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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Novela 'Dancin' days', de 1978, vai ganhar remake

 "Dancin' Days" vai ganhar um remake. Infelizmente, não será no Brasil. Sucesso na Globo no fim da década de 1970, a novela será produzida em Portugal ano que vem. 
Na versão portuguesa de "Dancin' days", Julia
(no Brasil, papel de Sonia Braga)
será interpretada por Joana Santos



Exibida entre 1978 e 1979, a trama será adaptada para os tempos atuais. De acordo com o jornal Extra, a atriz Joana Santos será a responsável por fazer a protagonista Julia, papel que foi de Sônia Braga.

Ainda segundo a publicação, o projeto deve começar a ser gravado no fim de 2011 para estrear logo no primeiro trimestre de 2012, substituindo "Rosa fogo", que começa em outubro no horário nobre do canal português SIC. A trama de Gilberto Braga ainda não tem nome para a versão portuguesa.


Ana Carolina de Souza

Extra

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Laudo descarta assassinato de modelo capixaba em Portugal

Laudo descarta assassinato de modelo capixaba em Portugal
Foi confirmado que ela apanhava do namorado. A mãe de Jeniffer Viturino diz que vai processar o ex-companheiro da filha


A modelo capixaba Jeniffer Corneau Viturino, 17 anos, que morreu no dia 8 de abril, após cair do 15° andar de um prédio em Portugal, não foi assassinada. O resultado da autópsia no corpo da vítima foi divulgado por autoridades portuguesas neste domingo (1°). Jeniffer morreu devido ao impacto da queda.

Entretanto, ela teria sofrido várias agressões anteriores. Foram encontrados hematomas por todo o corpo da modelo, mas a maioria já estava cicatrizada. Os jornais portugueses divulgaram que os maus tratos foram confirmados pelas amigas de Jeniffer aos investigadores da polícia portuguesa.

Segundo as investigações, a modelo revelou para as amigas mais íntimas, que o ex-namorado a agredia quase que diariamente. Ele é dono do apartamento de onde a jovem caiu. No entanto, nenhuma das colegas da jovem teria presenciado as agressões. Ainda de acordo com as autoridades, Jeniffer não tinha consumido álcool ou qualquer outro tipo de drogas no dia em que morreu.

O exame mais detalhado nas unhas da capixaba, não mostraram nada que pudesse incriminar o empresário Miguel Alves da Silva, 31 anos, ex-namorado de Jeniffer. Nenhum indício de crime foi encontrado na peritagem realizada no apartamento de Silva. As informações são do Gazeta Online.


TV GAZETA

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Polícia de Portugal diz que morte de modelo 'não parece' assassinato

Brasileira Jeniffer Viturino morreu ao cair de prédio do namorado em Lisboa. Moradora disse que não ouviu barulho e nem viu sangue
A polícia de Portugal informou nesta terça-feira (12) que "não parece" haver participação de alguém namorte da modelo Jeniffer Viturino, de 17 anos, ocorrida na última sexta-feira ao cair de um prédio em Lisboa. Assim, embora digam que ainda mantém todas as hipóteses em aberto, as autoridades reforçaram a hipótese de que a jovem se suicidou, saltando do apartamento do namorado - a família dele diz que ele tem a consciência absolutamente tranquila.
"Não parece haver intervenção de terceiros na causa da morte", informou o gabinete de imprensa da Polícia Judiciária (equivalente à Polícia Civil no Brasil). A conclusão foi tomada a partir das "informações iniciais". A corporação informa, porém, que todas as hipóteses continuam em aberto, e se negou a prestar mais esclarecimentos.
Na manhã desta terça, dois policiais estiveram no prédio onde o corpo de Jeniffer foi encontrado para requisitar formalmente gravações do circuito fechado de TV. O G1 tentou falar com eles, mas foi remetido ao gabinete de imprensa da PJ. A autópsia foi concluída na segunda, segundo o Instituto Nacional de Medicina Legal (IML), e o relatório preliminar deve estar pronto em quatro semanas.
O corpo foi encontrado por volta das 7h da sexta-feira  (8) no edifício onde o namorado, o empresário Miguel Alves da Silva, de 31 anos, mora em Lisboa. A versão do namorado, segundo Solange Viturino - a mãe da jovem - é a de que os dois dormiram separados naquela noite. Pela manhã, ele não a encontrou. Um bilhete com pedido de desculpas, com uma caligrafia que a mãe estranha, mas admite ser de Jeniffer, foi encontrado, sempre segundo Solange.
Nesta segunda, familiares da jovem disseram ter ido à polícia levar alguns documentos. O corpo já estava liberado desde a véspera, mas, segundo o irmão, Jonahtan Viturino, de 19 anos, as autoridades ainda não haviam entrado em contato oficialmente até a noite. O pai, que mora no Espírito Santo, deve chegar nesta terça a Lisboa.
Sem barulho"
Admirei porque geralmente se ela caísse teria ouvido o barulho", disse ao G1 uma moradora do prédio que pediu para ter sua identidade preservada. Segundo ela, junto ao corpo de Jenniffer não havia poça de sangue. "Nada, nem poça de sangue, havia duas ou três manchas de sangue, muito pouco, mesmo perto já (do corpo) e era muito pouco", contou.

