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domingo, 8 de maio de 2011

Risco de terremoto nos Andes é maior do que o suposto até agora

Risco sísmico nos Andes é maior do que o suposto até agora

A parte sul da cordilheira subandina, uma zona na qual moram mais de dois milhões de pessoas, está exposta a um risco sísmico significativamente superior ao previamente suposto pelos especialistas, publica esta semana "Nature Geoscience" em sua versão na internet.
 Cordilheira dos Andes Deserto do Atacama
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Havaí (EUA) coloca que a magnitude de um tremor na região poderia chegar a um máximo de entre 8,7 e 8,9 graus na escala Richter, em contraste com os 7,5 graus anteriormente estimados.

O grupo de estudiosos, liderado pelo investigador Benjamin Brooks, utilizou um GPS para criar um mapa dos movimentos na superfície terrestre ao longo do flanco oriental da cordilheira dos Andes.

Esta técnica lhes permitiu descobrir que uma seção pouco profunda ao leste da região, de cerca de 100 km de comprimento, está encaixada entre placas tectônicas em movimento, o que gera tensão entre estas estruturas.

Se esta seção se quebrasse pela força de um terremoto produzido pelo choque das placas, a magnitude do tremor poderia alcançar até 8,9 graus. [DA EFE, EM LONDRES]


Estudo diz que terremoto no Leste dos Andes pode ser devastador
Sismos podem atingir magnitude 8,9; pensava-se que o limite era 7,5.
Região abrange partes do Sul da Bolívia e do Norte da Argentina.

Pesquisadores com um dos aparelhos utilizados
(Foto: Ben Brooks, SOEST/UHM / Cortesia)
A região a leste da parte central dos Andes, o que corresponde à região da fronteira entre a Bolívia e a Argentina, está exposta a um risco sísmico significativamente superior ao previamente suposto pelos especialistas, publica esta semana "Nature Geoscience" em sua versão na internet.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Havaí (EUA) coloca que a magnitude de um tremor na região poderia chegar a um máximo de entre 8,7 e 8,9 graus na escala Richter. Antes, se estimava que o máximo possível seria 7,5 graus, com base no histórico relativamente tranquilo da região.

O grupo de estudiosos, liderado pelo investigador Benjamin Brooks, utilizou um GPS para criar um mapa dos movimentos na superfície terrestre ao longo do flanco oriental da cordilheira dos Andes.

Esta técnica lhes permitiu descobrir que uma seção pouco profunda ao leste da região, de cerca de 100 quilômetros de comprimento, está encaixada entre placas tectônicas em movimento, o que gera tensão entre estas estruturas.

Se esta seção se quebrasse pela força de um terremoto produzido pelo choque das placas, a magnitude do tremor poderia alcançar até 8,9 graus. [Da EFE]

sábado, 14 de agosto de 2010

Terremoto de Lisboa, 1755: uma tragédia dantesca na história da Europa

O comerciante francês Jacome Ratton costumava ir à missa na igreja do Carmo, no centro de Lisboa. Naquela manhã, ele não foi. De sua janela via “o céu risonho como quase sempre é nas felizes regiões da Europa do sul” – como relatou anos mais tarde. Não percebeu a agitação dos animais de tração, os cães em disparada pelas ruas, os pássaros em louca revoada. Três minutos antes das 10 horas ouviu-se um tremendo ruído e na cidade levantaram-se enormes colunas de poeira. Estremecia a terra e em menos de um minuto ela engoliu o cais da alfândega. A poeira era tão densa que como um nevoeiro espesso impedia que se enxergasse a dois passos de distância. Era intensa também na casa de Ratton, ou no que sobrara dela. “Ao sentir o primeiro abalo – diz ele – me ocorreram muitas reflexões para salvar a minha vida e não ficar sepultado debaixo das ruínas da própria casa ou das vizinhas, se descendo as escadas fugisse para a rua.

