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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Lindemberg Alves é condenado a 98 anos de prisão pela morte de Eloá Pimentel


Lindemberg Alves é condenado pela morte da ex-namorada Eloá Pimentel
Ele foi condenado a 98 anos e 10 meses de reclusão. Sentença da juíza Milena Dias saiu após quatro dias de julgamento

foto: Reprodução/Globo News

Lindemberg Alves no Fórum
recebendo a sentença de condenação
 
Lindemberg Alves, de 25 anos, foi condenado a pena máxima, de 98 anos e 10 meses de prisão, pelo assassinato da ex-namorada Eloá Pimentel, em Santo André (SP). Após quatro dias de julgamento, a juíza Milena Dias deu a sentença na tarde desta quinta-feira (16). O crime ocorreu em 2008. Ele era acusado de 12 crimes, incluindo homicídio doloso de Eloá, dupla tentativa de homicídio de Nayara Rodrigues e o sargento da PM Atos Valeriano (ambos baleados), cárcere privado e disparo de arma de fogo.

O júri era formado por sete pessoas - seis homens e uma mulher - que ouviram os depoimentos de 13 testemunhas e do réu durante a semana de julgamento. Depois dos debates da promotoria e defesa, os jurados se reuniram para responder um formulário com cerca de 50 questões sobre o caso.

Lindemberg falou pela primeira vez sobre os dias de cárcere no apartamento da ex-namorada em juízo. O acusado foi a última pessoa a ser ouvida. Durante o depoimento, logo após pedir perdão à família de Eloá, ele assumiu que atirou contra a garota. A mãe da vítima, Ana Cristina Pimentel, não acompanhou o dia de oitivas do acusado.

Segundo o depoimento dele, o assassinato não foi intencional. "Quando a polícia invadiu, a Eloá fez menção de levantar e eu, sem pensar, atirei. Foi tudo muito rápido". O jovem disse que ficou surpreso com a chegada da polícia nos arredores do prédio e se apavorou.

Durante o julgamento, a advogada de Lindemberg, Ana Lucia Assad, tentou apontar corresponsáveis pelo crime, como mídia pela cobertura e a polícia pela ação de invasão ao apartamento, além de amenizar a imagem do acusado. Ela também deixou claro, no último dia, durante os debates, que não esperava que Lindemberg fosse absolvido. "Ele errou e deve pagar por isso", afirmou.

Ana Lucia, porém, tentou convencer os jurados de que Lindemberg deveria ter as acusações amenizadas. Segundo a defesa do réu, as acusações teriam de ser homicídio culposo (quando não há intenção) pela morte de Eloá; dupla lesão corporal culposa pelos disparos que atingiram Nayara Rodrigues e um PM; e ser absolvido da acusação de cárcere privado contra os amigos de Eloá.


AGÊNCIA ESTADO

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Lindemberg pede perdão à mãe de Eloá: 'Entendo a dor'

Lindemberg pede perdão à mãe de Eloá por morte de jovem
Réu fala pela primeira vez sobre crime durante júri.
Ele começou a ser ouvido nesta tarde no Fórum de Santo André.

Logo no início de seu depoimento, Lindemberg Alves, acusado de matar Eloá Pimentel, pediu perdão à mãe da vítima, Ana Cristina Pimentel, na tarde desta quarta-feira (15). Lindemberg começou a ser interrogado pouco depois das 14h, no Fórum de Santo André, no ABC.

"Quero pedir perdão para a mãe dela em público, pois eu entendo a sua dor", disse o réu, segundo informou o Tribunal de Justiça de São Paul (TJ-SP) o em seu Twitter. Ela é a primeira vez que Lindemberg fala sobre o crime desde que foi preso, em outubro de 2008. "Estou aqui para falar a verdade, afinal, tenho uma dívida muito grande com a família dela."

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, a juíza Milena Dias leu a denúncia para o réu e iniciou as perguntas. O julgamento do caso Eloá entrou em seu terceiro dia nesta quarta. Segundo o acusado, ele e a Eloá mantiveram relacionamento amoroso por 2 anos e 3 meses. "Eu era muito amigo da família", disse.

Lindemberg se disse surpreso ao ver que a ex-namorada estava acompanhada quando chegou a apartamento onde ela foi mantida refém por cem horas. "Fiquei surpreso com a presença do Iago, do Victor e da Nayara. A Eloá ficou assustada ao me ver", disse. O réu afirmou que estava armado porque havia recebido ameaças dias antes do crime. "Era para garantir minha segurança."

