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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Menor participou da morte de Eliza com 'crueldade', diz juiz

Juiz determina que menor cumpra medida por tempo indeterminado. 
Adolescente está internado em Belo Horizonte desde 13 de julho.
Da Globominas.com
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais divulgou, nesta segunda-feira (9), que o adolescente de 17 anos envolvido na morte de Eliza Samudio vai cumprir medida socioeducativa de internação por tempo indeterminado. Segundo o TJ, o juiz Elias Charbil Abdou Obeid, da Vara da Infância e da Juventude de Contagem (MG), considerou que o menor participou de atos infracionais equivalentes a homicídio triplamente qualificado e sequestro e cárcere privado. A cada seis meses, um juiz vai avaliar se o menor permanecerá ou não internado. O prazo máximo de internação previsto para menores de idade é de três anos.

Segundo o TJ, a decisão do juiz foi entregue à Justiça na sexta-feira (6). O magistrado manteve a representação do promotor Leonardo Barreto Moreira Alves. Obeid, segundo o tribunal, entendeu que o menor atendeu a uma promessa de pagamento pela participação na morte de Eliza Samudio, além de ter usado de requintes de crueldade, como asfixia e tortura, que impossibilitaram a defesa da vítima. O adolescente nasceu em 1º de março de 1993.
Primo do jogador, o adolescente que confirmou a morte de Eliza e assumiu participação no crime levou policiais ao provável local da ocultação do cadáver. (FolhaPress)



Sobre a prova material do crime, que seria o corpo de Eliza, que ainda não foi encontrado, “a prova da materialidade se deu de maneira indireta, por meio lícito e idôneo, com a confissão do próprio adolescente”. Na decisão, Obeid determinou que o menor cumpra a internação no Centro de Internação Provisória onde está internado até a liberação de vaga pela Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase), para que seja feita sua transferência.

Mesmo depois de completar a maioridade, ele permanece internado na mesma unidade até que um juiz determine que ele seja transferido.

O advogado que defende o menor, Eliézer Jonatas de Almeida Lima, disse que a decisão ainda não foi publicada no Diário Oficial e que ainda não leu o texto final para saber que atitude a defesa vai tomar. Da decisão, cabe recurso.

O menor está internado no Centro de Internação Provisória (Ceip) em Belo Horizonte desde o dia 13 de julho.

Presos
Bruno, Luiz Henrique Romão - Macarrão, Bola, Elenilson, Wemerson e Flavio estão presos no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem (MG). O primo do goleiro, Sérgio Rosa Sales, está no Centro de Remanejamento de Presos São Cristóvão, em Belo Horizonte. A mulher de Bruno, Dayanne Souza; e Fernanda Gomes de Castro, identificada pela polícia como namorada do goleiro; estão no Complexo Penitenciário Estevão Pinto, em Belo Horizonte.

Fonte: G1

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mulher de Bruno depõe, dá nova versão e muda investigações

Dayanne, mulher do goleiro Bruno, encontrou com advogado em Minas Gerais
Foto: Pedro Silveira/ O Tempo/Futura Press


A mulher do goleiro Bruno, Dayanne Rodrigues, depôs na manhã de sexta-feira, em Belo Horizonte, e, ao contrário das outras vezes em que a polícia tentou ouvi-la, resolveu contar o que sabe. A nova versão tem semelhanças com os relatos dos primos de Bruno, Sérgio Rosa Salles e o menor J., 17 anos. O depoimento traz nova data para a investigação: ela diz que viu Eliza no sítio em 10 de junho. A polícia passa, então, a investigar se o crime pode ter sido neste dia, e não na véspera, como acreditava até então.
Dayanne chorou bastante e desmentiu informações que dera na primeira vez. Na ocasião, ela mentira ao dizer que não se encontrou com a vítima e que chegara ao sítio dia 23. A jovem, enfim, admitiu ter encontrado a ex-amante de Bruno e disse que esse contato foi intermediado pelo atleta.

O novo depoimento foi acompanhado pelo promotor Gustavo Fantini. O primeiro encontro entre Eliza e Dayanne teria ocorrido dia 7, no sítio, quando a ex-amante do goleiro já estava machucada. A conversa seria sobre a compra de um apartamento para Eliza. Dayanne disse à polícia que voltou ao sítio dia 10 e que de novo encontrou a ex-amante. Dayanne estranhou a presença dela e Bruno teria passado a dizer que temia que Eliza o denunciasse por sequestro.

