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sexta-feira, 15 de março de 2013

Médico receita vodca para bebê de seis meses e caso gera polêmica em Aracruz

Médico receita vodca para bebê de seis meses e caso gera polêmica em Aracruz
O caso ocorreu na última segunda-feira (11), no Hospital São Camilo, e gerou discussão nas redes sociais

Mãe ficou perplexa com o conteúdo da receita médica

Na última segunda-feira (11), a agente de saúde Luana Tomaz, de 22 anos, levou o filho Aryel, de 6 meses até o pronto-socorro do Hospital São Camilo, em Aracruz. A criança apresentava quadro de tosse, secreção e suspeita de pneumonia. Ela chegou ao local por volta das 18h e permaneceu até às 23h, quando um pediatra plantonista atendeu ao menino. A consulta ocorreu normalmente e o profissional receitou medicamentos para a reversão do quadro de inflamação do bebê. A surpresa foi um dos "remédios" da receita: vodca.

"Tudo correu normalmente até a hora em que fui comprar os remédios, no dia seguinte. O farmacêutico estranhou o que havia sido prescrito. Quando li vodca, não associei a palavra à bebida. Pensei se tratar de um medicamento de fato, pois nunca soube que uma bebida alcoólica poderia ser usadao no tratamento de uma criança. Fiquei revoltada e sem saber o que fazer. No mesmo dia, uma outra mãe passou por situação semelhante", disse Luana.


A agente de saúde comentou sobre a história com familiares e conhecidos, e o caso e a foto da receita repercutiram rapidamente nas redes sociais e também entre os moradores de Aracruz.

A receita
Na receita, o pediatra indica que a bebida deveria ser dosada com outras medicações - dentre elas Berotec, soro e Atrovent - e usada no procedimento de nebulização da criança a cada seis horas, pelo período de sete dias.

E por mais absurdo que possa parecer, o procedimento adotado pelo profissional não está errado. Um médico pediatra que trabalha há 35 anos na área, e que não será identificado, diz que não há erros na conduta do colega de profissão. "Nas pessoas mais novas isso causa estranheza e até indignação, mas do ponto de vista médico não existe nada de anormal. No passado, pelo menos há uns 20 anos, a vodca era empregada como fluidificante em tratamentos respiratórios, ou seja, a bebida servia para tornar a secreção menos densa e facilitar a eliminação da mesma", explicou.

Com o aparecimento de novas medicações, essa técnica foi substituída e quase não é mais usada. "Por diversas vezes prescrevi vodca a meus pacientes. Era normal. Por ser composta basicamente por álcool e água destilada, a bebida era empregada em uma eventual falta do álcool. Com o surgimento do Atrovent, por exemplo, fazer uso desse procedimento passou a ser raro", salientou ele.

O profissional destacou que a bebida e a medicação têm atuações semelhantes, mas se utilizado em dosagem errada, o álcool poderia provocar uma irritação dos brônquios da criança. "Não há risco nenhum se empregado corretamente. É mais perigoso errar na dosagem de um outro medicamento do que na vodca, como é o caso do Berotec. Essa mãe pode ficar tranquila, pois o filho dela não corre risco da parte médica. Apenas saliento que esse não é o procedimento mais habitual, por isso a estranheza", concluiu.

CRM
A reportagem do Gazeta Online procurou o Conselho Regional de Medicina do Estado do Espírito Santo, que afirmou, via assessoria, não ter conhecimento legal do caso. Entretanto, o CRM orienta que a mãe do bebê denuncie o caso ao Conselho, caso se sinta lesada. Luana também pode solicitar um parecer de conduta junto ao órgão, para que seja analisado o procedimento adotado pelo pediatra, mas para isso é necessário que ela apresente a receita médica.

Em resposta o representante executivo do Hospital São Camilo Clemárcio Angeli, esclareceu que o Hospital fez uma consulta com a Sociedade Brasileira de Pneumologia para saber se há contra-indicação do uso do medicamento aliado a vodca. "Assim que eles se manifestarem contra ou a favor, vamos entrar em contato com o Conselho Regional de Medicina (CRM)", disse.

Segundo Angeli, o ocorrido não passa de "achismo de um leigo que olhou o produto e estranhou".

