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sexta-feira, 6 de abril de 2012

TV paga: preço mais baixo entra em cena

TV paga: preço mais baixo entra em cena
Com nova legislação, governo quer alcançar, até 2022,
80% dos domicílios do país com o serviço de TV por
assinatura

Nova lei abre setor para mais empresas e serviços, que vão atender a 22 milhões de clientes até 2017


O mercado de TV paga vai cair de preço, ganhar novas empresas, oferecer mais serviços ao consumidor e passar a atender 22 milhões de usuários até 2017.  Uma nova lei, aprovada na semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), abre espaço para que operadoras de telefonia atuem no ramo de televisão por assinatura. A mudança também oferece possibilidades de negócios a micro e pequenos agências interessadas em trabalhar em cidades do interior de todo o país.

A regra também terá um papel fundamental  na expansão da banda larga de alta velocidade. Bairros ainda sem conexão e municípios fora dos principais centros urbanos farão parte da rota de investimentos em infraestrutura.

A ideia é que a TV por assinatura seja responsável pela geração de mais emprego e renda. O potencial  econômico é o que vai decidir quais localidades serão as primeiras receptoras da tecnologia.

Com a nova legislação, o governo quer alcançar, até 2022, 80% dos domicílios do país com o serviço de TV por assinatura. Hoje, das 55 milhões de residência apenas 22% têm acesso ao produto.

A regulamentação do serviço de acesso condicionado, que coloca sob uma mesma regra as TVs via cabo, satélite e internet, foi publicada no Diário Oficial em 28 de março. Com isso, a Anatel prevê para abril o início da liberação de parte das 600 novas outorgas em análise na agência, algumas delas há cerca de 10 anos.

O Espírito Santo, segundo dados da Anatel, conta com 184.684 assinantes. As novas regras vão fazer com que pelo menos 880 mil casas tenham acesso ao serviço no Estado, em até dez anos. No momento, em média 600 domicílios recebem atendimento de 11 empresas do setor.

No Estado, a princípio, a nova lei deve interiorizar a televisão por assinatura via  satélite com o avanço das teles, como Oi, Claro, Embratel. A empresa que terá a maior penetração aqui será a Oi. A operadora atende quase todas as cidades capixabas com o "quadruple-play", que é serviço de voz, internet, mobilidade e TV.

Das assinaturas no mercado capixaba, 106 mil são contratos via satélite. O restante da clientela, cerca de, 73 mil, foi abocanhada pelo serviço a cabo, diferença que vai ser contornada nos próximos anos, garantem especialistas.

 
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Das empresas que já atuam com a tecnologia por fibra ótica, a Net, a GVT vão sair na frente, principalmente nas grandes cidades.  Para não perderem clientes para as operadoras de telefonia, essas companhias devem dar partida a uma disputa acirrada, baixando preços e ampliando sua abrangência. Depois, operadoras, como é o caso da Telefônica/Vivo, prometem participar da competição.

Pequenas empresas também devem começar a implementar uma rede de fibra ótica nas cidades do interior para oferecer tanto TV quanto banda larga.

Para o economista e especialista em Telecomunicações Thiago Botelho, o Brasil passará por um grande avanço. “Não existem barreiras para impedir a disponibilização da TV a cabo. Onde existe infraestrutura de telefonia fixa, o serviço vai chegar primeiro”, diz Thiago, que é diretor Institucional da Associação Nacional dos Servidores Efetivos das Agências Reguladoras Federais (Aner).

Para o presidente da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), Alexandre Annernberg, os preços devem começar a cair ainda este ano e com isso o segmento de TV paga, que vinha crescendo entre famílias de classe C, vai encontrar um avanço ainda mais veloz.

“O orçamento das famílias terá capacidade para comportar o custo da TV por assinatura. No país, em todos os setores, podemos observar um fenômeno de crescimento de consumo da classe média. Com a redução dos preços, vamos viabilizar essa inclusão. Os primeiros frutos devemos colher no próximo mês”, diz.

Pesquisa realizada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) constatou que o brasileiro desembolsa muito mais pelo serviço de TV por assinatura do que os consumidores de outros seis países latinos, como Portugal, Espanha, Chile, Argentina, Peru e Equador.

O preço máximo de um canal de TV paga no Brasil (R$ 3,74) em fevereiro chegava a ser 204,37% mais caro do que o valor máximo na Espanha
(R$ 1,83), que era a segunda de maior valor. No Peru, o preço mínimo de um canal é de R$ 0,56, enquanto o de um brasileiro é de R$ 1,74.


Convergência

A atualização do regulamento da TV por assinatura veio num momento adequado. A Lei do Cabo, legislação em vigor, estava ultrapassada e impedia, por exemplo, que as operadoras de telefonia oferecessem sozinhas, sem outra empresa por trás, serviços de televisão.

