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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Groelândia e sua impressionante beleza gelada


Viajar para a Groelândia significa mais do que saciar um desejo por explorar destinos exóticos. O viajante que desbrava a maior ilha do mundo se depara com um mundo de exuberância gelada. A Groenlândia, com seus 2,2 milhões de quilômetros quadrados, está inseparavelmente unida ao gelo, eixo principal de sua beleza.
"Aurora boreal - Tempestade geomagnética: .. Um fluxo de vento solar atingem a Terra... Na chamada noite eterna, o sol é um reflexo tênue e indireto na neve e as auroras boreais geram efeito incomparável

O gelo é inerente à Groenlândia, cujos 56 mil habitantes se espalham por apenas 15% de sua superfície não-gelada. Essa singularidade geográfica dá uma beleza única ao local, mas também condiciona e encarece o transporte para a ilha, autônoma dentro do Reino da Dinamarca.
É dito que Ilulissat tem cinco mil habitantes, mas oito mil almas, três mil delas dos cachorros

No inverno, quando os 30 graus abaixo de zero não são raros, chega a "kaperlak", a noite eterna.

Em qualquer estação do ano, a principal atração de Ilulissat, região que é Patrimônio Cultural da Humanidade, é a geleira homônima de mais de 56 quilômetros de comprimento e 10 de largura.

A 300 quilômetros do norte do Círculo Polar Ártico, Ilulissat fica sobre um cabo junto ao fiorde gelado de Kangia, onde desemboca a geleira Sermeq Kujalleq, a maior do hemisfério norte. Daí o nome dessa povoação, que significa 'montanha de gelo' na língua local. O imponente cenário oferece um verdadeiro espetáculo de gelado.
O gelo é inerente à Groenlândia: beleza única

Copenhague é a única conexão aérea permanente. Da capital dinamarquesa saem quatro voos semanais (oito no verão europeu) da Air Greenland para Kangerlussuaq, porta de entrada no oeste do país e de onde há conexões com outros 22 aeroportos menores, incluindo o de Ilulissat.

A Air Islândia voa para Nuuk e Ilulissat a partir da Islândia, mas apenas no verão. Nessa época, quando o mar não está congelado, as companhias de cruzeiros percorrem suas costas.

Perante a impossibilidade de uma rede de estradas pelo gelo - reduzida só a áreas urbanas - o transporte interior se limita fundamentalmente a avião e helicóptero, o que também encarece os preços.
Ilulissat repousa sobre um cabo junto ao fiorde de Kangia

Kangerlussuaq, localidade de pouco mais de 200 habitantes e aonde se chega após quatro horas de voo, é um lugar perfeito para visitar os mantos de gelo (indlandsis).

A região oferece várias possibilidades de alojamento - albergues ou hotéis - com preços que variam de 45 a 150 euros por pessoa. Há até um restaurante junto ao fiorde, onde é possível degustar iguarias locais como a carne de boi-almiscarado, vieiras e batatas cultivadas na Groenlândia.


A uma hora de avião está Ilulissat, incluída no município de Qaasuitsup, o maior do mundo em extensão com 660 mil quilômetros quadrados.

Dizem que em Ilulissat vivem cinco mil pessoas, porém oito mil almas, pelos três mil cachorros que habitam a região e cujos uivos são parte da paisagem.

No inverno, o frio congela o mar e as tempestades de neve tornam imprevisível o transporte aéreo. Assim, o trenó puxado por cachorros é o veículo mais confiável.

No inverno, quando os 30 graus abaixo de zero não são raros, chega a "kaperlak", a noite eterna. Nela, o sol é um reflexo tênue e indireto na neve e as auroras boreais produzem um efeito incomparável. No verão, por outro lado, o dia nunca se acaba: é o sol da meia-noite, e as temperaturas podem superar 20 graus de dia.

Seja qual for a estação do ano, a principal atração de Ilulissat é a geleira de mais de 56 quilômetros de comprimento e 10 de largura e que produz 63 bilhões de toneladas de gelo ao ano.

A geleira envia continuamente pedaços de gelo gigantes ao fiorde e à baía Disko, e sua contemplação é um espetáculo único.

A geleira se tornou um verdadeiro símbolo dos efeitos da mudança climática, o que levou a Ilulissat políticos como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.

A fauna é outro ponto forte, com pássaros, focas e, sobretudo, baleias. São organizadas excursões no verão para ver esses animais.

A inclusão da geleira e do fiorde na lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) duplicou o turismo em cinco anos - foram 19 mil visitas em 2008, segundo dados do Escritório de Turismo da Groenlândia - e fez a oferta hoteleira aumentar.

A geleira proporciona o principal meio de subsistência a seus habitantes: a água fresca e rica em oxigênio do gelo derretido se mistura com a água salgada criando boas condições para a pesca.
Kangerlussuaq é lugar perfeito para visitar os mantos de gelo


Visita obrigatória em Ilulissat é a casa-museu de seu cidadão mais ilustre, Knud Rasmussen, o mítico explorador que provou a unidade cultural dos povos locais.

Poucos quilômetros a sudoeste, junto à desembocadura do fiorde, está o povoado de Sermermiut, com restos dos diferentes povos inuitas que por ali passaram ao longo dos séculos e que ainda têm muitos de seus costumes vivos, como a caça de focas e baleias e os trenós puxados por cachorros.


