1972, chega até Linhares o asfaltamento da BR 101.
Estes fatos, inegavelmente, contribuíram para a exploração demográfica do Município e da Cidade.
Fonte: http://www.linharesonline.com.br/


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sábado, 10 de dezembro de 2011

Índios botocudos podem ser descendentes diretos dos habitantes de Lagoa Santa, os primeiros de que se tem registro no Brasil


Índios botocudos podem ser descendentes diretos dos habitantes de Lagoa Santa, os primeiros de que se tem registro no Brasil
Família de botocudos em viagem: fuga dos
portugueses. Foto: Biblioteca Nacional Digital
RIO - Selvagens, sanguinários e estranhos. Esses adjetivos, comumente aplicados aos botocudos, mostram como a história nunca foi muito generosa com estes índios, cujo nome vem dos discos (botoques) que usam para alongar o formato de lábios e orelhas. Vítimas de um genocídio que, em 300 anos, reduziu sua população a poucas dezenas de pessoas, eles podem ser descendentes diretos dos habitantes de Lagoa Santa (MG), os primeiros que se têm registro no Brasil. A suspeita remonta à dois séculos, mas só agora a ciência consegue juntar evidências do parentesco.

A prova mais recente será detalhada em um artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional, nas bancas a partir da próxima quinta-feira. A pesquisa, do Instituto de Biociências (IB) da USP, comparou a morfologia do crânio de Luzia - o esqueleto mais antigo das Américas, com cerca de 11 mil anos - com o de diversos grupamentos indígenas, como marajoaras, tupis e construtores de sambaquis. Os botocudos têm mais semelhanças com a primeira brasileira.Índios podem ser herdeiros de Luzia

- São características dificilmente observáveis a olho nu - pondera Danilo Vicensotto, pesquisador do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos do IB-USP. - Quando transformamos as medidas cranianas em dados, parece mais claro. Se compararmos o busto da Luzia e a foto de um nativo americano atual, é possível perceber transformações no formato dos olhos e nas características faciais, por exemplo. Mas esta distinção no pacote biológico é menor quando Luzia é posta ao lado dos botocudos.


Vicensotto admite que é necessário colher mais provas - leia-se, estudar outros crânios e aguardar avanços na análise genética. Seu levantamento, porém, ao menos mantém acesa a possibilidade de que os índios de lábios largos, se não tão antigos quanto Luzia, ao menos podem ter sido seus herdeiros, até 8 mil anos atrás.

O debate sobre a origem dos botocudos começou no final do século XIX, quando um conjunto de técnicas, usadas para medir o corpo, sugeriram que essas tribos eram descendentes diretos dos homens de Lagoa Santa. Poucas décadas depois, no entanto, as conclusões desse estudo foram rechaçadas. A polêmica só voltou à baila nos últimos 15 anos, após o geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisar o DNA mitocondrial desse grupo. Ao constatar como o material genético dos sobreviventes desta população mudou com os séculos, ele aventou a possibilidade de que existem aspectos biológicos ligando-os aos pioneiros do Novo Mundo.

- Não existe um antagonismo entre a análise do DNA e a morfologia do crânio, que é estudada agora, são trabalhos complementares - julga. - Infelizmente o estado de conservação precário do sítio arqueológico não permite a coleta de DNA dos habitantes de Lagoa Santa. Ainda assim, não podemos descartar a possibilidade de que eles tenham interagido com os botocudos.

Hoje encaradas com curiosidade pela ciência, essas tribos não mereceram sossego dos portugueses desde que estes lançaram-se na exploração do interior brasileiro, entre os séculos XVII e XVIII, em busca de metais preciosos. Os botocudos eram vistos como obstáculo nesse desbravamento. Cartas régias conclamaram guerra a eles e apoiaram abertamente o seu massacre.

Até então concentradas no Brasil Central, entre o norte da Bahia e o sul mineiro, essas populações se viram obrigadas a ampliar seus limites para escapar do trabalho forçado. Tribos correram para Santa Catarina e outras, até então instaladas no Sudeste, foram vistas por padres franciscanos no Maranhão.

