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domingo, 20 de março de 2011

Chernobyl: o pior acidente nuclear do mundo.

Na madrugada de 26 de abril de 1986, um dos quatro reatores nucleares na usina de Chernobyl explodiu.

Há 25 anos, uma explosão na usina de Chernobyl, na atual Ucrânia, deixou milhares de mortos. Hoje a região é uma cidade-fantasma.

São 74 anos de idade e 25 de luta contra as consequências de uma tragédia. Ilga Rhscovsky assistiu à morte do marido, de um filho, de dois netos e de muitos amigos, todos vítimas do maior desastre nuclear da história. Ilga é uma das 16 mães de Chernobyl, mulheres que, sem ter para onde ir, resistiram à ordem do então governo soviético de abandonar a área contaminada. Inexplicavelmente saudável, ela é uma testemunha viva de um passado que insiste em reviver.

Foi no dia 26 de abril de 1986. Uma falha no resfriamento fez o reator número 4 superaquecer até explodir. A radiação foi 200 vezes maior do que a das bombas de Hiroshima e Nagasaki juntas. Ar, terra e água foram contaminados, mas a população de Chernobyl só foi orientada a sair 30 horas depois do acidente. Pelos números oficiais do então governo soviético, 15 mil pessoas morreram. Organizações não governamentais garantem que foram, pelo menos, 80 mil vítimas.

Do velho reator, sobraram 100 toneladas de lixo nuclear derretido. O material é tão radioativo que até as câmeras-robôs, usadas na época para filmar o interior da usina, pararam de funcionar. Mesmo assim, um exército de operários, sem equipamento apropriado, trabalhou durante seis meses na construção do chamado “sarcófago”, uma gigantesca estrutura de isolamento. Nenhum trabalhador sobreviveu.


Vinte e cinco anos depois, o governo da Ucrânia abriu a área para a visitação pública, e a equipe de reportagem do Bom Dia Brasil fez parte de uma das primeiras excursões. O “check point”, controlado pela polícia e pelo Exército da Ucrânia, fica na entrada da área de exclusão, ou seja, a área contaminada. Todas as pessoas devem mostrar o passaporte. Só entra quem tem permissão do governo ucraniano.

Tudo é desolação e abandono, com casas e edifícios que abrigavam famílias inteiras, cerca de 50 mil pessoas. De uma hora para outra, Chernobyl virou uma cidade-fantasma. É essa história que motiva o chamado “turismo atômico”.

“É interessante ver com os próprios olhos. A gente ouviu falar disso durante 25 anos, mas só aqui é possível se dar conta do poder dessa energia”, disse um turista americano.

Os níveis de radiação, ainda dez vezes acima do normal, só permitem a permanência por 15 minutos perto do velho reator. É tempo suficiente para algumas fotos e muita reflexão. “Isso aqui é um exemplo para a humanidade. Um exemplo do que pode dar errado e deve ser evitado”, opinou um turista.

Ao lado da escola abandonada às pressas, o parque de diversões permanece intacto. Seria inaugurado no 1º de maio, cinco dias depois da tragédia. Jamais uma criança brincou, nem vai brincar.



Moscou foi lenta a admitir o que tinha acontecido, mesmo após a radiação ter aumentado e ser detectada em outros países.

A falta de informação levou a reivindicações exageradas do número de mortos pela explosão na área imediata.

A contaminação é ainda um problema, contudo, e disputas continuam sobre quantos acabarão por morrer em consequência do pior acidente nuclear do mundo.

25-26 abril 1986
Engenheiros no turno da noite em número de quatro reatores de Chernobyl começou um experimento para ver se o sistema de bomba de refrigeração pode ainda funcionar usando a energia gerada a partir do reator com baixa energia devem auxiliar o abastecimento de electricidade falhar.

Em 2300 barras de controle, que regulam o processo de cisão num reactor nuclear, absorvendo nêutrons e retardando a reação em cadeia, foram reduzidos para reduzir a produção para cerca de 20% da produção normal necessário para o teste.