A moradora afirma, porém, que Jeniffer tinha fratura exposta nos pés. "Se ela veio (caiu) viva ou morta, não dá para saber. Estamos à espera da polícia judiciária", disse, considerando o caso "suspeito".
O apartamento de Miguel Silva fica no 15º andar da Torrre São Rafael, um edifício de alto padrão no Parque das Nações, na zona oriental de Lisboa, junto ao Rio Tejo. Segundo a imprensa local, uma terceira pessoa esteve no imóvel no dia em que Jeniffer lá estava. A polícia não confirma nem desmente a informação.
O empresário e a jovem namoravam desde 2009, segundo a mãe dela, quando se conheceram no Algarve, região no sul de Portugal. Miguel tinha relacionamento com outras mulheres e a jovem sabia, conta Solange. Entre a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta, ele teria tentado terminar de vez o namoro com a modelo, afirma a mãe.
"Absolutamente tranquilio"
A reportagem tem tentado entrar em contato com Miguel Silva, mas sem sucesso. Uma familiar - que não quis ser identificada - disse ao G1 que ele não quer falar e que está "com a consciência absolutamente tranquila".
"A menina realmente atirou-se, como muitas outras. Então o caso é simples, não percebo realmente por que estão a tornar isso tão mediático", afirmou a mulher. "A autópsia vai sair, ele está com a consciência absolutamente tranquila. Tudo isso vai demonstrar, por tanto escusa de especular."


G1



sábado, 9 de abril de 2011

Modelo capixaba morre ao cair de 10° andar prédio em Portugal

Modelo capixaba morre em Portugal
Jeniffer Corneau, de 17 anos, saiu para jantar com o namorado. Na volta, os dois foram ao apartamento dele, onde ocorreu o acidente



Jeniffer Corneau caiu do 10º andar
do prédio do namorado
A modelo capixaba Jeniffer Corneau, de 17 anos, morreu, na madrugada desta sexta-feira (8), em Portugal - país em que vivia com a mãe e o irmão. Segundo informações de familiares, ela teria saído para jantar com o namorado de nome Miguel Alves, português de 30 anos. Após jantarem em um restaurante da região, os dois se encaminharam para o apartamento dele e, por volta das 3h - horário de Portugal -, a jovem caiu do 10° andar do prédio.

O pai da jovem, Girley Vitorino Silva, 40 anos, que mora em Vitória, foi informado da morte da filha ao meio dia - horário de Brasília - no momento em que estava se encaminhando para o trabalho.

Girley disse que a polícia de Portugal já começou a estudar o ocorrido e o corpo da jovem só será liberado na segunda-feira (11), quando a família então decidirá se ela será encaminhada para o Brasil ou permanecerá em Portugal. Até o momento, o pai de Jennifer não sabe ao certo os procedimentos que devem ser adotados daqui para frente, mas afirma já ter procurado informações sobre passagens aéreas para Portugal.

De acordo com o pai, Jennifer morava na Europa desde 2008, e decidiu ir para o país português atrás do sonho de se tornar uma modelo. Ela desfilava, em média, três vezes por semana. O último contato com a filha foi feito pelo telefone, no dia 11 de janeiro deste ano, aniversário do irmão de Jennifer.


