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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Irisina, hormônio anti-obesidade que queima as células adiposas

Um estudo recente publicado na prestigiosa revista científica Nature , descobriu o papel crucial desempenhado por uma determinada hormona anti-obesidade .

As descobertas podem levar a formas mais específicas para enfrentar a obesidade e o diabetes, eventualmente por meio do incremento dessas células de gordura bege, dizem os pesquisadores.

Tipos de células de gordura

O estudo parece indicar que existem células de gorduras de diversos tipos e diversas funções, eventualmente com alterações de funções. “Nós identificamos um terceiro tipo de célula de gordura,” explica Bruce Spiegelman, da Escola de Medicina de Harvard (EUA). “Há a gordura branca, a gordura marrom, e agora a gordura bege. Este terceiro tipo de gordura bege está presente na maioria ou em todos os seres humanos.”

Na verdade, sempre se pensou que a gordura marrom existisse apenas em bebês, servindo para mantê-los aquecidos. Mas dados de imageamento médico mais recentes – e mais precisos – mostram que os adultos também mantêm um pouco dessa gordura saudável.

Origem da gordura marrom
Mas a equipe de Spiegelman já havia mostrado anteriormente que a gordura marrom queimadora de energia, encontrada no meio da gordura branca armazenadora de energia em adultos, não era exatamente a gordura marrom clássica que se vê em bebês.

A gordura marrom dos bebês vem dos músculos, enquanto nos adultos as células de gordura marrom surgem do “escurecimento” da gordura branca.

No novo estudo, a equipe de Spiegelman clonou células bege retiradas do tecido adiposo de camundongos para estudar a sua atividade em nível genético.

Os perfis de expressão mostraram que, geneticamente, as células bege estão em um ponto entre a gordura branca e a gordura marrom. Inicialmente, elas têm baixos níveis de UCP1 (proteína desacopladora 1), um ingrediente chave para a queima de energia e geração de calor, níveis semelhantes aos da gordura branca.

Mas as células bege também têm uma notável capacidade de incrementar sua expressão de UCP1, iniciando um programa de queima de energia que é equivalente àquele da gordura marrom clássica, a dos bebês.

Irisina
 A equipe também descobriu que as células bege respondem a um hormônio conhecido como irisina, para ativar o programa de queima de energia. Isso é particularmente notável porque a irisina é liberada pelos músculos mediante exercícios físicos, e é responsável por alguns dos benefícios que a atividade física traz.

Ou seja, a irisina pode ser o tratamento há muito procurado para aumentar a queima de células de gordura.

Além do potencial terapêutico, as novas descobertas podem levar a novas e melhores maneiras para caracterizar as significativas diferenças entre as pessoas quanto ao número de células bege que cada uma possui, diz o Dr. Spiegelman.



A gordura que queima gordura


Novas pesquisas indicam como aumentar a quantidade e a ação da gordura marrom. Presente no corpo humano, ela queima caloria em vez de armazená-la

