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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Parentes de Mércia sofrem acidente em SP depois de serem perseguidos na estrada.

Márcio contou que percebeu que o garupa
de uma das motos segurava uma arma. (Foto divulgação)
A mãe e o irmão da advogada Mércia Nakashima sofreram um acidente em Nazaré Paulista, 470 km de São Paulo, na noite deste domingo (23). Eles caíram em uma ribanceira depois de serem perseguidos na estrada. A polícia investiga a suspeita de tentativa de homicídio e a ligação com a morte de Mércia.

Márcio Nakashima, irmão de Mércia, e a mãe dele, Janete Nakashima, vinham de Bom Jesus dos Perdões em direção a Guarulhos, onde moram. Eles afirmam que começaram a ser perseguidos por uma moto. Uma pessoa que estava na garupa carregava uma arma, segundo eles.

Para escapar, Márcio tentou fazer uma ultrapassagem e perdeu o controle do veículo. Márcio teve ferimentos leves e Janete teve que ser encaminhada para um hospital na capital com ferimentos na clavícula.


O crime
Mércia desapareceu da casa dos avós em Guarulhos, em 23 de maio, quando saiu de carro. Após a denúncia feita por um pescador, o veículo e o corpo dela foram encontrados por bombeiros em uma represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, nos dias 10 e 11 de junho, respectivamente.

O ex-namorado e ex-sócio da vítima, o advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza, de 40 anos, e o vigia Evandro Bezerra Silva, de 39 anos, são apontados como “executor” e “partícipe” do assassinato, respectivamente. A Justiça pediu a prisão preventiva dos dois, mas eles continuam foragidos.


G1

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Adiada decisão sobre soltura ou prisão de acusados de matar Mércia

Relatora decidiu pela soltura, mas dois desembargadores pediram vista.
Decisão final deve sair até a próxima quarta-feira, segundo o tribunal.
Advogada Mércia Nakashima (TV Globo)

O PM reformado, Mizael Bispo, e o vigia, Evandro Bezerra Silva, estão sendo julgados pela Justiça de São Paulo no caso da morte da advogada Mércia Nakashima, e vão continuar livres provisoriamente, já que o Tribunal de Justiça de São Paulo adiou a decisão sobre o destino dos suspeitos.

O Tribunal de Justiça de São Paulo adiou nesta quarta-feira (29) a decisão sobre a soltura ou prisão do advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza e o vigia Evandro Bezerra Silva, acusados de matar a advogada Mércia Nakashima. Ambos estão livres provisoriamente por causa de uma liminar concedida pela desembargadora Angélica de Almeida.

A relatora do processo decidiu pela manutenção da soltura, mas dois desembargadores pediram vista (um prazo maior para apreciar o tema). Segundo a assessoria de imprensa do tribunal, decisão final deve sair até a próxima quarta (6).

Na sexta-feira (24), a desembargadora Angélica havia negado o pedido da defesa de Mizael para transferir o caso Mércia de Guarulhos, na Grande SP, para Nazaré Paulista, no interior do estado. A alegação dos advogados do réu era que a advogado morreu na segunda cidade.

Para o Ministério Público, Mizael, que tem 40 anos, matou a ex-namorada e ex-sócia por ciúmes. O vigilante Evandro, de 39 anos, é acusado de auxiliar na fuga. A advogada foi vista pela última vez em 23 de maio, quando deixou de carro a casa dos avós em Guarulhos. O veículo foi localizado submerso em 10 de junho numa represa em Nazaré Paulista. O corpo dela foi achado no mesmo local no dia seguinte. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), a vítima de 28 anos morreu afogada após ter sido baleada. Ela não sabia nadar. O ex e o vigia negam o crime.

O juiz Leandro Bittencourt Cano, de Guarulhos, havia decretado a prisão preventiva de Mizael e Evandro em 3 de agosto, quando aceitou a denúncia feita pela Promotoria. Naquela ocasião, o promotor Rodrigo Merli Antunes e o delegado Antônio de Olim, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da capital paulista, pediram a prisão do ex e do vigia por entender que eles atrapalharam a investigação e poderiam fugir.

