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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Estudo sugere que 'Australopithecus' seja ancestral do homem moderno


Estudo sugere que 'Australopithecus' seja ancestral do homem moderno
Análise da anatomia dos fósseis mostra que hominídeo usava ferramentas.
Acreditava-se que evolução da espécie era paralela à do gênero 'Homo'.
Mão direita de fêmea 'Au. sediba' adulta,
comparada à de um humano (Foto: Peter Schmid /
cortesia de Lee Berger e da Universidade de
Witwatersrand)

O Australopithecus sediba foi um hominídeo que viveu há cerca de 1,9 milhão de anos, com algumas características de chimpanzé - se balançava em árvores -- e outras de humanos - conseguia fabricar ferramentas e andar ereto. Segundo um estudo publicado na edição desta quinta-feira (8) da revista Science, ele "tem o potencial de ser o ancestral que levou ao aparecimento do gênero Homo", do qual nós, humanos modernos, fazemos parte.

Até agora, acreditava-se que o primeiro fabricante de ferramentas tenha sido o Homo habilis. Esta crença se baseava em estudos de 21 ossos de mão fossilizados encontrados na Tanzânia, que datam de 1,75 milhão de anos atrás.

A pesquisa atual faz um exame mais detalhado de dois esqueletos parciais fossilizados de Au. sediba. Eles foram descobertos em 2008 em Malapa, na África do Sul, por Lee Berger, professor da Universidade de Witwatersrand, de Joanesburgo, no mesmo país. Neste sítio foram encontrados mais de 220 ossos de pelo menos cinco indivíduos, entre as quais crianças, jovens e adultos.

Além das mãos, o estudo incluiu o pequeno, porém avançado cérebro do Au. sediba, sua pélvis, que reflete uma postura ereta, e um conjunto único de pé e tornozelo que "combina características dos macacos e dos seres humanos em um único pacote anatômico", segundo Berger, que é o autor principal da pesquisa.


Dedos fortes
Após analisar a mão mais completa encontrada até agora, os especialistas concluíram que o Au. sediba tinha um polegar extralongo e dedos fortes, que teria usado para fabricar ferramentas, demonstraram as descobertas.

Os ossos da mão encontrados pertenciam a uma fêmea adulta, que tinha entre 20 e 30 anos ao morrer. Seus restos foram encontrados perto dos de um macho na infância, cujos ossos fossilizados também foram incluídos no estudo.

"A mão sediba revela uma surpreendente mistura de características que não teríamos previsto que pudessem existir em uma mesma mão", disse uma das cientistas, Tracy Kivell, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha.

"Tem um polegar longo, mas é surpreendente que este polegar seja ainda mais longo do que os que vemos nos humanos modernos", comentou.

"O punho estava mais bem preparado para suportar cargas maiores do que o que poderia durante o uso de ferramentas, por exemplo," e tinha dedos longos e estreitos, "capazes de agarrar com força", acrescentou.

"Esta morfologia nos sugere, assim, que o sediba provavelmente ainda usava suas mãos para subir em árvores", afirmou. "Mas é provável que também fosse capaz de executar as manobras de precisão que acreditamos ser necessárias para fabricar ferramentas de pedra", ponderou Kivell.
Crânio de um jovem 'Au. sediba' (Foto: Brett Eloff /
cortesia de Lee Berger e da Universidade de
Witwatersrand)

Tamanho não é documento

O cérebro do Au. sediba tinha um volume de cerca de 420 cm³, que está muito mais próximo dos 380 cm³ do chimpanzé do que dos 900 cm³ do Homo erectus. Porém, o formato lembra mais o do cérebro humano do que o dos macacos, o que indica que certas partes do sistema nervoso já estavam mais desenvolvidas.

"Estamos bastante seguros em nossa sugestão de que essa é uma evidência de que a reorganização aconteceu antes do aumento do tamanho do crânio", afirmou Kristian Carlson, também da Universidade de Witwatersrand.

"Certamente, nas comparações futuras, será interessante olhar para os primeiros espécimes do gênero Homo para tentar entender mais sobre como essa reconfiguração pode ter continuado e exatamente quão rápida foi o aumento do tamanho do crânio", completou.

Pés para que te quero

Os ossos do pé e do tornozelo de uma fêmea surpreenderam os paleoantropólogos, devido a sua estranha mistura de um arco do pé e um tendão de Aquiles com os dos humanos, e de um calcanhar e uma tíbia como os do macaco.

"Se os ossos não tivessem sido encontrados grudados, a equipe poderia tê-los classificado como pertencentes a espécies diferentes", disse outro dos autores do estudo, Bernard Zipfel, da Universidade de Witwatersrand.
Fóssil da pélvis do 'Au. sediba' (Foto: Peter Schmid
/ cortesia de Lee Berger e da Universidade de
Witwatersrand)

Sem comparação
A análise realizada por uma equipe de 80 cientistas internacionais, detalhada em cinco artigos na Science, oferece novas pistas sobre como pode ter ocorrido a transição do macaco para o ser humano, mas também suscita muitas dúvidas sobre a evolução da espécie humana.

Os cientistas não estão certos se o gênero Homo, que inclui os humanos contemporâneos, evoluiu diretamente do Au. sediba ou se o essa era uma das chamadas espécies "sem saída" e as espécies do gênero Homo evoluíram em separado.