Cilene Pereira
Há anos a ciência pesquisa formas de acabar com o excesso de peso que tanto prejudica a saúde e a silhueta. Já se procurou por soluções em dietas, remédios. Agora, grande parte da atenção dos pesquisadores se concentra em uma arma que existe dentro do ser humano e que até hoje não vinha sendo explorada: a gordura marrom. Diferentemente da gordura branca, que armazena gordura no corpo, a marrom a queima. Ou seja, é uma gordura do bem. Uma gordura que emagrece.
A ciência já conhecia a existência desse tipo de tecido adiposo há muito tempo. Ele é, na verdade, uma herança da nossa evolução. Sua principal função é gerar calor. Ajudou, dessa maneira, a evitar que os homens morressem de frio lá nos primórdios da história, quando a humanidade estava perigosamente exposta a baixas temperaturas. Está presente nos mamíferos, em especial naqueles que hibernam. No ser humano, existe em quantidade razoável em recém-nascidos. Como são incapazes de tremer – resposta do corpo para criar calor – e de escapar sozinhos de lugares frios, apresentam depósitos de gordura marrom significativos.
A grande surpresa ocorreu há três anos, quando três importantes pesquisas publicadas na mesma edição da revista científica “The New England Journal of Medicine” – uma das mais prestigiadas do mundo – revelaram que esse tipo de gordura podia ser encontrado também em adultos. Até então, imaginava-se que ela desaparecia do corpo gradativamente, ao longo do crescimento. Mas os trabalhos demonstraram de maneira inequívoca que a gordura marrom fazia parte do organismo adulto e que seus depósitos se localizam na mesma região onde estão os dos bebês, embora sejam menores do que os apresentados pelas crianças. Basicamente, há gordura marrom nos adultos no pescoço, abaixo da clavícula e ao longo da espinha.
APOSTA
O nutricionista Ávila acredita no potencial da gordura contra a obesidade
Um dos trabalhos foi feito por pesquisadores do Joslin Diabetes Center, ligado à Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e consistiu na análise dos resultados obtidos pelo exame de imagem PET-CT, aplicado a 1.972 pessoas por diferentes razões. O outro estudo foi realizado na Universidade de Maastricht, na Holanda, e envolveu 24 jovens saudáveis. O terceiro foi coordenado por cientistas da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e teve cinco participantes. Nestes dois últimos os voluntários também foram submetidos ao teste PET-CT.
Por meio dos exames, constatou-se não só a existência das células de gordura marrom. Verificou-se que, nos adultos, elas continuam a exercer seu papel primordial, o de criar calor. No experimento sueco, por exemplo, os cientistas constataram que a gordura passou a queimar calorias quan­­­­do os participantes permaneceram por duas horas em uma sala com temperatura que variou de 17 a 19 graus. Na pesquisa holandesa, ela começou a funcionar quando o termostato baixou para 16 graus.
A divulgação desses trabalhos encheu de ânimo pesquisadores do mundo todo. “A gordura marrom apresenta um grande potencial como arma contra a obesidade”, afirma o nutricionista mineiro Marcus Ávila, pós-graduado em nutrição esportiva. O entusiasmo é compreensível. Quando ela é ativada para gerar calor, inicia-se um incrível processo de queima de calorias. Afinal, elas são o combustível para o funcionamento das células. Portanto, para cumprir sua missão, as células de gordura marrom recorrem à queima calórica. Sem isso, não têm como funcionar. E elas queimam mais calorias porque foram dotadas de um número muito maior de mitocôndrias – estrutura celular responsável pela produção de energia –, uma vez que precisam desse maquinário ampliado para dar conta de seu trabalho.
ESTRATÉGIAS 
As pesquisas indicam que fazer exercícios e expor-se ao frio seriam
formas de turbinar a ação das células que queimam calorias
Por tudo isso, estima-se que 50 gramas de tecido adiposo marrom ativo sejam suficientes para elevar em 20% a taxa do metabolismo basal (a quantidade de calorias que o organismo utiliza, em repouso, para manter o funcionamento dos órgãos). Por essa conta, um indivíduo que consiga acionar as células de gordura marrom poderia perder até cinco quilos, em um ano, mantendo a mesma dieta e o mesmo nível de atividade física. “Ela pode ser capaz de queimar centenas de calorias por dia”, afirmou à ISTOÉ o cientista Aaron Cypess, do Joslin Diabetes Center e autor de vários trabalhos a respeito do assunto.
Entusiasmados com esse potencial, de 2009 para cá os cientistas iniciaram uma corrida mundial para aprofundar o conhecimento sobre este tecido adiposo. Alguns pesquisadores focaram seu interesse no poder do frio para ativá-la. No início do ano, um time de pesquisadores canadenses divulgou um trabalho no qual constatou que indivíduos submetidos a uma temperatura de 18 graus dobraram seu gasto de energia em comparação aos participantes que ficaram em ambientes com temperaturas mais elevadas. Gastaram em média 250 calorias a mais do que os outros durante as três horas de exposição ao frio. “Demonstramos de forma convincente a importância metabólica da gordura marrom na geração de calor em jovens adultos”, disse à ISTOÉ Denis Richard, diretor do Instituto Universitário de Cardiologia e Pneumologia de Quebec, no Canadá, e um dos autores do trabalho. “E sua ativação pode representar um meio útil de prevenir o depósito excessivo de gordura.”
O grupo coordenado pela cientista Sheila Collins, do Centro de Pesquisa Sanford-Burnham, nos Estados Unidos, descobriu um efeito inusitado do frio. Baixas temperaturas elevam a concentração de um hormônio fabricado no coração (peptídeo natriurético) e conhecido por interferir no controle da pressão arterial. “Verificamos que ele também ativa o tecido adiposo marrom”, explicou à ISTOÉ a pesquisadora.
PIONEIRO
O pesquisador Sven foi um dos que descobriu que adultos também têm o tecido adiposo
Se o poder do frio para ativar a gordura é consenso no meio científico, sua utilização como estratégia para emagrecimento, neste momento, ainda é motivo de discussão. Uma corrente defende que sim, como Leslie Kozak, do Centro de Pesquisa Biomédica Pennington, nos Estados Unidos. “Hoje temos uma chance de diminuir a obesidade simplesmente reduzindo a temperatura ambiente”, escreveu a pesquisadora em artigo sobre o tema. “Amanhã poderemos criar drogas que imitem a resposta natural do corpo ao frio e ajudem a aumentar a atividade dessa gordura.”
Seu colega Jan Nedergaard, da Universidade de Estocolmo, autor de uma revisão a respeito do assunto, concorda. “Normalmente digo para as pessoas: ficar em uma sala com uma temperatura fria o suficiente para se sentir desconfortável, sem chegar a tremer, necessariamente irá estimular a gordura marrom a funcionar”, afirmou à ISTOÉ. No entanto, Sven Enerback, autor de um dos trabalhos que provaram a existência do tecido adiposo em adultos, acredita que ainda é preciso mais tempo para saber os reais resultados da estratégia. “Hoje sabemos que o frio ativa essa gordura, mas é cedo para afirmar que esse será um caminho efetivo para a redução de peso”, disse à ISTOÉ.
Outros grupos estão investigando o que mais, além do frio, pode ser capaz de fazê-la funcionar ou de estimular sua fabricação. O cientista Bruce Spiegelman e seus colegas do Instituto de Câncer Dana-Farber, nos Estados Unidos, publicaram recentemente um artigo na revista científica “Nature” – uma das mais importantes do mundo – descrevendo o efeito do exercício para essa finalidade. Eles descobriram que a realização de exercícios de repetição, por períodos mais prolongados, aumenta no organismo a concentração do hormônio irisina. Produzido pelos músculos a partir do exercício, o composto parece induzir à formação de tecido adiposo marrom em vez de estimular a produção da gordura branca, aquela que guarda gordura. “É excitante descobrir uma substância natural conectada com o exercício com esse potencial terapêutico”, comemorou o pesquisador. A notícia repercutiu no Brasil. “Fazer exercícios está ao alcance de todos”, disse o endocrinologista João Eduardo Nunes Salles, vice-presidente eleito da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade. “E o estudo de sua associação com a gordura marrom pode vir a ser um bom caminho contra a obesidade.”
EXPECTATIVA
Nos EUA, Sikder (acima) planeja teste em humanos de composto que aumenta
a quantidade da gordura. No Brasil, Salles acompanha as pesquisas no mundo
Na Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, os pesquisadores descobriram que um dos segredos para elevar a produção da gordura que emagrece pode estar na maçã. Trata-se do ácido ursólico, presente na casca da fruta. “Ficamos surpresos ao verificar que ele pode aumentar sua quantidade”, afirmou Christopher Adams, um dos responsáveis pelo trabalho. A conclusão foi obtida após a realização de uma experiência com cobaias. Metade dos animais recebeu uma dieta rica em gordura por várias semanas. O restante ingeriu os mesmos alimentos, em maior quantidade, mas ganhou doses diárias do ácido ursólico. No final do experimento, os que haviam recebido suplementos do composto engordaram menos do que os outros. Agora, os cientistas pretendem verificar se resultados assim tão animadores podem ser observados também em seres humanos.
Compartilham do mesmo objetivo os cientistas envolvidos nos estudos que demonstram os efeitos benéficos de outros fatores. É o caso do time do Centro Médico da Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, empenhado em descobrir de que maneira os remédios contra a diabetes da classe das tiazolidinas são capazes de transformar a gordura branca em marrom – o que já está comprovado. Porém, essas medicações apresentam efeitos colaterais, como perda óssea e risco de toxicidade hepática. “Mas, se pudermos encontrar uma forma de impedir isso, podem ser uma opção”, afirmou o chefe do trabalho, o cientista Domenico Accili.
Esforços também estão sendo feitos para entender e conseguir provar como diversas proteínas atuam para estimular o funcionamento do tecido adiposo marrom. Uma das que estão na mira dos cientistas é a proteína BMP8B. Em uma experiência relatada em um artigo divulgado há dois meses na revista científica “Cell”, os pesquisadores contaram que a aplicação da substância no cérebro de animais promoveu uma resposta mais forte das células de gordura marrom. “Elas queimaram mais gordura”, afirmou à ISTOÉ um dos participantes da pesquisa, o cientista Andrew Whittle, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. “Esta proteína oferece a possibilidade de ser uma intervenção mais específica para ajudar na redução do peso corporal”, completou.