 Gazeta Online 

GAZETAONLINE.COM.BR/CIDADAOREPORTER

sábado, 10 de dezembro de 2011

Brasileiro com diagnóstico errado vira mundo após ouvir que viveria 2 anos


O que fazer quando lhe dão dois anos de vida? ter uma filha com a namorada, vender tudo, comprar um barco, cruzar oceanos (e manter os planos mesmo depois de descobrir que o diagnóstico estava errado)


O Santa Paz, visto a partir do seu mastro na
 ilha de Fatu Hiva (Polinésia), virou a residência do casal
O diagnóstico soava definitivo: um câncer na próstata daria a Lucas Freitas menos de dois anos de sobrevida. A doença vinha em um momento de serenidade – prestes a cruzar a barreira dos 30 anos, ele estava apaixonado pela publicitária Sandra Chemin e esperava uma filha, a primeira de ambos. Era necessário remanejar os planos, tentar encaixar em dois anos o que se imaginava fazer em uma vida inteira. Em uma noite, os dois deitados na banheira do apartamento que dividiam, ela perguntou o que ele faria com tão pouco tempo. Lucas falou de seu desejo de escrever ficção, mas confessava-se pouco inspirado para a tarefa. Deveria acumular certa experiência e, para isto, queria navegar pelo mundo. Eles não eram totalmente ignorantes no assunto – já haviam velejado em monotipos, aqueles barcos pequenos que não se afastam muito da praia. Mas manejar um barco capaz de atravessar mares durante tempestades era outra história. Não havia problema – eles aprenderiam.


Nas semanas seguintes, o casal se ocupou em “empacotar” a vida que levava em São Paulo e procurar o tal barco, ao mesmo tempo em que enfrentava a dura rotina de exames e consultórios médicos. Até que o resultado de uma nova biópsia trocou o câncer por uma infecção cabeluda, mas reversível. Em um mês, Lucas estava curado. “Nesta altura, a cabeça já havia mudado.” O câncer ficara para trás. O desejo de rodar o mundo de barco, não. Sandra e Lucas voltaram ao trabalho – ela como vice-presidente da Ogilvy Interactive (braço da agência de propaganda Ogilvy), ele como jornalista. Quando a filha Clara completou 1 ano, o casal bancou a experiência. “Fizemos a despedida no meu aniversário. Brincamos que era a festa do ‘triplo T’: trinta de julho, meus trinta anos e tchau”, diz Lucas.

Nas Ilhas Jersey, mais conhecidas por oferecer benesses fiscais do que vender produtos náuticos, Lucas e Sandra compraram um barco usado de 39 pés. Deram o sugestivo nome de Santa Paz, exatamente o que sentiam agora. Com a ajuda de comandantes contratados, zarparam da costa francesa, passaram pela Espanha e alcançaram Portugal. Era o momento de arriscar a primeira viagem-solo, sem tutores e com Clara a bordo. Antes, porém, a família decidiu voltar (de avião, claro) ao Brasil para romper os últimos laços: o apartamento foi alugado e o carro, vendido. A partir dali, a vida seguiria de porto em porto.

De Portugal à Grécia foram meses de viagem. A família aportou em Ítaca, ilha nas águas calmas do mar Jônico, onde reinou Ulisses – ou Odisseu, para a mitologia grega. “Por coincidência, fiz a viagem lendo a Odisseia [o épico de Homero que descreve o regresso de Ulisses a sua terra natal]”, diz Lucas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Norte-americana fica com seios 'unidos' após cirurgia plástica

Norte-americana fica com seios 'unidos' após cirurgia plástica
Dinora Rodriguez, de 40 anos, ainda teve as pálpebras danificadas.
Mulher será símbolo de campanha de alerta sobre cirurgia plástica nos EUA.

A norte-americana Dinora Rodriguez, de 40 anos, descobriu que os seus seios haviam sido unidos, como se formassem uma única mama, após acordar de uma cirurgia plástica nos Estados Unidos.

A "união" foi feita sem a autorização da paciente. Durante a operação, Rodriguez também teve suas pálpebras alteradas e até hoje não consegue fechar os olhos direito. Novos médicos que estão cuidando de Rodriguez afirmam que não será possível reverter o dano causado à pele acima dos olhos. Ela vai precisar tomar remédios pelo resto da vida por conta do dano.

