domingo, 4 de janeiro de 2009

Ator Leonardo Medeiros conquista o grande público

João Miguel Júnior/TV Globo/Divulgação
O ator Leonardo Medeiros que interpreta Elias na novela Global "A Favorita", faz o personagem principal, Caio, no filme "Feliz Natal"
O ator Leonardo Medeiros que interpreta Elias na novela Global "A Favorita"


 (Fonte: A Gazeta)

Bruno Yutaka Saito 

Foi difícil não topar com Leonardo Medeiros em 2008. Além dos seis filmes que ele estrelou no ano que passou – incluindo "Feliz Natal" e "Nossa Vida Não Cabe num Opala" –, o ator de 44 anos esteve nos palcos na peça "Não sobre o Amor", com a Sutil Companhia de Teatro. E, agora, ele é descoberto pelo grande público na novela das oito "A Favorita", no papel do "corno manso" Elias. Foi, enfim, onipresente. 

"Outro dia a Débora Bloch me perguntou qual era meu agente", diz o ator. "Espero que tantos projetos sejam por causa do meu talento..." 

Seja por talento ou profissionalismo, Medeiros tem uma característica que fascina diretores. Basta prestar atenção em alguns personagens. Em "Feliz Natal", ele é Caio, sujeito com passado misterioso. Monk, de "Nossa Vida...", é um quarentão fracassado e trambiqueiro. Por que tantos homens complicados, estranhos? 

"Os diretores tendem a me ver como um cara misterioso, profundo, taciturno. É uma característica minha que eles adoram. Sou mesmo um cara com tendências depressivas, sou introspectivo. Acho que esses valores pessoais são agregados aos personagens." 

Com a exposição vem a contrapartida. "O público não conhecia meu rosto, e isso era bom para os diretores. Não era alguém que vinha carregado de significados. Agora isso mudou." Ainda assim, ele não se deslumbra. "O cinema comercial nem sabe que existo. Mas eu faria um filme comercial, não tenho problema com isso." 

Atuar, no entanto, não foi sua primeira opção na vida. "Nunca procurei as coisas, as coisas é que vieram para mim", resume. Medeiros pode soar blasé, mas o despojamento revela como suas decisões são guiadas pela praticidade. "Sempre quis ser artista. Desenhei, pintei, fotografei. Chegou um dia em que quis ser diretor de cinema. Mas, para um jovem como eu nos anos 80, isso era algo distante, estratosférico." 

No final, estudou teatro na USP, fez peças amadoras na Cultura Inglesa e foi se aperfeiçoar em Londres. Inicialmente, Medeiros tentou ser diretor, mas logo desistiu porque "tinha muitos problemas com os atores". "Eles não entendiam o que eu queria, eu me sentia mais professor deles do que diretor." Foi graças ao seu trabalho no teatro amador que os primeiros convites para mudar de lado surgiram. "Aí, sem querer eu virei ator e nunca mais saí disso", diz. 

Ele conta que hoje seu método é outro. "Agora sou mais intuitivo. Meu grande barato é descobrir qual é minha função dentro da obra. Quando o diretor me dá abertura, fatalmente viro um colaborador." 

É o caso, por exemplo, de Luiz Fernando Carvalho, com quem fez seu primeiro papel de destaque nas telas em "Lavoura Arcaica" (2001). "Sofri muito. Eu não sabia como atuar no cinema. Ele me forjou." 

Projetos
Para 2009, Medeiros já tem vários projetos engatilhados. Além de atuar em "Budapeste", adaptação de Walter Carvalho para o livro homônimo de Chico Buarque, o ator está ao lado de seu filho, Antonio, de 13 anos, em "Insolação", estréia no cinema de Felipe Hirsch. Com o diretor, aliás, vai comemorar os 15 anos da Sutil Companhia com uma retrospectiva.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Fique a vontade para comentar, só lembramos que não podemos aceitar ofensas gratuitas, palavrões e expressões que possam configurar crime, ou seja, comentários que ataquem a honra, a moral ou imputem crimes sem comprovação a quem quer que seja. Comentários racistas, homofóbicos e caluniosos não podemos publicar.