Lindemberg disse que sacou a arma após perguntar a Eloá se ela havia ficado com Victor e ela negar. "Puxei a arma para Eloá quando ela começou a gritar comigo, mentindo que ela não tinha ficado com o Victor. "Mandei os três saírem do apartamento, pois eu queria conversar com ela sozinha. Mas eles se recusaram."

"Quando a polícia chegou, fiquei apavorado. Não sabia o que fazer", relatou Lindemberg, segundo o TJ.
Pela manhã, o tenente Paulo Sérgio Squiavo, que comandava a equipe do Gate que invadiu o apartamento onde Lindemberg mantinha Eloá refém, disse durante seu depoimento que o réu estava eufórico após os disparos feitos. Segundo Squiavo, Lindemberg teria gritado “Tô vivo e a matei”.

Squiavo foi o primeiro a depor no Tribunal do Júri, no Fórum de Santo André, no ABC, nesta quarta. Ele foi ouvido das 10h50 às 12h20.

O comandante da Polícia Militar disse ainda que só invadiu o apartamento porque já havia recebido ordens de seus superiores que poderia fazê-lo caso “estivesse insustentável a situação dos reféns”.

Squiavo afirma que só entrou no apartamento após ouvir um disparo, juntamente com outros quatro policiais. Segundo ele, foi detonada uma bomba. Pelo vão da fresta, ele afirma ter visto Lindemberg atirar mais duas vezes. O policial disse que se quisesse poderia ter matado o réu. O Gate, segundo ele, disparou um tiro de bala de borracha contra Lindemberg, que jogou a arma no chão e foi rendido.

No início desta tarde, a advogada de Lindemberg Alves, Ana Lúcia Assad, garantiu que Lindemberg daria sua versão sobre o caso durante o julgamento. “Ele nunca se pronunciou, é o primeiro momento que vai dar a versão dele. Ele está calmo, tranquilo, focado, está preparado para falar", afirmou.

Questionada sobre como preparou o réu para o interrogatório, ela disse que não deu orientações. "Eu não oriento ninguém. Não oriento cliente nem testemunha. Ele vai falar a verdade e estou aqui para garantir que seja julgado com lisura”, garantiu a defensora. Lindemberg preferiu o silêncio durante a investigação do caso e a fase de instrução do processo.


Louco e agressivo

O policial militar Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel, morta após ficar sob o domínio do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes, respondeu as perguntas da juíza Milena Dias, da promotoria e da advogada de defesa de réu na última terça-feira. Ele classificou Lindemberg como "monstro, louco e agressivo".

Ronickson disse que Lindemberg era muito ciumento e não concordava com o namoro com a irmã. "A minha irmã nunca viveu a vida dela. Estava sempre com ele. Nunca a vi sair com amigos, ir a um shopping. Não sei se era ele que não deixava ou ela não ia para não magoar ele", disse. "Minha irmã vivia chorando pelos cantos e eu não concordava com algumas amizades que ele tinha".


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

'Sinto muita pena dele', diz irmão mais novo de Eloá

‘Sinto muita pena dele’, diz irmão mais novo de Eloá
Everton Douglas, de 17 anos, disse que Lindemberg é “insignificante”

O irmão mais novo de Eloá, Everton Douglas, de 17 anos, que testemunhou neste segundo dia de julgamento de Lindemberg Alves, no Fórum de Santo André, no ABC, paulista, afirmou que sente “muita pena” deste segundo dia de julgamento do caso Eloá, no Fórum de Santo André, no ABC, paulista, por considerá-lo um monstro. Ele depôs das 10h45 até 12h30 desta terça-feira (14).
Everton Douglas Pimentel, irmão mais novo da
adolescente prestou depoimento nesta terça-feira (14)
 – Foto: Helvio Romero/AE

