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sábado, 9 de junho de 2012

Air France. 208 mortos no Voo 447: o piloto e a mulher

Air France Voo 447: o piloto e a mulher
TV levanta hipótese de que comandante estava acompanhado

A rede de TV norte-americana ABC News levantou a hipótese de que o comandante do voo AF 447 (Rio - Paris), que caiu em junho de 2009 deixando 228 mortos, poderia estar acompanhado de uma mulher no momento em que o Airbus da Air France enfrentou problemas durante o voo que levaram à queda no Oceano Atlântico.

Em reportagem do programa "Nightline", publicada no site da emissora na quarta-feira, a TV diz que o comandante Marc Dubois viajava acompanhado de uma tripulante da Air France que não estava trabalhando. A ABC News diz que duas "fontes independentes" afirmaram que o nome da atendente é Veronique Gaignard. A TV não revelou os nomes das fontes da informação.

A reportagem lembra que, no momento em que os pitots (sensores de velocidade) do Airbus congelaram e o piloto automático desconectou, Dubois estava em seu período de descanso. Os copilotos tentaram chamá-lo, através de um alarme, cinco vezes. Ele só retornou à cabine dois minutos após o início da queda do avião.

A Air France não quis se pronunciar, segundo a ABC News. A companhia disse que aguarda o relatório final do Escritório de Investigação e Análise (BEA), órgão da França que apura a tragédia, previsto para ser divulgado no dia 5 de julho.

Jean-Paul Troadec, diretor do BEA, disse à ABC News que a suposta acompanhante não faz parte da investigação francesa porque a agência "não está interessada" na "vida privada do piloto". Troadec acrescentou que as alegações de que o comandante estava com a atendente no avião não teriam importância para o acidente.

De acordo com os relatórios já divulgados pelo BEA, as caixas-pretas mostram que, antes de o comandante ir descansar, a porta do cockpit é aberta durante várias vezes e, em algumas delas, permanece aberta por algum tempo, chegando a mais de 15 minutos seguidos.

Quando a aeronave se aproxima de uma tempestade, Dubois deixa a cabine para ir descansar e determina que o copiloto mais jovem assuma o comando. Ele deixa o local sem uma clara divisão de tarefas entre os pilotos.

A ABC News recriou o acidente com ajuda de um especialista, para tentar entender o que ocorreu e por que os pilotos não entenderam que o Airbus estava caindo. O BEA divulgará oficialmente em 5 de julho o relatório com os fatores que, na avaliação do órgão de investigação, levaram ao acidente. (A Gazeta)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Identificados 103 corpos de vítimas do voo 447

Franceses identificam mais 103 corpos de voo 447 da Air France

RIO - O Instituto de Pesquisa Criminal da França anunciou nesta segunda-feira que mais 103 vítimas do acidente com o voo AF-447 da Air France foram identificadas. A aeronave, que fazia o trajeto Rio-Paris, caiu no Oceano Atlântico em junho de 2009 com 228 pessoas a bordo. Com isso, um terço do total dos passageiros do avião - se contabilizados os primeiros 50 corpos retirados do mar logo após a tragédia - já tem identificação.

Os últimos corpos foram retirados do mar a quase 4 mil metros de profundidade, graças a uma operação que teve a ajuda de um robô submarino. O presidente do grupo Entraide et Solidarité, dedicado à memória das vítimas do voo, Robert Soulas, disse que as famílias das vítimas ainda vão ser informadas sobre a identificação, e os corpos serão entregues nas próximas semanas. De acordo com ele, apenas um dos corpos resgatados não foi identificado. Outros 74 continuam no fundo do mar.


O presidente da associação de familiares das vítimas do voo 447 no Brasil, Nelson Faria Marinho, informou que ainda não houve um comunicado oficial sobre o corpos identificados. A previsão era que o anúncio fosse feito no dia 30 do mês passado, mas, de acordo com ele, atrasos no processo de identificação fizeram a data ser transferida para quinta-feira.

- Nossa expectativa é grande. Também não sabemos se ainda pretendem buscar os 74 corpos que estão no mar - afirmou ele, pai de Nelson Marinho de 40 anos, um dos 59 brasileiros que estavam no voo.

Uma nova etapa de buscas ainda deve ser avaliada pelo Tribunal de Grande Instância de Paris. Na última tentativa, que terminou em junho, foram gastos cerca US$ 8,2 milhões, de acordo com o Ministério de Transportes francês.