Mizael chegou a ficar foragido, mas teve a prisão revogada no dia 5 de agosto pela desembargadora Angélica. Ela havia dado parecer favorável ao pedido de liberdade para o réu impetrado pelos advogados dele, Samir Haddad Júnior e Ivon Ribeiro. Eles alegaram que não havia elementos para se decretar a prisão.
O mesmo embasamento para conseguir o habeas corpus de Mizael foi também utilizado pelo advogado José Carlos da Silva para soltar o vigia. Evandro, que ficou um mês preso entre a prisão temporária e a preventiva, ganhou a liberdade no dia 9 de agosto após decisão da desembargadora.

Irmão vê corpo de Mércia (Foto: Paulo Piza/G1)

Acusação
A expectativa das partes agora é para o julgamento do mérito dos dois habeas corpus nesta quarta. O sistema é simples, baseado em votação. Ganha a decisão da maioria. Votarão a relatora, Angélica, e mais outros dois desembargadores.

Em outras palavras, os desembargadores poderão manter a revogação da prisão contra os réus ou anular a suspensão dela. Neste último caso, a decretação da preventiva voltaria a valer e Mizael e Evandro poderiam ser presos, mas somente após o período eleitoral. Segundo a lei, nenhum eleitor pode ser preso, mesmo que tenha um mandado de prisão contra ele, cinco dias antes da eleição e 48 horas depois dela. A eleição acontece no primeiro domingo de outubro (3).

Mizael, apontado como o mentor e executor do crime, é acusado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e dificultar a defesa da vítima). Evandro também foi acusado pelo assassinato, mas com duas qualificadoras (meio cruel e dificultar a defesa da vítima), sendo citado pelo promotor como "partícipe".

Contra os acusados, a investigação afirma ter provas de que eles participaram do crime. São elas: as ligações telefônicas feitas entre eles no dia 23 de maio, o rastreamento do carro de Mizael e uma alga que só existe na represa e que foi encontrada no sapato do advogado. Além disso, Evandro chegou a dizer que Mizael matou Mércia por ciúmes. Também tinha contado que ajudou na fuga do assassino. Depois mudou a versão, negou tudo, e disse que a havia dado sob tortura policial.


Evandro e Mizael (TV Globo)
Audiência
No dia 18 de outubro terá início no Fórum Central de Guarulhos a primeira audiência do processo que apura o crime de homicídio contra Mércia. A etapa da instrução antecede a do júri e deve ocorrer em novembro. Durante a instrução, o juiz Bittencourt Cano irá ouvir a versão de cada uma das partes e suas testemunhas. Ele também receberá outras eventuais provas e vai sugerir uma solução. Poderá arquivar o processo, pedir mais dados ou remeter o caso a júri popular. Nesta última hipótese, será marcada a data do julgamento.
Entre as testemunhas está um pescador que disse à polícia ter visto o automóvel de Mércia afundar no dia 23 de maio na represa em Nazaré Paulista. Ele também contou que viu um homem não identificado sair do veículo. Além disso, afirmou ter escutado gritos de mulher. Na sexta-feira passada (17) a perícia do DHPP realizou a reconstituição oficial do caso na mesma represa, baseada no depoimento do pescador.

G1 e outros

sábado, 18 de setembro de 2010

Caso Mércia. Deu briga na resconstituição do crime na represa

Irmão de Mércia Rasga camisa de advogado de Mizael
A discussão se acirrou e os dois se agrediram. Durante a briga, o irmão de Mércia chegou a rasgar a camisa de Haddad. Policiais e parentes que estavam próximos de Márcio e do advogado apartaram a briga.

Márcio Nakashima e o advogado Samir Haddad Júnior se agridem durante reconstituição

O advogado de Mizael Bispo de Souza, Samir Haddad Júnior, discutiu com Márcio Nakashima durante a reconstituição da morte da advogada Mércia Nakashima, irmã de Márcio. A reprodução do crime acontece na noite desta sexta-feira, na represa em Nazaré Paulista, onde o corpo da advogada foi encontrado no último dia 11 de junho.

Márcio discutiu com o advogado, pois, segundo ele, Haddad Jr. estaria tratando-o com ironia. O advogado do suspeito teve a camiseta rasgada durante a briga e registrou um boletim de ocorrência contra o irmão da Mércia.