- Hoje em dia eu sinto muita pena dele porque sei que ele é monstro, um ser insignificante.
O adolescente depós como testemunha do juízo em substituição a jornalista Ana Paula Neves. Mais cedo, a mãe dele, Ana Cristina Pimentel, que iria ser testemunha de defesa, foi dispensada pela advogada, Ana Lucia Assad. Ela chegou a ser chamada, mas levantou logo em seguida.
Durante a oitiva, o irmão mais novo de Eloá enfatizou o comportamento agressivo do réu e confirmou que foi ele quem o apresentou para a vítima.
- O que ele fez é desumano, não é digno de ser uma pessoa da sociedade. Ele sempre foi estourado, muito estressado, sempre teve um gênio forte, era muito agressivo, sempre era ele que causava briga.
Douglas também confirmou que Eloá apanhou de Lindemberg.
- Teve um dia que ela chegou em casa chorando dizendo que ele bateu nela.
O irmão conheceu o acusado em jogos de futebol, que eram realizados no conjunto habitacional em que os dois eram vizinhos. Eles se conheceram cerca de três anos antes do crime.
- No começo era amizade só de jogar futebol. A Eloá conheceu ele depois de mim. Sim [eu era bem amigo dele, infelizmente].
Questionada sobre se costumava tratar Lindemberg como um filho – como Ronikson Pimentel dos Santos falou em seu depoimento – Ana Cristiona Pimentel confirmou e disse que não vê o réu como um monstro.


Dia do crime

Ainda em seu depoimento, Douglas contou que estava com Lindemberg pouco tempo antes do acusado sequestrar sua irmã.
- Notei ciúmes da parte dele depois que a gente viu o Orkut dela. Tinha depoimento de amigos e ele se mostrou muito nervoso.
Segundo Douglas, logo depois, os dois saíram juntos para comer em uma pastelaria e viram Eloá, a amiga Nayara e os dois adolescentes, Iago e Vitor – que também foram vítimas do sequestro. De acordo com o irmão, Lindemberg se ofereceu para levá-lo de moto até seu treino de futebol em uma escola, porém, no meio do caminho mandou descer do veículo.
- Desce aí rapidinho ele me disse. E simplesmente saiu e me deixou na estrada. Era bem afastado da minha casa. Esperei uns 40 minutos, fiquei nervoso e fui para casa dele.
Douglas disse que só a moto do réu estava na casa. Então, ele seguiu até sua sua própria casa e não conseguiu entrar porque a chave estava com a irmã.
- Fiquei ate 19h30 esperando alguém chegar. Falei para o meu pai [quando ele chegou] que a Eloá não estava e por isso eu estava para fora.
Nesse momento, os dois ligaram para jovem e Lindemberg atendeu o telefone.
- Muito nervoso, ele já mandou a gente não encostar na porta.
14/02/2012 - Everton Douglas Pimentel e Ronixon Pimentel, irmãos da adolescente Eloá Cristina Pimentel, chegam ao Fórum de Santo André




Depoimentos
Antes de Ana Cristina ser dispensada, prestaram depoimento nesta terça-feira o irmão mais velho de Eloá,Ronikson Pimentel dos Santos, e o advogado Marco Antonio Cabello. Ronikson falou por pouco mais de uma hora. Demonstrando bastante emoção em vários momentos, ele classificou Lindemberg Alves de “monstro” e disse que toda a família se sentiu traída por ele.

- Ele é um monstro, louco e agressivo.

O irmão afirmou que sempre foi contra o relacionamento de Lindemberg e Eloá – por ele ser bem mais velho que a adolescente (a diferença de idade entre eles era de seis anos) -, mas disse que acabou aceitando o namoro porque ela gostava do réu. Segundo o rapaz, a atitude de Lindemberg, além de um crime, foi uma traição a toda sua família porque seus pais gostavam muito dele e o acusado se dizia amigo.

- Minha mãe gostava de Lindemberg como se fosse filho [...] Mudou totalmente a nossa vida, Ficou um vazio na família. Apesar de tudo, estamos reconstruindo. A ferida não sara.

Ainda de acordo com o irmão de Eloá, o relacionamento entre ela e Lindemberg era bastante conturbado, com sua irmã sempre “chorando pelos cantos” por causa de brigas, e o temperamento do ex-amigo sempre foi raivoso.

Primeiro dia de júri

Na segunda-feira (13), quatro pessoas listadas pela acusação foram ouvidas, desde a adolescente Nayara Rodrigues, que passou grande parte do sequestro ao lado da amiga Eloá, até o sargento Atos Valeriano, que conduziu o início das negociações com Lindemberg. Além deles, prestaram depoimento dois jovens que também estavam no apartamento quando o réu invadiu o local armado.

.Durante seu depoimento na segunda, Nayara afirmou que Lindemberg sempre teve intenção de matar Eloá. O depoimento começou por volta das 15h e terminou duas horas depois.