Quanto à região dos seios, o cirurgião que operou a mulher também fez cortes em nervos e músculos, deixando a moradora de Los Angeles, no estado norte-americano da Califórnia, com dores fortes nas costelas do peito.

Agora, a norte-americana não só vai permanecer com os seios unidos como também irá participar de uma campanha de alerta do Comitê de Cirurgia Plástica dos Estados Unidos sobre o perigo de passar por operações sem conhecer a competência do médico.
Dinora Rodriguez, de Los Angeles, Califórnia ficou com os seios unidos após o procedimento cirúrgico. Ela estrela uma campanha da Associação Americana de Cirurgia Plástica para atentar as pessoas quanto aos procedimentos cirúrgicos por médicos desqualificados.
Um porta-voz da associação diz: "Não é porque eles possuem jalecos brancos que estão qualificados para realizar cirurgias plásticas".
O cirurgião ainda cortou nervos e músculos, deixando a paciente com dores nas costelas.

Nos Estados Unidos, é permitido que um médico atue na área de cirurgia plástica mesmo sem o consentimento do comitê.

Foto que mostra o antes e depois da cirurgia correu o mundo. (Foto: gawker.com / Reprodução)


Do G1, em São Paulo*
* Com informações do jornal britânico "Daily Mail".

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mulher vai fazer endoscopia e sai de hospital sem o braço direito

Mulher vai fazer endoscopia e sai de hospital de SP sem braço direito
Ela sofreu trombose após injeção e teve membro amputado em 2009.
CRM apura se houve erro médico; vítima quer R$ 1 milhão de indenização.
Rosely Viviani, de 48 anos, segura foto dela tirada
há 11 anos: ela teve o antebraço direito amputado
após tomar injeção no pulso. (Kleber Tomaz/G1)


Em 2009, uma vendedora do interior do estado de São Paulo entrou num hospital filantrópico da capital paulista para fazer um exame gastrointestinal, mas saiu de lá sem parte do braço depois de tomar uma injeção no pulso direito. A mulher se queixou de dores na região durante todo o dia 27 de abril daquele ano. Na manhã seguinte, seu membro não tinha mais circulação sanguínea. Foi constatada trombose no local e, após vários tratamentos sem solução, não restou outra alternativa aos médicos: eles amputaram o antebraço da paciente em 7 de maio.

Até sexta-feira (26) o Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, na Zona Leste, não sabia explicar a Rosely Viviani, de 48 anos, como foi possível ela ter se internado para uma endoscopia (exame que introduz cânula com câmera pela boca do paciente para se verificar doenças gastrointestinais) e dez dias depois ter um membro aparentemente saudável retirado.

Rosely só havia ido ao Santa Marcelina porque semanas antes teve diagnosticado câncer no útero e ovário e precisava fazer a endoscopia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para saber se tinha mais tumores em outros órgãos - o que não se comprovou. “Entrei no hospital com o meu braço e saí de lá sem ele. E até hoje ninguém me disse o que ocorreu”, disse a mulher, em entrevista ao G1 concedida em sua casa em Cerquilho, no interior de São Paulo. Ela é separada e mora com o filho André Luiz, de 11 anos. “Me disseram que tiveram de amputar do cotovelo para baixo senão eu ia morrer. Era meu braço ou minha vida.”

Em busca de respostas, uma comissão interna do próprio hospital e uma sindicância do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) apuram o caso de Rosely para saber se houve erro médico. Existe a suspeita de que uma enfermeira tenha aplicado o sedativo para a realização da endoscopia na artéria em vez da veia. O remédio foi dado por meio de uma agulha, que já havia sido introduzida no pulso da paciente para ministrar outros medicamentos.

“Ela aplicou a injeção na artéria e não na veia. Fora isso, demoraram para ouvir meus pedidos de que eu estava com dor e havia algo errado. Passei mais de um dia com o braço dolorido”, lembrou Rosely.
Hospital e Cremesp também deverão verificar se ocorreu demora no atendimento de Rosely. A vítima se queixou que logo que tomou Diazepan no braço se queixou de dores, mas só foi socorrida 26 horas depois. “Eu chorava de dor, mas ninguém me atendia. Aí já era tarde. Não havia mais circulação sanguínea no braço. As pontinhas dos dedos começaram a ficar pretas, depois começou a escurecer na altura do pulso”, afirmou a mulher.

