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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Doença rara fez americana ser atacada pela própria mão

Karen Byrne sofreu por 18 anos com síndrome após cirurgia para tratar epilepsia que dividiu seus hemisférios cerebrais

foto: BBC
Síndrome da Mão Alheia faz com que as mãos
 atuem de forma aleatória
Imagine ser atacado por uma de suas próprias mãos, que tenta repetidamente estapear e socar você. Ou então entrar em uma loja e tentar virar à direita e perceber que uma de suas pernas decide que quer ir para a esquerda, fazendo-o andar em círculos. Essa realidade é bem conhecida da americana Karen Byrne, de 55 anos, que sofre de uma condição rara chamada Síndrome da Mão Alheia.

A síndrome de Byrne é fascinante, não somente por ser tão estranha, mas também por ajudar a explicar algo surpreendente sobre como nossos cérebros funcionam. O problema começou após ela passar por uma cirurgia, aos 27 anos, para controlar sua epilepsia, que havia dominado sua vida desde seus 10 anos de idade.

A cirurgia para curar a epilepsia normalmente envolve identificar e depois cortar um pequeno pedaço do cérebro no qual os sinais elétricos anormais se originam. Quando isso não funciona, ou quando a área danificada não pode ser identificada, os pacientes precisam passar por uma solução mais radical.

No caso de Byrne, seu cirurgião cortou seu corpo caloso, um feixe de fibras nervosas que mantém os dois hemisférios do cérebro em permanente contato.

Novo problema

O corte do corpo caloso curou a epilepsia de Byrne, mas a deixou com um problema totalmente diferente. Ela conta que inicialmente tudo parecia bem, mas que então os médicos começaram a notar um comportamento extremamente estranho.

"O médico me disse: 'Karen, o que você está fazendo? Sua mão está te despindo'. Até ele dizer isso eu não tinha percebido que minha mão esquerda estava abrindo os botões da minha camisa", diz. "Então eu comecei a abotoar a camisa novamente com a mão direita, mas assim que eu terminei, a mão esquerda começou a desabotoar de novo. Então o médico fez uma chamada de emergência para um outro médico e disse: 'Mike, você precisa vir aqui imediatamente, temos um problema'."

Karen Byrne havia saído da operação com uma mão esquerda que estava fora de controle. "Eu acendia um cigarro, colocava-o no cinzeiro e então minha mão esquerda jogava-o fora. Ela tirava coisas da minha bolsa sem que eu percebesse. Perdi muitas coisas até que eu percebesse o que estava acontecendo", diz.

Em alguns casos, a mão esquerda dela chegava a estapeá-la, sem controle. Ela conta que seu rosto chegava a ficar inchado com tantos golpes.

Luta de poder

O problema de Byrne foi provocado por uma luta por poder dentro de sua cabeça. Um cérebro normal é formado por dois hemisférios que se comunicam entre si por meio do corpo caloso.

O hemisfério esquerdo, que controla o braço e a perna direitos, tende a ser onde residem as habilidades linguísticas. O hemisfério direito, que controla o braço e a perna esquerdos, é mais responsável pela localização espacial e pelo reconhecimento de padrões.

Normalmente o hemisfério esquerdo, mais analítico, domina e tem a palavra final nas ações que desempenhamos. A descoberta do domínio hemisférico tem sua raiz nos anos 1940, quando os cirurgiões decidiram começar a tratar a epilepsia com o corte do corpo caloso.

Após a recuperação, os pacientes pareciam normais. Mas nos círculos psicológicos eles se tornaram lendas. Isso porque esses pacientes revelariam, com o tempo, algo que parece incrível - que as duas metades do nosso cérebro têm cada um uma espécie de consciência separada. Cada hemisfério é capaz de ter sua própria vontade independente.

Experiências

O homem que fez muitas das experiências que primeiro provaram essa tese foi o neurobiólogo Roger Sperry. Em um estudo particularmente notável, que ele filmou, é possível ver um dos pacientes com o cérebro dividido tentando resolver um quebra-cabeças.

O quebra-cabeças exigia o rearranjo de blocos para que eles correspondessem a padrões em uma imagem.