- Ele falou que iria matá-la e sair andando, se Eloá estivesse sozinha no apartamento.

Segundo Nayara, na época do crime, Lindemberg chegou a contar ao pai de Eloá de sua intenção de matar a adolescente então com 15 anos.

- Ele falou para o pai [da Eloá] que se ela não fosse dele não seria de ninguém [...] A intenção dele era matá-la, não tinha muito que negociar. Ele era irredutível.

Já o policial Atos Valeriano contou que Lindemberg atirou contra ele “para provar que não era bonzinho”. De acordo com o PM, essa foi a resposta que obteve do réu quando o questionou sobre o disparo. A partir de então, o policial passou a se esconder atrás de uma parede durante toda a negociação no período do cárcere em 2008. Solicitado por Lindemberg para que mostrasse o rosto, o sargento foi alvo de um novo disparo. Valeriano lembrou que essa segunda bala atingiu a parede cerca de 30 cm acima de sua cabeça e que, na ocasião, pôde sentir areia caindo sobre seu cabelo.

Ainda de acordo com Valeriano, Lindemberg alterava dois estados de humor. Em alguns momentos, ele o ofendia e xingava. Em outras horas, conversava. Entretanto, segundo o policial, sua intenção quanto ao desfecho do sequestro foi sempre a mesma.

- Desde o primeiro momento, ele disse que iria matar os quatro reféns e se matar. Após as duas primeiras vítimas serem liberadas, dizia que iria matar as duas [restantes, Eloá e Nayara] e se matar.

Iago de Oliveira, colega de Eloá que também prestou depoimento na segunda, confirmou que o réu ameaçou de morte todos que estavam no apartamento em Santo André na tarde de 13 de outubro de 2008.

- Teve uma hora que ele disse que ninguém sairia vivo de lá. Ele apontava a arma para todos nós. Outra hora ele dizia que mataria Eloá e depois se mataria.

Após o término do primeiro dia de julgamento, Lindemberg foi levado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, onde passou a noite.


Fonte: R7

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mãe de Eloá diz que só condenação de Lindemberg fará justiça

Mãe de Eloá diz que só condenação de Lindemberg fará justiça
Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, chega para o julgamento do acusado pela morte de sua filha, Lindemberg Alves. Foto: Reinaldo Marques/Terra

A mãe de Eloá Pimentel - assassinada em 2008 após mais de 100 horas de cárcere privado em Santo André -, Ana Cristina Pimentel, afirmou na manhã desta segunda-feira, minutos antes do julgamento de Lindemberg Alves, acusado pela morte da filha, que a justiça só será feita com a condenação do réu.

Emocionada, ela disse que será muito difícil acompanhar o julgamento e que espera que o caso se resolva, pelo menos, na esfera criminal. "O que se espera é que haja uma definição e que ele seja condenado." Ana Cristina afirmou não ter conseguido dormir nesta noite e que a sua única expectativa é que seja feita justiça, mais de três anos depois da morte da filha.

Lindemberg senta no banco dos réus
O advogado que representa a família da estudante, José Beraldo, disse que os parentes de Eloá esperam que Lindemberg seja condenado a, pelo menos, 50 anos de prisão. "Ele foi agressivo e violento, não deu chances para a vítima. Esperamos pelo menos 50 anos", disse Beraldo.

O julgamento que irá decidir o destino de Lindemberg começa hoje, no Fórum de Santo André, na Grande São Paulo, onde o crime ocorreu. Na última sexta-feira, a promotoria disse que esperava que ele pegasse entre 50 a 100 anos de prisão. Até o dia do julgamento, o acusado estava preso na penitenciária de Tremembé (SP).

Ao todo, foram convocadas 19 testemunhas e, por isso, a expectativa é que o julgamento dure até três dias.
[MARINA NOVAES, VAGNER MAGALHÃES. Direto de Santo André]


Estudantes que foram reféns com Eloá relembram crime
Jovens faziam trabalho com a jovem quando Lindemberg chegou.
Acusado da morte de adolescente será julgado nesta segunda.

 Dois amigos de Eloá Pimentel, a adolescente morta após ser mantida mais de 100 horas refém pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, em 2008, também foram rendidos pelo jovem que será julgado a partir desta segunda-feira (13). Eles foram liberados por Lindemberg ainda no primeiro dia de sequestro, mas carregam até hoje as marcas da tragédia.