Primo isenta Dayanne do sumiço
Primo de Bruno, Sérgio Rosa Salles isenta Dayanne de participação ou conhecimento do crime. A mulher de Bruno, as filhas e a babá estavam na casa quando Macarrão saiu com Eliza, mas, assim como Sérgio, ela acreditava que a jovem e o bebê iriam para um novo apartamento em Belo Horizonte. No relato, Sérgio diz ter presenciado uma discussão de Bruno com Macarrão: "Você nunca mais vai me chamar de bundão. Depois dessa noite e você sabe por quê", teria dito Macarrão, que fez ameaças a Sérgio.

Segundo Dayanne, na noite do dia 10, Eliza teria sido levada do sítio. As investigações mostram que o encontro com o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Neném ou Bola, aconteceu na Pampulha. Dali, seguiram para Vespasiano.
O livro de registro do sítio em Esmeraldas mostra que Macarrão e J. chegaram à casa de Bruno às 22h20 do dia 10, saindo uma hora depois em Palio prata. Bruno chega com o New Beetle praticamente no mesmo horário, às 22h15, mas sai 20 minutos depois. Neste período, a mala de Eliza teria sido queimada. O grupo se encontra em Ribeirão das Neves e parte para o Rio com o time 100% F.C, por volta das 23h.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Fonte: O Dia

domingo, 18 de julho de 2010

Primo liga goleiro Bruno à operação para esconder bebê de Eliza

Primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, o Camelo, ligou o goleiro diretamente à ação para esconder o bebê de Eliza Samudio, ex-namorada do atleta que está desaparecida.


No depoimento que prestou à polícia em 8 de julho, Sales disse ter ouvido de Dayanne Souza, mulher do goleiro, que a ordem para esconder o bebê veio de Bruno.

"Ela disse que Bruno havia pedido a ela que pegasse o bebê e o entregasse para o Coxinha e o Flavinho e que depois explicaria tudo à mulher", disse em depoimento.

Coxinha e Flavinho são Wemerson Marques de Souza e Flávio Caetano de Araújo, amigos de Bruno que estão presos. Dayanne foi indiciada por subtração de incapaz. O bebê foi encontrado em 26 de junho em uma casa de Contagem (MG).

A afirmação de Sales é a primeira a envolver o goleiro diretamente na ação.

O depoimento foi dado antes de outro relato dele à polícia, na última quinta (15), em que passou a dizer que Bruno não esteve no local em que Eliza foi morta. Ele manteve o resto do depoimento anterior.

O advogado Frederico Franco, que defende Bruno, negou que o goleiro tenha mandado esconder o bebê.

Fonte: Folha Online

Goleiro Bruno mantinha rede que lhe garantia poder e admiração popular


O Maracanã era apenas um dos mundos onde o goleiro Bruno Souza, de 25 anos, mostrava o seu poder. Natural de Santa Matilde, ele dominou seu bairro e toda a cidade de Ribeirão das Neves, na Região Metropo-litana de Belo Horizonte, com dinheiro e notoriedade. Somando amigos, empregados, agregados e colegas do futebol, cerca de 50 pessoas eram beneficiadas pela condição financeira e social do jogador do Flamengo. 
Quando venceu o Campeonato Brasileiro de 2009, onde Bruno foi comemorar? Barra da Tijuca, Copacabana, Miami? Não. Ribeirão das Neves. Desembarcou no Aeroporto da Pampulha, a menos de uma hora de carro dali, mas preferiu uma chegada triunfal, trocando as quatro rodas pelo ar. Desceu de helicóptero no campo onde joga o 100%, seu time na localidade, e distribuiu dois uniformes oficiais completos do rubro-negro carioca.

Carro na contramão 
Um dos botecos que o goleiro frequentava era o Bar do João, logo na entrada do bairro Liberdade, às margens da rodovia BR-040. Segundo o dono do estabelecimento, a presença do ídolo era, rapidamente, notada.

