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sábado, 3 de dezembro de 2011

Viúva do caso da Mega-Sena é absolvida no RJ

 Viúva do caso da Mega-Sena é absolvida no RJ
Ela era acusada de planejar a morte do marido, o milionário René Sena.
Com o resultado, cabeleireira passa a ter direito a 50% da herança. 


Adriana Almeida é acusada de planejar a morte do
marido René Sena (Foto: Tássia Thum/G1)
Após cinco dias de julgamento, a cabeleireira Adriana Almeida, que era acusada de planejar a morte do marido René Sena, ex-lavrador que ficou milionário após ganhar o prêmio da Mega-Sena em 2005, foi absolvida na madrugada deste sábado (3). A sentença foi lida pela juíza Roberta dos Santos Braga Costa, no Tribunal do Júri (TJ), no Fórum de Rio Bonito, na Baixada Litorânea do Rio de Janeiro. Outros três réus também foram absolvidos.

O Tribunal do Júri julgou improcedente a acusação contra os quatro réus. O Ministério Público (MP) informou que vai recorrer da decisão somente no caso de Adriana.

Herança
A víúva Adriana foi a última ré a ser ouvida. Ela se emocionou durante a leitura da sentença e  preferiu não falar com a imprensa. Com o resultado, a cabeleireira é beneficiada com 50% da herança de René Sena. Antes de ser assassinado em janeiro de 2007, René ganhou R$ 52 milhões na Mega-Sena.

Durante o julgamento desta sexta, o Ministério Público já havia dado o parecer favorável à condenação de Adriana Almeida,por considerá-la a mandante do crime: "Contra fatos não há argumentos. Não existe dúvidas. René se apaixonou e pagou seu preço, mas não sabia que ele era tão alto", disse a promotora Priscilla Naegele Vaz.

O depoimento da cabeleireira Adriana Almeida teve início na quinta-feira (1°) e durou mais de seis horas. Nesta sexta, ela chegou a ser vaiada por populares que acompanham o caso no Tribunal.

Por mais de três horas, o advogado de Adriana Almeida, Jackson Costa, tentou defender sua cliente da acusação de ser a mandante do crime. “É uma acusação covarde, infantil, preconceituosa e sem provas. A história do MP é fantasiosa e triste”, contestou o advogado.

A defesa da viúva tentou incriminar Renata, única filha de Rene Sena. O advogado ressaltou que Adriana lhe contou que no dia seguinte ao Natal de 2006, René teria falado à filha que gostaria de realizar um teste de DNA. Ainda de acordo com Jackson Costa, René teria contratado uma empresa para agilizar o exame, pagando por isso R$ 380 mil. No entanto, a defesa da filha alegou que Renata nunca recebeu nenhuma intimação por parte do pai solicitando o exame.


Após a morte de René, Adriana entrou com uma ação na Justiça pedindo o teste de DNA de Renata. A filha negou judicialmente o teste, mas procurou um laboratório da UFRJ para realizar o exame. Na ocasião foi usado material genético de irmãs de Rene e o resultado comprovou a paternidade do milionário.

“A Adriana não tinha interesse na morte. Se ela quisesse matar, ela matava o Rene, que era diabético, com doses altas de insulina. A promotora pediu a absolvição dos três réus para mostrar ares de boa samaritana”

A defesa argumentou que a Justiça já liberou a favor de Renata cerca de R$ 2 milhões da fortuna bloqueada de Rene. Segundo Jackson Costa, não houve prestação de contas do dinheiro, que deveria ter sido utilizado para a manutenção e o pagamento de funcionários da fazenda deixada pelo milionário.

A promotora informou que vai requisitar à Justiça a condenação do policial militar Alexandre Cipriani, pelo crime de falso testemunho. Priscilla Naegele explica que o ex-segurança de René mentiu no depoimento, ocorrido na quarta-feira (30), ao dizer que no dia do crime Adriana recebeu telefonemas do seu pai, que teria ligado de telefones públicos, pedindo que a filha o buscasse na rodoviária de Rio Bonito. A versão do PM foi confirmada por Adriana, que contou ainda que seu pai chegou a Rio Bonito, entre 11h e meio-dia do domingo, 7 de janeiro, dia do crime.

No entanto, segundo o MP, as ligações dos orelhões para o telefone de Adriana teriam sido feitas pelo ex-PM Anderson Souza, condenado pela execução de René, em julgamento realizado em 2009. A promotoria argumentou que interceptações telefônicas comprovaram diversas ligações realizadas poucas horas antes e logo após o assassinato.