Mizael, ex-namorado da vítima, é o principal suspeito pela morte da advogada, que desapareceu no último dia 23 de maio. Nesta tarde, a polícia concluiu o laudo do rastreador do carro de Mizael.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a reconstituição está sendo acompanhada por peritos e pelo delegado Antônio Olin, que foi responsável pelo início das investigações. Além deles, Natanael Bispo de Souza, irmão de Mizael, e o advogado Ivo Ribeiro, outro advogado do suspeito, acompanham a ação. A mãe de Mércia, Janete de Carvalho, também está no local. (Redator: Marielly Campos)


LAUDO
O laudo do rastreador do carro do principal suspeito do caso Mércia Nakashima, Mizael Bispo de Souza, 40 anos, foi concluído e entregue ontem pela perícia do Departamento de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo.

A polícia isolou a área da represa de Nazaré para realizar a reconstituição. Márcio Nakashima acompanhou o trabalho da perícia em uma lancha. Além dele, a mãe de Mércia também estava no local. Dois irmãos de Mizael também acompanharam o trabalho dos policiais.

Os caminhos percorridos por Mizael foram reproduzidos pelos peritos e pelo promotor responsável pelo caso, Rodrigo Merli Antunes, no dia 11 de agosto. De acordo com o perito Renato Patolli, a principal conclusão é que no momento que Bispo diz que pegou uma prostituta e seguiu para o Hospital Geral de Guarulhos, no Parque Cecap.

O advogado do vigilante Evandro Bezerra da Silva, José Carlos da Silva, preferiu não comparecer ao local. “Meu cliente não esteve lá, por isso, achei que não tinha necessidade o meu comparecimento”, disse.

Fontes: Eband e Olhao

domingo, 5 de setembro de 2010

Mizael leva vida normal, enquanto família de Mércia diz 'estar presa'‎

‘Eu sou inocente, confio na Justiça’, afirma ex, três meses após o crime.
‘Temos medo de encontrar com ele’, alega irmão de Mércia.



Três meses depois do assassinato de Mércia Nakashima, o ex-namorado da advogada leva uma vida normal, apesar de ser apontado pela polícia como o autor do crime, enquanto que a família dela, por outro lado, afirma estar ‘presa dentro de casa’.

Advogada Mércia Nakashima levou um tiro antes de ser jogada na represa


A reportagem do Fantástico encontrou o ex-namorado de Mércia, na sexta-feira (3), perto do escritório dele, especializado em questões trabalhistas, na periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele não quis muita conversa. Estacionou um pouco mais adiante e não chegou a descer. “Estou acabando de chegar do serviço”, diz o ex-namorado de Mércia.

Ele conta que vai ao fórum e continua morando no mesmo lugar. “Agora mesmo eu vou reintegrar a posse de um imóvel. O cliente está vendendo esse terreno e o comprador quer ver se realmente foi reintegrado”, afirmou.

Mas, na casa da família de Mércia, a vida mudou muito. “Nós estamos presos. Nós ficamos dentro de casa, nós não podemos circular. Porque temos medo de encontrar com ele e com familiares dele”, afirma o irmão de Mércia, Márcio Nakashima.

Mércia desapareceu de Guarulhos, na Grande São Paulo, em 23 de maio. O veículo dela foi localizado submerso por bombeiros numa represa em Nazaré Paulista, no interior do estado, em 10 de junho. O corpo da advogada foi encontrado no mesmo local no dia seguinte.

Mizael e o vigia Evandro Bezerra Silva são réus no processo que apura o assassinato da advogada. Segundo o Ministério Público, o vigilante ajudou o ex dela a fugir da cena do crime. A suspeita se deve às ligações telefônicas trocadas entre os dois, de acordo com a investigação policial. Para o Ministério Público, Mizael matou a ex por ciúmes porque não aceitava o fim do relacionamento.