Os dois jovens e Nayara Rodrigues, amiga de Eloá, foram até o apartamento da adolescente no dia 13 de outubro de 2008 para fazer um trabalho de escola. No início da tarde, foram surpreendidos por Lindemberg.

“A gente ouviu a porta fechando bem forte, um barulho forte. Até pensamos que era o irmão dela. Mas aí, quando a gente foi ver ele já estava passando com o revólver na mão no corredor, eu e o Iago já estávamos no quarto, aí ele trouxe as meninas, e ficou todo mundo lá preso”, contou Victor de Campos, um dos adolescentes,


“Ele tinha colocado as meninas dentro do quarto, trancou a casa inteira, e perguntou para o Iago: ‘o que você está fazendo aqui?’. Eu não me recordo o que o Iago disse. Aí ele perguntou para mim tbm: ‘e você, o quê?’. Eu falei: ‘ah, sou amigo deles’. Aí ele falou: ‘amigo? Você não é amigo, não’, e me deu uma coronhada na cabeça com o revólver”, relatou o jovem.

Victor foi o primeiro a ser liberado por Lindemberg. Agora, ele acompanhará o julgamento. “Com toda sinceridade do mundo, eu espero que ele pegue uma pena bem alta, porque não tem cabimento um ser humano fazer o que ele fez.”

O jovem precisou de acompanhamento psicológico depois do episódio. Iago Vilera, que também foi libertado por Lindemberg, conversou com a reportagem do Bom Dia São Paulo, e disse que ainda fica abalado quando lembra do caso.

“Terrível, uma coisa que não desejo nem para o meu pior inimigo. Particularmente eu não gosto de ficar falando não, são más recordações”, afirmou.

O caso
Lindemberg, que na época tinha 22 anos, invadiu o apartamento em que morava a ex-namorada Eloá, então com 15 anos, em um conjunto habitacional na periferia de Santo André, no dia 13 de outubro de 2008. Além dela, Nayara e dois amigos das garotas que faziam trabalhos escolares foram mantidos reféns.

Após várias horas de negociações com o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar, Lindemberg concordou em libertar os garotos e Nayara. Mas ele não cedeu em deixar Eloá sair.

O sequestro terminou no dia 17 de outubro. Nayara voltou ao apartamento, após ser chamada para para ajudar na negociação, sendo mantida novamente refém. Quando a polícia invadiu o local, tanto a garota quanto Eloá foram alvo de disparos. Eloá foi atingida duas vezes.

Por decisão da Justiça, Lindemberg foi preso preventivamente desde o término do sequestro das vítimas. Ele segue detido na Penitenciária de Tremembé, no interior do estado. O jovem será interrogado durante o júri e, caso queira, poderá ficar em silêncio. A linha de defesa do réu no julgamento poderá ser a de que a invasão da PM ao apartamento provocou a morte de Eloá. A advogada não foi localizada. Na sexta (10), ela estava com Lindemberg na prisão. (G1)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Julgamento de Lindemberg. 'Quero paz', diz mãe de Eloá sobre júri

‘Eu quero paz, eu quero que isso tudo acabe’, diz mãe de Eloá sobre júri
Lindemberg Alves será julgado em Santo André a partir de segunda-feira.
Jovem feito refém disse que não deseja isso nem para 'pior inimigo’.

A poucos dias do início do julgamento do acusado de matar Eloá Cristina Pimentel, Lindemberg Alves, a mãe da adolescente diz não ver a hora de o veredicto ser dado. A adolescente foi feita refém no apartamento onde morava, em Santo André, no ABC, em 13 de outubro de 2008.

“Eu quero paz, eu quero que isso tudo acabe para eu ter paz com os meus filhos e ficar só lembrando dos momentos bons com a minha filha”, disse em entrevista ao SPTV Ana Cristina Pimentel.

Quatro dias depois da invasão, a PM decidiu invadir a residência. Antes de ser rendido pelos policiais, Lindemberg atirou em Eloá e em sua amiga, Nayara Silva, que também era mantida refém, matando a ex-namorada e ferindo a colega dela.


Advogada de Lindemberg diz que não recorrerá de decisão que o leva a júri
Depois da morte da filha, dona Ana Cristina nunca mais voltou ao conjunto habitacional no Jardim Santo André. “Nem para ver os meus vizinhos não consigo, porque eu lembro de tudo. É muito triste para mim”, afirmou. “Muita saudade e cada dia parece que fica pior.”