No entanto, muitas varas foram reduzidos e saída caiu muito rapidamente, resultando em uma paragem quase completa.

Os sistemas de segurança deficientes
Preocupado com possível instabilidade, os engenheiros começaram a levantar as hastes para aumentar a produção. Em 0030 foi tomada a decisão de continuar.

Até 0100 o poder era ainda apenas cerca de 7%, varas para que mais foram levantadas. O sistema de desligamento automático foi desativado para permitir que o reactor de continuar a trabalhar em condições de baixa potência.

Os engenheiros continuaram a levantar barras. Até 0123, a energia tinha alcançado 12% e começou o teste. Mas segundos depois, os níveis de poder de repente subiu para níveis perigosos.



Superaquecimento
O reator começou a superaquecer e sua refrigeração a água começou a virar para o vapor.
Neste ponto, acredita-se que todas as seis hastes de controle, mas tinha sido removido do núcleo do reator - o número mínimo de funcionamento seguro foi considerado 30.
O botão de parada de emergência foi pressionado. As hastes de controle começaram a entrar no núcleo, mas a sua reinserção dos deslocados de refrigeração superior e reatividade concentrada na parte inferior do núcleo.

Explosões
Com potência de cerca de 100 vezes o normal, pastilhas de combustível no núcleo começou a explodir, rompendo os canais de combustível.

A cerca de 0124, duas explosões ocorreram, fazendo com telhado em forma de cúpula do reator a ser arrancado e os conteúdos que irrompem para fora.

Como o ar era sugado para o reator destruído, que inflamou o gás monóxido de carbono inflamáveis ​​causando um incêndio de reactor que queimou por nove dias.

Como o reator não foi alojado em uma casca de concreto armado, como é prática normal na maioria dos países, o edifício sofreu danos graves e de grandes quantidades de resíduos radioativos escapou para a atmosfera.

Bombeiros rastreado no telhado do prédio do reator para combater as chamas, enquanto helicópteros caíram areia e chumbo, em um esforço para conter a radiação.

Meio-ambiente
O desastre de radiação liberada pelo menos 100 vezes mais do que as bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Grande parte da precipitação foi depositado perto de Chernobyl, em partes da Bielorrússia, Ucrânia e Rússia. Mais de 350.000 pessoas reassentadas longe dessas áreas, mas cerca de 5,5 milhões permanecem.

A contaminação com césio e estrôncio é de especial preocupação, uma vez que estarão presentes no solo por muitos anos.

Após o acidente vestígios de depósitos radioativos foram encontrados em quase todos os países do hemisfério norte.

Mas a direção do vento e chuvas irregulares deixou algumas áreas mais contaminados do que seus vizinhos imediatos.

Escandinávia foi afectada e ainda existem áreas do Reino Unido, onde as explorações agrícolas face controles pós-Chernobyl.

O número de pessoas que poderiam, eventualmente, morreram em consequência do acidente de Chernobyl é altamente controversa.

Um extra de 9.000 mortes por câncer são esperados pela ONU liderada Fórum Chernobyl. Mas ele diz que os problemas da maioria das pessoas são "econômicos e psicológicos, não sanitárias ou ambientais".

Campanha do grupo Greenpeace está entre as que prevêem efeitos mais graves de saúde. Ele espera que até 93 mil extras por câncer de extras, com outras doenças, elevando o número tão elevado como 200.000.

O impacto na saúde é mais evidente um aumento acentuado no câncer de tiróide. Cerca de 4.000 casos da doença foram observados, principalmente em pessoas que eram crianças ou adolescentes na época.

As taxas de sobrevivência são altas e apenas 15 pessoas são conhecidas por terem morrido. Mas o Greenpeace diz que poderia vir a ser de 60.000 casos da doença, entre os 270.000 casos de todos os cânceres.

Dias atuais

O sarcófago que encerra Chernobyl foi construída às pressas e está se desintegrando. Apesar de trabalhar o fortalecimento há temores de que poderia entrar em colapso, levando à liberação de toneladas de poeira radioativa.

