sábado, 7 de maio de 2011

Corpos do acidente do voo 447 sepultados há 2 anos nas profundezas do mar, serão todos resgatados

Voo 447: após dois resgates bem sucedidos, França decide retirar todos os corpos do mar06/05 às 19h56 O Globo, com informações de agências internacionais

RIO - Após dois resgates bem sucedidos, a França decidiu retirar todos os corpos das vítimas da tragédia do voo 447, da Air France, que estão no mar. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Direção Geral da Polícia Militar francesa (DGGN, na sigla em francês) afirma que a equipe será reforça para fazer, "durante cerca de 15 dias, o resgate de todos os corpos e objetos pessoais que poderão ser recuperados."

Mais cedo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, já havia defendido o resgate de todos os corpos. No Rio de Janeiro, ele ressaltou que o governo brasileiro está acompanhando os trabalhos de resgate de corpos e equipamentos, e afirmou que a investigação das causas da tragédia cabe ao governo francês, mas que todos os países com vítimas envolvidas acompanham os trabalhos de perto.

- Os corpos que forem encontrados serão retirados. Depois temos que saber quem são com exame de DNA.

Em visita ao Complexo do Alemão, Jobim ressaltou que o Brasil está acompanhando o trabalho de resgate liderado pela França:

- O organismo francês que faz as buscas trabalha exclusivamente com o problema do acidente. Depois, as questões decorrentes dos falecidos, dos corpos, serão apuradas. E (os corpos) serão remetidos. Enfim, haverá a colaboração do Brasil, da Rússia. Havia mais de cem nacionalidades no voo. Tinham cerca de cento e poucas nacionalidades no voo.

Na manhã desta sexta, a DGGN anunciou o resgate do segundo corpo de uma das vítimas do acidente . Segundo as autoridades francesas, o corpo também foi içado para o navio Ile de Sein, e passará por um exame de DNA. O corpo encontrado nesta sexta-feira estaria amarrado ao assento, assim como o corpo resgatado na quinta-feira .

O Airbus da companhia francesa caiu no oceano Atlântico em junho de 2009, quando seguia do Rio para Paris, matando 228 pessoas. Pouco depois do acidente, os restos mortais de 51 passageiros foram encontrados . Segundo o perito criminal Mauro Ricart, a identificação das vítimas será feita por roupas, documentos ou, ainda, exame de DNA:

- O corpo pode estar conservado, mas não está íntegro. Intacto, só se estivesse numa câmara de gás criogênico. As partes macias e o rosto são mais afetados. As impressões digitais somem. A água, ainda mais a salgada, corrói. O reconhecimento pode ser feito pela roupa ou por relógio, anel, prótese, documentos no bolso da roupa. E é mais do que possível fazer exame de DNA.

Os corpos vão para a França e o processo será acompanhado por autoridades brasileiras. Em caso de necessidade, será feito o traslado de volta para o Brasil. A Associação de Vítimas, no entanto, critica essa operação.

- Os corpos deveriam ficar no Brasil. Essa viagem vai traumatizar ainda mais os corpos. Se meu filho for para a França, será sepultado lá mesmo. É meu desejo: minha família ficou dividida entre Brasil e França, a empresa é francesa e o monumento (às vítimas) foi feito lá - disse Nelson Faria Marinho, presidente da Associação de Familiares de Vítimas.

A Associação reclama, ainda, da demora da Justiça brasileira em emitir o atestado de morte presumida:

- A Air France, em quatro meses, recebeu sua indenização. As famílias até hoje estão brigando em tribunais para receber o pagamento. A maioria de nós sequer tem o documento de morte presumida. Dentro da associação, apenas um conseguiu. Sem a documentação, não se consegue nada: mexer na conta bancária, regularizar o INSS etc.

Uma comissão de mulheres formada dentro da associação quer levar as reclamações diretamente à presidente Dilma Rousseff.

O Globo

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