Antes da entrevista, Mizael tinha ido a uma empresa para trocar o rastreador do carro. “Está com problema e agora parou de vez. Não deu certo lá, aí eu vou arrumar em outro lugar”, afirmou. Ele queria um relatório sobre esse possível defeito do rastreador. A empresa se negou a fazer isso. E foi justamente esse equipamento que levou a polícia a descobrir que o carro de Mizael ficou parado mais de três horas em frente a um hospital, no dia do desaparecimento de Mércia.
A advogada Mércia Nakashima, encontrada
morta em junho (TV Globo)

Mizael diz que nesse período teve um encontro amoroso dentro do automóvel. Mas a polícia não acredita nessa versão, já que a suposta mulher nunca apareceu. Segundo as investigações, nessas três horas o carro na verdade ficou vazio, porque Mizael estava em outro local, com Mércia Nakashima.

Esta semana, um laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo trouxe novas evidências contra ele. Peritos encontraram na sola de um sapato de Mizael uma alga compatível com uma espécie que existe na represa de Nazaré Paulista, onde o carro e o corpo foram encontrados, 19 dias depois do desaparecimento.

“É uma alga que só dá dentro da água. Então, comprova que ele entrou na água, para poder empurrar o carro”, afirma o delegado. O laudo, de 200 páginas, traz várias informações. Por exemplo: no carro de Mércia, havia inúmeros santinhos com orações para Santo Expedito, o santo das causas urgentes.
Também foram encontrados 41 CDs: 19 com assuntos relacionados à advocacia e 22 de música. O último que Mércia ouviu era de sucessos sertanejos.

Em outros dois CDs, um da cantora Beyoncé e um da dupla Victor e Leo, havia uma frase: “Para Mércia, com carinho, Bispo”. No CD da dupla sertaneja, também estava escrito: "Um dia, seus pés". É uma referência a uma música da dupla sertaneja.

Os peritos também descobriram como Mércia foi morta. Era ela quem dirigia o carro. O banco do motorista estava posicionado a 59 cm do volante - compatível com a altura da advogada, que tinha 1,55 m. O assassino estava ao lado.

Segundo os peritos, o banco do passageiro estava no último estágio dos trilhos, a 88 cm do encosto - uma indicação de alguém maior que Mércia estava sentado ali. A advogada foi baleada a curta distância, dentro do carro. O câmbio estava desengatado e o freio solto, facilitando para que o veículo fosse empurrado para a represa.

Baleada, Mércia desmaiou e morreu afogada. Para a polícia, Mizael é o assassino. “Eu não tenho dúvida desde o primeiro dia que eu o vi na minha delegacia, quando eu fiz uma pergunta para ele, no final do depoimento: quem poderia ter feito, sumido com a Mércia? Ele olhou pra mim assustado e começou a chorar. Ali, eu vi que ele estava mentindo”, diz o delegado Antonio de Olim.

Segundo a perícia, o sapato de Mizael foi entregue limpo e lavado. Mesmo assim, foi possível identificar, além da alga, vestígios de sangue e de osso. Mas, devido à pequena quantidade, não foi possível fazer o exame de DNA. Ou seja, não dá para afirmar que são de Mércia.

Segundo a polícia, Mizael matou Mércia por ciúmes e por não aceitar o fim do relacionamento. Ele já foi indiciado e denunciado à Justiça.

Atendendo a um pedido do Ministério Público, um juiz de primeira instância determinou em duas ocasiões que o acusado fique preso até o julgamento. Mas a desembargadora Angélica de Almeida, de uma instância superior, o Tribunal de Justiça de São Paulo, decidiu mantê-lo em liberdade.

Uma decisão importante deve sair em duas semanas. Além de Angélica de Almeida, outros dois desembargadores vão determinar se Mizael responderá ou não o processo em liberdade.

À reportagem do Fantástico, o doutor Bispo - como costuma se apresentar - disse que está ajudando os advogados dele na estratégia de defesa. Ao responder se tem receio de ser preso, Mizael afirmou: “Eu sou inocente, confio na Justiça”.

Não há previsão para a data do julgamento. Em crimes como o assassinato de Mércia, a pena pode chegar a 30 anos de cadeia. “Vai ser um consolo saber que a Justiça está sendo feita, saber que não vai ficar impune. Serve de consolo”, diz o irmão de Mércia, Márcio Nakashima.

Do G1 SP, com informações do Fantástico