Em outubro, um advogado que representa parentes das vítimas do voo 447 da Air France divulgou que um juiz responsável pelas investigações sobre o acidente deu a impressão de que os pilotos não receberam boas informações dos controladores do avião . O juiz que investiga as acusações esteve reunido com os familiares. Para o advogado Thibaut de Montbrial, "as informações transmitidas pelos dispositivos não permitiram a tomada de boas decisões".

O Programa de Indenização 447 foi encerrado também em outubro, conforme divulgação do Ministério Público do Rio, do Ministério da Justiça, do Procon, da Air France e das seguradoras da companhia. O programa foi criado para agilizar a indenização aos familiares brasileiros e estrangeiros das vítimas do acidente com o voo 447. Segundo o MP, a decisão de participar do programa, que envolveu cerca de 70 beneficiários, não significou a perda do direito de resolver a questão por outros meios, como acordo direto com as empresas ou ação judicial, no Brasil ou no exterior. [O Globo]



A agonia do voo 447 passo a passo

quilômetros de onde foi emitida a última mensagem do Airbus e a cerca de 850 quilômetros de Fernando de Noronha. No dia 26 de junho, após o resgate dos 50 corpos encontrados junto aos destroços, o Brasil encerrou suas buscas.

Na França, a partir da análise do material, os investigadores concluíram que o avião se chocou de barriga com o mar, em vista das deformações encontradas nas peças. Eles perceberam também que as máscaras de oxigênio não caíram do teto, o que eliminaria a hipótese de despressurização. Os coletes salva-vidas não foram acionados, indicando que os passageiros não se prepararam para um pouso no mar. Para montar o quebra-cabeça com o cenário da queda do voo 447, no entanto, faltavam as peças fundamentais: as duas caixas-pretas. Sem o Cockpit Voice Recorder (CVR), que grava os diálogos na cabine do piloto, e o Data Flight Recorder (DFR), que registra os parâmetros de voo, seria impossível determinar as causas do acidente, diziam os peritos. Mas, como localizar as caixas-pretas no fundo do oceano?

Para isso, foi montada uma operação de guerra. No dia 10 de junho, o Emeraude, um dos seis submarinos nucleares franceses de ataque, juntou-se às buscas. Dotado de potentes sonares, vasculhou a área durante semanas. Mas a tentativa se mostrou infrutífera. No dia 10 de julho, quando as caixas-pretas já não emitiam mais sinais (que cessam depois de 30 dias), a França decidiu encerrar a ação. O mistério do 447 parecia condenado a permanecer no fundo do mar.

Mas uma segunda fase começou em 27 de julho, com o navio de pesquisa Porquois Pas, o submarino não tripulado Nautile, o robô Victor 6000 e alguns dos maiores especialistas do mundo nesse tipo de busca. Mais uma vez, a missão fracassou.

Em 2 de abril de 2010, uma terceira fase foi iniciada. Sem os sinais sonoros das caixas-pretas, no entanto, a tarefa correspondia a buscar uma agulha no palheiro. Apesar dos gastos crescentes, a missão se mostrou mais uma vez malsucedida.

No dia 22 de março deste ano, o navio Alucia partiu do Porto de Suape, em Pernambuco, para dar início à quarta fase de buscas. Levava a bordo dois submarinos robôs. As coordenadas que indicavam o local da queda do avião teriam sido revistas, e a operação passou a ser feita numa outra área, muito menor que a anterior e muito mais precisa. Finalmente, em 3 de abril deste ano, numa descoberta histórica, o submarino não tripulado localizou, a cerca de 4 mil metros de profundidade, destroços do Airbus A-330 e corpos de vítimas que ficaram presos à fuselagem. Devido às baixas temperaturas, os corpos estavam relativamente preservados.

A descoberta abriu caminho para que fossem localizadas as duas caixas-pretas. A primeira foi resgatada no dia 1 de maio, a uma profundidade de 3.900 metros. A segunda foi tirada dois dias depois. No dia 19 de maio, a França anunciou que elas estavam intactas. Depois de dois anos escondida no fundo do mar, a verdade sobre o voo 447 começa a emergir.