“A Adriana falou que seu pai levou cerca de 1h no deslocamento feito de ônibus, entre Trindade, em São Gonçalo, a Rio Bonito. Sendo que de ônibus o tempo gasto é superior a esse. Além do mais, o advogado dela disse que essa informação era nova até para ele, por isso, não convocou o pai de Adriana a prestar depoimento”, alegou a promotora.

O MP informou durante o debate, que segundo informações do juiz Marcelo Espindola, da Vara Civel de Rio Bonito, os bens de Rene chegariam a R$ 100 milhões. Entre os bens do milionário que estão em nome de Adriana consta um carro, metade da fazenda onde morava com Rene, avaliada em R$ 9 milhões, além de um imóvel de luxo em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos.

De acordo com a acusação, esse imóvel foi comprado por Adriana sem o consentimento do milionário. Na ocasião, ao assinar os documentos de compra do apartamento, Adriana teria omitido a união estável com Rene, e afirmou que era solteira.

Outros réus
Além de Adriana, mais três réus são acusados de participar do crime. Dois deles foram ouvidos entre a noite de quarta-feira (30) e início de madrugada de quinta-feira. O primeiro réu a ser ouvido foi o policial militar Ronaldo Amaral, que chegou a ficar preso por 1 ano e 8 meses. Ele trabalhou por dois meses como segurança de René Sena. No entanto, o PM disse que na época do crime já não trabalhava mais com o milionário.

O depoimento do policial durou cerca de 30 minutos. Ele é acusado de fornecer uma moto que foi usada no crime. Ronaldo voltou a negar participação no caso.

O segundo réu interrogado foi o também policial miliar Marco Antônio Vicente, que ficou 1 ano e 11 meses preso e é acusado de ajudar a planejar o crime. Ele disse que trabalhou na segurança de René Sena pelo período de 30 dias, no ano de 2006. O PM também negou participação no caso. O interrogatório foi interrompido por volta de 0h20 desta quinta.

Na quinta foi a vez da personal trainer Janaína de Oliveira prestar o seu depoimento. Na época do crime, ela era casada com o ex-PM Anderson Silva de Sousa, também acusado de envolvimento no crime. Durante a sessão, ela disse que é inocente.

Anderson e o funcionário público Ednei Gonçalves Pereira já foram condenados a 18 anos de reclusão, cada um, pelo assassinato de René Sena e pelo crime de furto qualificado. Eles são ex-seguranças do milionário. O julgamento dos dois foi em julho de 2009, segundo o TJ.
O Ministério Público explicou que a personal trainer Janaína de Oliveira e os policiais militares Ronaldo Amaral, conhecido como China, e Marco Antônio Vicente não devem ser condenados, já que não existem provas nos autos que comprovem a participação dos três.

Viúva diz que sabia de testamento
Durante o interrogatório, Adriana chegou a chorar por duas vezes. O primeiro momento foi ao ser questionada pela promotora Priscilla Naegelle, que perguntou se ela teria se encontrado com seu pai no dia do crime. A outra foi quando a viúva relembrou que ao chegar à fazenda, após a morte de René, foi recebida pelos parentes da vítima aos gritos de assassina.

Adriana disse ainda que soube que foi incluída no testamento de René em junho de 2006. Ela voltou a dizer que se alguma pessoa tivesse interesse na morte do milionário seria Renata Sena, única filha de René. Renata prestou depoimento na terça-feira (29), e na ocasião, ela alegou que não tinha motivos para executar o pai.

"De início, eu cheguei a desconfiar que o Anderson pudesse ter matado o René. Mas depois, até mesmo pelo comportamento da filha, eu logo passei a desconfiar dela", justificou Adriana.

A viúva continuou atacando a família da vítima Ela contou que um irmão de René chegou a clonar o cartão de débito do milionário, e retirou indevidamente da conta R$ 30 mil.

"Na época, o René foi ao banco e conseguiu as imagens da câmara que mostravam o sobrinho, filho desse irmão, indo a agência diariamente para sacar dinheiro do caixa eletrônico", falou Adriana.

'Eu traí por carência', disse viúva
Ainda em depoimento, Adriana disse que foi morar com René em 2006, a convite do milionário, após duas semanas de namoro. Ela disse que René comentava que os irmãos pediam dinheiro e que soube, inclusive, que a filha dele tinha intenção de interditá-lo judicialmente. Na ocasião, segundo Adriana, René ficou furioso.