- Estas transformações, impostas pela colonização foram muito desfavoráveis aos índios - opina Jeanne Cordeiro, arqueóloga do Laboratório de Arqueologia Brasileira. - Os botocudos tornaram-se vulneráveis e perderam sua herança cultural. Não havia lendas e mitos de origem que os ligassem a esses novos espaços.
Botocudos
Quanto à capacidade de resistência dos botocudos, é necessário dizer que eles não eram uma presa comum como os demais índios, mas destemidos e indomados índios. Os registros de suas lutas os elevam ao grau do selvagem mais bravo de todos os que existiram em território brasileiro, a ponto de a história registrar que nunca foram derrotados, mas chacinados. Sustentaram quatro séculos de luta.
Esta falta de identidade reflete-se até hoje nas populações remanescentes, segundo Vicensotto. Nos dois povoados de botocudos ainda conhecidos, que reuniriam menos de 100 índios, os adultos lembram-se de apenas algumas palavras de seu idioma, recorrendo à língua portuguesa para se comunicarem com seus filhos.

Botocudos e tupis-guaranis têm idiomas de troncos linguísticos diferentes - e esta incompreensão é um dos motivos por trás da rivalidade histórica entre suas populações. O segundo grupo, no entanto, foi beneficiado por seu comportamento político, que permitiu alianças com o homem branco e um olhar mais benevolente, inclusive na literatura. Em "O guarani", obra que projetou o escritor romântico José Alencar, são os botocudos que atacam o personagem-título, herói do livro.

- Uma série de preconceitos foi atribuída a esta população até o meio do século passado - acusa Jeanne. - Os botocudos foram marginalizados por terem um compromisso com suas tradições e, assim, resistirem à colonização. Negros e brancos, nos últimos séculos, substituíram totalmente o povo nativo no Brasil. Trata-se de um fenômeno que jamais aconteceu, em época ou lugar algum.Colonizadores e tupis: aliados

Já os tupis, segundo a arqueóloga, aproximaram-se visando à vitória em suas próprias disputas. Em terras fluminenses, por exemplo, as tribos do Rio e Cabo Frio eram rivais. Cada uma, então, aliou-se a um colonizador - a primeira buscou apoio dos portugueses; a outra negociou com os franceses.

Nem mesmo a preguiça, outra característica sempre atribuída aos índios, encontra eco no estilo de vida dos botocudos. Segundo estudos desse grupo, os adultos trabalhavam cerca de 12 horas diárias, em atividades que iam da caça e agricultura à cerâmica. Aos 13 anos, quando passava por um rito em que ganhava o botoque, o jovem assumia a obrigação de tornar-se útil para a tribo, exercendo alguma atividade que contribuísse para a subsistência de todos.

Eram tribos grandes, que chegavam a 600 pessoas, de organização extremamente complexa e mais descentralizada do que os tupis - conta Jeanne. - Infelizmente para os portugueses, os botocudos não contavam com qualquer noção de metalurgia. Ainda assim, foram feitos escravos. O resultado é que, hoje, seus povoados não têm sequer 10% do tamanho de séculos atrás. [ O Globo]


200 anos da guerra contra os botocudos 

Dois eventos importantes da história brasileira ocorreram no dia 13 de maio. Um deles é pouco conhecido e não é motivo para comemoração

DOIS EVENTOS importantes da história brasileira ocorreram no dia 13 de maio. O mais famoso e justamente festejado ocorreu em 1888: a assinatura, pela princesa Isabel, da Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil. O outro, bem menos conhecido, aconteceu 80 anos antes e também envolveu um príncipe, mas não é nenhuma causa para comemoração.

Em 13 de maio de 1808, exatamente há 200 anos, o príncipe regente dom João (bisavô da princesa Isabel) assinou uma carta régia mandando "fazer guerra aos índios botocudos". O que levou dom João, que fugira de um conflito europeu, a iniciar uma nova guerra quase imediatamente após chegar ao Brasil? Quem eram os botocudos, percebidos como ameaçadores ao ponto de motivarem uma guerra contra eles?