O trabalho está prevista para o início de um abrigo de reposição R $ 600 milhões projetados para durar 100 anos. Este Novo Confinamento Seguro será construído no local e depois deslizou sobre o sarcófago.

O abrigo vai permitir que a estrutura de concreto para ser desmontado e para o combustível nuclear e reator danificado para ser tratada. As extremidades da estrutura será fechado-off.

Apesar da contaminação duradoura da área, os cientistas foram surpreendidos com o ressurgimento dramático da sua vida selvagem.

populações cavalo selvagem javali, lobo e estão prosperando, enquanto lince voltaram para a área e os pássaros têm aninhada no edifício do reactor, sem qualquer evidente mal-efeitos.

Governo japonês vai desativar a usina de Fukushima

O ministro da saúde japonês confirmou que encontrou novos casos de contaminação em outros tipos de vegetais produzidos nas províncias de Fukushima e Ibaraki.


A Agência Internacional de Energia Atômica afirmou, neste domingo (21), que alguns progressos foram feitos na usina de Fukushima nas últimas 24 horas. Mas a agência salientou que, no geral, a situação ainda é muito séria.

Ao mesmo tempo que se tem notícias mais promissoras da usina nuclear, a população de Tóquio está em pânico por causa da contaminação da água que abastece a capital do Japão. Começa a faltar água mineral na cidade e as autoridades japonesas confirmaram novos casos de contaminação de alimentos.

O ministro da saúde japonês confirmou que encontrou novos casos de contaminação em outros tipos de vegetais produzidos nas províncias de Fukushima e Ibaraki. O ministro afirmou ainda que o leite e o espinafre produzidos nessas regiões não poderão ser vendidos ao público.

O espinafre tinha até 27 vezes mais iodo radioativo do que o permitido pelo Japão, embora as autoridades do país digam que isso ainda não seja perigoso para a saúde humana. Mas, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, a ingestão pode provocar, sim, danos à saúde, a curto prazo.

A radiação em Tóquio, a 240 quilômetros da usina nuclear, também aumentou, mas as autoridades japonesas garantem que os níveis são inofensivos à saúde.

A empresa que administra a usina nuclear de Fukushima informou que a energia já foi restabelecida no reator 2 e cabos conectados aos reatores 1, 5 e 6. A empresa disse também que já começou o processo para resfriar os reatores 2, 5 e 6.

Já a pressão no reator 3, que contém plutônio, material altamente tóxico, aumentou novamente durante o dia, mas em seguida as autoridades informaram que voltou a se estabilizar.

Bombeiros continuam jogando água nos reatores 3 e 4 para diminuir a temperatura dos núcleos e evitar que as varetas de combustível fiquem expostas e lancem na atmosfera material radioativo. O governo confirmou que vai desativar a usina de Fukushima.

A polícia afirmou que 15 mil podem ter morrido somente na província de Miyagi, a mais atingida pelo terremoto e pelo tsunami de nove dias atrás. Se esse número se comprovar, o número de mortos pode chegar a 20 mil.

Imagens do tsunami chegando à capital da província, Sendai, mostram a força da onda gigante. Carros são arrastados com facilidade, assim como uma casa. O poste de eletricidade não aguenta e tomba e detritos são levados pela correnteza.

Nove dias depois, uma mulher de 80 anos e o neto de 16 foram encontrados no meio dos escombros da casa na cidade de Ishinomaki, na província de Miyagi. Os dois ficaram presos depois que a casa deles ruiu no terremoto. Mesmo assim, conseguiram chegar até a cozinha para se alimentar de iogurte durante esses nove dias.

Fantástico

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os riscos para a saúde de um desastre nuclear como o de Fukushima. Saiba mais

Após uma terceira explosão em um de seus reatores nucleares, a usina de Fukushima Daiichi, 250 km a noroeste de Tóquio, no Japão, começou a deixar escapar radiação em níveis que se aproximam do preocupante, alertaram nesta terça-feira as autoridades japonesas.

Leia a seguir sobre a seriedade do incidente nuclear e o risco destes vazamentos para a saúde no Japão e nos países vizinhos.

Qual é a escala do vazamento de material radioativo?