Primeiro o homem tentou resolver o quebra-cabeças com sua mão esquerda (controlada pelo hemisfério direito), com bastante sucesso. Então Sperry pediu ao paciente que usasse sua mão direita (controlada pelo hemisfério esquerdo). Essa mão claramente não tinha nenhuma ideia de como fazê-lo.

A mão esquerda então tentou ajudar, mas a mão direita parecia não querer ajuda, então elas terminaram brigando como se fossem duas crianças.

Experiências como essa levaram Sperry a concluir que 'cada hemisfério é um sistema de consciência isolado, percebendo, pensando, lembrando, raciocinando, querendo e se emocionando'.

Em 1981 Sperry recebeu um prêmio Nobel por seu trabalho. Mas em uma ironia cruel do destino, ele então já sofria com uma doença degenerativa do cérebro, chamada kuru, provavelmente contraída em seus primeiros anos de pesquisas com cérebros.

Medicação

A maioria das pessoas que tiveram seus corpos calosos cortados parecem normais posteriormente. Você poderia cruzar com eles na rua e não saberia que algo havia acontecido.

Karen Byrne teve azar. Após a operação, o lado direito de seu cérebro se recusava a ser dominado pelo lado esquerdo. Ela sofreu com a Síndrome da Mão Alheia por 18 anos, mas felizmente para ela seus médicos encontraram uma medicação que parece ter trazido o lado direito de seu cérebro de volta ao controle.

A história de Byrne foi contada no último programa da série da BBC "The Brain" (O Cérebro), que foi ao ar na Grã-Bretanha na quinta-feira.

BBC Brasil

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Mulher conta como sobreviveu a colisão de ônibus com trem que matou 9 em Americana

Acidente aconteceu em Americana, no interior do estado.
Nove pessoas morreram e cerca de 15 ficaram feridas.


Acidente com trem deixou nove mortos na noite desta quarta-feira (Foto: JB Neto/AE)


A estudante Gabrielle Helena dos Santos Souza, de 17 anos, escapou praticamente sem ferimentos do acidente envolvendo um ônibus e um trem em Americana, no interior de São Paulo, ocorrido na noite de quarta-feira (8), na região central da cidade. Segundo ela, o ônibus já estava atravessando a linha férrea quando o trem apitou.
O número de mortos com a colisão já chega a nove. De acordo com informações atualizadas na manhã desta quinta-feira (9), seis pessoas morreram no local do acidente, duas a caminho do Hospital Municipal Waldemar Tedaldi e uma já no hospital, após atendimento, durante a madrugada.

"Fiquei com medo de cair e o trem passar por cima de mim”
Gabrielle Helena dos Santos Souza

Cerca de 15 pessoas ficaram feridas – cinco permanecem internadas em estado grave. O acidente ocorreu numa passagem de nível no cruzamento da Rua Carioba com Avenida Antônio Lobo, na região central de Americana, próximo ao terminal de ônibus urbano do município. O veículo havia acabado de sair do terminal e seguia no sentido bairro, para sua última viagem do dia.

Gabrielle pega o mesmo coletivo diariamente no mesmo horário, quando volta da escola onde cursa a terceira série do ensino médio. “Normalmente, toca [a buzina] antes de o trem chegar. Tinha que ter tocado a buzina antes”, disse.

Ela disse que estava acabando de pagar a passagem quando o acidente aconteceu. Ela só conseguiu escapar porque se segurou às ferragens da composição.“Acabei segurando no que eu achei. Fiquei com medo de cair e ele [o trem] passar por cima de mim”, afirmou a estudante que deixou o hospital municipal de Americana por volta das 10h30 desta quinta. “Pensei que ele teria que parar logo porque não eu não aguentaria segurar por muito tempo”, contou. A garota ainda sente dores em uma perna e teve leves escoriações pelo corpo.
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“Como o sangue estava quente, eu nem senti (as dores na perna). Consegui ir a pé até o terminal de ônibus”, contou.

O motorista do ônibus não ficou ferido. O cobrador faleceu. O maquinista está em estado de choque. O trem vinha do Alto Araguaia e ia em direção ao Porto de Santos. A composição tem 70 vagões e transportava mais ou menos 7500 toneladas, de acordo com a assessoria da companhia férrea. A velocidade média dos trens é de 30km/h.

G1