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domingo, 18 de julho de 2010

Prato local. Coreia do Sul tem ato contra carne canina


Protesto foi realizado neste domingo em Seul.
Segundo crença local, a iguaria estimula o vigor e a virilidade.

Ativistas sul-coreanos dos direitos dos animais ficaram enjaulados em protesto contra o consumo de carne de cachorro no país asiático. O protesto foi realizado neste domingo em Seul, na Coreia do Sul. Muitos sul-coreanos comem carne de cachorro, pois, segundo crença local, a iguaria estimula o vigor, a virilidade e os ajuda a suportar o calor do verão.
Ativistas ficaram enjaulados em protesto contra o consumo de carne de cachorro. (Foto: Lee Jin-man/AP)
Protesto foi realizado neste domingo em Seul, na Coreia do Sul. (Foto: Lee Jin-man/AP)

Do Globo.com/G1

Está cada vez mais difícil comer “boshintang” em Seul.

Repórter do G1 provou e conta como foi.

Encontrar um restaurante em Seul que venda pratos feitos de carne de cachorro (“boshintang”, em coreano) não é uma tarefa fácil. E mais difícil ainda é encontrar um coreano que goste desse tipo de refeição.

Ao contrário do que se pensa, a Coréia do Sul, que ao longo dos anos foi estereotipada como “o país onde se come cachorro”, vê como algo cada vez mais distante o consumo do polêmico prato.
“A Coréia está muito mais aberta ao mundo e as pessoas estão vendo o que acontece aqui. Além disso, esse costume (de comer carne canina) vem caindo porque hoje em dia é muito normal ter cachorros em casa”, afirma o jornalista Sung-Hae Kim, especializado na história dos costumes da Coréia do Sul.

Ele, que tem 40 anos e nunca provou o prato, diz que o consumo da carne é algo que faz parte da cultura do país, mas que está mudando rapidamente por causa das transformações sociais pelas quais a Coréia passou nos últimos anos.

“É verdade que algumas pessoas ainda adoram o prato, mas é cada vez mais raro encontrar lugares que vendem essa carne aqui em Seul. A sociedade está mudando sua maneira de pensar e simplesmente há menos gente comendo esse prato”, afirma Kim, lembrando que todos os países tem suas “estranhas tradiçoes”: “Na China, por exemplo, há quem coma ratos.”

Copa do Mundo
A discussão sobre o consumo de carne de cachorro, que é repudiada por milhões de pessoas em todo o mundo, colocou a Coréia do Sul em evidência antes da Copa do Mundo de 2002.

Na ocasião, até a Fifa chegou a fazer um pedido formal para que o governo coreano tomasse providências contra o “abate cruel de cachorros” -algo que é denunciado freqüentemente pelas associações dos direitos dos animais do país.

Desde então, o costume que já vinha perdendo força caiu ainda mais, mas não desapareceu completamente, para desespero de milhares de defensores dos direitos dos animais em todo o mundo.

Esses defensores alegam que os cachorros são criados em gaiolas, como as galinhas -especialmente para o consumo de sua carne. Afirmam também que os animais são torturados antes de serem mortos porque dessa forma a adrenalina liberada aumenta o sabor da carne e, principalmente, a virilidade dos homens que a consomem.

* O jornalista Pablo Guelli, repórter do G1, viaja a convite do governo sul-coreano, que custeia parte de suas despesas.