Pouco depois das 7 horas da manhã, a presidente Michele Bachelet declarou "estado de catástrofe", e o total de mortos, segundo as autoridades, já supera os 70. O tremor também foi sentido na Argentina.
Funcionários de linhas aéreas brasileiras e peruanas informaram à agência de notícias Reuters que o aeroporto de Santiago tinha sido fechado em virtude do terremoto. O fechamento foi posteriormente confirmado por autoridades. O aeroporto sofreu danos com o abalo.
"Temos um enorme terremoto", havia dito Bachelet, horas antes, a partir de um centro de reação a emergências, num apelo para que os chilenos fiquem calmos. "Estamos fazendo todo o possível com todas as forças que temos. Toda informação será compartilhada imediatamente".
Uma grande onda atingiu uma área povoada da Ilha de Robinson Crusoe, a 660 km da costa chilena, disse Bachelet. "Foi um terremoto devastador", disse o ministro do Interior, Edmundo Perez Yoma, a jornalistas. Dois navios teriam sido enviados à ilha para socorrer os moradores.
Bachelet disse ainda que há um grande risco aos moradores da Ilha de Páscoa, na Polinésia. "Há o risco de uma forte onda", embora "eu não me atreva a chamá-la de tsunami", disse a chefe de Estado, sobre a localidade que fica a 3.600 quilômetros da costa chilena e tem aproximadamente 3.800 habitantes.
A presidente Michele bachelet fala à imprensa após o terremoto que abalou a capital. TVN/AP
Ela pediu que as pessoas evitassem sair de carro na madrugada, já que os sinais de trânsito estão desligados, para evitar causar mais baixas. Em entrevista concedida horas depois dessa primeira manifestação, a presidente afirmou que não há risco de tsunami na costa chilena.
O tremor ocorreu às 3h34 da madrugada, e esteve centrado no mar, a 325 km a sudeste da capital, numa profundidade de mais de 50 km, informa a Geological Survey dos EUA.
O epicentro está a 115 km de Concepción, a segunda maior cidade do Chile, onde mais de 200 mil pessoas vivem ao longo do Rio Bio Bio, e a 90 km da estação de esqui de Chillan, uma porta de entrada para os resorts de neve dos Andes, e que foi destruída em 1939, num terremoto.
Moradores de Santiago saem às ruas de madrugada, após o tremor de terra. Cristóbal Saavedra/EFE
O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico emitiu um alerta para o Chile e o Peru, e um aviso menos urgente para Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica e Antártida. Um tsunami também poderá atingir o Havaí mais à tarde.
O maior terremoto da história atingiu a mesma região do Chile, em 22 de maio de 1960. O tremor de magnitude 9,5 matou 1.655 pessoas e deixou 2 milhões de desabrigados.
Vítimas
Segundo o ministro Yoma, 34 das mortes foram registradas na região do Maule, a 300 quilômetros ao sul de Santiago.
Ainda ocorreram 13 mortes em Santiago, dez na região de O'Higgins, quatro em Valparaíso e três em Araucania, a 670 quilômetros ao sul de Santiago.
Na região do Bio-Bio, a 500 quilômetros de Santiago, onde ocorreu o epicentro do terremoto, registrado às 03h36 de hoje, foram confirmadas dez mortes, mas se presume que exista um número maior, segundo o subsecretário do Interior, Patrício Rosende.
Até o momento persistem problemas de comunicação, disse o funcionário, que confirmou que o governo declarou estado de catástrofe em todo o território atingido pelo sismo, entre as regiões de Valparaíso e Araucania, que abrange 800 quilômetros do país.
Réplicas
Diversas réplicas do tremor foram registradas nas últimas horas, de acordo com o US Geological Survey. pelo menos treze tremores secundários de magnitude entre 6,9 e 5,2 foram detectados pelo Escritório nacional de Emergências do Chile.
A maioria teve epicentro no mar, diante da costa da região de Maule, como o primeiro tremor, mas também na costa das regiões de Bio Bio, Araucanía e O'Higgins, bem como Valparaíso.
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