FÁBRICA
O cientista Kajimura estuda como a gordura se forma
Aposta semelhante está fazendo um grupo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, em uma substância chamada PRDM16. Ela está envolvida na produção do tecido marrom. “Estamos investigando como ela ajuda a regular o desenvolvimento dessas células”, explicou à ISTOÉ Shingo Kajimura, coordenador dos estudos. “As informações poderão ser usadas para a criação de remédios que estimulem a fabricação da gordura em humanos”, disse.
Nessa empreitada para levantar tudo o que pode ativar esse tecido adiposo, há a indicação do efeito positivo de um fator um tanto quanto inusitado. Pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, constataram que cobaias colocadas em ambientes ricos em estímulo (com opções de brin­­­cadeira e atividade física e contato com outros animais, por exemplo) perderam 49% mais gordura abdominal do que outras que não desfrutaram das mesmas opções. Isso ocorreu graças a uma maior produção da gordura marrom ocorrida nestas circunstâncias. O caminho para esse resultado passa por um complexo mecanismo desencadeado no cérebro. “Nossos achados sugerem que potencialmente poderemos induzir esse efeito modificando nosso estilo de vida ou acionando farmacologicamente o mesmo caminho cerebral”, afirmou Matthew During, líder da pesquisa.
Em estágio mais adiantado está o grupo de Sanford-Burham, integrado por Devanjan Sikder, professor do Centro de Pesquisas de Obesidade e Diabetes. Eles se preparam para iniciar o primeiro estudo em humanos a fim de conferir a eficácia da orexina. Envolvido no controle do apetite, o hormônio também se mostrou capaz de ativar a gordura marrom, reduzindo em 50% a taxa de gordura corporal em cobaias. E, na Inglaterra, cientistas da Universidade de Nottingham trabalham em um sistema de exame de imagem específico para localizar precisamente em humanos onde estão os depósitos da gordura e sua capacidade de produzir calor. “A tecnologia não é agressiva e não expõe as pessoas à radiação”, explicou Michael Symonds, responsável pelo trabalho. O pesquisador acredita que o recurso permitirá a realização de estudos com grande quantidade de pessoas, fornecendo informações que permitam o uso cada vez mais a nosso favor da gordura que emagrece.

Fotos: Montagem sobre foto de Shutterstock; João Marcos Rosa/NITRO; Pedro Dias/Ag. Istoé; Divulgação


Um novo estudo abre perspectiva de que os exercícios físicos possam ser trocados por uma pílula.
Em experimentos com camundongos, cientistas do Instituto do Câncer Dana-Farber, em Boston, descobriram que um tipo de um hormônio, produzido após a atividade física, era capaz de transformar o tecido adiposo.

Editoria de arte/folhapress

Em sua presença, células de gordura branca --responsável por armazenar energia-- se convertem na chamada gordura marrom, que queima calorias para aquecer o corpo.

A nova molécula, batizada de irisina, também existe em humanos. Num teste, os cientistas injetaram pequenas doses da substância em roedores sedentários, obesos e com sintomas de pré-diabetes.
Após dez dias, os animais tiveram os níveis de glicose e insulina normalizados no sangue e até perderam peso. O experimento foi descrito na revista "Nature".

"Com a irisina, nós conseguimos traduzir uma pequena parte do efeito dos exercícios têm sobre o organismo", disse à Folha Pontus Boström, autor do trabalho. Ele alerta que a irisina não vai deixar ninguém mais forte. "Existe uma vasta gama de efeitos que jamais poderemos substituir por uma única intervenção metabólica."

FUTURO
Mesmo exibindo cautela em relação ao potencial terapêutico do novo hormônio, os pesquisadores se mostram otimistas com a perspectiva de usá-lo em humanos em um futuro próximo.

A molécula da irisina dos camundongos é quase idêntica à versão humana, o que significa que os mesmos benefícios observados nos roedores podem se mostrar em pessoas. "Esperamos ver efeitos colaterais muito pequenos", diz Boström.

Ele e seus colegas do Dana-Farber, um centro de pesquisa associado à Universidade Harvard, estão agora tentando criar uma maneira de administrar a irisina a humanos. No estudo com roedores, foi usado um vírus para distribuir o hormônio no organismo, algo difícil de fazer com segurança.

Para criar uma droga que possa ser usada em humanos, Boström e seus colegas estão tentando "colar" a irisina em moléculas de anticorpos, as proteínas de defesa do sistema imunológico, para só depois injetá-las no sangue.

"Temos de fazer isso para que a droga não entre em degradação na corrente sanguínea", diz o cientista.
Ainda não há perspectiva sobre quando os testes em humanos podem começar.

NÃO É PREGUIÇA
Para pesquisadores, mesmo que não seja adequado substituir exercícios por uma droga que tente emular seus efeitos, é possível encontrar uma brecha para aplicação.

"Há muitos pacientes por aí que precisam de exercício mas, por diferentes razões, não podem fazer", diz Boström.

"Um medicamento pode vir a ser uma opção para pessoas extremamente obesas, que têm dificuldade em se movimentar para fazer exercícios, ou para pessoas com alguns tipos de deficiência física", acrescenta.