 Paulo Marqueiro (oglobo.com.br)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Voo AF 447. Confirmado resgate de mais 29 corpos do acidente da Air France

Governo francês confirma resgate de mais 29 corpos do acidente da Air France

Em nota, representante diz aos familiares das vítimas que sequência de eventos da tragédia será detalhada na sexta-feira

As equipes de resgate da França já retiraram 29 corpos dos restos do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico em 2009. A informação foi confirmada em nota pelo representante especial do governo francês junto às famílias das vítimas do voo AF 447, o diplomata Philippe Vinogradoff. Na época do acidente, 50 corpos haviam sido resgatados.

Segundo o representante francês, os peritos têm se esforçado para encontrar as vítimas do acidente. “Todas as peças do avião necessárias à investigação tendo sido recuperadas, a operação agora concentra-se exclusivamente sobre o resgate dos corpos”, afirma. A busca por corpos foi retomada em abril, quando o governo da França autorizou o navio enviado para recuperar pedaços do avião para facilitar na investigação da causa do acidente a tentar encontrar também restos mortais no fundo do mar.


Vinogradoff afirma ainda que o Escritório de Investigações e Análises (BEA), responsável por analisar as caixas-pretas do avião, poderá comunicar, nesta sexta-feira, a sequência de eventos que resultaram no acidente, primeiramente para os familiares dos 228 mortos. “Será apenas uma descrição, sem qualquer análise dos fatos e menos ainda das causas”, destaca o diplomata. “Quanto à determinação das responsabilidades, ela é da alçada exclusiva da investigação judiciária que decorre em paralelo".

Confira a íntegra da nota:

Aos familiares e amigos das vítimas do acidente do voo AF 447.


1- Após a permutação em Dakar da tripulação e das equipes técnicas, o navio "Ile de Sein" chegou ao local do acidente no sábado 21 de maio, e o resgate dos corpos começou no próprio dia. Os peritos fazem todo o possível para resgatar os corpos que podem sê-lo, conforme os compromissos expressos pelos juízes encarregados da investigação na carta às famílias de 10 de maio passado. Até hoje, (nesta etapa) 29 vítimas puderam ser resgatadas.


Todas as peças do avião necessárias à investigação tendo sido recuperadas, a operação agora concentra-se exclusivamente sobre o resgate dos corpos.

2- O Bureau de Investigações e de Análises (BEA) declarou que poderá comunicar na sexta-feira 27 de maio a sequência dos eventos que resultaram no acidente. A comunicação do BEA será divulgada em prioridade às famílias das vítimas.


Será apenas uma descrição, sem qualquer análise dos fatos e menos ainda das causas, posto que a determinação das causas requer uma análise longa e complexa para chegar a recomendações de segurança. Quanto à determinação das responsabilidades, ela é da alçada exclusiva da investigação judiciária que decorre em paralelo.

Philippe Vinogradoff - Representante especial junto às famílias das vítimas do voo AF 447

Tags: acidente, air france, corpos, frança, vítimas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Voo 447: 1ª análise das caixas-pretas culpa pilotos, diz jornal

Voo 447: BEA não confirma informações do 'Le Figaro' que apontam que causa do acidente não foi falha do Airbus 

RIO - O jornal francês 'Le Figaro' disse ter tido acesso a uma parte do conteúdo das caixas-pretas do voo 447, da Air France, que caiu no Atlântico em 2009 no voo Rio-Paris. Segundo o diário, os primeiros dados examinados livram de qualquer culpa a fabricante do avião, a Airbus, e levam os investigadores a se concentrar nos procedimentos adotados pela tripulação após a falha inicial das sondas que medem a velocidade do aeronave. O Escritório de Investigações e Análises da França (BEA, na sigla em francês), no entanto, classificou a reportagem como "tributo ao sensacionalismo", já que as informações publicadas não foram confirmadas.

O órgão disse ainda que a divulgação de dados da análise das caixas-pretas, que acabou de começar, é uma afronta aos passageiros e tripulantes que morreram e causa ainda mais sofrimento às famílias das vítimas. O BEA disse que tem a responsabilidade legal pela investigação de segurança e, por isso, só ele pode dar informações sobre o andamento do inquérito. Assim, qualquer informação sobre a investigação de outra fonte é nula se não foi confirmada pelo órgão.