O nome "botocudo", derrogatório e ofensivo, foi dado pelos portugueses a diversos povos histórica e geneticamente heterogêneos do grupo linguístico macro-jê que habitavam o nordeste de Minas Gerais, o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Em comum, tinham o hábito de usar discos de madeira no lábio inferior e nos lóbulos das orelhas para expandi-los de forma peculiar.

As rolhas dos barris de vinho português eram chamadas botoques -origem do cognome botocudos. Nômades e
caçadores-coletores, caracterizavam-se por extrema belicosidade.

Os botocudos não toleravam a presença dos lusos invasores e usavam táticas de guerrilha para atacar fazendas, matar colonos e aterrorizar todos os que se aproximassem de seus territórios. A carta régia os acusa de "praticar as mais horríveis e atrozes cenas da mais bárbara antropofagia, ora assassinando os portugueses e os índios mansos por meio de feridas, de que sorvem depois o sangue, ora dilacerando os corpos e comendo os seus tristes restos". Hoje, a maioria dos estudiosos acreditam que esse canibalismo pode nunca ter ocorrido. Por que a guerra contra eles? Pelo domínio do território que ocupavam.

Com a exaustão crescente dos depósitos auríferos em Minas Gerais, os portugueses se voltavam para a exploração da terra no interior do país. A chegada de dom João agudizou a situação: eram necessários víveres para alimentar a corte e estradas para transportá-los. Surgiram, assim, novos impulsos para a expansão das fronteiras da civilização.

As terras brutas do nordeste de Minas, então cobertas de mata atlântica verdejante, eram o alvo e o prêmio, mas elas também abrigavam os irredutíveis botocudos. De certa maneira, e com alguma liberdade de comparação, o nordeste de Minas era então o que a Amazônia é nos dias de hoje.

Obviamente, os portugueses venceram a guerra, usando pólvora e aço. Os índios que sobreviviam eram escravizados. Também foram usadas armas biológicas -roupas e cobertores impregnados de vírus de varíola eram deixados na floresta para uso e contaminação dos índios.

Como escreveu o barão Johann Jakob von Tschudi,naturalista suíço que visitou a região por volta de 1860: "Os portugueses adotaram os meios mais infames para atingir esse objetivo. [...] Nenhuma nação européia se rebaixou tanto para manchar seu nome e sua honra como Portugal". Mas ele adiciona: "Nos últimos tempos, apesar de já existir uma Constituição brasileira, que, infelizmente, tem sido implementada de forma muito precária, a guerra de destruição contra os índios na província de Minas Gerais ainda continua". Hoje, os botocudos não existem mais. Seus descendentes, os índios krenak, somam poucas centenas de indivíduos. Tampouco há florestas verdejantes no nordeste de Minas. Predomina o semi-árido e a região é uma das mais pobres do
Estado.

Ensina a sabedoria popular que quem ignora sua história está condenado a repetir os mesmos erros. A guerra contra os botocudos é um episódio importante da nossa história, com mensagens relevantes para a moderna sociedade brasileira.

Assim, no dia 13 de maio, ao celebrar a abolição da escravatura pela princesa Isabel, também devemos nos lembrar da carta régia de seu bisavô, o futuro dom João 6º, que perseguiu, escravizou e matou botocudos, levando à virtual extinção de um conjunto de bravos povos indígenas.

SÉRGIO DANILO PENA, 60, professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), e REGINA HORTA DUARTE , 44, professora do Departamento de História da UFMG, são professores residentes do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG no período
2008-2009.



Leia também: os botocudos indomáveis do Brasil.

sábado, 4 de junho de 2011

Ônibus com alunos indígenas é incendiado com coquetel molotov no MS

Em MS, ônibus com alunos indígenas é incendiado com coquetel molotov
Veículo estava na entrada de uma aldeia quando ataque ocorreu.
Cinco pessoas, entre alunos e o motorista, ficaram feridos gravemente.