GORDURA MARROM INTRIGA CIENTISTAS
Apesar de já estarem estudando a possibilidade de aplicação do conhecimento sobre a chamada gordura marrom, cientistas ainda tentam entender por que esse tipo de tecido é estimulado pelo exercício no corpo humano.

A gordura marrom, que queima energia em vez de armazenar, existe primariamente em bebês, que precisam de proteção contra o frio. Como essa classe de célula adiposa libera energia ao ser estimulada, gera calor e aquece a criança.

Do ponto de vista da teoria da evolução, porém, não faz sentido que um organismo que já esteja gerando calor por meio de atividade física também estimule a queima de mais energia por um mecanismo metabólico secundário.

A hipótese que cientistas levantaram para explicar isso é que, nos bebês que sentem frio, o fator que estimula a a conversão de gordura branca em marrom é o tremor.

Como os músculos que se movimentam para vibrar a pele são essencialmente os mesmos que mexemos para fazer exercício, também produzimos gordura marrom como efeito colateral da atividade física.
"É difícil tentar abordar essas questões evolutivas em experimentos, mas estamos testando o efeito do tremor usando camundongos", diz o biólogo Pontus Boström. "Não temos certeza ainda se essa hipótese está correta."

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Envelhecimento. Homens tentam retardar velhice com hormônios

Envelhecimento. Homens tentam retardar velhice com hormônios
Executivos nos EUA gastam até US$ 1 mil por mês


Segundo médicos, terapia hormonal está cada vez mais popular entre homens de 30 a 69 anos, muitos deles executivos de Wall Street.

Executivos e profissionais nos Estados Unidos vêm procurando um polêmico e caro tratamento de reposição hormonal para combater efeitos normalmente associados ao estresse e ao envelhecimento.
Com pouco mais de 30 anos, o executivo americano J.G. começou a se sentir deprimido e ansioso. Tinha dificuldades para dormir, sua libido já não era mais a mesma e, por mais que se esforçasse na academia e cuidasse da alimentação, não conseguia atingir os resultados que queria.

'O trabalho também ia mal. Ter que lidar com o estresse, e a competição ampliava os sintomas, quando não era combustível para eles', conta o executivo, que pediu para não ter seu nome divulgado.
'Isso acabava com o desejo e ambição de ser bem sucedido', disse.
Executivos nos EUA tentam retardar envelhecimento com hormônios (Foto: BBC)

Depois de tentar tratamentos com antidepressivos e ansiolíticos, J.G. aceitou o conselho de um colega de academia e começou a fazer reposição hormonal por conta própria.

Mesmo sem consultar um médico, experimentou tomar uma pequena dose de testosterona, um hormônio secretado pelos testículos do homem e em menor quantidade pelos ovários da mulher. Sua concentração no corpo masculino diminui com a idade e devido a problemas de saúde.

'Tomei minha primeira dose e, uau, pareceu que tudo deu uma volta de 180 graus', disse o executivo à BBC Brasil.

Desconfiado de que poderia estar sofrendo com os sintomas do declínio de testosterona em seu corpo, procurou um médico. Após alguns exames, ele receitou uma terapia de reposição hormonal.
Atualmente com 40 anos, J.G. segue com o tratamento. Duas vezes por semana, injeta em si mesmo pequenas doses de testosterona e garante que sua vida melhorou em vários aspectos.
'Pergunte à minha namorada modelo de 27 anos', brinca o executivo, que dirige uma consultoria de administração de capital de risco em Nova York.

Apesar dos elogios ao tratamento, alguns médicos têm dúvidas quanto à eficácia e eventuais danos colaterais do uso de hormônios, que poderiam incluir câncer e problemas no coração.

HormôniosA deficiência de testosterona entre homens pode estar ligada a problemas congênitos, doenças, estresse e efeitos colaterais de certos medicamentos.

Além disso, a partir dos 30 anos de idade, inicia-se um declínio gradual da produção do hormônio no organismo.

A maior parte da testosterona utilizada em terapias de reposição hormonal é produzida em laboratório a partir de vegetais como soja e inhame.


Embora o tratamento mais comum para a deficiência de testosterona causada por problemas de saúde seja a reposição hormonal, não há estudos conclusivos sobre a eficácia da injeção do hormônio no combate a sintomas normalmente associados à idade.

Mesmo assim, um grande número de médicos defende os benefícios do tratamento no combate ao envelhecimento. Eles vêm oferecendo terapias de reposição hormonal a pacientes que se queixam de fadiga, de dificuldades para perder peso, de concentração e de redução da libido.

Entre eles está Lionel Bissoon, que ficou conhecido por desenvolver um tratamento para celulite e atualmente administra um programa de reposição hormonal para homens e mulheres em sua clínica em Nova York.

Segundo ele, até meados da década passada, a maior parte de seus pacientes era formada por mulheres entre 45 e 69 anos. Mas a situação se inverteu. Atualmente, cerca de 85% é de homens entre 30 e 69 anos, muitos deles executivos de Wall Street.

'As maiores queixas dos homens são fadiga, cansaço e dificuldades de concentração. Alguns reclamam de dores musculares. Muitos não têm interesse em sexo. Alguns sentem que não são mais quem costumavam ser', disse Bissoon à BBC Brasil.

O médico conta que, após uma bateria de exames, o paciente pode iniciar o tratamento. A reposição hormonal pode ser feita por meio de injeções, adesivos ou via oral. O próprio paciente aplica suas doses de testosterona.

'Eu ensino meus pacientes a se aplicarem, é bem fácil. Não é possível para um executivo ocupado ter que ir a um consultório para tomar uma injeção duas ou três vezes ao mês, não é prático', diz.

CustosO grande interesse dos homens por tratamentos de reposição hormonal não se restringe a Nova York.
Na filial que serve os Estados americanos da Carolina do Sul e da Carolina do Norte da rede de clínicas Cenegenics, por exemplo, 68% dos pacientes são homens entre 35 e 70 anos.

'Está se tornando mais comum homens mais jovens, com pouco mais de 30 anos (procurarem o tratamento)', diz Michale Barber, médica e diretora-executiva da Cenegenics Carolinas.

Embora a aplicação dos hormônios possa ser feita pelo próprio paciente, é necessário que ele passe por um acompanhamento periódico por médicos e seja submetido a exames regularmente, o que pode aumentar os custos do tratamento.