A mãe de Jeniffer, Solange Vitorino, que mora em Portugal, disse, por telefone, que o relacionamento da filha com o namorado Miguel Alves era conturbado. Perguntada se o corpo seria trazido para o Brasil, Solange afirmou que não quer voltar ao país e que deseja fazer o enterro da filha em Portugal.

O último contato de Solange com o namorado da filha foi na manhã desta sexta, quando ele avisou, por telefone, da morte de Jeniffer.

Polícia de Portugal acrescenta assassinato à linha de investigação para morte de modelo capixaba
A desconfiança dos familiares da modelo capixaba de que não tenha acontecido suicídio é justificada pelo perfil que eles traçam de Jenniffer, e pela demora do namorado em passar a notícia da morte aos familiares


foto: Arquivo Pessoal

A modelo capixaba Jennifer Vitorino foi encontrada morta em Portugal após queda do 15º andar de um prédio
A polícia de Portugal possui mais uma linha de investigação para a morte da modelo capixaba Jennifer Corneau, 17 anos, informou o pai da adolescente, Girley Vitorino Silva, 40 anos. Em entrevista à Rádio CBN Vitória (93,5 FM) ele contou que o corpo da filha possui hematomas e escoriações. Jeniffer Corneau teria caído, na madrugada desta sexta-feira (08), do 15º andar do prédio onde o namorado dela, Miguel Alves, português de 30 anos, mora.

"Recebi uma ligação e fiquei sabendo que até saiu uma nota em um jornal de Portugal sobre essa linha de investigação. O corpo está com hematomas e escoriações. Acredito que isso mostra que ela não se jogou. Com essa nova versão, imagino que ela pode ter sido morta antes. Ele (o namorado) não sabia o que fazer com o corpo e então resolveu jogá-la", conta o pai.

A mãe da modelo, Solange Corneau - que mora em Portugal - confirma que há especulação de homicídio, mas, oficialmente, só após a autópsia, que deve ser realizada nesta segunda (11) ou terça-feira (12). A seção de Homicídios da Polícia Judiciária de Lisboa já investiga a origem dos hematomas.

A desconfiança dos familiares da modelo capixaba de que não tenha acontecido suicídio é justificada pelo perfil que eles traçam de Jeniffer, e pela demora do namorado em passar a notícia da morte aos familiares.

foto: Jornal Português Correio da Manhã | D. R.

A modelo estava no apartamento do namorado, na Torre de São Rafael, Parque das Nações, em Lisboa
"Somente horas após o ocorrido foi que Miguel ligou para minha ex-esposa para falar o que tinha acontecido. Ele falou que Jeniffer teria deixado uma carta, mas a polícia está investigando. Ela nunca bebeu, nunca fumou, era inteligente, era consciente, estava sempre alegre e tranquila. Não tinha depressão. Desfilava três vezes por semana e não dependia nem do pai nem da mãe. Ela não tinha motivos para cometer suicídio", desabafa Girley.

Em exclusividade à reportagem do portal Gazeta Online, a mãe falou sobre a suposta carta deixada pela filha. "Tive acesso ao bilhete, não é uma carta, é um bilhete. Lá havia algumas frases, mas tudo muito vago. Reconheci a letra dela e a assinatura dela, mas os dizeres não são da 'Jeni' que criei. O bilhete não diz diretamente sobre agressões. Fala algo como se ela estivesse cansada da situação e que ela era a culpada por o relacionamento não ter dado certo. No bilhete também há uma frase pedindo para que eu a perdoasse", contou Solange Corneau.

A mãe, porém, está inconformada com o conteúdo deste bilhete. "O que eu conheço dos recados que minha filha deixava, ela não diria só isso. Não está normal. Minha filha sempre foi alegre e sorridente, qualquer amigo pode confirmar isso. Ela não faria algo assim. Já foi feita a perícia do local, mas ainda não diz nada. O celular da minha filha está com a polícia. Estão investigando. Só depois da autópsia teremos algo", explicou.