Técnicos checam nível de radioatividade em moradores perto de usina
O governo japonês afirmou que os níveis de radiação após as explosões na usina de Fukushima podem afetar a saúde humana. Foram detectados níveis de radiação mais altos ao sul da instalação. Moradores que vivem em um raio de 30 km da usina foram aconselhados a deixar suas residências ou permanecer em casa a portas fechadas para evitar exposição. Em Tóquio, os níveis estariam acima do normal, mas sem apresentar riscos à saúde. Na segunda-feira, as autoridades em Fukushima haviam informado que 190 pessoas foram expostas a radiação e um navio militar americano, o porta-aviões USS Ronald Reagan, havia detectado baixos níveis de radiação a uma distância de 160 km da usina de Fukushima.

O vazamento pode se espalhar para os países vizinhos?

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) descreveu o vazamento como um evento de nível quatro em uma escala internacional, o que significa um incidente "com consequências locais". Na Rússia, por exemplo, não foram detectados níveis anormais de radiação e por ora o problema não representa um problema para outras partes do mundo.

Que tipo de material radioativo escapou?

As informações são de que houve vazamento de isótopos de césio e iodo nas redondezas da usina. Especialistas dizem que seria natural haver também um escape de isótopos de nitrogênio e argônio. Mas não há evidências de que tenham escapado plutônio ou urânio.


Qual é o risco destas substâncias radioativas para a saúde?

Em um primeiro momento, a exposição a níveis moderados de radiação pode resultar em náusea, vômito, diarreia, dor de cabeça e febre. Em altos níveis, essa exposição pode incluir também danos possivelmente fatais aos órgãos internos do corpo. No longo prazo, o maior risco do iodo radioativo é o câncer, e as crianças são potencialmente mais vulneráveis. A explicação para isso é que, nas crianças, as células estão se multiplicando e reproduzindo mais rapidamente os efeitos da radiação. O desastre de Chernobyl, em 1986, resultou em um aumento de casos de câncer de tireóide (região em que o iodo radioativo absorvido pelo corpo tende a se concentrar) na população infantil da vizinhança da usina.

Há prevenção e tratamento?

Sim, é possível prevenir o problema com pastilhas de iodo não-radioativo, porque o corpo não absorve iodo da atmosfera se já estiver "satisfeito" com todo o iodo de que necessita. Especialistas dizem que a dieta dos japoneses já é rica em iodo, o que ajuda na prevenção. Césio, urânio e plutônio radioativos são prejudiciais, mas não atacam nenhum órgão do corpo em particular. O nitrogênio radioativo se dissipa em segundos após a sua liberação, e o argônio não apresenta riscos para a saúde.

Como se deu o vazamento do material radioativo?

A usina de Fukushima teve problemas com o sistema de resfriamento de seus reatores, que superaqueceram. A produção de vapor gerou um acúmulo de pressão dentro do reator e a consequente liberação de pequenas quantidades de vapor. Para especialistas, a presença de vapores de césio e iodo – que resultam do processo de fissão nuclear – sugere que o invólucro de metal que guarda alguns dos bastões de combustível pode ter se quebrado ou fundido. Mas o combustível de urânio em si tem um altíssimo ponto de fusão e é improvável que tenha se liquefeito, e ainda mais improvável que tenha se convertido em vapor.


De que outras formas pode haver vazamento?

Como plano de contingência, os técnicos estão usando água do mar para resfriar os reatores. Na passagem pelo reator, esta água é contaminada. Ainda não está claro se o líquido ou parte dele foi liberado na natureza.

Quanto tempo vai durar a contaminação?

O iodo radioativo se dissipa rapidamente e a estimativa é de que a maior parte terá se dissipado em um mês. O césio radioativo não permanece no corpo por muito tempo – a maior parte terá saído em um ano. Entretanto, a substância fica no ambiente e pode continuar a representar um risco por muitos anos.

Pode haver um desastre nos moldes de Chernobyl?