Para realizar um tratamento hormonal de combate aos efeitos do envelhecimento na Cenegenics, é preciso desembolsar em média US$ 1 mil por mês.

'Os nossos pacientes estão pagando pelo acesso a médicos, fisiologistas, nutricionistas e acompanhamento de laboratório', diz Barber.

Com 20 centros médicos espalhados pelos Estados Unidos e mais de 20 mil pacientes, a Cenegenics usa como garoto-propaganda o médico Jeffry Life, que atua na empresa e é paciente do programa de combate aos efeitos do envelhecimento.

Para mostrar os resultados do tratamento, a empresa usa fotos e vídeos ao estilo 'antes e depois' de Life. Na primeira foto, o médico aparece com um corpo comum para um homem de meia-idade. A outra é uma dessas imagens que à primeira vista parecem montagens (a empresa garante que não é) e mostra a mesma pessoa com um corpo de fisiculturista.

CâncerApesar dos efeitos aparentemente milagrosos, ainda restam dúvidas sobre a segurança dos tratamentos de reposição hormonal para combater os efeitos do envelhecimento em homens saudáveis.

Embora os médicos adeptos da terapia garantam que ela é segura e pode prevenir doenças, outros apontam que ela pode estimular o desenvolvimento de câncer de próstata e causar problemas cardíacos.

Além disso, pesquisas apontam entre os possíveis efeitos colaterais do tratamento atrofia dos testículos e infertilidade, problemas hepáticos, retenção de líquidos, acne e reações de pele, ginecomastia (crescimento anormal das mamas em homens) e apneia do sono.

Embora tratamentos do tipo estejam sendo utilizados nos EUA desde a década de 1990, há poucos estudos amplos sobre seus efeitos e riscos.

Em 2009, o National Institute of Health dos Estados Unidos deu início a um amplo estudo sobre os efeitos do tratamento de reposição de testosterona em homens acima de 65 anos. Os primeiros resultados, no entanto, devem ser divulgados só em junho de 2015.

Enquanto isso, um relatório publicado em 2004 pelo Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, órgão de consultoria do governo americano, alerta para a falta de pesquisas conclusivas sobre o tema.

'Apesar da crescente popularidade do tratamento com testosterona, não há uma quantidade considerável de dados que sugiram a eficácia da terapia de testosterona em homens mais velhos que não se encaixam na definição clínica de hipogonadismo. Além disso, os efeitos da testosterona na próstata e suas implicações para o câncer inspiram cuidados no uso não terapêutico extensivo', diz o documento. (BBC)

sábado, 18 de junho de 2011

Hormônio do crescimento garante centímetros a mais para adolescentes

O médico Marcello Bronstein, da USP, explica que se usa um inibidor da produção do hormônio feminino no rapaz e justamente com o hormônio do crescimento. Assim, este adolescente teria a possibilidade de crescer mais.


O GH, produzido pela glândula hipófise, é responsável pelo crescimento e também por equilibrar a quantidade de massa magra e de gordura no nosso corpo, controlar o colesterol e manter a densidade dos ossos.

Fortes e saudáveis, os gêmeos Laura e Theo são a alegria da casa, mas, quando nasceram, há três anos, foram direto para a UTI. Eram prematuros, de sete meses. Laura tinha 43 centímetros e quase 1,7 kg. Theo era ainda menor: 32 centímetros e menos da metade do peso da irmã, não chegava nem a 800gr.

“O lado bom é que eles ficaram no mesmo hospital em que eu trabalho. Então, me sentia segura. E o aspecto negativo, como sou da área e trabalho em UTI, eu sabia das complicações que podiam ocorrer”, revela a médica Lígia Kern, mãe dos dois.

Laura ficou um mês na UTI Neonatal. Theo teve de ficar mais tempo: dois meses. Os gêmeos recuperaram bem a saúde, mas os pais continuavam preocupados. Theo parecia crescer muito lentamente.

“Nesse desenvolvimento, a tendência é ir gradativamente. Depois que estabiliza essa parte clínica, ela ir recuperando o crescimento. Agora, se está tudo estável clinicamente e ela não recupera crescimento em altura e peso, talvez seja uma criança que precise de um tratamento especifico para isso”, afirma Margaret Boguszewski, do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No ano passado, orientados pela doutora Margaret, os pais de Theo começaram a tratá-lo com doses diárias de GH, o hormônio do crescimento.

O GH é produzido pela glândula hipófise, que fica na base do cérebro. Além do crescimento, é responsável também por equilibrar a quantidade de massa magra e de gordura no nosso corpo, controlar o colesterol e manter a densidade dos ossos.

O crescimento das crianças gera uma expectativa nos pais. Apesar do acompanhamento médico, Jerome e Lígia tem uma brincadeira com as crianças bastante interessante na porta de casa.

A mãe das crianças revela que eles medem as crianças todos os meses. “Em setembro do ano passado, época em que o Theo começou a usar o hormônio, eles estavam do mesmo tamanho. Hoje em dia, existe diferença de tamanho dos dois. Já um resultado que já ta aparecendo”, declara.

Uma nova vida é sempre cercada de cuidados. Se é assim com bebês que nascem no tempo certo, imagine com os que chegam antes da hora. No Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, os prematuros têm um acompanhamento rigoroso. Detalhes de saúde, crescimento e peso são verificados até os dois anos de idade.

“Felizmente, os nossos bebes prematuros sobrevivem cada vez mais. Só que agora nós estamos em outra fase que não é apenas sobreviver, queremos qualidade de desenvolvimento destes bebes”, ressalta Antônio Carlos Bagatin, do Departamento Pediatria Hospital de Clínicas.

A cada 100 crianças nascidas prematuras, 10 vão precisar do hormônio do crescimento para ganhar peso e altura. “Tem várias crianças prematuras que, mesmo nascendo muito pequenas, crescem bem, mas, como elas sofrem bastante nestes primeiros meses de vida, elas correm o risco maior”, comenta Margaret Boguszewski, do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da UFPR.

Hoje, o mundo de Alice Neves, de 8 anos, tem novos encantos, mas ter sido a menor da turma foi um drama. “Ela já estava até ficando traumatizada na escola, porque ela era muito menor que os outros colegas”, conta o advogado Heglisson Mocelin Neves.