Caso haja comprovação de algum tipo de erro por parte do hospital, os médicos poderão ser punidos com suspensão administrativa pelo hospital ou até ter a licença para exercer a profissão cassada pelo Cremesp. Como o caso envolve uma enfermeira, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) em São Paulo também foi procurado pelo G1 para comentar se apurava a denúncia. A assessoria de imprensa do conselho informou que não havia registro sobre o caso.

A outra hipótese que é apurada pelo Santa Marcelina e Conselho de Medicina é que o próprio organismo da mulher tenha reagido de forma inesperada a algum remédio. Se for constatada essa possibilidade, a equipe médica hospitalar é inocentada.

Rosely exibe fotos com o filho André Luiz (ao seu lado) tiradas quando ele era criança: 'Quero uma prótese mecânica para poder abraçar meu filho e amarrar meus tênis novamente' (Kleber Tomaz/G1)

Punção arterial inadvertida e Fenômeno de Raynaud
Questionados sobre as apurações, hospital e Cremesp alegam que não podem dar detalhes antes das conclusões.

Procurada para comentar o assunto, a diretoria médica do Hospital Santa Marcelina informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que “o caso referente à paciente Rosely Viviani está com a comissão de ética médica". "A comissão está apurando minuciosamente o ocorrido para verificar se houve erro médico ou não.”

A reportagem não conseguiu localizar os médicos e enfermeiros que atenderam Rosely para comentar o assunto.

Apesar disso, a equipe de reportagem obteve documentos do Santa Marcelina que confirmam que o braço de Rosely só passou a apresentar problemas após a injeção que tomou. “(...) a paciente, após punção [aplicação da injeção], evoluiu com obstrução arterial aguda de MSD [membro superior direito]. Foi submetida à trombolectomia e heparinização plena, sem sucesso. Ontem foi submetida à amputação de antebraço direito”, escreveu uma ginecologista do hospital no parecer médico de 2009.

Outro relatório do Santa Marcelina daquele mesmo ano sugere duas causas possíveis para explicar essa “obstrução arterial” que originou a amputação do membro: a injeção ou um fato surpreendente. “Sugeriu a solicitação de parecer para cirurgia vascular aventando a hipótese de Fenômeno de Raynaud ou punção arterial inadvertida”, escreveu um médico.

Especialista e Associação das Vítimas de Erros Médicos
Segundo o médico Marcos Arêas Marques, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), uma “punção arterial inadvertida” pode causar isquemia (falta de circulação sanguínea) e até necrose dos membros do paciente, sendo necessária a amputação.

“A punção arterial é qualquer tentativa de pegar a artéria em vez da veia. Teoricamente é um erro que não deve acontecer”, disse o angiologista Arêas Marques, que estuda as doenças das veias e artérias.

Segundo o especialista, o Fenômeno de Raynaud é um espasmo involuntário das artérias das mãos e pode ter origem no próprio organismo humano ou ser causado por um fator externo, como uma injeção aplicada de forma errada.

“Esse vaso espasmo exagerado é percebido quando alguém coloca a mão na água fria e ela fica roxa. As extremidades ficam azuladas. Mas ele pode ser secundário a um trauma também. Por exemplo, uma punção inadvertida com medicação na artéria que era para ser feita na veia. A artéria leva sangue para a extremidade e caso seja aplicado algo nela, pode causar isquemia, falta de sangue, dor na mão e até a perda do membro”, disse Arêas Marques.

Ainda de acordo com o angiologista é comum a aplicação de Diazepan em pacientes antes de endoscopias. “Esse remédio tem o efeito de sedativo porque deixa a pessoa calma para que o procedimento seja mais confortável para o paciente. Mas ele tem de ser aplicado na veia e não na artéria”, afirmou Arêas Marques. “Se injetar remédio endovenoso em artéria pode ter problema, como a Iatrogenia, que é uma complicação adversa de um procedimento.”