— Aqui ele podia tudo. Subia a rua na contramão e estava tudo bem. Se pegasse alguma coisa no bar, eu nem cobrava. Às vezes, esquecia de pagar, mas alguém da galera pagava — recordou o homem, que se identificou apenas como João. Ele citou Luiz Henrique Ferreira, o Macarrão; Flávio Caetano de Araújo, o Flavinho; e Elenilson Vitor da Silva, o Vitinho, como os amigos “chegados” de Bruno.

Chofer para Dayanne

Caetano atuava como uma espécie de mordomo de Dayanne Rodrigues do Carmo, ex-mulher do jogador, transportando ela e a família, sempre que solicitado. Em seu Fiat Uno, pegou o bebê Bruno Souza, então com quatro meses, em frente ao Ceasa e o levou para longe do sítio, a mando de Dayanne. Neste carro, durante as investigações, Flávio levou Rodrigues ao escritório de seu advogado, um dia antes de a Justiça decretar a prisão de ambos. O veículo é o mesmo que o goleiro rubro-negro teria usado para sair de seu sítio, na noite do suposto assassinato da modelo Eliza Samudio.

— Flavinho fazia transporte de crianças para a escola, mas preferia fazer os bicos para a Dayanne porque ganhava R$ 100 em uma tarde. Esse dinheiro só podia ser do Bruno. Na casa dela, ninguém trabalha — afirmou Poliane Pimenta de Souza, mulher de Flávio.
Fonte: EXTRA

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vestígios de sangue achados em colchão no sítio de Bruno


Material recolhido em sítio de goleiro vai passar por exames de DNA.
Depoimento de menor foi interrompido e será reiniciado na quinta-feira.

A Polícia Civil informou durante entrevista coletiva, nesta quarta-feira (14), que foram encontrados vestígios de sangue em um colchão no sítio do goleiro Bruno, em Esmeraldas (MG). Segundo a polícia, o sangue é humano e será submetido a exames de DNA, que vão determinar se o sangue é de Eliza ou não. Além do sangue, fios de cabelo  foram encontrados durante as buscas que ocorreram entre a noite de terça-feira (13) e a madrugada desta quarta.
Eliza, que desapareceu no início de junho, teve um relacionamento com o goleiro Bruno, que era do Flamengo. Ela tentava provar, na Justiça, que o atleta era pai de seu filho. Oito suspeitos de envolvimento no sumiço da jovem foram presos. Todos negam o crime.
“Por análises periciais, foram detectados vestígios de sangue humano em um colchão, que serão comparados por exames de DNA para saber se são da Eliza ou não", disse a delegada Alessandra Wilke.
Um menor que foi apreendido na casa de Bruno, no Rio, disse, em depoimento, que Eliza foi agredida durante a viagem para Minas Gerais. O adolescente teria confessado que deu três coronhadas na cabeça dela. Em outro relato ouvido pela polícia, o primo de Bruno, Sérgio Sales, disse que encontrou a jovem ferida no sítio do goleiro.
Na semana passada, a polícia confirmou que foram encontrados vestígios de sangue de Eliza em um carro do goleiro Bruno que havia sido apreendido em uma blitz, no começo de junho, por estar com a documentação irregular. O material coletado foi comparado com material genético colhido do pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, e do filho dela.
OcorrênciaNesta quarta, a delegada afirmou também que foi registrado um boletim de ocorrência porque houve uma alteração no sítio de Bruno durante a noite. Quando a polícia chegou ao local nesta quarta, objetos no sítio estavam em lugares diferentes daqueles onde tinham sido deixados na noite anterior. Várias pessoas possuem a chave do local, segundo a delegada.
Durante o dia, nesta quarta, a polícia voltou ao sítio. Dessa vez, foram localizados restos defraldas e roupas femininas que teriam sido queimados.
A polícia ainda investiga o envolvimento  de uma outra mulher no crime. Ela teria cuidado do filho de Eliza, depois que a jovem foi sequestrada.
Mais buscasNesta quarta, também foram realizadas buscas pelo corpo de Eliza na casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano (MG). Quatro pontos indicados por cães farejadores foram escavados. Além disso, um equipamento semelhante a um raio x mostrou pontos ocos em paredes, que foram vistoriados. Os policiais chegaram a citar que havia um cheiro forte perto de uma escada.