Também permanece o groenlandês, idioma mais falado pela população local, seguido pelo dinamarquês e o inglês.


O processo de modernização pelo qual a Groenlândia passou nos últimos 50 anos provocou uma concentração da população em cidades maiores, algo em claro retrocesso na atualidade.


Um exemplo vivo de nova colônia é Oqaatsut, 18 quilômetros ao norte de Ilulissat, onde vivem 500 pessoas, dedicadas quase exclusivamente à pesca. Ali só se pode chegar após uma complicada caminhada ou por barco.

É dito que Ilulissat tem cinco mil habitantes, porém oito mil almas, três mil delas dos cachorros

Na direção norte, a 70 quilômetros de Ilulissat, se chega à geleira de Eqi, cuja parte frontal se estende por 3,4 quilômetros e alcança uma altura média de 200 metros. Com cautela, um barco pode se aproximar para presenciar de perto como enormes pedaços de gelo caem ao mar criando pequenas ondas.


Com mais um dia, é possível pernoitar no Ice Camp Eqi, hospedaria com 12 cabanas na montanha oposta. A falta de água quente e eletricidade, embora haja calefação, é compensada com um excelente café com boa comida, além, é claro, da vista incomparável da geleira.

Um pacote com viagem de barco de ida e volta saindo de Ilulissat, uma noite no Ice Camp e guia sai por 360 euros por pessoa.

Seja contemplando a geleira de Eqi, navegando ou voando sobre o fiorde gelado, ou caminhando sobre os mantos de gelo, é possível entender o sentido de um popular ditado: "Uma vez a Groenlândia, sempre a Groenlândia".

da EFE

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Aquecimento do planeta faz surgir nova ilha na Groenlândia



Aquecimento do planeta faz surgir uma nova ilha na Groenlândia



O mundo ganhou uma nova ilha, e ela atende pelo nome de Uunartoq Qeqertaq. O nome significa “Ilha do aquecimento” em inuíte, a língua dos esquimós, e pela primeira vez foi mapeada e catalogada em um atlas, o The Times Comprehensive Atlas of the World, que teve nova edição lançada nesta quinta-feira (15).

Não é a toa que a ilha tem esse nome: ela é praticamente um fruto do aquecimento global. O local estava completamente coberto por gelo, e ligado ao território da Groenlândia. Com o fenômeno das mudanças climáticas, o gelo começou a derreter, separando a ilha do resto do país.

A Uunartoq Qeqertaq deve ser a primeira de muitas ilhas a surgir na região. Segundo o mapeamento do atlas, nos últimos 12 anos a Groenlândia já perdeu 15% de seu território, cerca de 300 mil km2 de cobertura de gelo – uma área do tamanho do Reino Unido. “Ao longo das últimas décadas, as atividades humanas e os efeitos das mudanças climáticas forçaram os cartógrafos do atlas a não só ‘apagar’ a cobertura de gelo, mas também a encolher mares e redesenhar rios”, explica Jethro Lennox, editor do Atlas.

Junto com a nova ilha, o atlas também apresenta novas mudanças geográficas causadas pelas mudanças climáticas. A Antártida continua perdendo gelo, assim como alguns lagos estão ficando mais secos; o nível do Mar Morto diminuiu 12 metros nos últimos 12 anos; o Mar de Aral, na Ásia Central, diminuiu 75% desde 1967, e só voltou a aumentar após o governo do Cazaquistão redirecionar água para a região; e muitos rios estão secando no mundo, como o rio Colorado, nos Estados Unidos, e o rio Ongyin Gol, na Mongólia.

(Bruno Calixto)

Vídeo
Um recém-descoberto "ilha aquecimento global", na costa leste da Groenlândia. Como destaque no New York Times em terça-feira, 17 de janeiro, a ilha foi descoberta pelo explorador Dennis Schmitt em setembro de 2005. A pequena expedição retornou em setembro de 2006 para documentar e explorá-lo. Como a folha de gelo da Groenlândia derrete, novas ilhas continuam a aparecer. Dirigido, editado e fotografado por Eric Ristau

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Geleira do tamanho de Manhattan se desprende da Groenlândia

É o maior pedaço de gelo que se desprende no Mar Ártico desde 1962


Pedaço de geleira flutua na baía de Ammassalik, na Groenlândia

Uma geleira quatro vezes maior que a ilha de Manhattan, onde fica a cidade de Nova York, se desprendeu na quinta-feira da Groenlândia. É o maior pedaço de gelo que se desprende no Mar Ártico desde 1962, segundo informação de pesquisadores da Universidade de Delaware

Universidade de Delaware (A geleira de Petermann em 2009)

A ilha de gelo tem 259 km² e uma espessura equivalente à metade do Empire State Building, que tem 381m. A quantidade de água doce armazenada em seu interior seria suficiente para abastecer todos os Estados Unidos por 120 dias. Ela é parte da geleira de Petermann, a mais setentrional do planeta, que vem sofrendo com os efeitos do aquecimento global.

Segundo pesquisadores da Universidade de Delaware, que mantêm um observatório próximo à Groenlândia, o gigantesco bloco de gelo deve chegar ao Oceano Atlântico em dois anos. O maior bloco a se desprender no Mar Ártico, em 1962, tinha 600 km². Nos últimos anos, dois blocos menores se desprenderam da geleira de Petermann, uma de 88 km², em 2001, e outra de 26 km², em 2008.

Fonte: VEJA