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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Celular. Os riscos da troca de conteúdo sexual

Caso gaúcho da divulgação de vídeos de conteúdo sexual com adolescentes retoma discussão sobre o assunto polêmico

Antes restrito às manchetes internacionais, os casos de sexting - quando vídeos e imagens com conteúdo sexual vazam na internet ou via celulares – crescem entre adolescentes brasileiros. Um caso recente, registrado na pequena cidade gaúcha de Bom Retiro do Sul, com cerca de 12 mil habitantes, mostra que pais e educadores devem ficar atentos ao problema, com graves consequências psicológicas para as vítimas. "Perdi minha dignidade", resumiu a garota que aparecia no vídeo espalhado via celular pelos moradores da cidade.

Antes de contar sua história, no entanto, uma breve explicação sobre esse fenômeno cada vez mais comum entre os jovens. A palavra sexting é a junção de dois termos em inglês: sex (sexo) e texting (envio de mensagens). O termo - que já ganhou até definição no dicionário resume o compartilhamento, via celular, de textos ou imagens de cunho sexual, mas passou a englobar também conteúdo exposto na internet.

Não há uma data exata de quando a "moda" entre adolescentes americanos e europeus surgiu. No Brasil, o fenômeno é recente, segundo a Safernet, ONG de defesa dos direitos humanos na internet. No entanto, tem crescido rapidamente. Uma pesquisa feita pela entidade com 2.525 crianças e adolescentes brasileiros em 2009 revelou que já naquela época 12% deles admitiram terem publicado fotos íntimas na internet (o estudo não se restringia a telefones celulares).

Enquanto existem casos em que essas imagens são publicadas sem o consentimento da vítima, há também muitos outros de adolescentes que deliberadamente se deixam filmar e fotografar. "É um comportamento de risco. O jovem acha ‘legalzinho’ e não pensa na exposição, nem nos problemas que um vídeo ou foto podem causar depois de publicados", alerta Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da Safernet.
Caso gaúcho

Voltemos agora à história do começo desta reportagem. Na cidade gaúcha de Bom Retiro do Sul, o vídeo de dois adolescentes de 16 anos fazendo sexo foi espalhado de forma viral entre os moradores. As imagens, que tinham sido gravadas com o consentimento da garota, foram passadas pelo rapaz por celular a dois ou três amigos, como vingança após o término do namoro. Esses amigos repassaram, também por celular, a outros colegas. Até que o vídeo começou a circular na escola onde a garota era aluna e, depois, em celulares de trabalhadores das fábricas e do comércio da cidade. Em cerca de 48 horas, praticamente todos os moradores já tinham visto ou ouvido falar do vídeo de sexo entre os adolescentes.

Após o escândalo, a jovem parou de ir ao trabalho e, de acordo com o setor jurídico da 3ª Coordenadoria Regional de Educação, pediu transferência para uma escola de outro município. "Não sei por que isso aconteceu comigo. Eu perdi tudo, trabalho, escola. Perdi minha dignidade", lamentou a jovem, durante uma entrevista ao programa "Domingo Espetacular", da TV Record. Enquanto isso, o rapaz que gravou e distribuiu o vídeo agora evita sair de casa com receio de ser reconhecido na rua.

O delegado de Bom Retiro do Sul, Rodrigo Reis, explicou ao UOL Tecnologia que o inquérito sobre o caso está quase concluído e será encaminhado ao Ministério Público. Há provas materiais contra o adolescente.

Mas, apesar de a divulgação do material por terceiros também ser um crime – são imagens pornográficas de uma menor de idade - não há como identificar e punir as demais pessoas. "É surreal querer responsabilizar a cidade toda. O que podemos fazer é identificar o núcleo, quem fez a coisa se expandir", explica Reis.

Caso condenado, o adolescente não ficará preso -- terá como pena a prestação de serviços à comunidade, detalha Renato Opice Blum, especialista em Direito Eletrônico. Mas a família da jovem, caso queira, pode processar o rapaz por danos morais e obter indenização. Para adultos que repassarem o vídeo da menor, a pena é de três a seis anos de reclusão e multa, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente.

A pena ao adolescente soa branda, mas a punição ainda assim é importante, considera o representante da Safernet. Para Nejm, o crime cometido pelo rapaz ficará marcado para o restante da vida. "Sempre que ele procurar um emprego, constará um registro de que ele passou pelo Juizado da Infância e do Adolescente. É um constrangimento."

Dá para evitar?

Um dos principais problemas das imagens de sexting é que elas são usadas posteriormente por sites de pedofilia. Nejm adverte que é importante os pais conversarem com seus filhos sobre não se deixarem fotografar ou filmar em cenas íntimas, mesmo por pessoas em quem confiam - namorados e namoradas. "Muitos pais se eximem da tarefa de falar sobre cidadania na internet com os filhos, dizem que não possuem o conhecimento técnico necessário", afirma. "O que acontece é que a ‘bronca’, depois que algo ocorre, se torna vazia", explica o especialista em direitos humanos na internet.

"Os adolescentes não pensam no futuro. Mas é preciso que tenham em mente que, num dia, eles também serão mães e pais, profissionais no mercado de trabalho. E a internet não esquece: é praticamente impossível controlar o destino dessas imagens, uma vez divulgadas na web", diz o especialista da Safernet.