“Eu traí o René com o Robson no final do ano de 2006, já que René estava com problemas em manter a ereção. Eu traí por carência, apenas por satisfação sexual. René era ciumento, mas não desconfiava do caso extraconjugal”, contou ela, no tribunal.

O relacionamento de Adriana e René durou cerca de um ano. Ela disse que as brigas com o companheiro geralmente ocorriam quando ele saía para beber, ou ia para a casa de parentes sem avisá-la. Adriana também contou que sabia que René tinha feito um novo testamento onde ela era uma das beneficiadas. Entretanto, a cabeleireira disse não saber a porcentagem que lhe cabia na herança.

O ex-amante de Adriana, que é motorista de van, prestou depoimento no dia 29. Ele contou à Justiça que a cabeleireira comprou um apartamento em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, enquanto René era vivo. Segundo o motorista, Adriana prometia que o levaria para morar com ela no imóvel. O homem também relatou que ouvia comentários sobre constantes brigas entre Adriana e René Sena.

Adriana também negou a versão da irmã de René, Angela Sena, que em depoimento anterior à Justiça disse que Adriana se ofereceu para trabalhar como empregada de René, após descobrir que ele ganhou na loteria. Adriana alegou que René a assediava desde 2002, mas que na época não quis namora-ló porque estava recém-separada.

Depoimentos
O depoimento de 16 das 52 testemunhas envolvidas inicialmente no julgamento terminou por volta de 23h de quarta-feira. O julgamento começou no fim da tarde de segunda-feira (28), com seis horas de atraso.

Alguns dos dez irmãos de René Sena também foram ao fórum nos quatro dias de julgamento. Eles entraram com uma ação na Justiça para anular o testamento deixado por René que previa a divisão da fortuna apenas entre Renata e Adriana.

De acordo com o advogado contratado pelos irmãos, Sebastião Mendonça, o ex-lavrador tinha feito anteriormente um testamento que dividia a herança entre os irmãos, um sobrinho e a filha de Rene, Renata. "Estima-se que atualmente o patrimônio deixado pelo Rene seja de R$ 60 milhões entre fazendas, coberturas e imóveis de luxo. Além do mais, cerca de R$ 44 milhões em aplicações financeiras estão bloqueados pela Justiça", disse Mendonça.

Prêmio de R$ 52 milhões em 2005
Ex-lavrador, René Senna, ficou milionário em 2005, ao ganhar R$ 52 milhões no prêmio da Mega-Sena. Diabético, ele tinha perdido as duas pernas por causa de complicações da doença, e levava uma vida simples em Rio Bonito. Em 2006, começou a namorar a cabeleireira 25 anos mais nova que ele. Ela abandonou o emprego e foi morar com ele na fazenda, junto com dois filhos do primeiro casamento.

René Senna foi morto a tiros na manhã de 7 de janeiro de 2007, no Bar do Penco, perto de sua propriedade, por dois homens encapuzados, que estavam numa moto. Ele estava sem os seguranças. No dia do enterro, começaram as primeiras supeitas da família do ex-lavrador contra a viúva, que tinha passado o réveillon com um amante em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio.

Tássia ThumDo G1, em Rio Bonito


domingo, 5 de junho de 2011

Ganhador da Mega-Sena afirma que foi vítima de uma armação

O prêmio milionário virou caso de polícia depois que várias pessoas que fizeram um bolão procuraram a delegacia dizendo que o ganhador teria recebido o bilhete de um dos integrantes do grupo.



Em entrevista exclusiva, o ganhador, que levou sozinho quase R$ 120 milhões, diz que foi vítima de uma armação.

No apartamento de luxo recém comprado, o empresário de 66 anos fala pela primeira vez da emoção de se tornar milionário da noite para o dia. “Eu conferi um, conferi o segundo. Quando foi no terceiro, eu conferi e estava lá. Poxa vida, foi uma emoção. Eu ganhei na Mega-Sena’”, revela.

Com quase R$ 120 milhões no bolso, o ganhador mudou de cidade e passa o tempo investindo em imóveis e fazendo muitas compras.

Fantástico: Qual foi a primeira coisa que o senhor fez com o dinheiro?
Ganhador da Mega-Sena: Comprei dois carros.
Fantástico: No mesmo dia?
Ganhador da Mega-Sena: No mesmo dia.