Para-brisa do ônibus foi destruído pelo coquetel
molotov (Foto: Irineu Ferrari/Jornal Guaicuru)
Ônibus lotado com estudantes indígenas foi incendiado com coquetel molotov por volta das 23 horas desta sexta-feira (3) em Miranda, município a 203 quilômetros de Campo Grande. Cinco pessoas, entre alunos e o motorista, ficaram feridos gravemente e foram levados para o hospital da cidade e a Santa Casa da capital.
Segundo a Polícia Militar, o ônibus é de uma empresa que presta serviços para a prefeitura no transporte escolar. O veículo, que faz diariamente o trajeto de aproximadamente oito quilômetros entre o centro e as aldeias da zona rural, levando estudantes indígenas do ensino médio e de cursinhos, estava próximo à entrada da Aldeia Babaçu quando foi atacado.

Conforme relataram estudantes aos policiais militares, um homem saiu correndo de um matagal às margens da estrada e atirou um coquetel molotov no parabrisa do ônibus. Com o impacto, o vidro se quebrou e o fogo se espalhou pela parte dianteira do veículo. Ao mesmo tempo diversas pedras foram atiradas contra as janelas do lado direito, quebrando vidros, inclusive os da porta.
Pedra quebrou porta do ônibus que levava os
estudantes (Foto: Irineu Ferrari/Jornal Guaicuru)

Para fugir do fogo que se alastrava rapidamente, os estudantes saíram pela porta e pelas saídas de emergência nas janelas do ônibus, de acordo com a PM. Os policiais chegaram ao local por volta das 23h40, fizeram uma varredura no perímetro mas não localizaram nenhum suspeito. O caso foi registrado na Polícia Civil de Miranda, que abriu um inquérito para investigar a ocorrência.

O coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Miranda, Evair Borges, disse que ainda não existem suspeitos sobre quem foi o autor do ataque ao ônibus escolar. Ele comentou que na manhã deste sábado (4), junto com o cacique Adilson, da aldeia Cachoeirinha, esteve na garagem da empresa proprietária do ônibus onde encontraram dentro do veículo partes de uma garrafa, que poderia ser do coquetel molotov que atingiu o coletivo.

Borges disse que pediu apoio à Polícia Militar e a Polícia Civil para que sejam encontrados os responsáveis pelo ataque ao ônibus. As lideranças indígenas também se mobilizaram para ajudar na investigação.


Anderson Viegas e Hélder Rafael
Do G1 MS

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Funai diz que pode haver confronto com índios isolados


A Funai (Fundação Nacional do Índio) está monitorando grupos indígenas que vivem isolados perto da fronteira do Acre com o Peru.

A migração de grupos do país vizinho para o Brasil pode causar um confronto entre índios "como não se via há mais de 500 anos", diz o indigenista da Funai Artur Figueiredo Meirelles, coordenador da frente de proteção etnoambiental de Envira (AC).

Na região de Envira, há pelo menos três etnias que nunca tiveram contato entre si ou com a sociedade.

Com a extração de madeira na Amazônia peruana e a exploração de coca, os índios nômades do Peru fogem em busca de caça e alimentos para coleta, diz o ex-coordenador da frente de proteção José Carlos dos Reis Meirelles.

De acordo com Figueiredo, é possível deduzir pela observação feita em sobrevoos que os nômades estão se aproximando dos isolados.

Caso se encontrem, a reação natural dos índios isolados é defender o território pelo combate, diz Figueiredo.

NOVAS IMAGENS

Gleison Miranda/Funai/Survival






A ONG de proteção aos índios Survival Internacional divulgou nesta segunda-feira (31) fotos de um dos três grupos de índios isolados no Acre.

Nas imagens, feitas pela Funai em março de 2010, eles aparecem com o corpo coberto de urucum, empunhando arcos e flechas. Nos cestos é possível identificar mamão e mandioca.
O mesmo grupo já foi fotografado em 2008 e é monitorado há 23 anos, de acordo com José Carlos dos Reis Meirelles. As observações são feitas à distância (por terra) ou por sobrevoos a cada um ou dois anos.

Os índios das outras duas tribos nunca foram vistos -- eles fogem para o mato quando escutem o barulho das aeronaves, diz o indigenista.