"O aparelho aponta vazios, ocos na casa. Locais ocos podem ter alguma coisa no vão. Os locais foram abertos para conferirmos se tinha algum osso lá", afirmou Moreira. Nada foi encontrado.
"As buscas foram retomadas porque foram ouvidas versões de testemunhas e supeitos. Mesmo que eles se negassem a qualquer coisa, apareceram indicativos nas investigações."
Depoimento do adolescente
A delegada Ana Maria Santos afirmou que o menor que já prestou depoimento no Rio de Janeiro voltou a ser ouvido pela polícia nesta quarta-feira e teria apresentado um fato novo à polícia, porém, sem contradições.
"Ele permanece cooperativo e praticamente confirma o teor dos depoimentos até então, mas traz uma novidade que, por conveniência da investigação, não será publicada. Ele realmente preserva a presença do Bruno, mas percebemos que a partir de determinado momento o Bruno toma conhecimento do que está acontecendo", afirmou a delegada.
Segundo Ana Maria, o depoimento foi interrompido nesta quarta-feira porque o adolescente estava cansado. "Retornaremos amanhã [quinta-feira (15)] do ponto em que paramos."
Investigações
Nascida em Foz do Iguaçu (PR), Eliza Samudio se mudou para São Paulo e posteriormente para o Rio. Em 2009, teve um relacionamento com o goleiro Bruno. Ela engravidou e tentava provar, na Justiça, que teve um filho com o atleta. O bebê nasceu no início de 2010 e, agora, está com a mãe da jovem, em Mato Grosso do Sul.
A polícia mineira começou a investigar o sumiço de Eliza em 24 de junho, depois de receber denúncias de que uma mulher foi agredida e morta perto do sítio de Bruno, em Esmeraldas.
Na terça-feira, 6 de julho, um menor foi detido na casa do jogador, no Rio, e afirmou à polícia que Eliza está morta. Ele disse que viajou do Rio para Minas Gerais com Eliza e Luiz Henrique Ferreira Romão, amigo de Bruno conhecido como Macarrão. De acordo com o adolescente, os três foram para o sítio do goleiro. Depois, foram até outro local, onde um homem identificado como Neném estrangulou a jovem.
Oito pessoas estão presas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por suspeita de envolvimento no desaparecimento de Eliza, incluindo Bruno. Todos negam o crime.
No Rio, o goleiro e Macarrão são investigados por suspeita de participação no sequestro da jovem. Os dois também negam.
*(Com informações da Globominas.com)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Caso Bruno: polícia estuda como fará perícia em cães

Testemunha alega que Bola participava de grupo de extermínio



Na busca por vestígios dos restos mortais de Eliza Samudio, a Polícia Civil mineira requisitou os trabalhos de um veterinário. A intenção é tentar recolher material que possa comprovar se Eliza foi mesmo morta como o descrito em depoimentos — ela teria sido estrangulada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, esquartejada e seus restos mortais jogados para cães da raça rottweiler. Os cães foram apreendidos na casa do ex-policial, em Vespasiano (MG), onde a jovem teria sido morta.

O veterinário Fernando Pinto Pinheiro compareceu hoje pela manhã ao Departamento de Investigação (DI) a convite do delegado Edson Moreira e sugeriu um possível trabalho de perícia envolvendo os cães. De acordo com Pinheiro, ainda é possível encontrar unhas e cabelos nas fezes secas dos cães, que foram recolhidas pelos policiais. Segundo ele, como o crime teria ocorrido há mais de um mês, exames internos nos animais, como endoscopia, não apresentariam resultados. O veterinário também acredita que é possível utilizar o reagente Luminol na pelagem dos animais para detectar a presença de eventual sangue da vítima.

Pinheiro ressaltou que os cães da raça rottweiler são "extremamente vorazes, agressivos, perigosos e se não forem bem adestrados chegam a ser até incontroláveis". E que comem carne humana, principalmente se estiverem "esfomeados".

— O cão é um carnívoro e jamais recusa uma carne, seja de qual animal for — disse.

A chefe da Delegacia de Homicídios de Contagem, Ana Maria Santos, observou que a intenção da polícia é identificar o exame mais adequado para a detecção de algum vestígio, tendo em vista o fato de o suposto assassinato, conforme depoimentos, ter ocorrido no dia 9 de junho.

— Nós buscaremos a melhor técnica, a melhor forma de periciar esses cães, sobretudo tendo em conta o decurso de tempo.