Mas tomei o partido de subir ao telhado nas vistas de que abatendo a casa eu ficasse superior às ruínas.” Ratton era jovem, tinha 19 anos, e pôde suportar ser jogado de um lado para outro, antes de cair junto com o teto e as paredes que sustentavam sua casa. Arrastando-se, pulou para o jardim fugindo em corrida cega. Teve tempo de evitar uma rachadura que engoliu uma carroça e seus cavalos, até que o cheiro fétido de enxofre, vindo do Tejo, o paralisou. O rio, “um mato confuso de mastros entrelaçados e um horroroso cemitério de cadáveres” – segundo outro observador da época – ululava. Gania. Foi assim, com a garganta sufocada de fumaça, arranhões e machucados pelo corpo e as vestes em pedaços, que discerniu, por entre nuvens de fumaça e poeira, o rosto de ensangüentados familiares. A seus pés, uma jovem soluçava, apertava no seio sujo uma criança morta.

Irradiações da Tsunami
Ratton não foi o único a entender o que estava acontecendo. Houve vários observadores do fenômeno entre os membros da comunidade britânica. Com a tradicional fleuma inglesa, um deles assim narrou os acontecimentos: “Eu vivia numa casa próxima ao centro da cidade. O meu quarto ficava no terceiro andar. Aí estava sentado quando senti a casa tremer com suavidade, aumentando gradualmente com um barulho precipitado, como o som de carruagens. Isso foi o que de início imaginei ser a causa do barulho e tremor. Mas, ao observar os quadros no meu quarto a bater contra as paredes, levantei-me e percebi que era um terremoto. Nessa altura, o movimento era tão violento que eu me mantinha em pé com dificuldade. Toda a casa rachava a minha volta, as telhas, as paredes despedaçavam-se. Ouvi aterrorizado os gritos e choros vindos de todos os lados. Então, resolvi mudar de roupa e sair também.

Tinha me vestido até a cintura e estava a enfiar o casaco e o colete quando senti o segundo abalo. Agarrei meu chapéu e, tirando a minha cabeleira do suporte, desci dois lanços e meio de escadas, mas parei de repente ao ouvir cair telhas e grandes pedras. Isso me fez refletir que, ao fugir de uma casa a cair, corria o risco de ficar sepultado sob as ruínas de muitas outras nas ruas estreitas. Por isso, resolvi ficar onde estava, numa escadaria de pedra em caracol. Enquanto aqui permaneci, os degraus sobre os quais eu estava ergueram-se do chão e eu esperava morrer esmagado a todo o momento. Durante este período ouvi uma voz triste, abaixo de mim, gemendo e chamando por socorro, até que o tremer da casa me permitisse ajudar. Foi o que fiz assim que tive uma oportunidade e descobri que a pessoa em aflição era nossa governanta, que fugira logo ao primeiro abalo, levando consigo um criado, sendo, porém, surpreendidos à porta da rua pela parede que os feriu, deixando-os soterrados nos destroços”.

Durante três dias, enquanto a cidade queimava, saques e assassinatos foram freqüentes. Os sacrilégios também, uma vez que ladrões não faziam cerimônia em roubar as ricas igrejas de Lisboa. Grupos de bandidos roubavam e estupravam quem cruzasse seu caminho. Desertores espanhóis percorriam o que sobrara das casas levando o que servisse para vender. Os famintos ameaçavam atacar os que tinham algum alimento, de forma que a comida era sempre consumida às escondidas. Havia um clima de total insegurança entre os sobreviventes.

O terremoto de Lisboa do 1º de novembro de 1755 foi uma das maiores tragédias do século 18. Sua repercussão no mundo ocidental foi registrada por escritores como Voltaire e filósofos como Kant, afora os milhares de relatos de médicos, físicos e pessoas comuns que sobreviveram até os dias de hoje. Ninguém jamais soube exatamente o número de mortos, mas a lembrança do horror conserva-se intacta.