Quando nasceu, Alice era a imagem da fragilidade. “Era complicado até para mamar, para alimentar. O seio sufocava, porque o nariz era muito pequenininho. Eu não conseguia nem perceber o buraco do nariz”, lembra a dentista Maria Lúcia Neves.

“As pessoas tinha receio de pegá-la no colo, porque ela era muito pequena. Então, pegavam ela com muito cuidado. Pegava um pouco e já devolvia, porque não tinha muito jeito no colo”, revela o pai da menina.
Depois de ficar um mês na UTI, Alice foi liberada pelos médicos para ir para casa, mas os pais perceberam que ainda havia algum problema com a filha. “Ia no pediatra a cada 15 dias, e não crescia nada”, afirma a mãe.

As roupinhas que ela usava ao nascer, de tão pequenas, hoje não servem nem para as bonecas.
Quando os pais notaram a dificuldade no crescimento, veio o diagnóstico a partir de um especialista. Alice precisava de hormônios para crescer. Aos 3 anos de idade, o tratamento começou. Hoje, aos 8 anos, ela mede 1,26m. É o mesmo tamanho das meninas da idade dela. E ela é uma mocinha com muitos planos para o futuro. “Primeiro, quero construir minha própria papelaria e escrever os livros para vender na minha papelaria”, conta. “Quero ser mais alta que minha mãe e mais baixa que meu pai”.

Sem o tratamento, Alice dificilmente chegaria a ter 1,50m, quando adulta. Agora, deve passar de 1,60m e vai ficar mais alta do que a mãe.

“Tenho que agradecer a Deus por ter revertido esta história e ter transformado em uma coisa tão boa, tão maravilhosa, uma lembrança tão digna, tão legal para a gente passar para os outros também. Nada é perdido, tudo é transformado e, às vezes, para muito melhor”, comenta a dentista Maria Lúcia Neves.


Dulcinéia Novaes
Curitiba

Indústria americana vende bolinhos do sono recheados de hormônio

Indústria americana vende bolinhos do sono recheados de hormônio
Além de açúcar, ovos, chocolate, o bolinho leva algo mais: uma substância produzida pela indústria farmacêutica. Ele contém doses altas de melatonina, um hormônio indutor do sono.

Com a vida acelerada, trânsito, trabalho e problemas, o estresse é uma das principais causas de insônia. Nos Estados Unidos e no Brasil, tem dimensões de uma epidemia. Um em cada três adultos tem problemas para dormir.

Quando a noite chega, a pressão do dia inteiro transforma o momento de descanso no pesadelo de quem não consegue dormir. As horas passam, as luzes da cidade iluminam a madrugada, e o sono não vem. Dez milhões de americanos usam medicamentos para dormir. Para essas pessoas, a indústria do país criou um produto surpreendente, feito de chocolate e recheado com o hormônio do sono. Eles são chamados de bolinhos da preguiça, bem parecidos com os tradicionais brownies da culinária americana.

Além de açúcar, ovos, chocolate, eles levam algo mais: uma substância produzida pela indústria farmacêutica. A embalagem traz um bonequinho inocente, com cara de quem está bem relaxado.

O bolinho contém doses altas de melatonina, um hormônio indutor do sono. A venda de melatonina sintética é permitida pelo FDA, a agência americana que autoriza a comercialização de alimentos e remédios. É possível comprar cápsulas de melatonina em qualquer farmácia dos Estados Unidos.

Os bolinhos de melatonina podem ser encontrados em várias lojas e são vendidos principalmente pela internet. Uma caixa com 12 custa o equivalente a R$ 42.

Alec Varipapa é o dono de uma loja, na Carolina do Norte. Ele explica que decidiu vender os bolinhos depois de experimentá-los. Conta que sempre sofreu com insônia e diz que agora encontrou a solução para o seu problema: "Tentei remédios para dormir, antidepressivos e tive efeitos colaterais sérios. Com o bolinho, fiquei relaxado, dormi e não senti nada de estranho no dia seguinte".

A concentração de melatonina varia entre as marcas de brownie. O hormônio sintético está presente também em bebidas energéticas, como um suco. A propaganda promete uma revolução no humor: uma fórmula de ervas e nutrientes que promove relaxamento total. Mas o anúncio não informa que o suco contém melatonina.
O estudante Marco Otero viu os energéticos, mas preferiu experimentar os bolinhos. "Eu tenho curiosidade por todo esse tipo de coisa, ainda mais se for legal. Alterou a minha referência de tempo. Tudo ficou mais devagar”, declara.

Nem todos têm o mesmo tipo de reação. A escritora Sarah Righ tem um blog sobre comida. Ela resolveu comer um bolinho e escrever um artigo sobre o produto. "Não senti efeito algum, e ainda caiu mal no estômago", diz.

David Seres é nutricionista da universidade Columbia. Para ele, o fabricante está tentando associar as sensações causadas pelo bolinho aos efeitos da maconha. Seria um artifício para vender mais? Segundo o especialista, o bolinho e a maconha não têm nada em comum. A embalagem avisa, em letras minúsculas, que os bolinhos não devem ser misturados com álcool nem podem ser consumidos por crianças.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária não permite o uso e venda de melatonina. E especialistas alertam para os riscos do uso desse hormônio em alimentos.

“O risco do uso da melatonina em alimentos é que a ingestão pode ser completamente descontrolada de uma substância que tem efeitos sobre o organismo. As consequências são exatamente a exacerbação de um sono excessivo durante o dia. Pessoas que têm quadro depressivo poderiam piorar esse quadro depressivo. E também mexe com a produção de estrogênio da mulher”, aponta a endocrinologista e nutróloga Lenita Zajdenverg, da UFRJ.

Em vez de melatonina, os médicos recomendam outra receita para dormir bem: evitar açúcar, álcool e café à noite, fazer esporte e não se entregar ao estresse. Por que não? De vez em quando, durante o dia, comer bolinhos de chocolates, sem melatonina.


Giuliana Morrone
Nova York, EUA

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Gel contendo hormônio vaginal pode reduzir nascimentos prematuros, diz estudo

Um tratamento simples --um gel contendo hormônio vaginal-- pode reduzir significativamente o número de partos prematuros entre as grávidas que correm esse risco devido a um problema no colo do útero, informaram pesquisadores do governo dos EUA nesta quarta-feira.

