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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Nova York será a principal prejudicada pelo aumento do nível do mar causado pelo aquecimento global

A cidade de Nova York deverá ser a principal prejudicada pelo aumento do nível do mar causado pelo aquecimento global, enquanto a capital da Islândia, Reykjavik, será uma das menos afetadas pelo fenômeno. Em 2007, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) anunciou uma previsão de que a altura dos oceanos pode subir pelo menos 0,28m até o fim do século, valor considerado extremamente modesto por muitos especialistas. O número, no entanto, é uma média global e, agora, uma equipe holandesa construiu o primeiro modelo de como essa elevação vai variar regionalmente.
Nova York, localizada na ilha de Manhattan, mostrada em 2004, é uma das áreas mais vulneráveis ​​do Estado para a inundação. (AP Photo Willens / Kathy)

Correntes marinhas e diferenças na temperatura e salinidade da água estão entre os fatores que podem fazer com que o nível médio do mar varie até um metro entre os oceanos, sem contar mudanças de curto prazo como marés e ventos. Assim, se as correntes forem alteradas pelo aquecimento global, o que também é esperado, os padrões regionais de altas e baixas também mudarão.

- Todos ainda sentirão o impacto, e em muitos lugares a elevação estará dentro da média - disse à BBC News Roderik van der Wal, da Universidade di Utrecht e um dos integrantes da equipe de cientistas, que apresentou seus resultados em encontro da União Europeia de Geiociências em Viena. - Mas locais como Nova York verão um aumento acima da média, 20% mais neste caso, e Reykjavik terá uma situação melhor.

Das 13 regiões para as quais os pesquisadores fizeram projeções, Nova York terá a maior elevação acima da média, que também acontecerá em Vancouver, Tasmânia e nas Ilhas Maldivas. Uma das peculiaridades das estimativas é que as áreas mais próximas das coberturas de gelo que deverão derreter terão elevações menores do que outras mais distantes. Isso porque essas capas de gelo na Antártica e Groenlândia atuam como imãs gravitacionais da água, que puxa a água para a costa, fazendo com que se acumule. Com o derretimento das coberturas de gelo, o nível do mar sobe simplesmente porque mais água foi despejada nele, mas a atração gravitacional é menor, fazendo com que que ele até abaixe nessas regiões.

- Assim, se a capa da Groenlândia derreter mais, é melhor para Nova York. Mas se é a Antártica que derrete, é pior para ela, o que também é verdade para o noroeste da Europa - explicou Van der Wal.


O efeito é particularmente forte em Reykjavik, capital mais próxima da Groenlândia, onde a elevação do nível do mar deverá ser menor que a metade da média global. Van der Wal é um dos cientistas que estão trabalhando em novas projeções de aumento em novas projeções de elevação do nível do mar que serão incluídas em novo relatório do IPCC que deve ser publicado em 2013 e 2014. Até lá, outros pesquisadores deverão produzir mais modelos regionais.

- Estamos apenas começando a fazer projeções regionais e ainda há muitas incertezas - comentou Stefan Rahmstorf, especialista em nível do mar do Potsdam Institute for Climate Impact Research, na Alemanha. - Mas está claro que algumas partes do mundo sentirão o aumento do nível do mar mais rápido do que outras, e em alguns o movimento das massas terrestres é um fator adicional. Em locais como a costa da Escandinávia, o terreno está se elevando tão rápido que não haverá nenhum problema com o aumento do nível do mar em um futuro próximo, enquanto em outros a terra está cedendo, o que inclui várias grandes cidades no delta de rios.

Pouco antes do relatório do IPCC de 2007, Rahmstorf publicou pesquisa mostrando que o nível do mar está subindo mais rápido do que o previsto pelos modelos climáticos. Desde então, ele e outros cientistas, usando diversas técnicas, concluíram que um aumento entre meio metro e um metro até o fim do século é mais provável. Agora, no encontro da União Europeia de Geiociências, ele apresentou novas análises indicando que a elevação será ainda maior, variando entre 0,75m e 1,9m dependendo de como as capas de gelo vão derreter e como a sociedade vai responder às descobertas dos climatologistas e controlar as emissões de gases do efeito estufa.

O Globo

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Aquecimento do planeta faz surgir nova ilha na Groenlândia



Aquecimento do planeta faz surgir uma nova ilha na Groenlândia



O mundo ganhou uma nova ilha, e ela atende pelo nome de Uunartoq Qeqertaq. O nome significa “Ilha do aquecimento” em inuíte, a língua dos esquimós, e pela primeira vez foi mapeada e catalogada em um atlas, o The Times Comprehensive Atlas of the World, que teve nova edição lançada nesta quinta-feira (15).