Segundo estimativas de Meirelles, há pelo menos 600 índios vivendo nos três grupos isolados --somente na comunidade fotografada são cerca de 300 índios. O número não é preciso porque é obtido com base no tamanho do território ocupado pelas tribos, no número de ocas e na área plantada.

A Funai estima que existam no Brasil 67 grupos de índios isolados nas diversas regiões do país.


Folha Online

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Tribo indígena isolada vista na Amazônia arremessava pedras e flechas em avião

Uma das poucos remanescentes tribos indígenas isoladas da América do Sul foi avistado e fotografado na fronteira entre Brasil e Peru em maio de 2008. O governo brasileiro diz que levou as imagens para provar a existência  da tribo  e ajudar a proteger sua terra.

As fotos, tiradas de um avião, mostram os membros da tribo pintados  vermelho brandindo arcos e flechas.
A tribo foi fotografada com seus membros apontando arcos e flechas em um sobrevôo do avião. Imagem: Gleison Miranda, Funai.

Mais da metade das 100 tribos isoladas do mundo vivem no Brasil ou no Peru, diz Survival International, organização sem fins lucrativos que ajuda os povos tribais defender suas vidas, proteger suas terras e determinar seu próprio futuro .

Stephen Corry, diretor do grupo disse que tribos como essa "logo podem ser extintas" se a terra não estiver protegida.

'Crime Monumental'
A Survival International diz que, embora este grupo em particular esteja a aumentar em número, outros na área estão em risco de exploração madeireira ilegal.

As fotos foram tiradas durante vários vôos sobre uma das partes mais remotas da Floresta Amazônica na região do Acre no Brasil.
Membros de um dos isolados do Brasil tribos indígenas foram fotografados em uma área protegida da floresta amazônica, perto do Peru. Todas as imagens: Brasil Fundação Nacional do Índio (Funai)
Eles mostram os membros da tribo fora das palhoças, cercados pela selva densa, com arcos e setas apontando para a câmera - os homens estão pintados na cor laranja avermelhado e as do sexo feminino são pintadas em preto.

"Nós fizemos o sobrevôo para mostrar as suas casas, para mostrar que eles estão lá, para mostrar que eles existem", disse José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, funcionário do departamento do governo brasileiro de assuntos indígenas.

"Isso é muito importante, porque há alguns que duvidam de sua existência."
Ele descreveu as ameaças para as tribos e as suas terras como "um crime monumental contra o mundo natural" e "mais um testemunho da irracionalidade completa com os quais nós, os 'civilizados', tratamos o mundo".
Essas imagens são todas de uma posterior passagem pelo plano. Os homens, pintados de vermelho, brandindo armas e disparando algumas flechas no avião. A pessoa pintada de preto pode ser uma mulher.
A doença é também um risco, como membros de grupos tribais que foram contatados no passado morreram de doenças que não têm defesa contra, que vão desde a catapora para o resfriado comum.


A Survival International , organização sem fins lucrativos que ajuda os povos tribais defendendo suas vidas, protegendo suas terras a determinar seu próprio futuro, lançou novas fotos aéreas de povos isolados na fronteira do Brasil e do Peru. As fotografias são notáveis, as pessoas são representadas arremessando pedras e atirando flechas na aeronave. Você também pode ter notado que eles parecem ter pintura corporal, que não é Photoshopped - os machos são pintados em cor de laranja avermelhado eo (s) do sexo feminino são pintadas em preto.
A Funai diz que não faz contato com as tribos e impede invasões de suas terras, para garantir a sua total autonomia.

Realmente não é apreciável a forma como a imprensa está manipulando esta notícia. Há um monte de conjecturas, como manchetes absurdas que diziam: "os índios provavelmente pensam que o avião que foi fotografá-los é um espírito ou uma ave de grande porte." Sério? Como saber o que eles acham que o avião é um pássaro ou um espírito? Talvez eles estivessem apenas com medo, pois não concebem que existam pessoas no ar. Eu acho que é muito lamentável que pessoas de fora realmente subestimam os povos tribais, especialmente em cenários como este, onde pouco ou nada se sabe nada sobre eles!