Em outra matéria divulgada nesta terça-feira, o "Le Figaro" disse que a Airbus, fabricante do A 330 da Air France que caiu no Atlântico, enviou um comunicado (Accident Information Telex, ou AIT) a seus clientes em todo o mundo ressaltando que, no atual estágio de análise do Data Flight Recorder (caixa-preta que registra os parâmetros de voo), a Airbus não tem qualquer recomendação imediata a fazer a seus operadores. O comunicado é assinado por Yannick Malinge, diretor de segurança. De acordo com o diário francês, isso significa que nenhuma das informações preliminares extraídas da caixa-preta do 447 justifica um alerta a seus clientes sobre uma possível falha técnica de seu A 330 ou sobre qualquer mudança de procedimento. Ainda segundo o Figaro, o fato comprovaria a tese de que, após as primeiras análises, os investigadores passaram a se concentrar numa possível falha da tripulação ou da Air France.

Em sua página na internet, o jornal já havia informado que uma das caixas-pretas recuperadas do avião forneceu informação suficiente para concluir que o acidente não foi causado por uma falha do avião da Airbus, mas não tinha explicado como as autoridades chegaram a essa conclusão. Citando fontes do governo e próximas ao caso, o "Le Figaro" disse que o BEA focará sua investigação em saber se a Air France ou sua tripulação tem alguma responsabilidade pelo acidente, levando em conta as supostas evidências de que a aeronave não apresentou falhas.

Mas, segundo fontes ligadas à investigação, os dados do CVR (Cockpit Voice Recorder), com os diálogos dos pilotos na cabine, além do próprio FDR, vão revelar se os erros cometidos são de responsabilidade dos pilotos ou da Air France.

O "Le Figaro" chegou a dizer que o BEA divulgaria novas informações sobre a responsabilidade da Air France ou dos pilotos nesta terça-feira. Através do comunicado, o BEA, no entanto, ressaltou que a análise é um longo e meticuloso processo e que não será emitido um relatório parcial antes do verão europeu. O órgão disse ainda que nesta fase do inquérito, nenhuma conclusão pode ser tirada.

Na segunda-feira, o BEA disse que os dados das duas caixas-pretas do voo AF 447 foram preservados e puderam ser recuperados .

Na quinta-feira, as duas caixas-pretas chegaram a Paris e foram mostradas pela primeira vez. Os equipamentos foram resgatados no início do mês após ficarem dois anos submersos.

Investigadores disseram que os sensores de velocidade da aeronave, que inicialmente foram apontados como uma possível causa do acidente, ainda não foram encontrados. Cerca de 50 corpos foram localizados no local do acidente, disse o promotor público francês Jean Quintard.

Dois corpos foram retirados do local na semana passada, mas os investigadores afirmam que, se não conseguirem retirar amostras de DNA dos cadáveres para identificá-los, abandonarão os planos de resgatar os demais corpos. Na próxima quarta-feira será anunciado se foi possível a identificação dos corpos.

 O Globo

terça-feira, 10 de maio de 2011

Voo 447: França decide que nem todos os corpos serão resgatados

Voo 447: Justiça francesa decide que nem todos os corpos serão resgatados

RIO - A Justiça francesa decidiu que nem todos os corpos das vítimas do voo 447 da Air France, que caiu em 2009 quando seguia do Rio para Paris, serão resgatados. A informação estaria numa carta enviada para as famílias, segundo a agência francesa France Presse. De acordo com a decisão dos juízes Sílvia Zimmermann e Yann Daurelle, os corpos que estiverem muito danificados não serão içados do mar. A justificativa seria a preservação e o respeito das famílias.

O comunicado, no entanto, não chegou ao Brasil. Segundo o presidente da Associação de Parentes de Vítimas do vôo 447, Nelson Marinho, nenhuma carta foi enviada aos brasileiros. Apesar disso, Marinho afirma que já entrou em contato com o Secretario Nacional de Articulação Social para tomar um providência.

- Eu sou dirigente da associação e não recebi nada. Isso não é oficial para a gente. Mas esses juízes se precipitaram, pois estão passando por cima da lei, já que todo corpo encontrado deve ser resgatado. Isso vale em qualquer país - disse Marinho, que lembrou ainda do resgate dos primeiros corpos, em 2009:

- Aqueles primeiros corpos também estavam mutilados. Não há como dizer que um está melhor que o outro. Para mim, eles estão querendo é economizar nos trabalhos de resgate dos corpos.