Mas a história de Bino, que por questão de segurança prefere não mostrar o rosto, não é a de um apostador comum. Menos de uma semana após ganhar o prêmio, ele deixou de ser apenas o vencedor da Mega-Sena para se tornar alvo da polícia, suspeito de comandar uma fraude milionária. “Eu fui vítima de uma armação”, afirma.

Bino foi acusado de ter roubado o bilhete premiado de outros apostadores e teve que dar explicações na polícia. “A minha ansiedade de limpar o meu nome. Limpar não, porque ele não está sujo, mas comprovar que eu não tenho maldade. Não teve nada de falcatrua com este prêmio”, explica.

De um lado, está o empresário. Do outro, um grupo de colegas de trabalho reunidos em um bolão. São personagens de uma briga que começou em uma lotérica de Fontoura Xavier, cidade de 11 mil habitantes no norte do Rio Grande do Sul.

A aposta vencedora no dia 6 de outubro foi feita no local. Era o início da disputa pelo maior prêmio individual já pago pela Mega-Sena no Brasil.

Em jogo, estavam R$ 119.142.144,27. Segundo a Caixa Econômica Federal, esse dinheiro rende R$ 750 mil por mês, se for colocado em uma poupança. O prêmio milionário virou caso de polícia depois que um grupo de funcionários da prefeitura procurou a delegacia com uma denúncia: Bino teria recebido o bilhete vencedor de um dos integrantes do bolão.

“Nós estamos aqui certamente pela Justiça, que seja a justiça feita pelos bilhetes que nós fizemos aqui”, diz o chefe de equipe José Cláudio Vasconcelos.

O encarregado de fazer o bolão foi Décio Sabadin, indiciado pela polícia como participante da suposta fraude. Ele é quem teria passado o cartão para Bino. De acordo com o grupo, no dia seguinte ao sorteio da Mega-Sena, Décio se reuniu com os outros para prestar contas das apostas, mas teria apresentado apenas 18 dos 19 bilhetes jogados.

“Tinha 18 cartões. Falamos para ele, e ele foi atrás dos outros e apareceu com 19 cartões. Daí, o Mauro viu que era um cartão anterior, do jogo passado”, conta o operador de máquinas Sebastião de máquinas.

Cresceu a suspeita de que Décio teria repassado o bilhete vencedor para Bino. “Porque se o prêmio fosse dividido por 11, seria bem menor. Com a fraude que fizeram, seriam bem melhor”, afirma Décio.

Décio diz que devolveu todos os bilhetes aos colegas, nenhum deles com os números sorteados. E afirma: não passou o bilhete para Bino. “Eu ia ficar rico, e os colegas ricos também. Porque eu ia fazer isso com uma pessoa que eu não tenho relação nenhuma?”, afirma.

Operador de máquinas em Fontoura Xavier, Décio mantém uma vida simples, com o salário de R$ 1,5 mil que sustenta a família. “O peso é muito grande, de ser acusado de uma coisa que nunca passou pela minha cabeça fazer”, declara.

Durante seis meses, o Departamento Estadual de Investigações Criminais ouviu testemunhas, fez interceptações telefônicas e quebrou os sigilos bancários dos envolvidos. Em abril, cinco pessoas foram indiciadas por estelionato, formação de quadrilha e falso testemunho, entre elas Bino e Décio Sabadin.

“Para nós, há indícios de fraudes. Mas é o suficiente para que a gente possa fazer o indiciamento destas pessoas e colocar os autos à disposição do Judiciário. Não podíamos nos omitir”, afirma o delegado de polícia Heliomar Franco.

Os participantes do bolão pediram na Justiça o bloqueio do prêmio e a prisão do empresário, mas não foram atendidos. Na última semana, a Justiça mandou arquivar o inquérito policial.

Para o judiciário, não ficou evidenciada a prática de qualquer crime por parte dos indiciados e a investigação apresenta apenas hipóteses sem provas. O despacho ainda determina que os apostadores do bolão sejam investigados por denúncia caluniosa.

Entre as provas apresentadas pelo ganhador do Mega-Sena, está o extrato das apostas feitas por ele. O bilhete premiado aparece no meio de uma sequência de 54 jogos, registradas com apenas alguns segundos de diferença, a partir das 16h38.

Para o promotor que pediu à Justiça o arquivamento do inquérito, seria impossível que o bilhete jogado em meio a tantas apostas de Bino pudesse ser do bolão dos funcionários da prefeitura.