Um dos principais problemas que os paleoantropólogos enfrentam é o pouco que se sabe sobre o esqueleto do Homo habilis, já que há pouco material disponível para comparação.

"O registro fóssil dos primeiros Homo é caótico", disse outro cientista, Steven Churchill, da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos. "Muitos fósseis são duvidosamente atribuídos a várias espécies ou sua datação é muito vaga", explicou.

Mas uma longa lista de todas as características avançadas que o Au. sediba compartilha com outras espécies de Homo, como o Homo habilis e o Homo rudolfensis, "sugere que é um bom ancestral da primeira espécie que todos reconhecem no gênero Homo: o 'Homo erectus'", emendou.

Do G1, com informações da France Presse

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Homem moderno jamais coexistiu com Homo erectus

O homem moderno jamais coexistiu com seu antepassado Homo erectus, revelam estudos publicados na quarta-feira (30).

O Homo erectus é considerado como o antepassado direto do Homo sapiens e se parece com o homem moderno em vários aspectos, mas seu cérebro era menor e o formato do crânio, diferente.

O Homo erectus foi o primeiro de nossos parentes distantes a sair da África, há 1,8 milhão de anos, e desapareceu do continente africano e de grande parte da Ásia há 500 mil anos, mas suspeitava-se de sua presença na região de Ngandong, às margens do rio Solo, na ilha de Java (Indonésia), há entre 50 mil e 35 mil anos.

Como o Homo sapiens chegou à Indonésia há 40 mil anos, acreditava-se em uma possível presença comum em Java.
As últimas datações que apoiavam esta hipótese foram realizadas em 1996, a partir de dentes de animais e restos fossilizados de hominídeos, mas havia dúvidas sobre a idade real dos fósseis.

A partir de 2004, uma equipe internacional de antropólogos, dirigida conjuntamente por Etty Indriati, da Universidade Gadjah Mada da Indonésia, e Susan Anton, da Universidade de Nova York, conduziu o projeto Solo River Terrace (SoRT), que realizou novas análises, com diferentes métodos de datação.

Os pesquisadores do SoRT concluíram que, independentemente dos métodos utilizados, os fósseis do Homo erectus eram de um período bem anterior à chegada do Homo sapiens à região.

Assim, "o Homo erectus provavelmente jamais coexistiu neste habitat com os humanos modernos", declarou Etty Indriati.

Segundo as análises do SoRT, o Homo erectus estava extinto em Java há ao menos 143 mil anos, e mais provavelmente há 550 mil anos.


Uma coexistência entre o Homo erectus e o Homo sapiens reforçaria a teoria de que o homem moderno substituiu seus ancestrais no processo de evolução.

Mas a conclusão do projeto SoRT reforça a chamada "origem multirregional", que sugere que os humanos modernos são resultado de múltiplas contribuições genéticas, de diferentes grupos de hominídeos que viveram na África, Ásia e Europa.


DA FRANCE PRESSE

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Uma nova rota para o Homo sapiens

WASHINGTON - Os humanos modernos podem ter saído da África milhares de anos antes do que acreditavam os cientistas, cruzando o Mar Vermelho em direção à Península Arábica no lugar de seguir o Rio Nilo até sua foz ao norte, afirma uma equipe internacional de pesquisadores em artigo publicado na revista "Science". Segundo eles, ferramentas de pedra encontradas nos Emirados Árabes Unidos indicam que havia presença humana no local entre 100 mil e 125 mil anos atrás.

Embora a maior parte dos cientistas concorde que os humanos modernos se originaram da África, os antropólogos ainda buscam entender as rotas tomadas por essas populações para se espalhar pela Ásia, Extremo Oriente e Europa. Evidências anteriores indicavam que os humanos modernos haviam subido pelo vale do Nilo e partido rumo ao Oriente Médio há cerca de 60 mil anos. A descoberta aponta, portanto, que a migração teria começado pelo menos 40 mil anos antes.

- Não há muitas saídas da África - explica Hans-Peter Uerpmann , do Centro de Arqueologia Científica da Universidade Eberhard-Karls, em Tuebingen, Alemanha. - Você pode sair pelo Sinai, ao norte do Mar Vermelho, ou atravessar os estreitos ao sul do Mar Vermelho. Nossa descoberta abre esse segundo caminho que, na minha opinião, é mais plausível para um movimento em massa do que a rota para o norte.
Australopithecus Homo erectus Neanderthal Homo sapiens

As técnicas usadas para fabricar os machados e outras ferramentas encontradas em Jebel Faya, no Emirado de Sharjah, sugerem que eles foram produzidos por pessoas que vieram de fora da região, diz Anthony E. Marks, da Universidade Metodista de Dallas, acrescentando que eles eram similares a outras ferramentas produzidas no leste da África na mesma época.

Como o clima era diferente na época, a Península Arábica era mais úmida, com uma savana povoada por animais que podiam ser caçados. Além disso, o nível da água mais baixo na ponta sul do Mar Vermelho faria com que a distância entre a África e a península fosse de algo entre 800 metros e quatro quilômetros, acrescenta Adrian G. Parker, da Universidade Oxford Brookes, na Inglaterra. De acordo com Uerpmann, isso tornaria a travessia fácil para populações acostumadas a lidar com os grandes lagos e rios do leste da África, nos quais usavam balsas ou barcos.

O Globo