Segundo o jornal francês "Le Monde", os magistrados reconhecem, na decisão, que é difícil achar uma solução que agrade todas as famílias e lembram que dois corpos em diferentes estados de conservação foram resgatados para que seja determinado se há possibilidade ou não de identificação . Em abril, o líder de um grupo de famílias das vítimas do voo 447, da Air France, afirmou que prefere que os corpos das vítimas não sejam resgatados dos destroços do avião. Em entrevista a agências internacionais, Robert Soulas disse que não gostaria que os restos mortais de seus filhos sejam trazidos à superfície.

As operações de resgate dos corpos devem ser retomadas por volta do dia 20 de maio, quando deverá ocorrer a troca do equipamento do navio. Até lá, a equipe a bordo do navio Ile de Sein vai se concentrar no resgate das peças do Airbus consideradas importantes. Na segunda-feira, o Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês) afirmou que já recuperou uma turbina e o computador de bordo da aeronave.

O Airbus da companhia francesa caiu no Oceano Atlântico em junho de 2009, quando seguia do Rio para Paris, matando 228 pessoas. Pouco depois do acidente, os restos mortais de 51 passageiros foram encontrados.


O Globo

sábado, 7 de maio de 2011

Corpos do acidente do voo 447 sepultados há 2 anos nas profundezas do mar, serão todos resgatados

Voo 447: após dois resgates bem sucedidos, França decide retirar todos os corpos do mar06/05 às 19h56 O Globo, com informações de agências internacionais

RIO - Após dois resgates bem sucedidos, a França decidiu retirar todos os corpos das vítimas da tragédia do voo 447, da Air France, que estão no mar. Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Direção Geral da Polícia Militar francesa (DGGN, na sigla em francês) afirma que a equipe será reforça para fazer, "durante cerca de 15 dias, o resgate de todos os corpos e objetos pessoais que poderão ser recuperados."

Mais cedo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, já havia defendido o resgate de todos os corpos. No Rio de Janeiro, ele ressaltou que o governo brasileiro está acompanhando os trabalhos de resgate de corpos e equipamentos, e afirmou que a investigação das causas da tragédia cabe ao governo francês, mas que todos os países com vítimas envolvidas acompanham os trabalhos de perto.

- Os corpos que forem encontrados serão retirados. Depois temos que saber quem são com exame de DNA.

Em visita ao Complexo do Alemão, Jobim ressaltou que o Brasil está acompanhando o trabalho de resgate liderado pela França:

- O organismo francês que faz as buscas trabalha exclusivamente com o problema do acidente. Depois, as questões decorrentes dos falecidos, dos corpos, serão apuradas. E (os corpos) serão remetidos. Enfim, haverá a colaboração do Brasil, da Rússia. Havia mais de cem nacionalidades no voo. Tinham cerca de cento e poucas nacionalidades no voo.

Na manhã desta sexta, a DGGN anunciou o resgate do segundo corpo de uma das vítimas do acidente . Segundo as autoridades francesas, o corpo também foi içado para o navio Ile de Sein, e passará por um exame de DNA. O corpo encontrado nesta sexta-feira estaria amarrado ao assento, assim como o corpo resgatado na quinta-feira .

O Airbus da companhia francesa caiu no oceano Atlântico em junho de 2009, quando seguia do Rio para Paris, matando 228 pessoas. Pouco depois do acidente, os restos mortais de 51 passageiros foram encontrados . Segundo o perito criminal Mauro Ricart, a identificação das vítimas será feita por roupas, documentos ou, ainda, exame de DNA:

- O corpo pode estar conservado, mas não está íntegro. Intacto, só se estivesse numa câmara de gás criogênico. As partes macias e o rosto são mais afetados. As impressões digitais somem. A água, ainda mais a salgada, corrói. O reconhecimento pode ser feito pela roupa ou por relógio, anel, prótese, documentos no bolso da roupa. E é mais do que possível fazer exame de DNA.

Os corpos vão para a França e o processo será acompanhado por autoridades brasileiras. Em caso de necessidade, será feito o traslado de volta para o Brasil. A Associação de Vítimas, no entanto, critica essa operação.