Fantástico: O senhor foi vítima de uma fraude?
Bino: Com certeza.
Fantástico: Por quê?
Bino: Eu até gostaria de saber o porquê.

Os advogados dos funcionários da prefeitura de Fontoura Xavier, o grupo do bolão, informaram que um outro processo cível contra Bino tramita na Justiça Federal. Mas para o ganhador da Mega-Sena a decisão que arquivou o processo criminal e liberou o dinheiro do prêmio trouxe paz depois de nove meses de insegurança.

Fantástico: O senhor pode dizer que a partir de agora vai poder aproveitar?
Bino: Sim, a partir de agora eu vou ser o home mais feliz do Brasil, com certeza. Porque agora eu tenho a minha família que não chora mais. De anteontem para cá é só festa, acabou até o estoque de champanhe aqui.

Fonte: Site do Fantástico

sábado, 8 de janeiro de 2011

Mega-sena da Virada. Do Bolsa-Família ao bolso cheio: milionária saca prêmio

Após angústia, uma das ganhadoras da loteria no Estado conseguiu retirar quase R$ 2 milhões
foto: Foto : Fábio Vicentini

Eliane Nascimento Barreto na frente da casa simples em Cariacica. Até mesmo velas eram usadas por ela para iluminar a residência

Depois de seis dias vivendo entre o sonho de ser milionária e a angústia de ter sido lesada, Eliane Nascimento Barreto, 38 anos, viu não apenas o ano, mas uma nova vida começar para ela: conseguiu sacar quase R$ 2 milhões, parte do valor do prêmio da Mega-Sena da Virada. Eliane fez um bolão com outras 24 pessoas e chegou a pensar que não receberia a parte que lhe cabia. Se isso não acontecesse, teria que continuar a viver com os R$ 90,00 do Bolsa-Família e uma cesta básica doada pelo Centro de Referência da Assistência Social (Cras) de Cariacica, onde mora, num bairro simples.


Eliane esperava, ainda ontem, pelo contato dos organizadores do bolão, feito na casa lotérica Sorte Grande, em Alto Lage, também em Cariacica. No local, nenhuma informação a respeito do prêmio ou da reclamante foi dada.

Mas o real motivo de o contato não ter sido feito seria uma mostra da vida difícil que a nova milionária levava: ela estava com o telefone cortado. Felizmente, uma ida até a uma agência da Caixa Econômica Federal foi suficiente para resolver a questão. "O dinheiro saiu", contou Eliane, momentos depois, com respiração ofegante.

Ao vê-la, a impressão é que "a ficha ainda não caiu". Ainda assim, Eliane tem planos definidos: mudar de vida, mas sem exageros. "Quero melhorar a minha casa e a da minha mãe. E espero ter condições de ajudar mais pessoas. O sonho é ter uma vida sem sofrimentos", desabafa a desempregada, que agora pensa em ter o próprio negócio - em ramo ainda não definido.

Hoje, ela, a filha de 14 anos e o caçula, de 5 meses - de pais diferentes -, vivem numa casa ao lado da residência da mãe. Há um quarto, sala, cozinha e banheiro. Na sala, um quadro da Santa Ceia indica fé; e incensos - com os dizeres "traz dinheiro" e "abre novas portas" - pareciam antecipar o seu futuro.

Quem passava pela rua nem desconfiava que ali mora uma nova milionária, que apostou a sorte com R$ 10 tirados do Bolsa-Natalidade. "Só quem era de pobreza extrema ganhou essa bolsa", reforça a futura empresária.

Guinada na vida


"Se pudesse, eu ajudaria a todo mundo"
foto: Foto : Fábio Vicentini



Com uma expressão assustada, como se desconfiasse de tudo, Eliane Nascimento Barreto, 38 anos, ainda tentava entender que ganhou quase R$ 2 milhões com um bolão premiado na última Mega-Sena da virada.

Ela dividiu o prêmio com outras 24 pessoas e mal sabe o que ainda fará com o dinheiro.

A prioridade é ajudar a família.



Qual é o seu sonho de consumo?

Uma TV de plasma, dessas de pendurar na parede, bem fininha (hoje há três TVs na casa de Eliane, apenas uma funciona). E também quero um carro, mas não sei dirigir. Tenho que tirar a carteira de motorista, logo.

E o que pretende fazer com a casa onde mora?

Quero reformá-la. Mas ainda espero ajudar minha mãe. Ela queria fazer uma laje e ainda não pode. Pensei em sair daqui e ir morar em outro lugar, mas me sinto muito bem morando perto da minha família.