Emocionado, o pai da modelo contou que ela faria 18 anos no próximo dia 13 de maio, e que a partir desse momento ela poderia aceitar convites de desfiles em outros países da Europa - que era, segundo o pai, o grande desejo da capixaba. "Ela estava legalmente em Portugal, mas por ser menor de idade não podia ir a outros países sem um responsável e acabava recusando os convites que recebia", contou.

Girley Vitorino Silva pretende ir a Portugal ainda neste domingo (10). A ex-esposa e mãe de Jeniffer quer que a filha seja enterrada em Portugal. Familiares querem que o corpo venha para o Brasil. "Ainda está tudo muito tumultuado. O corpo da minha filha só deve ser liberado na segunda ou terça. Até lá decidimos o que fazer", disse.

A reportagem não conseguiu contato com o namorado da modelo, o português Miguel Alves.


A Gazeta - Redação Multimídia - Gazeta Online

domingo, 16 de janeiro de 2011

Conheça Renato Seabra, modelo descrito como "pessoa de interesse" na castração e assassinato de Carlos Castro


Renato Seabra , com seu sorriso brilhante e cinzelado, boa aparência, era um astro do basquete, um modelo e uma celebridade do reality show em sua terra natal, Portugal .

Agora o bonitão de 20 anos de idade, é uma pessoa de interesse em um horrível homicídio na Times Square .

Seabra tem uma vida muita embalada em suas duas décadas, saindo da pequena cidade de Cantanhede para ganhar a atenção nacional em sua terra natal européia.

Seabra deixou sua cidade natal, com seus 12.000 habitantes, para atender à faculdade na Universidade de Coimbra - onde sua equipe tornou-se campeã nacional de basquetebol, o equivalente em Português à equipe da Universidade Duke".

De lá, o jovem iniciou sua carreira de modelo.

Seabra ganhou rapidamente a atenção como um concorrente em um show realidade de top model, "A Procura do Sonho" - ou "busca de um sonho." O Facebook fã-clube atraiu mais de 2.000 torcedores de Seabra.
Carlos Castro (à esquerda) e Renato Seabra teria tido um romance de dezembro de Maio.

Seu sonho não veio completamente verdade: Enquanto Seabra foi um dos três finalistas, ele não conseguiu captar o prêmio máximo. Mas ele recebeu um contrato de modelo, da estilista Fátima Lopes.

"Ele teve seus cinco minutos de fama, mas ele não era nada em Portugal", disse a socialite Vicky Fernandes , uma amiga da vítima Carlos Castro. "Todos pensavam que ele era calmo, uma pessoa normal."

Nos últimos meses, Seabra tinha começado uma relação entre Maio e Dezembro com Castro, de 65 anos, um conhecido jornalista Português.

"Esse garoto estava, provavelmente, à procura de fama e dinheiro", disse Luis Pires , editor do jornal Português Luso Americano e amigo de Castro. "Ele teve uma chance de ser muito próximo de um homem que poderia promovê-lo. Era uma relação de risco."

Em uma entrevista a um jornal Português perto de sua cidade natal, Seabra descreveu-se como religioso e tímido. Ele também é um garoto da mama admitiu, confessando sua mãe ser responsável por sua carreira de modelo.

"Minha mãe me disse para continuar tentando, porque eu não estava levando a sério a modelagem", disse Seabra. "Sou tímido na frente da câmera, principalmente quando todo mundo me olha."

Depois de alcançar as finais do reality show, Seabra disse que não estava agradecendo a sua mãe.

"Naquela mesma noite, orei a Deus, dizendo muito obrigado", disse ele. "E na manhã seguinte, acordei a rezar novamente."