Pelo menos dez rottweilers foram recolhidos da casa de Bola e levados para o Centro de Zoonoses. Ontem, em conversa com seu advogado, Zanone Oliveira Júnior, o ex-policial manifestou preocupação com o destino dos cachorros apreendidos em sua residência.

A polícia procura manter em sigilo o resultado de perícias em andamento, como em relação aos vestígios de sangue encontrados no carro de Bola. Questionada sobre o assunto, a delegada não respondeu. O delegado Frederico Abelha considera que ainda não se esgotaram as possibilidades de localização dos restos mortais de Eliza no sítio que era alugado pelo ex-policial em Esmeraldas.
Cães foram recolhidos de casa de ex-policial, suspeito de envolvimento no sumiço de Eliza (Foto: Domingos Peixoto/Agência o Globo)


Extermínio

Durante reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas uma testemunha reiterou nesta terça-feira o envolvimento de Bola com uma organização de extermínio que atuaria dentro do extinto Grupo de Resposta Especiais (GRE) da Polícia Civil. Usando um capuz para não ser identificada, a testemunha reafirmou a acusação de que Bola participou do desaparecimento de Paulo César Ferreira e Marildo Dias, que foram presos por integrantes do GRE em 2008. Os corpos dos jovens não foram localizados.

As vítimas teriam sido mortas em um método de assassinato e ocultação de cadáver semelhante ao que foi descrito pelo adolescente de 17 anos, primo de Bruno, em relação à suposta morte de Eliza. Um inquérito foi aberto no ano passado pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil, mas as investigações pouco avançaram.

Embora estivesse excluído da corporação desde 1992, Bola participava dos treinamentos do GRE e chegou a ser condecorado pela equipe de elite - extinta após as denúncias. O corregedor-geral Geraldo Morais Júnior se defendeu das críticas de morosidade do inquérito afirmando que se trata de "uma investigação muito complexa".

O promotor Rodrigo Filgueiras Oliveira, designado para acompanhar a investigação, ressaltou que há três elos no inquérito com o caso Bruno: o ex-policial, o local e o modus operandi dos supostos crimes. De acordo com Filgueiras, contudo, a apuração em relação ao grupo de extermínio não pode ser usada como estratégia de defesa para desviar a atenção da investigação envolvendo o goleiro.

clicrbs.com.br

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"Rezo para achar o que restou dela", diz pai da ex do goleiro do Flamengo

Pai de Eliza Samudio, o empresário Luís Carlos Samudio, 43, afirma que reza "para encontrar o que restou" de sua filha. A jovem está desaparecida há quase um mês. A polícia investiga se o goleiro do Flamengo Bruno Fernandes teve participação no desaparecimento dela. Eliza tentava provar que ele é pai do seu filho, de quatro meses.

Ontem, peritos encontraram uma mancha na Land Rover do goleiro, que pode ser de sangue. "Agora, ele [delegado] disse que será feito um exame de DNA para saber se o sangue é mesmo de Eliza", afirmou o pai da jovem.

Reprodução/Divulgação
Goleiro do Flamengo é investigado após sumiço de ex-namorada; ela afirmava ter tido filho dele

O senhor acha que Eliza abandonaria o filho?
Luís Carlos Samudio - Eu a crio desde os 5 meses de idade. A mãe a deixou aos meus cuidados e foi viver a vida dela. Com certeza minha filha não faria isso. Ela tinha trauma disso.

Ela contou ao senhor que havia sido ameaçada?
Sim, desde que ela me disse que estava grávida. Tanto é que no quinto mês ele [Bruno] fez com que ela ingerisse medicamento abortivo, o Citotec.

O que ela falava do relacionamento com Bruno?
Só o trivial. Comigo não queria falar muita coisa porque tinha medo que eu tomasse providências. Ela recebeu um telefonema do Bruno e ele a hospedou num hotel. Depois pagaram passagem de avião para ela seguir para Minas.

A defesa diz que Eliza deixou a criança na casa da família do goleiro e sumiu. O que o senhor acha disso?
Ela jamais faria isso. E o bebê estava sem roupinhas. Já estou convencido de que ela não está mais entre nós. Rezo para encontrar, pelo menos, o que restou da minha filha.

Fonte: Folha Online