De qualquer forma, a notícia foi fenomenal. A ironia é que há poucos anos, uma outra tribo previamente isolada na Amazônia foi descoberto - o Metyktire.


Leia mais sobre o assunto AQUI

sábado, 14 de agosto de 2010

Ritual de iniciação torturante com formigas tucandeiras transforma meninos em homens viris

Cerimônia é considerada ato de bravura e simboliza proteção do corpo.
Meninos têm de levar as ferroadas por 20 vezes em 20 dias diferentes.





Os adolescentes sofrem em rituais violentos
Carlos Marchi
Jovens sateré-maués, da tribo Molongotuba,
 passam pelo ritual de iniciação da Tucandeira.
Foto: Jonne Roriz
Os líderes indígenas não têm dúvida sobre a razão de estranhos e seguidos suicídios de adolescentes tucanos em São Gabriel da Cachoeira, onde, só em 2006, dez jovens se mataram em pouco mais de três meses. Para eles, é o choque cultural – e não cabem mais explicações. A socióloga Marilene Corrêa, reitora da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), tem uma versão bem diversa e polêmica: sempre houve suicídios de jovens entre os tucanos e outras etnias que submetem seus meninos e meninas a rituais de iniciação brutais.

Como é o caso dos , que vivem perto de Parintins e têm um ritual de iniciação que para os brancos é torturante, mas para eles funciona como o milagre que transforma meninos em homens fortes de corpo e espírito, bons guerreiros, caçadores e pescadores. Na época, meninos que têm entre 9 e 14 anos são convocados para a prova: devem enfiar a mão numa espécie de luva tramada em palha, que cumpre o papel simbólico da vagina e tem centenas de watyamas (formigas tucandeiras) habilmente encravadas nos espaços da trama de palha, de forma que os ferrões delas fiquem voltados para dentro.

Tão logo a mão é enfiada, as formigas – irritadas pela imobilização entre as tramas da palha – começam a ferroar. Não é de bom alvitre que os meninos gritem muito e não se espera que chorem. Alguns minutos depois, eles são convidados a trocar de mão. Esse ritual assustador começa nos fins de tarde e se prolonga até o meio da madrugada. É repetido em dias subseqüentes, de forma que cada menino deve enfiar a mão na luva de formigas pelo menos 20 vezes, até ser aprovado pelos pajés.

Neste ano, na aldeia Mocongotuba, no Rio Andirá, o ritual juntou 32 meninos. Enquanto os jovens enfiam as mãos na luva de formigas, os adultos entoam o mypynukuri (que quer dizer tatu-açu), um cântico para homenagear a dor que eles sentem, e tomam çapó (guaraná em bastão ralado na água). Na progressão do ritual, os meninos precisam ser auxiliados em tudo, porque as mãos ficam inchadas e inabilitadas para fazer qualquer coisa, até para comer. Enquanto sofrem, não podem ser consolados pelos pais; terão de suportar sozinhos a dor extrema de milhares de picadas com o veneno potente da watyama.

Ao participarem do ritual, embora tentem mostrar coragem, produzem esgares faciais que sugerem tensão e pavor. Muitos desistem no meio do caminho. E estarão automaticamente convocados a repetir o ritual no ano seguinte, sob pena de ficarem desmoralizados na aldeia. “Nunca aconteceu de um não terminar a prova”, gaba-se Jecinaldo Sateré, o coordenador da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coiab), que participou do ritual quando era menino e agora vai incentivar o filho a fazer o mesmo – como sua mulher é ticuna, as duas filhas vão participar do ritual de iniciação ticuna.

Conta Marilene que antigamente o ritual era muito mais doloroso: os meninos eram obrigados a introduzir o pênis no formigueiro. O órgão ficava inchado como uma bexiga de ar, diz ela. As missões católicas proibiram esse formato e os sateré-maués inventaram a luva.

