terça-feira, 27 de julho de 2010

Não é uma zebra nem uma girafa, é o ocapi

Menino faz campanha para salvar o ocapi, um dos animais mais estranhos do mundo

RIO - Ele tem patas brancas e negras que lembram as zebras, língua azul e corpo semelhante ao das girafas, mas sem o pescoço comprido. Sim, uma criatura assim existe - embora praticamente restrita às florestas da República Democrática do Congo. O reduzido habitat do ocapi, o nome dessa animal, o manteve no anonimato até o século passado, e, agora, pode representar uma ameaça à sua existência. Há quase 15 anos mergulhado em uma guerra civil, o país é um território hostil. A possibilidade nada remota do desaparecimento do ocapi assombra o americano Spencer Tait, um dos maiores defensores da espécie. Em sete anos de militância, ele já apresentou os ocapis a milhares de pessoas, e, agora, organiza palestras e visitas a empresas para arregimentar simpatizantes à sua causa. Nada mal para um menino de 12 anos.

Os ocapis só são encontrados nas florestas do Nordeste do Congo, em altitudes compreendidas entre os 500 e 1000 metros.


Menos de 40 zoológicos em todo o mundo contam com ocapis. Um deles é o de Brookfield, nos arredores de Chicago. Spencer atravessa 160 quilômetros para visitá-lo algumas vezes por ano e ver Ulimi, Semliki, Sauda e Panya, o quarteto inspirador de sua causa. Já na primeira visita aos ocapis, quando tinha apenas 5 anos, ele se encantou. Fez um site (www.savetheokapi.com), onde arrecada verbas para o zoológico, e aparece com frequência crescente no noticiário local.

- Nunca tinha ouvido falar dos ocapis até Spencer me ensinar - conta o pai do garoto, Bill Tait. - Às vezes vamos ao zoológico só para assistir às reações dos visitantes que ainda não conhecem esses animais.

Depois de participar de uma palestra com um orador motivacional, Spencer resolveu dar números às suas ambições. Primeiro, planejou ensinar sobre os ocapis para mil pessoas. Este ano, multiplicou a meta por dez.

- É difícil saber exatamente quantas pessoas participaram, porque muitas aprendem sobre os ocapis no meu site - explica o menino. - A cada ano o desempenho é melhor.

A internet também o permitiu arrecadar US$ 500 para Brookfield. E uma newsletter local, mencionando os animais, chegou a mais de 100 mil internautas, nas contas da família Tait.

O boletim eletrônico alcançou a caixa postal de jornalistas, que bateram à porta de Spencer. Um talk-show matinal, campeão de audiência na cidade de Milwaukee, o apelidou de "advogado dos ocapis". O assédio local fez a família sonhar grande: "Parece que o mundo está descobrindo os ocapis", escreveu em seu site.

O interesse pode ter aumentado na vizinhança de Spencer, mas o habitat dos ocapis continua sob fogo cruzado. A guerra civil já matou mais de 3 milhões de pessoas. O Congo está longe de ser seguro para os 15 mil ocapis de suas florestas.

Um tímido registro já é sinal de comemoração. Em 2008, uma câmera flagrou um ocapi cruzando o Parque Nacional de Virunga, no Congo. A imagem é tremida e exibe apenas as patas do animal. Ainda assim, foi festejada: há dois anos rastreadores estavam no encalço da espécie, após terem encontrado marcas de seu estrume.

O Globo

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