- Os corpos deveriam ficar no Brasil. Essa viagem vai traumatizar ainda mais os corpos. Se meu filho for para a França, será sepultado lá mesmo. É meu desejo: minha família ficou dividida entre Brasil e França, a empresa é francesa e o monumento (às vítimas) foi feito lá - disse Nelson Faria Marinho, presidente da Associação de Familiares de Vítimas.

A Associação reclama, ainda, da demora da Justiça brasileira em emitir o atestado de morte presumida:

- A Air France, em quatro meses, recebeu sua indenização. As famílias até hoje estão brigando em tribunais para receber o pagamento. A maioria de nós sequer tem o documento de morte presumida. Dentro da associação, apenas um conseguiu. Sem a documentação, não se consegue nada: mexer na conta bancária, regularizar o INSS etc.

Uma comissão de mulheres formada dentro da associação quer levar as reclamações diretamente à presidente Dilma Rousseff.

O Globo

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Voo 447. França anuncia resgate do 1º corpo de vítima do voo 447 encontrado no mar

O primeiro corpo de vítima do voo 447 é resgatado nessa nova fase, informaram autoridades francesas



O primeiro corpo de uma das vítimas do voo 447 da Air France, que caiu no oceano Atlântico em Junho de 2009 quando seguia do Rio para Paris, foi resgatado do mar nesta quinta-feira, anunciou a Direção Geral da Gendarmeria Nacional da França (DGGN, na sigla em francês). Depois de uma tentativa frustrada, os restos de uma vítima foram trazidos para o navio Ile de Sein durante a madrugada.

Em nota, o órgão ressaltou que "os restos mortais ficaram por dois anos submersos a uma profundidade de 3.900 metros. O corpo ainda estava preso em um assento do avião, aparentemente degradado". Segundo a DGGN, as amostras foram feitas por investigadores da polícia no local e serão enviadas na próxima semana para a França para serem submetidas a um exame de DNA.

O órgão ressaltou que a operação é particularmente complexa e inédita e que ainda há muitas dúvidas sobre a viabilidade técnica da recuperação de todos os corpos.

A operação de resgate começou na quarta-feira. Na segunda-feira, o Escritório de Investigação de Acidentes Aéreos (BEA, na sigla em francês) anunciou ter recuperado o gravador de voz, que estava a dez metros da primeira caixa-preta, que grava dados de vôo e foi resgatada no domingo. Assim como a primeira caixa, a segunda foi imediatamente anexada ao inquérito. Ela está sendo mantida num recipiente com água para manter o máximo possível em seu estado atual, e ficará submersa até a contagem inicial do BEA em Le Bourget, perto de Paris.


A localização das caixas-pretas era uma prioridade. A descoberta marca uma etapa crucial nas investigações para descobrir as causas da tragédia, que matou 228 pessoas.
Julgamento de recurso

Na quarta-feira, a 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio negou por unanimidade o recurso da Air France no processo movido pela família de Luciana Clarkson Seba, de 31 anos, que viajava com seu marido e seus sogros. De acordo com a decisão, a companhia terá que pagar R$ 1,6 milhão para a família.De acordo com o advogado João Tancredo, essa foi a primeira decisão de um Tribunal de Justiça no mundo sobre o 447.

Em dezembro, o juiz da 1ª Vara Cível do Fórum da Região Oceânica de Niterói já havia decidido a favor da família de Luciana, quando determinou que a companhia teria que pagar R$ 1,2 milhão de indenização por dano moral, além de uma pensão. A Air France recorreu, mas teve o pedido negado.

Da Agência O Globo

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Robô encontra chassi de uma das caixas-pretas do voo 447

Investigadores encontram carcaça de caixa-preta do avião da Air France

SÃO PAULO - Após vasculhar o fundo do oceano no local onde caiu o Airbus da Air France que fazia o voo 447 entre São Paulo e Paris em 1º de junho de 2009, os investigadores franceses conseguiram localizar a carcaça de uma das caixas-pretas do avião, porém sem o equipamento que grava as informações do voo.

Robô encontra chassi de uma das caixas-pretas do voo 447
Segundo o BEA, o departamento de investigações francês, as buscas com um robô submarino continuam para tentar localizar o equipamento de dados, assim como o gravador de voz.