Especialistas dizem que essa possibilidade é improvável. As explosões ocorreram do lado de fora do compartimento de aço e concreto que envolve os reatores, que aparentemente permanecem sólidos. Foram danificados apenas o teto e os muros erigidos ao redor dos compartimentos de proteção. No caso de Chernobyl, a explosão expôs o núcleo do reator ao ar. Por vários dias, seguiu-se um incêndio que lançou na atmosfera nuvens de fumaça carregadas de conteúdo radioativo.

Pode haver uma explosão nuclear?

Não. Uma bomba nuclear e um reator nuclear são coisas diferentes.

BBC Brasil

Japão: Helicópteros jogam água para tentar esfriar reatores em usina danificada

O Japão anunciou nesta quinta-feira a intensificação dos esforços para resfriar os reatores da usina nuclear Fukushima Daiichi, atingida pelo tsunami da semana passada.

Helicópteros do Exército jogaram milhares de litros de água para tentar prevenir o derretimento de bastões de combustível nuclear.

Canhões de água deverão ser incluídos na operação nesta quinta-feira.

Na noite de quarta-feira, autoridades americanas afirmaram que os danos na usina de Fukushima parecem ser mais sérios do que o divulgado pelo Japão.

O tsunami que danificou a usina foi gerado após um terremoto de magnitude 9 que atingiu o nordeste do Japão na sexta-feira.

A polícia japonesa confirmou nesta quinta 5.178 mortes em consequência do tremor e do tsunami. Outras 8.606 pessoas continuam desaparecidas.

Preocupações

Helicópteros militares CH-47 Chinook começaram a jogar toneladas de água nos reatores três e quatro da usina de Fukushima, a cerca de 220 quilômetros de Tóquio, às 9h48 (21h48 de quarta-feira em Brasília), segundo as autoridades locais.

As aeronaves descarregaram quatro cargas de água antes de deixar o local para tentar reduzir ao máximo a exposição das tripulações à radiação.

Na quarta-feira, os helicópteros haviam sido forçados a abortar uma operação semelhante por conta das preocupações sobre os altos níveis de radiação.

Segundo o correspondente da BBC em Tóquio Chris Hogg, os helicópteros podem levar uma grande quantidade de água, mas os fortes ventos na região tornam difícil saber se ela atingiu o local desejado.

Avaliação

O porta-voz do governo japonês Yukio Edano afirmou, em uma entrevista coletiva, que especialistas em energia nuclear estão agora investigando o resultado da operação.

Enquanto isso, caminhões-tanque estão a postos para jogar mais água nos reatores a qualquer momento.

A operação tinha como objetivo resfriar os reatores e também repor a água da piscina de resfriamento para bastões de combustível nuclear usados.

As autoridades japonesas também dizem esperar restabelecer nesta quinta-feira o suprimento de energia elétrica para a usina, necessária para o sistema de resfriamento e para os geradores de emergência.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou nesta quinta-feira por telefone com o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, e expressou as preocupações americanas com o desastre.

A Casa Branca disse que Obama expressou seus “mais profundos pêsames” pela perda de vidas e disse que o governo americano está “determinado a fazer todo o possível para apoiar o Japão”.

Os Estados Unidos já preparam aeronaves para ajudar cidadãos americanos a deixar o Japão e autorizaram a saída voluntária de parentes de diplomatas no país.

Radiação

Em audiência no Congresso americano, em Washington, nesta quarta-feira, o chefe da agência de regulação nuclear dos Estados Unidos, Gregory Jaczko, afirmou que as tentativas de resfriar os reatores da usina de Fukushima estavam enfrentando sérios problemas.

“Acreditamos que ao redor do local do reator haja altos níveis de radiação”, disse ele.

Para o secretário de Energia dos EUA, Steven Chu, a situação em Fukushima Daiichi parece mais séria que o derretimento parcial na usina nuclear de Three Mile Island na Pensilvânia, em 1979.

O Departamento de Estado americano pediu aos americanos que vivam a até 80 km da usina japonesa que deixem a área, perímetro muito mais abrangente que a zona de exclusão de 20 km aconselhada pelo governo japonês.

O governo japonês classificou a orientação americana como “conservadora”.