Autora:  Mary Del Priore
Mary Del Priore é historiadora, autora de O mal sobre a terra: uma história do terremoto de Lisboa de 1755, entre outros 17 livros



Em 1755, o terremoto atingiu na manhã de 01 de novembro, o feriado católico de Todos os Santos. Relatos contemporâneos afirmam que o terremoto durou entre três e meio a seis minutos, causando fissuras gigantescas de cinco metros de larga a aparecendo no centro da cidade. Sobreviventes correram para o espaço aberto do cais por segurança e viram como a água recuou, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas há tempos. Cerca de quarenta minutos depois do terremoto, um tsunami enorme envolveu o porto e o centro da cidade, avançando acima do rio Tejo, "tão rápido que várias pessoas andando a cavalo ... foram obrigados a galope o mais rápido possível a lugares mais altos por medo de serem levados." O  tsunami  teve sequencias de duas vagas. Nas áreas não afetadas pelo tsunami, o fogo logo se alastrou, e os incêndios duraram cinco dias ....


Choques do sismo foram sentidos por toda a Europa, tanto quanto na Finlândia e África do Norte, e de acordo com algumas fontes, mesmo na Groenlândia e no Caribe. Tsunamis tão alto quanto 20 metros  varreram a costa do Norte de África, e atingiu a Martinica e Barbados outro do lado do Atlântico. Um tsunami de três metros (dez metros) bateu na Cornualha, na costa sul inglesa. Galway, na costa oeste da Irlanda, também foi atingida, resultando em destruição parcial do "espanhol Arch seção" da cidade ... parede.
Execuções na sequência do terramoto de Lisboa. Pelo menos 34 ladrões foram enforcados
 na sequência caótica do desastre.


A família real escapou ilesa à catástrofe, D. José I de Portugal e da corte tinham deixado a cidade, depois de assistir à missa ao amanhecer, cumprindo o desejo de uma das filhas do rei para passar as férias longe Lisboa. Depois da catástrofe, D. José desenvolveu um medo de viver dentro das paredes, e o tribunal foi acomodado em um grande complexo de tendas e pavilhões nas colinas da Ajuda, em seguida, nos arredores de Lisboa. claustrofobia O rei nunca quis, e foi só depois da morte de José que sua filha de Maria I de Portugal começou a reconstruir o Palácio Real  da Ajuda, que ainda está no local do antigo acampamento de tendas. Como o rei, o primeiro-ministro Sebastião de Melo (Marquês de Pombal), sobreviveu ao terramoto. Quando perguntado o que era para ser feito, Pombal teria respondido, "enterrar os mortos e curar os vivos", e definir a organização de ajuda e os esforços de reabilitação. Bombeiros foram enviados para extinguir as chamas em fúria, e as equipes de trabalhadores e cidadãos comuns foram ordenados a remover os milhares de cadáveres, antes que doenças pudessem se espalhar. Ao contrário dos costumes e contra a vontade da Igreja, muitos cadáveres foram carregados em barcaças e jogados no mar para além da foz do Tejo. Para evitar transtorno na cidade arruinada, o Exército Português foi implantado e forcas  foram construídas em pontos altos ao redor da cidade para deter os saqueadores Mais de trinta pessoas foram executadas publicamente. 


O tipo eo primeiro-ministro lançou imediatamente os esforços para reconstruir a cidade, a contratação de arquitetos, engenheiros e organização do trabalho. Em menos de um ano, a cidade foi limpa de detritos. Keen ter um novo e perfeitamente ordenado da cidade, o rei encomendou a construção dos quadrados grandes, retilínea, grandes avenidas e ruas alargadas - os novos lemas de Lisboa. Quando o Marquês de Pombal foi questionado sobre a necessidade de ruas tão largas, ele teria respondido: "Um dia eles serão pequenos."



sábado, 27 de fevereiro de 2010

Forte terremoto abala o Chile e deixa dezenas de mortos

SANTIAGO, Chile - Um potente terremoto de magnitude 8,8 atingiu a região central do Chile na madrugada deste sábado, 27, sacudindo a capital Santiago por um minuto e meio e desencadeando um alerta de tsunami no Oceano Pacífico. Um forte tremor secundário, ou réplica, do terremoto foi sentido na capital por volta das 7h30, fazendo tremer edifícios, informaram testemunhas.

Pouco depois das 7 horas da manhã, a presidente Michele Bachelet declarou "estado de catástrofe", e o total de mortos, segundo as autoridades, já supera os 70. O tremor também foi sentido na Argentina.