“No meu entender ocorreu uma série de equívocos, que caracteriza má prestação de serviço, onde através de uma ação ordinária indenizatória, a vítima deverá ser ressarcida por danos morais, danos estéticos, pensão alimentícia pela incapacidade parcial etc. Houve uma grande demora para que houvesse socorro, 26 horas”, diz Célia Destri, presidente da Associação das Vítimas de Erros Médicos (Averme).


Documento do Hospital Santa Marcelina mostra que paciente pode ter sido vítima de erro. Trombose que ocasiou a amputação pode ter decorrido de uma aplicação de injeção na artéria: 'punção arterial inadvertida' (Reprodução)

Ação indenizatória
Quase um ano depois da amputação, Rosely registrou queixa na Polícia Civil contra o Hospital Santa Marcelina, mas nenhuma investigação foi feita para apurar o que ocorreu com ela. “A declarante foi orientada a instruir ação civil, já que o prazo decadencial de seis meses para oferecer representação pela lesão corporal que sofreu expirou-se”, escreveu uma delegada num boletim feito na capital.

Sem dinheiro para pagar um advogado, Rosely procurou a Defensoria Pública, que entrou na Justiça com uma ação indenizatória por danos morais e materiais em favor da vítima cobrando R$ 1,2 milhão do hospital e do Governo de São Paulo. A Defensoria entende que ocorreram falhas no procedimento médico e demora no atendimento à paciente.

“Houve erro médico porque há indicativos nas provas obtidas de que houve falha e demora no atendimento e procedimento de aplicação. Essa ação de indenização proposta pela Defensoria visa ressarcir a vítima pelos prejuízos sofridos. Ela teve danos materiais e morais”, disse a defensora Renata Flores Tibyriçá, coordenadora da unidade da Fazenda Pública na capital paulista.

De acordo com a defensora, a ação também é contra o Estado porque, segundo ela, todo paciente com câncer atendido pelo SUS precisa de atendimento médico de alta complexidade e isso é responsabilidade do governo.

“Uma pessoa entra para fazer tratamento de câncer e sai sem braço? Isso é um absurdo”, disse Renata Tibyriçá, que pede uma prótese de mão e antebraço, além de um carro adaptado e uma pensão para o filho dela, caso Rosely venha a morrer. A mulher ainda realiza quimioterapia para conter o avanço do câncer. Ela já passou por cirurgia para retirar útero e ovários.

“Continuo fazendo quimioterapia, mas tenho certeza de que o que ocorreu com o meu braço não teve a ver com a doença. Eu não tive câncer no braço, era no útero e ovários”, disse Rosely, que deixou de trabalhar por conta da deficiência. Ela usava o carro, um Gol ano 1995, para comercializar roupas, mas, sem poder dirigir, vendeu o veículo por R$ 7 mil em dezembro de 2010. O dinheiro está servindo para pagar algumas parcelas das mensalidades da faculdade de pedagogia, que decidiu fazer após a amputação. Antes, ela cursava letras, mas desistiu ao entrar em depressão por conta da perda do membro.

Atualmente, ela recebe um salário mínimo por mês de um plano do Governo federal. “É um auxílio doença”, disse a mulher, que improvisou uma tipoia azul, daquelas usadas para apoiar um braço quebrado, no membro amputado. “Eu uso para esconder o dano que me causaram. Tenho vergonha de mim. Tenho vergonha de sair na rua. Ainda não superei o trauma.”

Rosely não usa mais maquiagem nem deixa o cabelo crescer acima da altura dos ombros.
“Perdi a vaidade”, afirmou a mulher, enquanto mostrava uma foto produzida dela tirada em Campinas. “Eu tinha 27 anos. Usava batom. Namorava e pensava em casar. Não tinha esse cotoco e essa cicatriz feia no cotovelo. Você acredita que às vezes acordo pensando que ainda tenho a mão direita. Eu consigo ter a sensação de mexer os dedos, os nervos estão aqui, mas os dedos não estão.”

O filho André Luiz ajuda a mãe nas atividades domésticas e a incentiva a escrever. “Eu era destra, agora tive de aprender a escrever com a mão esquerda. A letra ainda sai um pouco feia, tremida, mas estou melhorando a caligrafia”, disse a mulher, que torce por uma decisão judicial favorável.