Outros dois adolescentes amigos de Eloá foram mantidos em cárcere privado por Lindemberg, mas liberados rapidamente. Iago Vilera era um deles. O jovem ficou sob a mira do revólver por 9 horas. Até hoje ele tenta o impossível: esquecer daqueles dias. “Terrível, coisa que não desejo nem para o meu pior inimigo. Particularmente eu não gosto de ficar falando não, traz má recordação.”

Iago parou de estudar ainda com 15 anos, meses depois da morte de Eloá. Hoje ele tem 18, é auxiliar administrativo numa clínica médica. Por dois anos e meio fez tratamento psicológico. Mas nada voltou a ser o que era para ele e para a família.
“Desde que a gente ficou sabendo do julgamento, tudo, aí começa vir tudo de novo. Ele fica apreensivo, mas fazer o quê? É a vida, né?”, disse a mãe dele, Maria Aparecida Vilera

Julgamento
Na segunda-feira (13), Lindemberg finalmente sentará no banco dos réus. Em uma sala do Fórum de Santo André deverão ser ouvidas 14 testemunhas de defesa e cinco de acusação. Dos 25 jurados presentes, sete serão escolhidos e irão decidir, com base nos testemunhos, o destino do jovem.

A previsão é que o júri dure dois dias. Lindemberg será julgado por disparo de arma de fogo, cárcere privado, tentativa de homicídio e homicídio duplamente qualificado. Segundo a promotora do caso, Daniela Hashimoto, as balas que mataram Eloá saíram da arma do ex-namorado. “Da explosão da porta até ele atirar contra a cabeça das meninas houve tempo suficiente para que ele se rendesse e não atirasse.”

A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, foi procurada pela produção do SPTV para falar sobre o julgamento. Segundo uma assistente dela, a advogada passou o dia com o réu numa penitenciária em Tremembé, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, onde ele está preso. (G1)



Promotora dirá que Lindemberg era violento e sempre quis matar Eloá
Veja a lista das testemunhas de acusação e defesa.
Réu poderá pegar pena de 50 a 100 anos se condenado, diz promotora.

Eloá, namorada e vítima; Lindemberg assassino
Um homem possessivo, violento e que invadiu o apartamento da ex-namorada decidido a matá-la. Essa é a tese de acusação da promotora Daniela Hashimoto para convencer os sete jurados de que Lindemberg Alves Fernandes é culpado pela morte de Eloá Pimentel em 2008. O julgamento está previsto para começar às 9h de segunda-feira (13), no Fórum de Santo André, no ABC. O réu responde ainda por tentativas de assassinato, cárcere privado e disparo de arma de fogo.

Lindemberg Alves invadiu a casa de Eloá Cristina Pimentel no dia 13 de outubro de 2008, manteve, além dela, três outros jovens reféns (Nayara Rodrigues e outros dois colegas de escola da menina) e, quatro dias depois, atirou em Eloá e Nayara, assassinando a ex-namorada. A colega dela sobreviveu.
saiba mais

"Ele foi para lá com a intenção de matar. Toda a história começou há 30 dias [do assassinato], quando ele já estava ameaçando, importunando, ia rondar a porta da escola [em que Eloá estudava]. Há 15 dias abordou a Eloá, a agrediu fisicamente, sempre com essa intenção, de que 'se não for minha, não vai ser demais ninguém'", afirmou a promotora na manhã desta sexta-feira (10).
Se for considerado culpado em todos os crimes, Lindemberg pode pegar uma pena, segundo a promotoria, que vai desde os 50 anos até passar dos cem anos.

"Ele foi para lá [o apartamento da ex-namorada, no dia 13 de outubro] não só armado, mas também munido de farta munição extra, preocupou-se em ir ao local acreditando que a Eloá estaria sozinha, acabou sendo surpreendido pelo fato de a Eloá estar com colegas fazendo o trabalho de escola", conta Daniela.

Segundo a promotora, será usado como prova dessa premeditação, o fato de Lindemberg preocupar-se em retirar do apartamento Douglas, irmão mais novo de Eloá e amigo de Lindemberg. "Ele, inclusive, levou o Douglas até o parque e pegou o celular do amigo para que ele não tivesse contato com a irmã", afirma Hashimoto.