Funcionários de linhas aéreas brasileiras e peruanas informaram à agência de notícias Reuters que o aeroporto de Santiago tinha sido fechado em virtude do terremoto. O fechamento foi posteriormente confirmado por autoridades. O aeroporto sofreu danos com o abalo.

"Temos um enorme terremoto", havia dito Bachelet, horas antes, a partir de um centro de reação a emergências, num apelo para que os chilenos fiquem calmos. "Estamos fazendo todo o possível com todas as forças que temos. Toda informação será compartilhada imediatamente".

Uma grande onda atingiu uma área povoada da Ilha de Robinson Crusoe, a 660 km da costa chilena, disse Bachelet. "Foi um terremoto devastador", disse o ministro do Interior, Edmundo Perez Yoma, a jornalistas. Dois navios teriam sido enviados à ilha para socorrer os moradores.

Bachelet disse ainda que há um grande risco aos moradores da Ilha de Páscoa, na Polinésia. "Há o risco de uma forte onda", embora "eu não me atreva a chamá-la de tsunami", disse a chefe de Estado, sobre a localidade que fica a 3.600 quilômetros da costa chilena e tem aproximadamente 3.800 habitantes.


A presidente Michele bachelet fala à imprensa após o terremoto que abalou a capital. TVN/AP

Ela pediu que as pessoas evitassem sair de carro na madrugada, já que os sinais de trânsito estão desligados, para evitar causar mais baixas. Em entrevista concedida horas depois dessa primeira manifestação, a presidente afirmou que não há risco de tsunami na costa chilena.

O tremor ocorreu às 3h34 da madrugada, e esteve centrado no mar, a 325 km a sudeste da capital, numa profundidade de mais de 50 km, informa a Geological Survey dos EUA.


O epicentro está a 115 km de Concepción, a segunda maior cidade do Chile, onde mais de 200 mil pessoas vivem ao longo do Rio Bio Bio, e a 90 km da estação de esqui de Chillan, uma porta de entrada para os resorts de neve dos Andes, e que foi destruída em 1939, num terremoto.


Moradores de Santiago saem às ruas de madrugada, após o tremor de terra. Cristóbal Saavedra/EFE

O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico emitiu um alerta para o Chile e o Peru, e um aviso menos urgente para Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica e Antártida. Um tsunami também poderá atingir o Havaí mais à tarde.

O maior terremoto da história atingiu a mesma região do Chile, em 22 de maio de 1960. O tremor de magnitude 9,5 matou 1.655 pessoas e deixou 2 milhões de desabrigados.

Vítimas

Segundo o ministro Yoma, 34 das mortes foram registradas na região do Maule, a 300 quilômetros ao sul de Santiago.

Ainda ocorreram 13 mortes em Santiago, dez na região de O'Higgins, quatro em Valparaíso e três em Araucania, a 670 quilômetros ao sul de Santiago.

Na região do Bio-Bio, a 500 quilômetros de Santiago, onde ocorreu o epicentro do terremoto, registrado às 03h36 de hoje, foram confirmadas dez mortes, mas se presume que exista um número maior, segundo o subsecretário do Interior, Patrício Rosende.

Até o momento persistem problemas de comunicação, disse o funcionário, que confirmou que o governo declarou estado de catástrofe em todo o território atingido pelo sismo, entre as regiões de Valparaíso e Araucania, que abrange 800 quilômetros do país.


Réplicas

Diversas réplicas do tremor foram registradas nas últimas horas, de acordo com o US Geological Survey. pelo menos treze tremores secundários de magnitude entre 6,9 e 5,2 foram detectados pelo Escritório nacional de Emergências do Chile.

A maioria teve epicentro no mar, diante da costa da região de Maule, como o primeiro tremor, mas também na costa das regiões de Bio Bio, Araucanía e O'Higgins, bem como Valparaíso.




Terremoto atingiu o centro e população ficou assustada

Nas ruas, carros destruídos e destroços dos prédios

Ainda de madrugada, prédios em chamas no centro de Santiago

Já de manhã, foi possível enxergar a magnitude do terremoto

Presidente chilena pediu calma à população

Igreja também foi atingida e ficou parcialmente destruída

Presidente ainda estuda a possibilidade de declarar 'estado de catástrofe