Com Marcus Santos e Ben Chapman

nydailynews.com

sábado, 14 de agosto de 2010

Terremoto de Lisboa, 1755: uma tragédia dantesca na história da Europa

O comerciante francês Jacome Ratton costumava ir à missa na igreja do Carmo, no centro de Lisboa. Naquela manhã, ele não foi. De sua janela via “o céu risonho como quase sempre é nas felizes regiões da Europa do sul” – como relatou anos mais tarde. Não percebeu a agitação dos animais de tração, os cães em disparada pelas ruas, os pássaros em louca revoada. Três minutos antes das 10 horas ouviu-se um tremendo ruído e na cidade levantaram-se enormes colunas de poeira. Estremecia a terra e em menos de um minuto ela engoliu o cais da alfândega. A poeira era tão densa que como um nevoeiro espesso impedia que se enxergasse a dois passos de distância. Era intensa também na casa de Ratton, ou no que sobrara dela. “Ao sentir o primeiro abalo – diz ele – me ocorreram muitas reflexões para salvar a minha vida e não ficar sepultado debaixo das ruínas da própria casa ou das vizinhas, se descendo as escadas fugisse para a rua.

Mas tomei o partido de subir ao telhado nas vistas de que abatendo a casa eu ficasse superior às ruínas.” Ratton era jovem, tinha 19 anos, e pôde suportar ser jogado de um lado para outro, antes de cair junto com o teto e as paredes que sustentavam sua casa. Arrastando-se, pulou para o jardim fugindo em corrida cega. Teve tempo de evitar uma rachadura que engoliu uma carroça e seus cavalos, até que o cheiro fétido de enxofre, vindo do Tejo, o paralisou. O rio, “um mato confuso de mastros entrelaçados e um horroroso cemitério de cadáveres” – segundo outro observador da época – ululava. Gania. Foi assim, com a garganta sufocada de fumaça, arranhões e machucados pelo corpo e as vestes em pedaços, que discerniu, por entre nuvens de fumaça e poeira, o rosto de ensangüentados familiares. A seus pés, uma jovem soluçava, apertava no seio sujo uma criança morta.

Irradiações da Tsunami
Ratton não foi o único a entender o que estava acontecendo. Houve vários observadores do fenômeno entre os membros da comunidade britânica. Com a tradicional fleuma inglesa, um deles assim narrou os acontecimentos: “Eu vivia numa casa próxima ao centro da cidade. O meu quarto ficava no terceiro andar. Aí estava sentado quando senti a casa tremer com suavidade, aumentando gradualmente com um barulho precipitado, como o som de carruagens. Isso foi o que de início imaginei ser a causa do barulho e tremor. Mas, ao observar os quadros no meu quarto a bater contra as paredes, levantei-me e percebi que era um terremoto. Nessa altura, o movimento era tão violento que eu me mantinha em pé com dificuldade. Toda a casa rachava a minha volta, as telhas, as paredes despedaçavam-se. Ouvi aterrorizado os gritos e choros vindos de todos os lados. Então, resolvi mudar de roupa e sair também.

Tinha me vestido até a cintura e estava a enfiar o casaco e o colete quando senti o segundo abalo. Agarrei meu chapéu e, tirando a minha cabeleira do suporte, desci dois lanços e meio de escadas, mas parei de repente ao ouvir cair telhas e grandes pedras. Isso me fez refletir que, ao fugir de uma casa a cair, corria o risco de ficar sepultado sob as ruínas de muitas outras nas ruas estreitas. Por isso, resolvi ficar onde estava, numa escadaria de pedra em caracol. Enquanto aqui permaneci, os degraus sobre os quais eu estava ergueram-se do chão e eu esperava morrer esmagado a todo o momento. Durante este período ouvi uma voz triste, abaixo de mim, gemendo e chamando por socorro, até que o tremer da casa me permitisse ajudar. Foi o que fiz assim que tive uma oportunidade e descobri que a pessoa em aflição era nossa governanta, que fugira logo ao primeiro abalo, levando consigo um criado, sendo, porém, surpreendidos à porta da rua pela parede que os feriu, deixando-os soterrados nos destroços”.

Durante três dias, enquanto a cidade queimava, saques e assassinatos foram freqüentes. Os sacrilégios também, uma vez que ladrões não faziam cerimônia em roubar as ricas igrejas de Lisboa. Grupos de bandidos roubavam e estupravam quem cruzasse seu caminho. Desertores espanhóis percorriam o que sobrara das casas levando o que servisse para vender. Os famintos ameaçavam atacar os que tinham algum alimento, de forma que a comida era sempre consumida às escondidas. Havia um clima de total insegurança entre os sobreviventes.

