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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nadja Benaissa: Cantora pode ir presa por não contar que tem HIV

Intérprete do grupo pop alemão No Angels pode ficar presa por 10 anos.
'Não queria infectar meus parceiros', disse ela na abertura do julgamento.


A alemã Nadja Benaissa no julgamento em Darmstad, nesta segunda-feira (16). (Foto: Boris Roessler/AP)

A cantora alemã Nadja Benaissa, 28, está sendo processada por omitir de seus parceiros sexuais a informação de que era portadora do vírus HIV. Durante julgamento na Alemanha nesta segunda-feira (16), ela pediu desculpas.

Nadja é processada por lesão corporal e tentativa de lesão corporal. Se condenada, pode pegar entre seis meses e dez anos de prisão.

"Eu sinto muito", disse na abertura do julgamento, em Darmstadt. Nadja admitiu que não disse a verdade sobre seu estado de saúde a três amantes. Um de seus parceiros contraiu a doença, enquanto os dois outros não foram contaminados pelo HIV.

No entanto, negou que tenha omitido a informação de propósito. "De forma alguma eu queria que meus parceiros fossem infectados", disse ela, de acordo com a agência de notícias alemã DAPD.

Presa no ano passado
Nadja foi presa em abril do ano passado em uma discoteca em Frankfurt, poucos minutos antes de um show. Ela passou dez dias na prisão, depois que promotores a acusaram de praticar sexo com diversos homens sem camisinha, sem revelar a eles que tinha HIV.

Segundo os promotores do caso, Nadja Benaissa já sabia desde 1999 que tinha o vírus. Uma das testemunhas no processo será o ex-amante de Benaissa que a acusa de o ter contaminado em 2004.
Nadja admite publicamente sua doença. Em novembro, ela declarou em um evento para arrecadar fundos para vítimas de Aids: "Meu nome é Nadja Benaissa, eu tenho 27 anos, uma filha e tenho HIV positivo".
Algumas entidades alemãs que trabalham com portadores de HIV - como a Deutsche Aids-Hilfe - criticaram a forma como o caso está sendo tratado pela Justiça alemã. Segundo a entidade, a prisão de Nadja na boate foi exagerada, violando direitos pessoais da cantora, como o direito à privacidade.

Banda feminina
Nadja Benaissa pertence ao conjunto musical feminino No Angels, que ficou famoso no país em um programa de televisão. O No Angels vendeu milhões de discos entre 2000 e 2003. Suas companheiras de conjunto vão depor no julgamento, que deve durar cinco dias.

Do G1, com informações de agências

domingo, 15 de agosto de 2010

Soropositivos morrem mais de doença do coração do que de Aids

Portadores do vírus HIV estão morrendo mais de doenças como infarto, diabetes e câncer do que de causas diretamente ligadas à Aids.

Novos dados mostram um aumento desproporcional de doenças cardiovasculares e diabetes como causa de óbito em pessoas com HIV em relação à população sem o vírus.

Estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro revelou que, no hospital da universidade, causas não associadas à Aids já ultrapassaram as ligadas à doença.

"Tudo leva a crer que, se essa ainda não for uma realidade em todo o país, em breve será", afirma Mauro Schechter, chefe do laboratório de pesquisas em Aids do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e um dos líderes desse novo trabalho.

A equipe coordenada por ele também publicou um estudo que avaliou os índices de mortalidade em pacientes com e sem o vírus, a partir de dados de todas as certidões de óbito brasileiras ao longo de cinco anos.

Segundo a pesquisa, a mortalidade por Aids caiu entre 1996 (ano em que o Brasil se tornou o primeiro país em desenvolvimento a fornecer acesso universal aos antirretrovirais) e 1999, e desde então se mantém estável.

OUTRAS CAUSAS

No entanto, nos portadores do HIV, a mortalidade por outras causas, como doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e doenças do fígado ou dos rins, subiu quase 8% ao ano. Já entre os não portadores do vírus, esse aumento não chegou a 3%.

No caso específico das doenças do coração, houve um aumento de quase 8% ao ano entre os soropositivos, contra apenas 0,8% na população em geral.

Segundo especialistas, a queda na mortalidade se deu com o acesso à terapia dos antirretrovirais. Mas os soropositivos não estão recebendo atenção médica para monitorar outras doenças.

Esse dado foi corroborado por uma pesquisa inédita, divulgada no último congresso internacional sobre Aids, realizado na Áustria.

"O sistema de saúde não aproveita a oportunidade para tratar esse paciente como um todo", critica Schechter.

O levantamento divulgado no congresso ouviu mais de 2.000 pacientes em 12 países, Brasil incluído, para identificar como o portador do vírus vê sua infecção e traçar um perfil de sua relação com médicos e sistema de saúde.

Um terço dos entrevistados foi enquadrado no perfil considerado de alto risco cardiovascular - mas 65% deles não estavam tratando seus fatores de risco para problemas cardíacos.

Além disso, 44% dos fumantes nunca discutiram com seus médicos as implicações do hábito para a saúde.

Para piorar, sabe-se que há uma associação entre algumas drogas usadas por portadores do HIV e doenças cardiovasculares.

"O que mais chama a atenção é a baixa porcentagem de pacientes que discutem com seus médicos fatores como tabagismo, excesso de peso, entre outros", diz Schechter, coordenador do estudo no Brasil. "É como se os médicos apenas vissem um vírus a ser tratado naquele paciente."

"Estamos começando a conhecer os efeitos do vírus e dos remédios a longo prazo. Esses pacientes estão envelhecendo e as exigências da doença mudaram. Agora precisamos nos adaptar a isso", completa o infectologista Esper Kallás, da Universidade de São Paulo.

VÍRUS E DROGAS PODEM ELEVAR O COLESTEROL

Estudos recentes sugerem que a própria infecção pelo vírus HIV, ao levar a um processo inflamatório crônico, pode ter relação com o aumento do risco cardíaco. Algumas classes de drogas antivirais também elevam o colesterol. Mas, é claro, os médicos recomendam manter o tratamento mesmo assim, para controlar a infecção.

Fonte: Folha Online