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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Menino sobrevive na selva por oito meses com ajuda de macaco

Mal se vê o país no mapa. Ele é tão pequeno e tão fascinante, encravado na costa da África Ocidental, cercado por todos os lados pelo Oceano Atlântico.

Todo o território de São Tomé e Príncipe mede pouco mais de 1.000 km2 que hospedam um santuário no continente africano: uma floresta equatorial. É a mistura perfeita de tons que contrastam com as rochas vulcânicas. As praias estão entre as mais bonitas do mundo.

E as matas, intocadas desde que os portugueses descobriam essas ilhas em 1470, guardam um tesouro. O país africano, de 160 mil habitantes que falam a língua portuguesa, é cheio de encantos e mistérios.

Agora, contaremos uma estória incrível. Até parece ficção, saída de um livro de aventuras infantis. Quem nunca ouviu falar no menino Mogli - o garoto criado pelos bichos em uma das florestas mais fascinantes do mundo? E o Tarzan? São lendas que encantaram gerações e mexeram com a nossa imaginação, mas a aventura que descobrimos nessas ilhas é pura realidade.

O cenário é uma floresta africana. O personagem é uma criança, um menino que com apenas 8 anos teve que enfrentar desafios quase impossíveis de serrem vencidos para sobreviver: mata fechada, medo, bichos que ele nem conhecia, escuro da noite, gritos que ninguém escutava. Durante oito meses, Fernando ficou perdido na floresta.


Pela primeira vez, depois de três anos, o garoto concordou em voltar ao lugar de tantos pesadelos. O acesso requer coragem. A estrada vira caminho, vira atalho, vira desafio. Duas horas e meia depois, chegamos ao ponto onde tudo começou.



O menino nunca tinha visto um boi: animal raro na Ilha de Príncipe. “O boi começou a ir para a mata e comecei a acompanhar boi”, lembra Fernando Neves Umbelino, hoje com 11 anos.

E a curiosidade dele se transformou em um desespero. “Ele foi com o boi a uma longa distância e não conseguiu regressar. Passamos dia e noite à procura dele”, conta Frederico Neves Umbelino, irmão de Fernando.

E nada. Os moradores da cidade, a equipe de resgate: todos foram ajudar nas buscas. “Procuramos durante duas, três semanas, e não o encontramos”, revela Frederico.

Fernando conta que, no princípio, quando viu que estava perdido, ele gritou pelos irmãos e que ninguém escutava. “Sentia vontade de ver meu pai, minha mãe, meus irmãos. Chorei muito. Eu pedi a Deus, ao anjo da guarda para estar com a minha mãe”, diz o menino.

E assim foram os 240 dias e noites que ele passou isolado. “Eu procurei bastante o caminho, mas não consegui ver”, afirma Fernando.

Ele ainda revela que, na hora de dormir, se escondia debaixo de uma pedra. O irmão Frederico conta que a família sofreu muito com o desaparecimento de Fernando: “foi muito difícil. Não comia, passava a vida a chorar”.

Fernanda Neves Umbelino, a mãe do menino, conta os momentos em que mais se lembrava de que o seu filho estava na floresta: “no momento em que eu ia para cama, não via ele ir para cama, e no momento de refeição, em que colocava a mesa e sentia falta dele”.

Mas Gervásio Umbelino, o pai de Fernando, nunca perdeu a esperança: “eu nunca tirei a chave da porta da minha casa, principalmente à noite. A chave estava sempre na porta. A qualquer momento, ele podia aparecer e podia calhar de não estar ninguém em casa, mas, com chave na porta, ele conhece a casa muito bem, ele podia chegar e entrar”.

Na floresta, as lembranças do menino vêm à tona. Fernando faz questão de mostrar como se acomodava quando escurecia. Ele se encaixa com facilidade entre as pedras cheias de limo. Como sempre estava à procura do caminho de casa, trocava de pedras com frequência.

E como nas revistas em quadrinho ou nos desenhos animados, Fernando encontrou na floresta um amigo inseparável: um macaco.

O menino conta que o animal não saía de perto dele, ficava por perto o dia inteiro e a noite toda. Omacaco trepava no coqueiro, pegava coco, quebrava o coco e dava para o menino.

Fernando bebia a água e comia a polpa do coco verde. Ele se alimentava também de um caramujo grande, que nasce nos troncos das árvores. Hoje, na vizinhança, ele é conhecido como o pequeno Tarzan. Não faltou valentia para honrar o título.