Lindemberg será acusado por 12 crimes, que vai desde o homicídio de Eloá, manter quatro pessoas em cárcere privado, duas tentativas de homicídio e, até, o disparo de quatro tiros a esmo.
Por parte da acusão, além das quatro vítimas de Lindemberg, apenas uma testemunha será convocada ao tribunal. Será o irmão mais velho de Eloá, Ronickson Pimentel dos Santos. Para Daniela Hashimoto, ele é peça-chave na construção do perfil de réu.
"Ele testemunhou momentos de agressividade de Linbemberg. Foram momentos antes da invasão da casa de Eloá e momentos durante a invasão, quando ele tentava conversar por telefone com o réu", afirma.

Julgamento longo
Quanto à defesa, que convocou um alto número de testemunhas (são 14, sendo que seis deles jornalistas que cobriram o caso), a acusação diz não ter ideia da estratégia a ser adotada. "Ela tem o direito de chamar as testemunhas que quiser. A linha de defesa só vamos descobrir no dia", afirma a promotora, que aguarda por um julgamento longo, embora prefira não estimar um prazo.
"Tudo vai depender das testemunhas. A defesa preparou um longo material com reportagens sobre o caso e vai mostrá-lo no julgamento. São 16 horas com entrevistas, debates e notícias", diz.

Veja a lista de testemunhas convocadas para o julgamento de Lindemberg Alves.

Testemunhas arroladas pela acusação
- Nayara Rodrigues da Silva - mantida refém por Lindemberg e também atingida por um tiro.
- Victor Lopes de Campos -  mantido refém por Lindemberg.
- Iago Vilera de Oliveira - mantido refém por Lindemberg.
- Atos Antonio Valeriano -  sargento da PM que iniciou as negociações assim que Lindemberg invadiu a casa de Eloá e foi alvo de um disparo de arma de foto do suspeito, disparado em direção a sua cabeça, segundo a promotoria.
- Ronickson Pimentel dos Santos - irmão mais velho de Eloá, testemunhou, segundo a promotoria, momentos de agressividade do réu.

Testemunhas arroladas pela defesa
- Alves Nelson Gonçalves - perito criminal, trabalha no Instituto de Criminalística (IC) e atuou no caso.
- Ana Paula Neves - jornalista.
- Marcos Assumpção Cabello - foi a advogado chamando num primeiro momento pela família de Lindemberg Alves e, dessa forma, participou das negociações.
- Ricardo Mollina - o perito fez uma análise independente do áudio em que se verifica o instante da entrada da polícia no apartamento de Eloá e a série de tiros na sequência.
- Sonia Abrão - jornalista.
- Roberto Cabrini -  jornalista.
- Rodrigo Hidalgo: jornalista.
- Márcio Campos: jornalista.
- Reinaldo Gottino: jornalista.
- Dairse Aparecida Pereira Lopes: perito criminal, trabalha no Instituto de Criminalística (IC) e atuou no caso.
- Helio Rodrigues Ramacciotti: perito criminal, trabalha no Instituto de criminalística (IC) e atuou no caso.
- Sergio Luditza: delegado de polícia que presidiu o inquérito.
- Adriano Giovanini: capitação da PM, foi negociador pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).
- Paulo Sérgio Squiavano: tenente da Polícia Militar, atuou no caso pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).

Renato Jakitas
Do G1 SP

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Tragédia de Eloá aquece audiência e tira TV do traço, diz coluna

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Terça-feira, dia 21 de Outubro de 2008 às 10:00h



As redes de TV aumentaram seus índices de audiência com o caso Eloá, da menina de 15 anos que foi mantida refém pelo ex-namorado na última semana no apartamento em que morava, em Santo André, na Grande São Paulo, informa a coluna Outro Canal, assinada por Daniel Castro no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo. 

A íntegra da coluna pode ser lida na internet por assinantes do jornal ou do UOL. 

No fim de semana, a Folha Online já havia indicado que o ibope de alguns programas apresentava elevação devido à repercussão do caso. 

A coluna de Castro informa que o total de televisores ligados na Grande São Paulo no fim de semana foi de 15% maior do que no anterior. No sábado, a média de televisores foi de 46%, a maior dos últimos dois meses. 

A média da Globo no domingo, de 7h a 0h, subiu de 16 para 20 pontos, um crescimento de 25%, segundo o colunista. A Record News saltou de 0,3 para 1 no sábado, encostando na RedeTV!.