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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Contra a impotência sexual, prefeitura de Serra no ES distribuirá Viagra

Para combater a impotência sexual masculina em Serra, no Espírito Santo, a prefeitura irá investir R$ 58 mil na aquisição de 36,3 comprimidos de Sildenafila --comercializado sob o nome de Viagra. A medicação estará disponível em 30 dias.

"Identificamos que existe uma população com disfunção [erétil] e que não se trata porque é um tratamento caro. Muitas vezes o homem passa por crise, ciúmes e insegurança no casamento e isso acaba gerando instabilidade na família inteira", diz o secretário da Saúde de Serra, Silvani Alves Pereira.

De acordo com o secretário de Saúde, a expectativa é que o primeiro lote seja distribuído em 180 dias. "Vai depender da procura, mas acreditamos no sucesso do programa e vamos comprar o segundo lote", afirma Pereira.

Antes de ir à clinica especializada, porém, os homens com impotência sexual deverão buscar ajuda na unidade de saúde do seu bairro --que será responsável pelo encaminhamento à Clinica do Homem. Apenas o médico da rede municipal especialista em andrologia poderá emitir a receita para o medicamento.

A aquisição custará aos cofres públicos R$ 58.876,59. No total, serão distribuídos 25,5 mil comprimidos de 50 mg, 5,4 mil de 100 mg e 5,4 mil de 25 mg.

O comprimidos de Sildenafila estão na lista de medicamentos especializados distribuídos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo o Ministério da Saúde, a portaria que regulamenta essa distribuição indica o remédio para tratar hipertensão pulmonar arterial e não disfunção erétil.

No caso de Serra, porém, os comprimidos de Viagra foram comprados com recursos municipais e, por isso, não demandam de nova portaria para tratar da impotência sexual.

Folha

sábado, 18 de dezembro de 2010

Vermelho escuro é a cor da pílula da ereção que vai concorrer com o losango azul do Viagra.

Será vermelho escuro a cor da pílula da ereção que vai concorrer com o losango azul do Viagra. O Uprima, nome comercial da droga apomorfina, foi apresentada oficialmente no 15º Congresso da Associação Européia de Urologia, que terminou neste final de semana em Bruxelas.

Há uma semana o Uprima foi aceito pelo grupo de cientistas que dá inicio ao processo de registro dentro do FDA, o órgão norte-americano que controla alimentos e medicamentos. A aprovação é esperada para o início de julho. Até novembro, o remédio deve estar nas farmácias brasileiras.

A droga foi desenvolvida pelo laboratório Takeda, do Japão, e será comercializada pelo Abbott. O Viagra, primeira droga oral para disfunção erétil, é produzido pelo laboratório Pfizer e vendido no Brasil desde junho de 1998.

A diferença entre a apomorfina (do Uprima) e o sildenafil (do Viagra) é que a primeira age no sistema nervoso central e a segunda atua diretamente nos neurotransmissores locais que dilatam as artérias e levam à ereção. O resultado final é o mesmo.

A vantagem -segundo trabalhos apresentados em Bruxelas- é que, por ser um comprimido derretido debaixo da língua, a apomorfina chega mais rapidamente à corrente sanguínea e daí ao cérebro. Em 20 minutos, em média, provoca ereção suficiente. O sildenafil, tomado por via oral, demora em média uma hora para fazer efeito, já que a droga precisa passar pelo estômago e intestino antes de chegar à corrente sangüínea e daí ao cérebro.

O Vasomax, o Herivyl e a Regitina, drogas também orais à base de fentolamina, precisam de 30 a 40 minutos para fazer efeito.

Outra vantagem, apontada em estudos e que está na bula do Uprima, é a sua não interação com nitratos, o que acontece com o Viagra. Niitratos são vasos dilatadores utilizados para anginas e infartos do miocárdio, por isso os médicos evitam a prescrição do Viagra para cardiopatas.

Para os médicos, a chegada do Uprima é comemorada como mais uma opção para o tratamento da disfunção erétil. Para os pacientes, espera-se que a concorrência leve a uma futura redução no preço. Por enquanto, cada comprimido do Viagra custa R$ 17, o mesmo custará o Uprima.

A apomorfina já foi testada em 17 estudos clínicos que envolveram pouco mais de 3.000 homens, incluindo diferentes níveis de disfunção erétil, além de hipertensos, diabéticos e cardiopatas. Entre pacientes com disfunção moderada e grave, os estudos mostraram um nível de eficácia entre 45% e 55%. Nos testes do Viagra, feitos com pacientes leves e moderados, o índice chegou a 70%. "Como são grupos de pacientes diferentes, pode-se dizer que as duas drogas têm eficácia semelhante”, diz Celso Gromatzky, urologista do Hospital das Clínicas.