Muitos fatores podem levar ao nascimento prematuro, mas o estudo é focado nas milhares de mulheres norte-americanas que desenvolvem um colo do útero muito curto. As descobertas podem levar mais médicos a iniciar a rotina de medição do colo uterino, utilizando um ultrassom fácil e relativamente barato no meio da gravidez.

"Nunca haverá 'a' solução para o nascimento prematuro", advertiu o pesquisador Roberto Romero do National Institutes of Health, que liderou o estudo. "Existirão diversas soluções e nós acreditamos que esta é uma importante."

O tratamento não está relacionado a uma injeção chamada Makena, um hormônio sintético de uso controverso devido ao seu alto preço. Essa droga é destinada a mulheres que já tiveram um bebê prematuro e agora estão grávidas novamente.

Mas as mulheres podem desenvolver o problema no colo do útero durante qualquer gravidez. A questão é se a aplicação do gel de progesterona natural --conhecido como Prochieve-- diretamente na área do problema pode evitar um parto precoce.

O tratamento funcionou, cortando pela metade a taxa de nascimentos prematuros antes das 33 semanas de gestação, período ligado ao risco de morte ou problemas de saúde a longo prazo, concluiu Romero, que conduziu o estudo em 44 centros médicos no mundo todo.

O estudo foi feito em parceria entre o NIH (Instituto Nacional de Saúde, na sigla em inglês) e o fabricante do gel --Columbia Laboratories Inc., que deve pedir a aprovação da droga na FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos) para as mulheres com o problema.

A empresa não informou o preço do produto, mas a progesterona vaginal já é vendida para o tratamento de condições diferentes, por cerca de US$ 20 a dose de um dia.

O estudo examinou 32.000 mulheres grávidas sadias e encontrou que 2,3% delas desenvolveram o problema, o equivalente a 100 mil mulheres dos EUA em um ano.

Em uma nova pesquisa, 458 mulheres com o problema receberam o gel de progesterona ou uma versão fictícia em um aplicador para uso diário, a partir do segundo trimestre da gravidez.

Cerca de 16% das mulheres que receberam o gel fictício deram à luz antes de 33 semanas, em comparação a 9% das que receberam o medicamento, disseram pesquisadores na revista "Ultrasound in Obstetrics & Gynecology".

As crianças nascidas das usuárias de progesterona também eram mais saudáveis, com menos desconforto respiratório e maior peso ao nascer. As mulheres analisadas não sofreram efeitos colaterais significativos.

Folha

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Cientistas bloqueiam o hormônio da fome para frear a obesidade.

Cientistas podem ter descoberto um importante recurso para frear a epidemia de obesidade. Eles conseguiram desenvolver uma droga capaz de bloquear, em camundongos, a ação da grelina, o hormônio responsável pela sensação da fome, entre outras funções. O fármaco, ainda experimental, aumentou a tolerância dos roedores à glicose e desacelerou o ganho de peso, sem que fosse necessário reduzir o consumo de alimentos. O estudo, publicado na revista "Science", sugere que a droga afeta o metabolismo em vez do apetite.

A pesquisa, realizada nos Estados Unidos, abre um novo campo na luta contra o excesso de peso. De acordo com o o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse problema já atinge metade da população adulta do país, uma em cada três crianças (na faixa de 5 a 9 anos) e um quinto dos adolescentes.

Médicos já sabiam que níveis de grelina no sangue ficam mais baixos logo depois que a pessoa come e se elevam gradualmente durante o jejum. Eles também são mais elevados nas pessoas magras. Agora, um grupo de cientistas liderados por Brad Barnett, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, descobriu uma forma de interferir na ação desse hormônio da fome.

Para agir, a grelina depende da presença de uma enzima chamada aciltransferasa-O-grelina (GOAT, na sigla em inglês). A equipe de Barnett criou o composto GO-CoA-Tat, que inibe a GOAT e, portanto, a grelina. A substância foi injetada em camundongos que receberam dietas ricas em gorduras. Resultado: os animais deixaram de ganhar peso.

Por enquanto, trata-se de um protocolo de pesquisa, e foi necessário aplicar várias injeções de GO-CoA-Tat nos roedores. Os autores ainda não sabem se conseguirão produzir um fármaco com essa ação específica. Mesmo assim estão otimistas.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Luz da televisão durante a noite pode causar depressão

Cientistas americanos concluíram que luz da televisão durante a noite pode causar depressão. Os resultados do estudo são com cobaias, não foi estudado profundamente com as pessoas.

Dormir com a televisão ligada pode causar mudanças físicas no cérebro que são associadas à depressão, segundo um estudo realizado com hamsters por neurocientistas americanos.

Pela primeira vez fica demonstrado que a luz pela noite, por mais fraca que seja, produz alterações no hipocampo, uma das principais estruturas do cérebro, que desempenha um papel fundamental nos transtornos depressivos.

O estudo, realizado por pesquisadores da Ohio State University (OSU), foi apresentado nesta quarta-feira em San Diego (EUA) na reunião anual da Sociedade para a Neurociência.

"Uma luz branda pela noite é suficiente para provocar um comportamento depressivo nos hamsters, que pode ser explicado pelas mudanças que observamos em seu cérebro após oito semanas", assinalou a estudante de doutorado Tracy Bedrosian, coautora do estudo.

Segundo Randy Nelson, professor de neurociência e psicologia da OSU, "os resultados são significativos porque a luz utilizada não era intensa, e sim equivalente a de uma televisão em um quarto escuro".

Tracy explicou à Agência Efe que, embora não seja possível garantir que ocorra o mesmo efeito em um ser humano, o impacto da luz não varia em função do tamanho.

"Uma exposição crônica à luz pela noite é um fator relativamente novo na história da humanidade e não é natural, por isso reduzir a iluminação artificial enquanto dorme é conveniente", acrescentou.

O estudo foi realizado com hamsters siberianas sem ovários, para que os hormônios não interferissem nos resultados.

Metade delas foi introduzida em um habitáculo onde foram expostas a um ciclo de 16 horas de luz e oito horas de escuridão total, e a outra metade a 16 horas de luz diurna e oito horas de iluminação tênue.