A ciência empírica dos tucanos, um dos povos indígenas mais populosos da Amazônia, lhes permite perceber a aproximação da primeira menstruação das meninas, época em que elas são submetidas a um impressionante ritual de iniciação. Durante dias, têm o cabelo arrancado em tufos. Depois, são induzidas a beber um chá que as esteriliza por um período de dois meses; são, por fim, entregues a uma franca e irrefreada iniciação sexual com os meninos da aldeia. Depois desse “treinamento”, a menina poderá escolher um marido – e, a partir daí, só terá olhos para ele.

Marilene lembra Lévy-Strauss para explicar outro mito do meio indígena – por que eles bebem tanto. Segundo ela, na maioria das nações há um hábito imemorial de tomar drogas alucinógenas e servi-las aos jovens, principalmente durante os rituais de iniciação. “Das drogas para o álcool é um pulo”, afirma a socióloga. A médica e antropóloga Luíza Garnello, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Fiocruz, discorda: “Não há correlação entre o uso de substâncias psicoativas e o hábito de beber, até porque aquelas substâncias sempre foram de uso restrito dos xamãs (pajés).”

Luíza prefere acreditar que os suicídios podem ser causados pela mudança violenta de hábitos trazida pela invasão dos brancos. “É muito fácil para o indígena entrar na bebida alcoólica”, diz ela, lembrando que os madeireiros, o regatão (barco que vende objetos para os indígenas e caboclos) e os garimpeiros incitam o uso da bebida e estimulam a ampliação do calendário de festas. “Antigamente, os indígenas tinham duas ou três festas anuais. Agora tem uma enormidade”, constata. Nas festas, bebe-se muito. Quando não há cachaça – até porque uma garrafa de aguardente vagabunda custa até R$ 22 num alto rio amazônico –, os indígenas apelam para o caxiri, obtido da fermentação de mandioca ou pupunha. Então, o consumo de álcool se torna mais usual. O delegado de São Gabriel da Cachoeira, Vinícius Leão, confirma a seqüência de suicídios dos jovens tucanos, mas frisa que não registra todos os casos, pois não há crimes nos atos. Mas não tem dúvidas sobre a motivação: os suicídios começam sempre com bebedeiras.

Fonte: www.estadao.com.br

domingo, 25 de julho de 2010

Índios fazem cerca de 100 reféns em obra de hidrelétrica

Segundo Fundação, indígenas reivindicam indenização.
Empresa diz que aguarda aprovação de plano de ações para comunidade.


Cerca de 300 índios de pelo menos seis etnias ocupam, desde a manhã deste domingo (25), o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Dardanelos, em Aripuanã (MT). De acordo com Antônio Carlos Ferreira de Aquino, coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Juína (MT), cerca de 100 funcionários da obra são mantidos reféns.

Segundo Aquino, a obra da hidrelétrica começou há cerca de três anos. "Houve alguma falha no processo de licenciamento e a usina foi construída sobre um cemitério indígena. Os índios vêm negociando um ressarcimento", diz o coordenador.

"Queremos a compensação, uma indenização pela construção da hidrelétrica. A obra fica a cerca de 30 km da nossa reserva e causou grande impacto social e cultural na comunidade, sem contar os prejuízos ambientais, porque os animais para caça se afastaram", diz ao G1 o líder indígena Aldeci Arara.

Os índios pedem, segundo Aquino, a presença de representantes do Ministério de Minas e Energia, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, do Ministério Público, da Funai, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e das empresas responsáveis pela hidrelétrica para negociar a indenização.

Paulo Rogério Novaes, gerente de Meio Ambiente da Águas da Pedra, empresa responsável pelo empreendimento, afirmou ao G1 que a energética aguarda a aprovação de um programa de ações para a comunidade indígena. "A empresa jamais se negou a fazer algo pela comunidade, mas estamos aguardando um parecer da Funai, que está analisando estudos sobre o que é preciso fazer. O empreendimento, dentro da legislação ambiental, está procurando fazer tudo o que é solicitado", diz.

Segundo Novaes, a previsão é de que a hidrelétrica entre em operação em janeiro de 2011.

Fonte: G1