Os estudos feitos ainda não permitem dizer se o Uprima necessita de estímulos externos, visuais ou táteis, para desencadear a ação. Por exemplo, não se sabe ainda o que acontece com um paciente que tomar a droga e, em lugar de iniciar um jogo de carícias, sair para o trabalho ou passar a preencher o imposto de renda.

No caso do Viagra já se sabe que, sem desejo, não funciona. Já as injeções de prostraglandina, aplicadas no pênis, agem mesmo que o paciente não queira.

Pelo menos cinco instituições brasileiras começam os testes com o Uprima em voluntários já no próximo mês.

Pelo menos dois outros laboratórios devem lançar drogas para a ereção nos próximos dois anos. Um é o Bayer, com o vardenafil, molécula semelhante ao sildenafil, do Viagra. O outro é o Eli Lilly, que também deve explorar um sal parecido.

Em estudos iniciais estão sprays, cremes de uso tópico e drogas desenhadas para o orgasmo feminino, como supositórios vaginais.

Consumidores não devem faltar. Segundo a pesquisa MMAS, de Massachusetts, tida como referência internacional, 52% dos homens entre 40 e 70 anos sofrem alguma dificuldade na ereção. Na população de homens em geral, seriam 10% -o que no Brasil significaria cerca de 8 milhões de pessoas.

Esses números explicam porque as drogas para a ereção estão entre as que mais rapidamente evoluíram. Quarenta anos atrás só existia a terapia sexual como solução. Nos anos 70 surgiram e se desenvolveram rapidamente as próteses penianas. Em 1981, as injeções no pênis ganharam credibilidade e seguidores. Em 1997 foi a vez do supositório colocado na uretra. No ano seguinte, surgiu o Viagra, a primeira droga oral para a ereção. Agora, o Uprima está sendo anunciado como o primeiro a agir a partir do sistema nervoso central.

Fonte: Diário de Cuiabá

domingo, 7 de novembro de 2010

Pílula azul. Revolução Sexual do Homem

Nos anos 60, a popularização da pílula anticoncepcional mudou a rotina e revolucionou o comportamento feminino. Quatro décadas depois, o foco mudou, e os homens, especialmente os idosos, passaram a ser o alvo de uma transformação semelhante. Eles nunca fizeram tanto sexo como agora - e o empurrãozinho para manter o pique na terceira idade veio dos medicamentos que combatem a disfunção erétil.

Esses remédios são os protagonistas do que ficou conhecido como "a Revolução Sexual do Homem". Tudo começou em meados de 1998, quando o Viagra - primeiro medicamento e até hoje o mais vendido - chegou ao mercado brasileiro. Doze anos depois, apenas nos sete primeiros meses de 2010, foram comercializados 4.791.044 pílulas - inclui-se aí, também, o Levitra, Cialis e outros medicamentos. Em todo o ano de 2009 foram 7.259.096.

O arrasta pé dos bailes da terceira idade é uma das maiores provas da "eficiência" desses produtos. "Nunca eles foram tão frequentados. Nos últimos 10 anos, por exemplo, o números de associados aqui triplicou. Hoje são 1,8 mil", comemora o  secretário-geral da Associação Capixaba de Idosos, Danilo Ferreira Leite, 64.

O cenário ali, pelo menos no jogo da conquista, se assemelha ao de uma festa frequentada pela juventude. "A gente convida para dançar, conhece novas pessoas. Já consegui várias namoradas", garante o conquistador viúvo e aposentado Francisco Pereira,  64.

Importância incontestável
Partidário da tese da "revolução da pílula azul", o andrologista e sexólogo Eduardo Marsíglia considera que esses medicamentos, além de serem responsáveis por uma melhor performance sexual, causaram o fim de uma excessiva preocupação dos idosos com o órgão genital.

"Quando o homem perde a ereção ele também perde sua autoestima. Esses medicamentos trouxeram ganhos que foram muito além do sexo, e chegaram até o comportamento. Por consequência, até para as mulheres eles representaram uma mudança", avalia.

A melhora na qualidade de vida do casal também é apontada pela sexóloga e ginecologista Denise Galveas como sendo a grande vitória dos medicamentos. "Os relacionamentos na terceira idade mudaram".

Difícil é assumir

Apesar da lista imensa de benefícios, quando o assunto é tornar o uso público, muitos dos idosos ainda falham.