Após oito semanas nessas condições, as hamsters que dormiram com luz durante a noite mostravam mais sintomas de depressão que as demais.

Os testes são os que as farmacêuticas normalmente fazem para experimentar remédios antidepressivos e contra a ansiedade, e também medem a quantidade de água doce bebida, afirma o estudo.

Normalmente os roedores gostam de beber água, mas os que têm sintomas de depressão não bebem tanto porque, aparentemente, não têm o mesmo prazer nas atividades.

Ao examinar o hipocampo dos hamsters depois do experimento, os cientistas comprovaram que os que dormiram com luz tinham uma densidade menor de espinhos dendríticos, finos prolongamentos das células cerebrais que transmitem mensagens de uma célula a outra.

"O hipocampo desempenha um papel importante na depressão e encontrar mudanças nessa região é significativo", afirmou Tracy.

No entanto, não foram encontradas diferenças entre os grupos quanto aos níveis de cortisol, hormônio do estresse que normalmente é associado às alterações no hipocampo.

Segundo os cientistas, a explicação mais plausível para as mudanças registradas no cérebro dos hamsters é uma deficiência de melatonina, hormônio que deixa de ser excretado quando há luz.

O próximo passo dos cientistas é analisar o papel do hormônio neste processo.

Os resultados coincidem com estudos anteriores nos quais Nelson e seus colegas descobriram que uma luz intensa constante pela noite está ligada a sintomas depressivos e a um aumento de peso em ratos. EFE

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

HGH pode transformar os Jogos Olímpicos de 2012 em uma balbúrdia.

O frasco de vidro abaixo parece inofensivo - mas seu conteúdo pode devastar o mundo do desporto e transforme os Jogos Olímpicos de 2012 em  Londres em uma balbúrdia.

O pó branco é o hormônio do crescimento humano, ou HGH, uma substância de reforço de desempenho tão poderosa que pode transformar um fraco em um atleta medalhista de ouro. No entanto, é quase impossível de se detectar. Ele indiretamente fez sua primeira vítima no esporte no Reino Unido no domingo, quando  jogador da liga de rugby Terry Newton envergonhado cometeu suicídio enforcando-se em seu sótão.

Vítima ... a estrela do rugby Terry Newton da equipe do Wakefield Wildcats
O antigo internacional inglês e Wakefield Wildcats (clube da liga profissional de rugby que joga na Super Liga Europeia) estava cumprindo uma suspensão de dois anos depois de ter sido o primeiro e único atleta a ter sido testado positivo para HGH.

A substância ocorre naturalmente no corpo e é usado na medicina para tratar distúrbios de crescimento e deficiências hormonais.

Para as pessoas que sofrem tais problemas, tem muitos efeitos positivos, incluindo a redução da gordura corporal, aumento muscular e densidade óssea e aumentar a função sexual e do sistema imunológico. Apesar de não ter havido uma investigação adequada sobre a sua eficácia no desporto, os usuários tinham há muito relatado que impulsiona de forma sobre-humana a velocidade e a potência.

Então, em Maio último, os cientistas provaram que o HGH pode melhorar o velocista de 100 metros um tempo de até 0,4 segundo - o suficiente para levá-los de entrar na última Olimpíada para ganhar.

O estudo dos EUA testou 96 atletas amadores de 18 a 40 ao longo de oito semanas, injetando metade com HGH e as outras com um placebo. Aqueles que tomaram HGH  também reduziram a gordura de seus corpos.

Quase impossível de detectar ... HGH sob o microscópio
A dor de cabeça real para os funcionários do Jogos de Londres 2012 é que os atuais testes anti-doping tem que ser feito dentro de 24 horas antes de um atleta tomar HGH - tornando-o extremamente fácil de fraudes para evitar ser detectado - e os funcionários estão preocupados que não há nenhuma maneira de saber o quão repleto de abuso ocorre com o HGH.

O professor Peter Sonksen é especialista em hormônio de crescimento e passou dez anos pesquisando um teste mais eficaz para HGH no esporte.

Ele diz: O HGH é largamente consumida no desporto e nós apenas não podemos detectá-lo no momento. Ele "é um corpo altera-hormônio que faz a massa das pessoas muito mais potente do que os anabólicos. Está provado que aqueles que a utilizam têm uma vasta vantagem sobre os outros - eles se tornam super-poderosos ".

Mas ele acrescenta: "Outro teste é no encanamento que me ajudou a desenvolver, que será muito melhor em detectar HGH, mas no momento não está sendo usado.
"Estou convencido de que, quando é colocado em uso, será capaz de derrotar os cheats do esporte - tanto pelo maior número do que atualmente."

Ainda mais preocupante é a facilidade com que o HGH pode ser comprado. Lojas de esteróides esteróide online oferecem dez frascos de HGH por 420 euros.


Muscular
comerciantes ambulantes vendem por cerca de 200 euros. Usuários misturam o pó branco com água esterilizada e injetam no músculo, co os riscos de infecção do sangue, se a agulha hipodérmica não é estéril.

Sob a lei do Reino Unido é ilegal vender HGH mas JURÍDICO ao próprio e levá-la, se você puder provar que é para uso pessoal e não para lidar com os outros.
Para lidar com o problema de HGH nos Jogos de Pequim, em 2008, a World Anti-Doping Agency impôs testes aleatórios da droga antes da competição ter começado.

Eles também avisaram que iriam congelar amostras de sangue por até oito anos, para que eles pudessem testá-lo novamente se a tecnologia evoluísse.


Michael Stow é chefe de ciência e medicina Anti-Doping no Reino Unido, órgão responsável pela execução da política de drogas anti-Bretanha diz: "Nós teremos um teste mais efetivo no local para as Olimpíadas. Trapaceiros devem saber que vamos pegar quem usar o HGH. Nós já estamos muito melhor em pegar fraudes". Ele acrescenta: "Há muitos riscos para as pessoas que tomam HGH. O corpo faz certas partes do corpo, tais como os ossos dos maxilares e causar gigantismo. Você pode acabar por sofrer.

"Também coloca uma pressão sobre o coração. É uma coisa terrível de se envolver com seu nível físico, muito menos o fato de torna-lo uma fraude."


Fonte: thesun.co.uk