terça-feira, 5 de abril de 2011

Pais podem perder guarda do filho e responder por morte de menino de 9 anos em sala de aula em Embu, SP

SÃO PAULO - Os pais do menino que teria levado uma arma para a escola, que disparou e resultou na morte de Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, na sala de aula da Escola Adventista de Embu, na Grande São Paulo, podem ser responsabilizados pelo crime e perder a guarda do filho. A reconstituição do crime está sendo feita nesta terça-feira. A escola suspendeu as aulas e oito crianças participam. Cinco já foram ouvidas. Elas disseram que apenas Miguel e o outro menino estavam na sala.

Foto: Ale Cabral/ Futura Press
A mãe de Miguel é amparada durante o enterro nesta quinta-feira em São Paulo


A arma desapareceu. Os pais do menino que teria levado para a escola o revólver calibre 38 negam ter arma em casa. Segundo a família de Miguel, a escola não colaborou com as investigações. Quando a PM foi chamada, a informação era de que fogos de artifício teriam explodido dentro da escola. Ao chegar ao local, os policiais foram informados que um menino havia sido ferido no abdômen.

Miguel foi socorrido pelo diretor da escola e levado ao Hospital Family, em Taboão da Serra, distante 25 quilômetros do colégio. O diretor clínico do hospital, Marcos David, contou na época que o menino deu entrada no hospital apenas às 11h45, com um buraco no flanco esquerdo causado por arma de fogo. O menino sangrava muito e estava em estado de choque. Foi levado diretamente para o centro cirúrgico, mas não resistiu.

- Eles falam que o Miguel estava sozinho na sala de aula, que ninguém viu nada - diz a avó de Miguel.

A mãe de Miguel, Roberta Cestari, afirmou que o filho lhe disse, um dia antes, que um amiguinho da escola queria lhe mostrar uma bala e uma arma. Ele morreu no dia 29 de setembro passado. Foi socorrido por funcionários da própria escola e não resistiu aos ferimentos. O menino teria sido achado caído na sala, sozinho, com um ferimento na barriga. O tiro foi disparado de cima para baixo. Até hoje a arma usada não foi localizada.

O juiz da Vara da Infância e Juventude sugeriu que os pais do menino apontado pelos demais como a criança que estaria na sala com Miguel perca a guarda do filho e sejam responsabilizados criminalmente pela morte da criança.

O pai do menino suspeito de ter levado a arma também está na escola e acompanha a reconstituição.

Do lado de fora, parentes de Miguel, com cartazes, cobram justiça.

O Globo

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