"Essa resistência está ligada ao pensamento de que a ereção está totalmente relacionada à virilidade do homem. Muitos confundem a ereção peniana com sua própria identidade masculina", ressalta a sexóloga Denise.

Recorde no ano
1.501.828 pílulas
Esse foi o número de pílulas que combatem a disfunção erétil vendidas só em julho de 2010. Houve um aumento de 56% em relação a junho, segundo mês no ranking.

A solução veio após apostar em ervas e gemada 
Ele tentou gemada, ovo de codorna, amendoim, ervas e vitaminas, mas nada teve o mesmo efeito que o remédio, quando há quatro anos o militar da reserva Roosevelt Martins Oliveira, hoje com 69, começou a procurar alguma forma de melhorar seu desempenho sexual.

Mesmo após ter colocado duas pontes de safena e uma mamaria, e ainda sendo usuário de medicamentos que controlam sua pressão, ele garante que isso não o impediu de usar o medicamento. "Fui ao médico quando meu desempenho começou a ficar ruim. Hoje tomo meio comprimido de Viagra ou Cialis e o efeito chega a durar quatro dias", gaba-se.

Beneficiada com a mudança, a mulher de Roosevelt é uma das maiores incentivadoras: "Ela dá todo  o apoio!", diz. Apesar de contar com a ajudinha do  remédio, o aposentado garante que ele não é a única solução para esse tipo de problema. Para Roosevelt, uma mulher bonita ao lado é fundamental.

Cresce índice de Aids na terceira idade
Embalados pelo aumento do uso de medicamentos contra disfunção erétil, também sobem os números de pessoas acima de 60 anos que já foram infectadas pelo vírus da Aids. Se em 2006, no Estado, esse total chegava a 9, em 2009, as novas notificações dobraram, alcançando 18. Os números são da Secretaria de Saúde (Sesa). No Brasil, dos 500 mil casos já notificados, mais de 15 mil atingem idosos, segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). Um número alarmante se comparado com o ano de 1991, quando havia apenas 950 ocorrências na terceira idade. Para o andrologista Eduardo Marsíglia, o comportamento sexual das pessoas idosas melhorou com medicamentos contra disfunção erétil. Outro fator que contribuiu para isso foi a dificuldade que esse público tem para se adequar ao uso da camisinha, "inclusive alegando que isso reduz a sensibilidade", diz.

Para as mulheres, solução ainda está distante
Enquanto os homens comemoram os avanços no tratamento de problemas de ereção, as mulheres estão longe de ter o mesmo retorno da indústria farmacêutica. No início de outubro, foram suspensos os estudos sobre a pílula "flibanserin" - conhecida como pílula rosa, ou Viagra feminino -, que tinha o objetivo de estimular o desejo sexual das mulheres.

O medicamento foi considerado causador de efeitos adversos, como depressão, tontura e desmaios. A resposta negativa não é uma novidade para o público feminino. Desde o lançamento do Viagra, mais de duas dezenas de terapias experimentais foram testadas. Nenhuma evoluiu.

Dificuldade
Conforme salienta a sexóloga Denise Galveas, tanto o desejo quanto o orgasmo feminino na terceira idade são bem mais difíceis. Isso está relacionado à redução dos hormônios masculino e feminino.

A falta da testosterona -  hormônio masculino - diminui o desejo sexual e a sensibilidade do clitóris, fazendo com o alcance do orgasmo seja algo mais trabalhoso e demorado. Já a ausência do estrogênio - hormônio feminino - também faz com que a vagina perca elasticidade.  Para ela, na falta de medicamentos, o melhor caminho é a reposição hormonal.

Ele toma 8 por mês, só com a namorada 
Pelo menos quatro vezes por semana, a cena se repete na rotina do vigilante aposentado Bernardo Melki. São as idas ao forró da Associação Capixaba dos Idosos, na Ilha de Santa Maria, em Vitória. Lá sempre foi o local perfeito para paquerar e encontrar amigos, para Melki. "A mulherada aqui é que me derruba. Até disputado eu sou aqui...", orgulha-se, do alto de seus 76 anos, acrescentando ter um desempenho sexual "excelente".

A responsável por tanta satisfação, em parte, é a "azulzinha", como ele faz questão de falar. O remédio se tornou um aliado de Bernardo há pelo menos três anos. "Fiz tudo certo. Quando comecei a ter problema (com a atividade sexual), fui ao médico, fiz todos os exames e passei a usar o remédio", diz  o aposentado, que confessa recorrer à pílula  duas vezes por semana. "Mas há dias que eu sinto que não preciso", revela Bernardo, que diz só usar a pílula com a namorada.




A GAZETA - Frederico Goulart