Os investigadores ressaltaram que, mesmo que os aparelhos sejam encontrados, não há certeza se será possível recuperar as informações gravadas devido aos efeitos da elevada pressão da água do mar na profundidade em que o avião se encontra e do impacto da queda da aeronave. Uma grande parte da fuselagem do Airbus foi localizada no dia 3 de abril, a uma profundidade de 3,9 mil metros.

(Téo Takar | Valor, com agências internacionais)

Valor Online

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Temperatura e profundidade da água evitam decomposição de corpos do voo 447

Temperatura e profundidade da água evitam decomposição de corpos do voo 447

Expedição vai tentar recuperar as caixas pretas do avião da Air France.

Outro assunto que ficou em evidência esta semana: o resgate do avião da Air France que caiu na costa brasileira, dois anos atrás. O repórter Marcos Uchôa mostra os detalhes da expedição que vai tentar recuperar as caixas pretas do avião. 
Em 25 de março de 2011, parte do Porto de Suape, na costa brasileira, a quarta expedição tenta achar, no fundo do mar, os destroços do avião da Air France, quase dois anos depois do acidente. Era a última tentativa e os investigadores estavam preparados para ficar quatro meses procurando. Mas já no oitavo dia, encontraram o alvo, em um local um pouco ao norte da trajetória do voo.
Na escuridão do fundo do Oceano Atlântico, finalmente ficou claro o destino do avião. São milhares de fotografias tiradas pelo submarino, mas poucas foram divulgadas. Turbinas, trem de pouso, fuselagem.

No norte de Paris, fica a BEA (sigla que em francês significa o Escritório de Investigação e Análises). O diretor Jean Paul Traodec recebeu o Fantástico. Especialista do aspecto técnico do acidente, Traodec fica desconfortável quando se trata do assunto dos corpos achados junto ao avião. O número não foi divulgado.

Até hoje, 80% dos corpos das pessoas mortas não foram encontrados. Quantos ainda estão lá? E em que condições?

Destroços do avião encontrados no fundo do Oceano Atlântico
Traodec diz que a água está a 2ºC, e que a 3900 metros de profundidade quase não tem oxigênio que permita reações químicas para a decomposição dos corpos.

Ainda assim, a ideia de tirar as pessoas desse túmulo gelado é algo que para famílias na França e no Brasil é muito delicado. Traodec diz que eles não têm opção porque existe um processo judicial e que vão pegar todos os corpos que puderem pegar.

No Brasil, o líder da associação das famílias vítimas do acidente está resignado com essa decisão. “Algumas famílias, até por sentimento, achavam deveriam ficar lá no fundo do mar. Mas sabemos que não pode ser feito isso por causa da lei”, esclarece Nelson Faria Marinho, presidente da Associação Brasileira de Vítimas do voo 447.

Três navios foram pré-selecionados para essa última viagem que deve começar em duas ou três semanas. Um deles está atracado no Porto de Brest, na França.

O Fantástico foi conhecer o que faz um barco desses ser tão especial. O comandante explica que um cablier normalmente é um navio que coloca e conserta cabos submarinos utilizados para comunicação. E que, no mundo todo, só existem uns 30 com todos esses equipamentos. É fundamental ter um robô para fazer o trabalho no fundo do mar, cortar, pegar, recolher, tudo monitorado lá de cima.

O navio estava sendo carregado, e vários tripulantes disseram estar na expectativa de fazer esse trabalho. Mas, no dia seguinte, o governo francês escolheu outro barco, igual, por estar nas Ilhas Canárias, já mais próximo do local.

Cerca de 60 pessoas, entre tripulantes, peritos, médicos legistas e funcionários da polícia judiciária, vão participar dessa última expedição que deve demorar cinco semanas para completar todo o trabalho. Além do barco principal, haverá outro menor, da Marinha francesa, responsável por trazer para a França,o mais rápido possível, as caixas-pretas e todos os instrumentos mais importantes para a investigação.

Philipe de Hugues é chefe do laboratório que vai analisar as caixas-pretas. Ele explica que o nome ficou, mas que há décadas que elas são laranjas para serem mais fáceis de serem encontradas. São duas caixas, e o que importa são os cilindros. Em um, estão as últimas duas horas das conversas dos pilotos. No outro, os dados técnicos das últimas 25 horas de voo do avião.

Philipe mostra a gravação de uma aterrissagem normal. O que aconteceu com o voo 447 é o mistério que todos querem esclarecer. 
Fantástico