Com poucas concessionárias, o consumidor ficava refém dos preços altos e ainda precisava pagar vários planos diferentes para ter telefonia fixa, móvel e internet. A nova lei vai possibilitar a convergência de serviços. Num mesmo pacote, o consumidor terá a chance de usufruir  de várias tecnologias.

Annenberg explica que  aonde chegar  agora a infraestrutura a cabo para a rede de TV por assinatura também haverá mecanismos facilitados e de alta qualidade para acesso à internet.

O novo sistema trará ao consumidor mais interatividade e uma experiência diferenciada em relação ao audiovisual até 2013. A qualidade ficará ainda melhor em 2014, na Copa do Mundo.

Restrição de conteúdo
Apesar do mercado aprovar a nova lei da TV, uma parte da regulamentação não agradou as concessionárias: o controle da programação dos canais pagos.

Em até dez dias, a Ancine deve publicar um normatização da lei para adequar as questões envolvendo conteúdo.

A mudança talvez mais impactante é a que fala sobre os canais de espaço qualificado, aqueles que exibem predominantemente filmes, séries, animação e documentários. Esses espaços serão obrigados a veicular, no mínimo, 3h30min semanais de conteúdo nacional.

Segundo a Ancine, um dos principais objetivos da Lei 12.485/2011 é aumentar a produção e a circulação de conteúdo audiovisual brasileiro, diversificado e de qualidade, gerando emprego, renda, royalties, mais profissionalismo e o fortalecimento da cultura nacional. No site, a agência disse que os canais também precisarão que  restringir o limite máximo de publicidade dentro da programação em 25%.

A implantação dessa obrigatoriedade será feita gradualmente, no decorrer de três anos. Para garantir a diversidade das fontes de informação que chegam até os assinantes, as operadoras deverão ainda garantir a presença de mais canais brasileiros de jornalismo programados por empresas distintas.

Cenário

Net

A empresa começa a convergir seus serviços atuando com telefone fixo, internet banda larga de alta velocidade e TV a cabo com interatividade. A empresa também tem pacotes integrados com a Claro, envolvendo 3G e telefone móvel.

Vivo
No Espírito Santo, a operadora ainda atende apenas o mercado de telefonia móvel e telefone fixo que usa a rede de celular. Mas em São Paulo, a empresa já integra seus serviços e leva fibra ótica até a parede do usuário. A infraestrutura é adequada tanto para transmissão do sinal de TV a cabo quanto para a banda larga. A empresa deve fazer investimentos assim, em breve, em outros Estados.

GVT
A empresa também está com seu processo de convergência das mídias bastante adiantado. A empresa já atende o consumidor com internet de alta velocidade por fibra ótica, televisão a cabo com interatividade e telefonia fixa.

Embratel, Claro e Oi
A empresa que é acionista principal da Net vai chegar, via satélite, a locais onde não existe infraestrutura de fibra ótica, assim como a Claro e também a Oi.

Análise
Regulamentação traz boas notícias

Gilberto Sudré, especialista em TI

A regulamentação da nova lei que define o funcionamento das TVs por assinatura aprovada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicação) muda significativamente o mercado de  TVs via satélite, cabo ou micro-ondas. Um dos pontos mais polêmicos da nova lei é o que estabelece cotas obrigatórias para conteúdo nacional dentro da grade de programação dos canais. Existem defensores e críticos dessa decisão. Pessoalmente acredito ser uma opção interessante. A produção audiovisual brasileira melhorou muito nos últimos anos e isto vai incentivar ainda mais este setor. A nova lei traz boas notícias para quem não gosta de pagar aluguel relativo aos decodificadores. Agora as operadoras de TV paga serão obrigadas a divulgar a lista de  conversores compatíveis com seus sistemas o que permitirá que os clientes possam comprar seus próprios equipamentos e não mais pagar aluguel. Com a queda na imposição de limites ao capital estrangeiro para investimento na TV paga, a permissão para que empresas de telecomunicações atuem nesse setor e a não exigência de licitação para concessão de licenças vai provocar a entrada de novos concorrentes nesse mercado. Bom para nós consumidores. A concorrência é saudável e com ela é esperado que os preços caiam, o que provavelmente trará um maior o número de assinantes. Em contrapartida é fundamental que a Anatel efetivamente exerça o seu papel de agência reguladora e controle a qualidade dos serviços prestados punindo com rigor as faltas e falhas. Do contrário, assim como em outros setores das telecomunicações, o usuário vai estar sozinho na briga por melhores serviços.
A Gazeta
Mikaella Campos