Acha que o dinheiro vai ser suficiente para ajudar a todos?

Se pudesse eu ajudaria a todos. É só andar por aí, não só em Cariacica, que vemos o tanto de gente que precisa de ajuda. Mas espero conseguir melhorar a vida da minha família, de alguma forma. São 11 irmãos, e sei que, apesar de a quantia ser alta, não é tanto dinheiro assim.

Os pedidos de ajuda e de empréstimos já começaram?

Hoje (ontem), dei os R$ 500,00 que uma irmã me pediu. Nem sei para o que é. Outro irmão quer R$ 3 mil para arrumar o carro dele. Dois gostariam de ganhar uma casa. Todos nós temos sonhos, e eu espero
ajudá-los de alguma forma. Acho que abrir um negócio com a família é uma opção.

No Amazonas, vendedor acerta, mas não leva

O vendedor de chicletes Aldenor da Silva Brito, 45, morador de Boca do Acre, no Amazonas, viveu, por alguns instantes, o sonho realizado de ser milionário após o sorteio das dezenas da Mega da Virada. Ele teve um de seus jogos não computado pela lotérica da cidade. E foi justamente o jogo premiado. O vendedor disse que a família ficou empolgada com a possibilidade de ele ter ficado rico. "Fiquei com febre depois de perceber que tinha alguma coisa errada", contou.

25 jogadores - É o número de pessoas que jogaram no bolão premiado na última mega-sena da virada. Eram 14 jogos, quatro deles com sete números.

É o segundo prêmio da Virada que Eliane acerta


A sorte parece andar lado a lado com a nova milionária de Cariacica. Não é a primeira vez que Eliane Nascimento Barreto, 38 anos, ganha um prêmio de loteria. No prêmio da Mega-Sena da Virada de 2009, ela acertou quatro dos seis números sorteados e levou R$ 600.

Agora, no último dia 31, a chance aumentou, e os seis números foram acertados. "Fui eu quem conferi. Quando vi que tinha acertado quatro, avisei que era quadra. Logo depois, pensei que fosse quina. Nossa, mas quando vimos que eram os seis, nem acreditamos. Minha mãe ficou em estado de choque, e está até hoje (ontem)", conta Ana Caroline, filha de Eliane.

A mãe conta que tem o costume de jogar. "Mas não é sempre. Normalmente, faço jogo de R$ 2,00", conta a vencedora. A filha já pensa no prêmio da próxima Mega-Sena da Virada. "Já foi quadra e sena. Neste ano, ela vai acertar a quina", comenta.

A sorte de Eliane vai ser dividida entre a família. Ela quer ajudar a quem puder. Tem irmã pedindo R$ 10 mil emprestado. Mas afirma que vai pagar tudo de volta, em prestações de R$ 220,00. "A intenção é parar de sofrer. Dar uma vida melhor a todos", frisa a milionária.

A Gazeta

sábado, 29 de maio de 2010

Pai é suspeito de mandar matar filho por prêmio da Mega-Sena em Cuiabá

Um homem de 60 anos, suspeito de planejar a morte de um dos filhos, foi preso na quinta-feira (27), em Cuiabá. Segundo as investigações, os dois brigaram por causa de um prêmio da Mega-Sena, que o filho ganhou em 2006 e depositou na conta do pai. Quando o "ganhador" quis transferir a quantia, o pai não concordou e teve início uma briga judicial.

O advogado Ricardo Monteiro, que defende o filho, disse ao G1 que os dois não se falam há cerca de três anos. O pai já teve os bens bloqueados e o filho conseguiu reaver parte do prêmio, que, na época, foi de R$ 28,8 milhões. A disputa na Justiça continua. O filho foi informado pela polícia sobre os supostos planos do pai.

Ainda de acordo com Monteiro, o filho tinha uma vidraçaria e, depois de ganhar a bolada da Mega-Sena, tornou-se fazendeiro.

A polícia descobriu o suposto plano depois que dois homens foram presos em uma estrada, em Mato Grosso do Sul, com armas. Um deles teria dito que eles foram contratados para matar o rapaz que ganhou a loteria.

Na quarta, o pai foi preso em Cuiabá e outro filho dele, em Juscimeira (MT). Os dois devem ser levados para Campo Grande, onde teve início a investigação. De acordo com o Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garra), ligado à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, no total, seis suspeitos de envolvimento no caso foram presos.