O terremoto de Lisboa do 1º de novembro de 1755 foi uma das maiores tragédias do século 18. Sua repercussão no mundo ocidental foi registrada por escritores como Voltaire e filósofos como Kant, afora os milhares de relatos de médicos, físicos e pessoas comuns que sobreviveram até os dias de hoje. Ninguém jamais soube exatamente o número de mortos, mas a lembrança do horror conserva-se intacta.

Autora:  Mary Del Priore
Mary Del Priore é historiadora, autora de O mal sobre a terra: uma história do terremoto de Lisboa de 1755, entre outros 17 livros



Em 1755, o terremoto atingiu na manhã de 01 de novembro, o feriado católico de Todos os Santos. Relatos contemporâneos afirmam que o terremoto durou entre três e meio a seis minutos, causando fissuras gigantescas de cinco metros de larga a aparecendo no centro da cidade. Sobreviventes correram para o espaço aberto do cais por segurança e viram como a água recuou, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas há tempos. Cerca de quarenta minutos depois do terremoto, um tsunami enorme envolveu o porto e o centro da cidade, avançando acima do rio Tejo, "tão rápido que várias pessoas andando a cavalo ... foram obrigados a galope o mais rápido possível a lugares mais altos por medo de serem levados." O  tsunami  teve sequencias de duas vagas. Nas áreas não afetadas pelo tsunami, o fogo logo se alastrou, e os incêndios duraram cinco dias ....


Choques do sismo foram sentidos por toda a Europa, tanto quanto na Finlândia e África do Norte, e de acordo com algumas fontes, mesmo na Groenlândia e no Caribe. Tsunamis tão alto quanto 20 metros  varreram a costa do Norte de África, e atingiu a Martinica e Barbados outro do lado do Atlântico. Um tsunami de três metros (dez metros) bateu na Cornualha, na costa sul inglesa. Galway, na costa oeste da Irlanda, também foi atingida, resultando em destruição parcial do "espanhol Arch seção" da cidade ... parede.
Execuções na sequência do terramoto de Lisboa. Pelo menos 34 ladrões foram enforcados
 na sequência caótica do desastre.


A família real escapou ilesa à catástrofe, D. José I de Portugal e da corte tinham deixado a cidade, depois de assistir à missa ao amanhecer, cumprindo o desejo de uma das filhas do rei para passar as férias longe Lisboa. Depois da catástrofe, D. José desenvolveu um medo de viver dentro das paredes, e o tribunal foi acomodado em um grande complexo de tendas e pavilhões nas colinas da Ajuda, em seguida, nos arredores de Lisboa. claustrofobia O rei nunca quis, e foi só depois da morte de José que sua filha de Maria I de Portugal começou a reconstruir o Palácio Real  da Ajuda, que ainda está no local do antigo acampamento de tendas. Como o rei, o primeiro-ministro Sebastião de Melo (Marquês de Pombal), sobreviveu ao terramoto. Quando perguntado o que era para ser feito, Pombal teria respondido, "enterrar os mortos e curar os vivos", e definir a organização de ajuda e os esforços de reabilitação. Bombeiros foram enviados para extinguir as chamas em fúria, e as equipes de trabalhadores e cidadãos comuns foram ordenados a remover os milhares de cadáveres, antes que doenças pudessem se espalhar. Ao contrário dos costumes e contra a vontade da Igreja, muitos cadáveres foram carregados em barcaças e jogados no mar para além da foz do Tejo. Para evitar transtorno na cidade arruinada, o Exército Português foi implantado e forcas  foram construídas em pontos altos ao redor da cidade para deter os saqueadores Mais de trinta pessoas foram executadas publicamente. 


O tipo eo primeiro-ministro lançou imediatamente os esforços para reconstruir a cidade, a contratação de arquitetos, engenheiros e organização do trabalho. Em menos de um ano, a cidade foi limpa de detritos. Keen ter um novo e perfeitamente ordenado da cidade, o rei encomendou a construção dos quadrados grandes, retilínea, grandes avenidas e ruas alargadas - os novos lemas de Lisboa. Quando o Marquês de Pombal foi questionado sobre a necessidade de ruas tão largas, ele teria respondido: "Um dia eles serão pequenos."