A Grã-Bretanha recomendou aos seus cidadãos que estejam em Tóquio ou ao norte da capital para que considerem deixar a região.

A França também pediu aos seus cidadãos em Tóquio que deixassem o país ou se dirigissem ao sul. Dois aviões da Air France foram enviados para retirar cidadãos franceses nesta quinta-feira.

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukio Amano, está viajando ao Japão nesta quinta-feira para avaliar pessoalmente a situação.

Problemas

Em áreas do nordeste do país gravemente atingidas pelo tsunami, as baixas temperaturas de inverno aumentaram os problemas enfrentados pelos sobreviventes.

O governador da província de Fukushima, onde está localizada a usina danificada, reclamou que os abrigos públicos não têm as necessidades básicas, incluindo alimentos quentes.

Cerca de 450 mil pessoas estão em abrigos temporários, muitas delas dormindo no chão de ginásios esportivos em escolas.

A crise continuou a afetar os mercados financeiros, com uma retração de 1,4% no índice Nikkei, da Bolsa da Valores de Tóquio, que chegou a cair 4,5% durante o pregão.

O iene também atingiu ao longo do dia seu maior valor em relação ao dólar desde a Segunda Guerra Mundial.
BBC Brasil


O imperador do Japão, Akihito, fez um discurso na televisão, em que demonstrou preocupação com a situação em Fukushima. Ele pediu calma aos japoneses e disse que reza pelas vítimas. Milhares de pessoas estão deixando áreas de possível contaminação radioativa no país.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) avisou que 500 mil japoneses foram retirados dos locais onde vivem em consequência do terremoto, do tsunami e dos acidentes nucleares. O número de mortos subiu para 4.314 em 12 distritos do Japão, os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Polícia. Os registros devem aumentar ao longo das buscas por desaparecidos.

terça-feira, 15 de março de 2011

Explosão em usina nuclear causou vazamento no Japão. Nível de radiação é 'preocupante'.

AIEA confirma que usina nuclear no Japão emitiu radiação na atmosfera
Governo japonês admite que nível de radiação está 'perigoso' para saúde.
Ventos podem levar nuvem radioativa para Tóquio.


A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou nesta terça-feira (15) que a explosão provocada por um incêndio no reator 2 da usina nuclear de Fukushima, no Japão, afetada pelo potente terremoto de sexta-feira (11), seguido por um devastador tsunami, liberou radiação diretamente na atmosfera.

Em comunicado, a AIEA detalhou que obteve a informação das autoridades japonesas.
De acordo com a AIEA, ainda há fogo no depósito de armazenamento de combustível usado no reator 4, na mesma usina atômica, e que o complexo está seriamente danificado pelos fenômenos naturais que provocaram destruição e mortes em parte do país.

No local, foi registrado nível de radioatividade de até 400 microsievert por hora, diz a AIEA.
Além disso, alta na temperatura foi registrada nos reatores 5 e 6 da central nuclear, informou Yukio Edano, porta-voz do primeiro-ministro japonês. “Observamos uma leve elevação de temperatura nos reatores 5 e 6”, afirmou. Segundo ele, o problema é o mesmo que afetou outros reatores do complexo: falha no sistema de refrigeração.

Nocivo à saúde
No meio da tarde (15 horas local), Edano admitiu que o nível de radiação na área da usina nuclear de Fukushima estava "perigoso" para a saúde da população.

Pouco antes, o premiê japonês, Naoto Kan, já havia informado que um incêndio que atingiu o reator 4 fez a radiação subir "consideravelmente". Ele ampliou a área de isolamento radioativo na região da usina para 30 km.

Nuvem radioativa em Tóquio
A prefeitura de Tóquio registrou na manhã desta terça um nível de radioatividade levemente superior ao normal. Mas de acordo com as autoridades locais, a elevação no índice não oferece risco. "Registramos um nível de radiação superior ao normal esta manhã em Tóquio", declarou o responsável da prefeitura da capital japonesa, Sairi Koga, acrescentando que "não se trata de um índice suficiente para afetar a saúde humana".