Não é a toa que a ilha tem esse nome: ela é praticamente um fruto do aquecimento global. O local estava completamente coberto por gelo, e ligado ao território da Groenlândia. Com o fenômeno das mudanças climáticas, o gelo começou a derreter, separando a ilha do resto do país.

A Uunartoq Qeqertaq deve ser a primeira de muitas ilhas a surgir na região. Segundo o mapeamento do atlas, nos últimos 12 anos a Groenlândia já perdeu 15% de seu território, cerca de 300 mil km2 de cobertura de gelo – uma área do tamanho do Reino Unido. “Ao longo das últimas décadas, as atividades humanas e os efeitos das mudanças climáticas forçaram os cartógrafos do atlas a não só ‘apagar’ a cobertura de gelo, mas também a encolher mares e redesenhar rios”, explica Jethro Lennox, editor do Atlas.

Junto com a nova ilha, o atlas também apresenta novas mudanças geográficas causadas pelas mudanças climáticas. A Antártida continua perdendo gelo, assim como alguns lagos estão ficando mais secos; o nível do Mar Morto diminuiu 12 metros nos últimos 12 anos; o Mar de Aral, na Ásia Central, diminuiu 75% desde 1967, e só voltou a aumentar após o governo do Cazaquistão redirecionar água para a região; e muitos rios estão secando no mundo, como o rio Colorado, nos Estados Unidos, e o rio Ongyin Gol, na Mongólia.

(Bruno Calixto)

Vídeo
Um recém-descoberto "ilha aquecimento global", na costa leste da Groenlândia. Como destaque no New York Times em terça-feira, 17 de janeiro, a ilha foi descoberta pelo explorador Dennis Schmitt em setembro de 2005. A pequena expedição retornou em setembro de 2006 para documentar e explorá-lo. Como a folha de gelo da Groenlândia derrete, novas ilhas continuam a aparecer. Dirigido, editado e fotografado por Eric Ristau

sábado, 28 de agosto de 2010

Mudanças no mapa do Brasil. Alteração no nível do mar faz cidades desaparecerem e ilha surgir entre SP e PR.

A escassez progressiva da areia pode fazer com que algumas praias do litoral brasileiro desapareçam do mapa, principalmente nas cidades. A afirmação é do geólogo e geógrafo Dieter Muehe, para quem os maiores vilões desse fenômeno são o aquecimento global e as ações nocivas do homem ao meio ambiente.

Em entrevista à Agência Brasil, Muehe explicou que as mudanças climáticas estão provocando elevações do nível do mar e tempestades em ritmo acelerado, tornando vulneráveis as faixas de areia de muitas praias do País.

“As regiões urbanas são as que correm mais risco, pois geralmente a perda de areia não é reposta naturalmente e a orla sofre maior erosão. Isso já ocorre em várias praias do Rio de Janeiro, como Piratininga, Ipanema e Cabo Frio”, cita o geólogo.
Niterói - Praia de Piratininga

O estudo foi apresentado na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 25 a 30 de julho, em Natal.

Embora preocupante, a situação pode ser revertida, explicou Muehe. “As areias retiradas precisam ser repostas por meio de dragagens com areias idênticas às da praia ou mais grossas”, explica.

Outra solução, segundo o especialista, é a exploração de depósitos arenosos na zona submarina, embora seja uma alternativa cara, por já serem usadas pela construção civil ou por causa da proibição de sua exploração por questões ambientais.

Ele alertou que é fundamental investir em estudos sobre as fontes de sedimentos, com depósito de areia adequado, “além de saber como tirá-la para não afetar a biologia da área”.

Muehe repete o ditado de que é melhor prevenir do que remediar. “O certo seria adotar faixas de não-edificação, conforme previsto por lei, que variam de 50 a 200 metros, e assim teremos um espaço de ajustamento da linha da costa", acredita.

O pesquisador lamentou que esse procedimento seja praticamente impossível em áreas urbanizadas. “No Leblon e em Copacabana, por exemplo, não tem jeito. Nesse caso, compensa o investimento na manutenção da praia de forma artificial. Há lugares do mundo em que se repõe areia a cada ano, o que precisa ser intensificado e coordenado de forma mais eficiente”, avalia o geólogo.(www.fapesp.br/)