“Eu quero a indenização. Lógico. É o meu direito. Não sei quanto tempo isso vai levar, mas espero que a Justiça seja feita. Só espero que não seja depois de eu morrer porque ainda tenho essa luta contra o câncer. Quero uma prótese mecânica para poder voltar a abraçar meu filho e amarrar meus tênis sozinha novamente. Quero ter um carro adaptado para voltar a trabalhar vendendo roupas como antes. Quero o que tiraram de mim de volta. Quero minha vida pacata e simples.”

A Justiça ainda analisa o pedido da indenização. De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, “a ação, que deu entrada em 11 de fevereiro deste ano, está em andamento na 4ª Vara da Fazenda Pública da capital". "Não há decisão a respeito do caso.”

O que dizem hospital e governo de SP
Procurado para comentar a ação de indenização que a paciente move contra o Santa Marcelina, o hospital respondeu que “o departamento jurídico também está acompanhando o caso, pois a paciente entrou com uma ação contra o hospital”.

O governo do Estado de São Paulo também foi procurado para falar sobre a ação, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem.


Kleber Tomaz
Do G1 SP

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Aparelho cai na cabeça de bebê durante atendimento em hospital de Vitória

Aparelho cai na cabeça de bebê durante atendimento em hospital de Vitória
O fato aconteceu Centro Integrado de Atenção à Saúde (Cias). Um aparelho medidor de frequência cardiaca atingiu a cabeça da criança


Durante um atendimento a um bebê de cinco meses em um leito do Centro Integrado de Atenção à Saúde (Cias) da Unimed, em Vitória, um aparelho medidor de frequência cardiaca atingiu a cabeça da criança. O menino Renzo Lyra Franzin não ficou ferido, mas os pais do bebê se revoltaram com o ocorrido.

Na quarta-feira (6) da última semana, Luciano Lira, 32, e Camila Franzin, 26, levaram o filho Renzo, que sofre de bronquite asmática, ao Centro da Unimed, na avenida Leitão da Silva. Na segunda-feira (11), em um procedimento de rotina, um maqueiro, segundo o pai da criança, de nome Magno Fialho, foi no quarto onde estava a criança trocar os medicamentos. Momentos antes de sair, o funcionario foi guardar o aparelho medidor de frequencia em uma prateleira - localizada em cima do leito. Ao sair do quarto, o aparelho, mal posicionado, caiu sobre a testa da criança.

A chefe do setor de enfermagem pediatra da Unimed afirma que todos os maqueiros são técnicos de enfermagem e já possuem costume em manusear o equipamento.

A mãe de Renzo, por outro lado, afirma que o maqueiro aparentava não saber manusear o aparelho. Segundo Camila, o funcionário teria dito que iria chamar uma enfermeira, pois não sabia guardar a máquina de forma correta.

Renzo já recebeu alta. Agora, o pai espera que o hospital tome as medidas cabíveis em relação ao atendimento, para que isso não aconteça novamente com outras crianças.

Por nota, a assessoria da Unimed Vitória lamenta o fato ocorrido com o paciente Renzo Lyra. A cooperativa destaca que todas as providências foram tomadas para resguardar a saúde da criança, como a realização de um exame de tomografia, que comprovou a ausência de lesões consequentes do fato. A Unimed Vitória afirma que todas as medidas cabíveis foram adotadas para que o fato não volte a ocorrer.

Gazeta Online

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Na gravidez, sexo e avião pode, álcool e gatos não

Diversos sentimentos diferentes vêm com a notícia da gravidez. A insegurança sobre o que pode ou não ser consumido e realizado confunde a mente das futuras mães. Para ajudá-las nesse momento, a ginecologista e professora da Ufes Maria Angélica Belônia e o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias prepararam uma lista de atitudes que devem ou não ser feitas nestes nove meses. 

Os profissionais respondem a dúvidas frequentes e desvendam alguns mitos. Aprenda com eles.

PODE:


Adoçante

É permitido tomar adoçante, de preferência, estévia e aspartame. Assim como os adoçantes, o sal, açúcar e farinha devem ser consumidos de maneira equilibrada.