A capital japonesa vive um dia de expectativa pela eminente possibilidade de ventos estarem soprando da região da usina nuclear danificada radiação à cidade. Os ventos, que podem estar carregados de componentes radioativos, se movem a uma velocidade de 2 a 3 metros por segundo, de acordo com a Agência Meteorológica do Japão. A previsão é de que a velocidade do vento aumente na quarta-feira (16), soprando de 3 a 5 metros por segundo em direção ao Oceano Pacífico.

Mais cedo, a embaixada francesa no Japão alertou que uma nuvem radioativa poderia atingir Tóquio no prazo de 10 horas, levando em consideração a velocidade atual dos ventos. O comunicado pede que os cidadãos franceses na cidade não entrem em pânico e fiquem dentro de suas residências, com as janelas fechadas.

Explosão
Por volta das 6h20 (horário local), uma explosão atingiu o reator 2. Ela pode ter danificado o reservatório de supressão, informou a Agência de Segurança Nuclear e Industrial, citando relatório da Tokyo Electric Power Co., operadora da usina. O teto do prédio do reator foi danificado, e havia vapor saindo dele.

A Tokio Eletric Power informou após a explosão que níveis de radiação quatro vezes mais altos foram medidos na província de Ibaraki, ao sul da usina, entre as províncias de Fukushima e de Tóquio.

O operador da central nuclear de Fukushima 1 anunciou a retirada de seu pessoal da área do reator 2, exceto pelos funcionários encarregados de bombear água para refrigerar o sistema em colapso.

SMS
O premiê Naoto Kan enviou mensagens para todos os celulares do país, um meio de atingir o maior número de pessoas possíveis. No SMS, o premiê pede à população para economizar energia. (G1)

Radioatividade pode entrar em cadeia alimentar no Japão
Reuters/Brasil Online
Por Tan Ee Lyn

CINGAPURA (Reuters) - Material radioativo lançado ao ar pela usina nuclear japonesa afetada por um terremoto na sexta-feira pode contaminar a água e alimentos, e as crianças e os bebês que ainda não nasceram correm o maior risco de possivelmente desenvolverem câncer.

Especialistas afirmam que qualquer exposição a material radioativo tem o potencial de causar vários tipos de câncer, e o risco aumenta quanto mais elevado for o nível de radiação.

Mas eles afirmam ser necessário medições mais precisas para o nível de radioatividade no Japão e na região para que se possa ter uma ideia mais clara dos riscos.

"As explosões podem expor a população à radiação por um longo período, o que pode elevar o risco de câncer. Os tipos são câncer da tiróide, câncer ósseo e leucemia. As crianças e os fetos são especialmente vulneráveis", disse Lam Ching-wan, químico patologista da Universidade de Hong Kong.

"Para alguns indivíduos, mesmo uma quantidade pequena de radiação pode elevar o risco de câncer. Quanto maior a radiação, maior o risco de câncer", disse Lam, que também é membro do Conselho Americano de Toxicologistas.

O material radioativo lançado ao ar pode ser diretamente inalado para o pulmão ou ser levado pela chuva ao mar e ao solo, e eventualmente contaminar plantações, a vida marítima e a água consumida pela população.

O leite de vaca também é especialmente vilnerável, segundo especialistas, caso os animais entrem em contato com o pasto contaminado.

Segundo Lee Tin-lap, toxicologista e professor associado da Escola de Ciências Médicas da Universidade de Hong Kong, as águas que banham o Japão precisam ser testadas para saber seu nível de radiação.

"Ninguém está medindo os níveis de radiação no mar", disse Lee à Reuters.

"A névoa que está sendo lançada ao ar eventualmente voltará para a água, e para a vida marítima será afetada... quando houver uma chuva, a água usada no consumo também será contaminada."

A Organização Mundial de Saúde disse nesta terça-feira que o Japão está tomando as medidas corretas para proteger sua população da radioatividade, incluindo a retirada de pessoas e a estocagem de iodeto de potássio, um antídoto à radiação.

(Reportagem adicional de Mayumi Negishi no Japão)