Quanto mais Fernando tentava achar o caminho de volta, mais ele se distanciava de casa. Um dia, chegou a uma praia selvagem, totalmente deserta, até que avistou um pescador e levou um susto. “Senti medo de ele fazer qualquer coisa má”, revela o menino.

Medo e espanto também foram as sensações do pescador Inocêncio dos Prazeres, quando viu de longe o garoto: achou que era assombração.

“Eu rezei um ‘Pai Nosso’. Comecei a pedir Deus, pedir Jesus Cristo para me ajudar, me dar coragem para chegar perto do menino. Ele saltou de uma ponta a outra e fez um pulo igual a um macaco. Ele não queria que eu chegasse perto dele. Quando segurei ele , ele estava só limo”,

Quando foi encontrado, as roupas de Fernando estavam só trapos. “Ele estava com muito medo. Eu também tive medo”, afirma Inocêncio.

Fernando teria virado o menino da selva? O primeiro a receber a notícia de que ele tinha aparecido foi o pai. A mãe precisou de calmante. Os pais lembram a volta do menino à cidade: “quando chegamos, a praça estava uma multidão. Ele olhou e começou a rir. Mas foi lá que lágrimas começaram”.

Lembrar o reencontro com o filho, naquele dia, traz de volta momentos de dor e de alegria.

A estória de Fernando não termina aí. A aventura revelou o que para muita gente deste lugar ainda era desconhecido: o poder da comida de cada dia dessa população. Quando voltou para casa, nem desnutrido o menino estava. A mãe não tem dúvida. A razão da resistência física ela nos mostra no terreiro de casa.

“Eu faço comida com folha de maquequê, folha de matabaleria. Dou fruta, dou banana”, afirma Fernanda Umbelino, a mãe do menino.

Seria este o segredo da força de Fernando? A aventura do menino na selva pode criar um novo capítulo na história da medicina. Cientistas não conseguem entender por que o garoto não contraiu malária.

Uma hipótese: o maquequê que ele comia todos os dias, em casa, pode ser uma espécie de vacina natural contra a doença. Será que este povo terá descoberto, sem saber, o princípio da comida medicinal?

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Último sobrevivente homossexual conta como era o sexo gay no campo de concentração nazista

O último sobrevivente gay de um campo nazista

Rudolf Brazda foi mandado para o campo de concentração de Buchenwald por ser homossexual. Hoje, aos 97 anos, decidiu contar a sua história em um livro
Rudolf Brazda
2011


Primeiro foram os tiros da artilharia que cessaram. Depois os passos dos soldados. Do seu esconderijo, ao lado de um chiqueiro de porcos, na parte mais afastada do campo de concentração de Buchenwald, na Alemanha, o prisioneiro Rudolf Brazda tenta entender o que está acontecendo. Um estranho silêncio toma conta do ambiente. Ele perde o medo, sai apreensivo e chega ao pátio onde fora vítima de tantas humilhações. O campo estava abandonado. Brazda agora é um homem livre. De sua chegada ao local, em 8 de agosto de 1942, à sua libertação, em 11 de abril de 1945, esse alemão de origem tcheca viu de tudo entre os muros de Buchenwald. Assistiu a um colega ser atirado aos cães e um prisioneiro cegar-se com tinta de caneta para, assim, se livrar das torturas praticadas pela SS, a polícia do regime nazista. Viu soldados russos serem executados com tiros na nuca ao apoiarem-se numa parede que, eles não sabiam, possuía um orifício estratégico. E corpos, muitos corpos serem despejados e depois queimados – as cinzas eram depois usadas como adubo nas hortas que os prisio­neiros cultivavam.

Brazda era homossexual e foi por isso que, com a ascensão do nazismo, em 1933, foi levado para Buchenwald. Suas trágicas recordações estão contadas no livro “Triângulo Rosa” (Mescla), escrito com a ajuda do pesquisador francês Jean-Luc Schwab. Pelo que se sabe, ele é o único gay sobrevivente de um campo de concentração (tem 97 anos) e decidiu dar seu depoimento só recentemente – antes, o seu companheiro de toda a vida, morto em 2003, aos 73 anos, pedia que esquecesse o assunto. “Éramos felizes e era isso o que contava”, disse Brazda à ISTOÉ, de Mulhouse, na Alsácia, leste da França, onde mora sozinho. Ele foi para essa cidade a pé em companhia de um amigo que era prisioneiro político no campo. Ao ser libertado pelo Exército americano, Brazda não tinha nada para recolher nos armários, nem mesmo a documentação comprovando de onde viera antes da deportação.
PERSEGUIÇÃO
Brazda com a mão apoiada no amigo Ferdinand,
em Buchenwald: trabalho forçado
PERSEGUIÇÃO
Brazda com a mão apoiada no amigo Ferdinand,
em Buchenwald: trabalho forçado