domingo, 22 de janeiro de 2012

HDTV causa problemas para clientes de TV por assinatura

HDTV causa problemas para clientes de TV por assinatura 
Na oferta da HDTV, clientes reclamam da retirada de canais e preço maior
RIO - Receber o que foi combinado com o vendedor é o maior desafio para os clientes das empresas de TV por assinatura. A maioria das reclamações do setor afirma que os serviços prometidos não são entregues e o valor da fatura nunca corresponde ao acertado. E, agora, com a entrada da tecnologia HDTV, além desses problemas, os clientes da Sky estão perdendo canais, como Bloomberg, Golf Channel e BBC, e os da Net ficam esperando, em vão, o técnico para fazer a instalação. Problemas como esses já ocorriam antes mesmo de as empresas oferecerem a tecnologia digital.
Emílio Henrique Catramby, cliente da Sky, reclama que a empresa passou a cobrar pelos canais Band News e Bandsports, que já faziam parte do seu pacote, e que vai retirar da grade os canais noticiosos Bloomberg e BBC, sem substituí-los por outros:
Há algum tempo já haviam tirado a CNN e o canal espanhol. Quando reclamei por chat, ficou claro que existe uma manobra para adesão à assinatura HDTV, muito mais cara. Tanto os canais que vão desaparecer como os que passaram a ser cobrados estarão disponíveis na HDTV. E no site da Sky esses canais constam como integrantes, sem restrições, de meu pacote, combo Sky Digital filmes 2009.
Canais só poderão ser vistos em equipamentos com HDTV
A Sky esclarece que os canais BBC (99), Bloomberg (97) e Golf Channel (26) deixarão de fazer parte da grade de programação de clientes SD (Standard Definition), a partir de 26 de janeiro. A empresa argumenta que não está condicionando a recepção do sinal de tais canais ao pacote contratado, pois, independentemente do pacote, os canais só poderão, por razões técnicas, ser visualizados nos decodificadores HD. A Sky explica ainda que a cláusula 3.4 do contrato prevê que, caso o cliente não concorde com a alteração, poderá rescindi-lo sem qualquer penalidade. E a Anatel prevê a comunicação da mudança com 30 dias de antecedência, o que foi feito. Já os canais Band News e Bandsports $incluídos na assinatura do cliente na ocasião do reajuste anual. O valor da fatura aumentaria em razão do reajuste, independentemente da inclusão dos canais.
Aristides de Paula Santos recebeu um telefonema da Net em setembro do ano passado com a oferta de mudar seu plano digital para o combo HDTV + Net Vírtua 10Mb + Netfone. O pacote custaria menos e teria mais vantagens. Ele aceitou, mas até hoje espera a instalação:
Marcaram sete visitas e cancelaram porque o aparelho do HDTV estava em falta. Eu pago R$ 313,57 pela Net e pelo Vírtua. Se a empresa tivesse cumprido o que me ofereceu, estaria pagando R$ 209,90.
Lavínia Blanco Becker também recebeu uma ligação da Net que lhe oferecia, sem qualquer custo, uma unidade do aparelho da Net HDTV, mas na fatura o valor aumentou:
Perguntei mil vezes se a atendente tinha certeza de que não pagaria um centavo a mais. Ela foi firme e disse que não. Trocaram o decodificador, mas a fatura veio com o valor de R$ 173, quando era R$ 159.
A Net esclarece que investe constantemente na capacitação de sua equipe de vendas, promovendo treinamentos com o objetivo de entregar ao cliente a melhor e mais eficaz solução em banda larga, TV por assinatura e telefonia fixa. Todo o processo de comercialização e manutenção de serviços (pré-venda, venda e pós-venda) é monitorado, de modo a minimizar quaisquer mal-entendidos.
Lei do SAC determina que empresa entregue a gravação da ligação
Selma do Amaral, diretora de atendimento do Procon/SP, lembra que na troca para a tecnologia digital esses problemas já tinham acontecido. Ela observa que a resolução 488/2007 da Anatel determina que a empresa de assinatura não é responsável pelo conteúdo da programação, mas se retirarem um canal devem colocar outro do mesmo tipo. Há também a obrigação de avisar com um mês de antecedência. E ressalta que o cliente tem direito de conhecer previamente a programação, assim como de receber o contrato.
A Lei do SAC obriga que a empresa entregue a gravação da ligação ao cliente, pois o ônus da prova é da empresa diz Selma.
Veridiana Alimonti, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), orienta o consumidor a pedir a gravação assim que o negócio for acertado, mesmo antes de dar problema, que guarde os folders e propagandas e imprima o que for ofertado no site:
Além disso, é importante o consumidor pedir o contrato, e, caso esteja no site, imprimi-lo. O artigo 46 do Código de Defesa do Consumidor diz que os consumidores não são obrigados a cumprir os contratos se não lhes for dada a oportunidade de ter conhecimento prévio do seu conteúdo. E o artigo 49 garante o período de sete dias de desistência, caso a contratação seja feita por telefone. É fundamental que o consumidor lesado reclame com a empresa e com a Anatel, pois essas queixas vão impactar o índice de qualidade da agência.

O Globo