Além da orientação dos pais, a escola pode ajudar contra a disseminação do sexting, pois aborda dois temas importantes com os adolescentes, sexualidade e cidadania.

Numa medida emergencial, a escola estadual de Bom Retiro do Sul onde a vítima do sexting era aluna proibiu o uso de celulares, para evitar a disseminação do vídeo.

Professores receberam orientação da 3ª Coordenadoria Regional de Educação sobre como abordar o tema com os alunos. Além disso, foram realizadas palestras dentro do eixo de cidadania do programa pedagógico com os estudantes - incluindo responsabilidade criminal e consequências legais do sexting, com auxílio do delegado Rodrigo Reis.

Os educadores podem destacar os limites de algo que acaba sendo considerado apenas "brincadeira" ou "moda" e, sobretudo, mostrar que a internet não é uma terra sem lei. Na rede, adolescentes tendem a ter um comportamento diferente do que teriam na vida real acreditando na impunidade. "A internet não é mais uma brincadeira, deve ser um lugar onde a cidadania também é exercida", lembra Nejm.

Como denunciar

Quem encontra imagens pornográficas envolvendo menores de idade pode denunciar o crime pelo site da Safernet ou diretamente à polícia. É importante guardar os links e se possível capturas de tela dos sites para a denúncia.

Por: Ana Ikeda

Fonte: UOL

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sexting. Quando o sexo cai na rede

Autoexposição na internet seduz os adolescentes, mas é preciso ter cuidado com os riscos que ela traz

Jonatas Faro e Giovanna Lancellotti

Fenômeno na internet, o sexting, prática de compartilhar, via celular ou redes sociais, fotos e vídeos de cunho erótico, está se tornando cada vez mais comum entre os adolescentes.

De acordo com pesquisas realizadas pela ONG Safernet, entidade que cuida da defesa dos direitos humanos na internet, somente em 2009, data da última enquete, 12% dos quase três mil adolescentes entrevistados admitiram ter publicado fotos íntimas na web.

Recentemente, um caso chamou a atenção no país. No interior do Rio Grande do Sul, um vídeo de dois adolescentes de 16 anos fazendo sexo vazou na internet. As imagens, que tinham sido gravadas com o consentimento da garota, causaram problemas ao casal. Após o escândalo, ela deixou de ir ao trabalho e teve que mudar de colégio devido ao assédio das pessoas.

Antenada com o assunto, a novela "Insensato Coração" trará um caso de sexting. Um vídeo com cenas de sexo entre Rafa (Jonatas Faro) e Cecília (Giovanna Lancellotti) vai vazar na internet, o que causará constrangimento para a garota.

Casos
A estudante G.R., 17 anos, afirma já ter quase sofrido assédio pela web. "Uma pessoa entrou no meu MSN e pediu para eu abrir a câmera e enviar fotos sensuais. Eu o exclui e hoje evito colocar qualquer imagem mais íntima ou mesmo informações pessoais na rede", adianta.

Para o funcionário público C.S., 22 anos, o diálogo com os pais é essencial para evitar casos como o de G.R.. "Na minha casa, por exemplo, mantemos um diálogo aberto. Meus pais sempre veem as fotos que tiro e dão opiniões se devo ou não postar na web", responde, afirmando que a culpa para o sexting não é exclusivamente da internet. "Precisamos ser responsáveis pelos nossos atos. É preciso ter consciência e saber se esse material pode ou não ser prejudicial ao nosso futuro".

Especialista em comportamento do adolescente, a psicóloga Maristela Majoli afirma que o jovem possui o hábito de se expor demais na internet. "A web representa a liberdade que eles tanto desejam. No mundo virtual, são adultos, mas, imaturos, não conseguem discernir o que pode prejudicá-los", afirma, dizendo que a sexualidade precoce pode ser um dos culpados para os casos de sexting. "Hoje, há a supervalorização do corpo e uma erotização precoce. Tudo graças ao tabu dos pais, que ainda não sabem como falar com os filhos sobre sexo", complementa.

Fique ligado!
Prudência.Jamais se deixe levar por pressões para produzir ou publicar imagens sensuais. Tudo o que fazemos on-line tem consequências também fora da internet. Pense muito antes de publicar uma imagem ou vídeo. O seu futuro pode estar em jogo.

Diálogo.

Não se exponha para estranhos. Se duvidar do comportamento da pessoa do outro lado do computador, converse com seus pais e amigos mais próximos. O diálogo é essencial.

Franqueza.

Não há nada de errado em falar e discutir sobre sexualidade. O erro é não se proteger e não se informar sobre como manter relações saudáveis dentro e fora do ciberespaço.

Exposição.

Uma vez on-line, perdemos completamente o controle da foto ou vídeo que publicamos. Esse material pode dizer muito sobre sua vida para pessoas que você nem gostaria de conhecer. Colegas de escola e de trabalho, parentes, estranhos e até criminosos podem ver, copiar e manipular o que você divulga na Internet.

Informações.
Quem encontrar imagens pornográficas envolvendo menores de idade, ou se você se arrependeu de publicar suas fotos e sabe que apenas apagá-la não basta, pode conseguir informações no portal www.safernet.org.br. Lembre-se: é importante guardar os links e, se possível, fazer print screen(captura de tela) dos sites para a denúncia.

Fonte: 
Portal Safernet