Sua triste odisseia se iniciou em 1937, como uma parábola do escritor Franz Kafka. Brazda é acordado em seu quarto pela polícia criminal e tem todos os seus pertences vasculhados. É acusado de infringir o parágrafo 175 do Código Penal do II Reich que proíbe a “luxúria”, palavra curta que incluía um vasto leque do que o nazismo considerava perversão. Ele é preso duas vezes e decide morar na Tchecoslováquia. De nada adianta: com a anexação do país pela Alemanha, fica de novo na mira. Não tem saída. Esses poucos anos foram suficientes para presenciar a barbárie. Não perdeu, contudo, o humor: “Os nazistas nos faziam usar um triângulo rosa para nos ridicularizar. Hoje gosto de usar camisas dessa cor.”

AS MEMÓRIAS DE BRAZDA

Hoje um cidadão francês, Rudolf Brazda vive sozinho na casa que construiu e conta com a assistência de enfermeiros. Foi de lá que ele falou com a reportagem de ISTOÉ

ISTOÉ – Por que só aos 97 anos o sr. decidiu contar sua história?
Rudolf Brazda – Achava que não havia interesse. Ao ficar sabendo, há três anos, da inauguração do memorial às vítimas homossexuais em Berlim, um amigo me incentivou a me manifestar e eu pedi a uma sobrinha que morava lá para informar da minha existência. Foi uma sensação porque ninguém pensava que ainda existissem “triângulos rosas” vivos.

ISTOÉ – Qual a sua reação quando a polícia o interrogou pela primeira vez?
Brazda – Fiquei surpreso porque nunca esperei que isso pudesse acontecer. Foi em Leipzig, em um hotel onde trabalhava.

ISTOÉ – Passava pela sua cabeça que para o nazismo a homosse­xua­lidade era um mal que deveria ser eliminado?
Brazda – Sabia que eles eram contra, mas nunca imaginei que isso me levasse a um campo de concentração, muito menos a uma cadeia.

ISTOÉ – Quando ficou sabendo do extermínio de judeus?
Brazda – Eu não tinha consciência do que se passava dentro dos campos. Fui condenado a trabalhos forçados, mas poderia ter sido pior. Por sorte, eu exercia uma profissão que era útil (ele era entelhador).

ISTOÉ – O sr. descobriu rapidamente que o importante era sobreviver?
Brazda – Eu não era uma exceção. É verdade que vivíamos sem medo da morte, ela fazia parte do nosso cotidiano. Mas nos preocupávamos em nos manter vivos. No meu caso, isso significava fazer o meu trabalho da melhor forma possível, satisfazer aos superiores e não chamar a atenção dos SS.

ISTOÉ – Como reagiu a situações como a do jovem que se cegou com tinta de caneta?
Brazda – A gente compartilhava da dor dessas pessoas, mas não podia fazer grande coisa para ajudá-las.

ISTOÉ – Poderia falar das experiências para mudar a sexualidade dos “triângulos rosa”?
Brazda – Ainda não estava em Buchenwald nessa época. O único teste de que fui objeto foi o de vacinas.


Ivan Claudio, na IstoÉ

domingo, 8 de agosto de 2010

Criança que sobreviveu a acidente na BR 101chora ao ver a tia

O estado de saúde de Gabriel, de 2 anos, é considerado bom
O único sobrevivente de cinco pessoas que estavam em um caminhão, envolvido em um grave acidente, na BR 101, está bem. Apesar dos pontos que recebeu na cabeça, braços e pernas, o estado de saúde de Hugo Gabriel Celestino de Matos, de 2 anos é considerado bom.

A tragédia ocorreu no final da noite desta terça-feira (03), em Sooretama, norte do Espírito Santo. O menino está em um hospital de Linhares, no norte do Espírito Santo.

Uma tia do menino já está em Linhares. Hugo Gabriel que falou pouco, desde que foi internado, teve uma crise de choro ao reconhecer a tia. Ele não deve ter alta nesta quinta-feira. No acidente morreram o motorista, a mãe de Gabriel e dois irmãos do menino. Em um outro acidente, no mesmo trecho, uma quinta vítima perdeu a vida.

A família do menino é de Senhor do Bonfim (BA), que fica a cerca de 1.200 km do município de Linhares. O caminhão de gesso onde estava a família de Gabriel bateu na traseira de uma carreta carregada de madeira. O acidente aconteceu por volta de meia-noite.


Fonte: ES Hoje (www.eshoje.com.br).