Viagem aérea


O grande tabu com relação à viagem aérea são as pacientes que se encontram em até 12 semanas de gestação - fase em que normalmente acontecem os abortos, 80% são decorrentes de alterações genéticas ou má-formações fetais. A paciente associa o aborto à quedas, susto, viagens, mas, normalmente, isso não acarreta o aborto.

Exercício físico



Pode ser feito desde que não ultrapasse 150 batimentos por minuto de frequência cardíaca. O acompanhamento de um profissional também é importante. Quem já faz pode continuar e as que não praticavam devem começar de maneira mais leve. Sempre respeitando os próprios limites. A hidratação é fundamental. Também recomendo comer carboidrato antes do exercício. Atividades de impacto devem ser evitadas. Se a gestante não teve descolamento de placenta, diabetes, pressão alta e sangramento, não há problemas em se exercitar até o fim da gravidez. Se ela sentir dor, contração e cólica, pare e procure um médico.

Sexo
É como a atividade física. Desde que não tenha nenhum problema, é recomendável. "Somente após o oitavo mês, peço para evitar um pouco, mais pela própria barriga. Também há uma substância no sêmen do homem que provoca um pouco de contração. Mas ela pode perfeitamente ter relação, desde que não tenha nenhuma dor ou sangramento. Aliás, existem pacientes que têm muito mais prazer sexual na gestação", destaca o médico. A ginecologista também aconselha o sexo. "É liberado e deve ser feito durante toda a gravidez. O bebê é a composição de uma família, complementada pelo casal, e o sexo passa pelo casal. Não adianta ter um neném saudável e uma família destruída", acrescenta.

Tintura de cabelo
É liberado tonalizantes e rena natural. Não é recomendado usar tintura com amônia, que pode trazer complicações a nível de toxidade à criança e, às vezes, acarretar problemas de tireóide no bebê.


NÃO PODE:


Álcool e tabagismo

Álcool não deve ser consumido de forma alguma porque acarreta problemas no crescimento fetal intra-uterino. Após o crescimento a criança continua tendo um desenvolvimento prejudicado. O cigarro pode causar um parto prematuro e problemas pulmonares no bebê.

Gatos
Os bichinhos são responsáveis por transmitir toxoplasmose. Evite ficar perto.

Depois dos 40

"Não recomendamos a gravidez após os 40. O ideal é a mulher engravidar até os 30 anos. Nessa idade, a gravidez pode ser saudável, mas é preciso prestar atenção no diabetes gestacional, que causa óbito do bebê dentro do útero, e na hipertensão", afirma a professora.
Fonte: gazetaonline.globo.com

terça-feira, 27 de julho de 2010

Médico é preso por sedar e abusar sexualmente de pacientes homens

A Polícia Civil prendeu na manhã desta segunda-feira (27) o médico ortopedista Célio Eiji Tobisawa, de 43 anos, por sedar pacientes, homens com idade entre 20 a 25 anos, e fazer sexo oral neles. Os fatos teriam ocorrido no Hospital Regional do município de Colíder, localizado a 650 quilômetros de Cuiabá, onde o médico trabalha há mais de um ano.

O acusado já foi transferido para a capital e está preso em uma cela especial na Polinter. Ele teve o mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz da Comarca de Colíder, Erico Duarte de Almeida.

A equipe de reportagem do Olhar Direto conversou com o delegado Sergio Ribeiro Araujo, responsável pelo caso, segundo o qual o médico irá responder por estupro de vulnerável, cuja pena é reclusão entre 8 e 15 anos. As investigações tiveram início há um mês e já foram identificados pelo menos três pacientes vítimas do médico que, além de trabalhar no interior, também possui uma clínica particular em Cuiabá.

Conforme o delegado, as vítimas escolhidas pelo acusado possuem aparência semelhante: jovens altos, loiros e de olhos azuis. A prática do sexo oral ocorria, segundo ele, logo após o médico realizar o procedimento de infiltração e aplicar o sedativo.

A denúncia surgiu por uma das vítimas que tentou impedir o ato praticado por Célio Eiji e, no momento, chegou até mesmo ser agredida por ele. No entanto, o rapaz conseguiu se levantar da maca, percorreu o corredor do hospital e foi até a diretoria formalizar a denúncia.

"O médico sempre apresentou um padrão de conduta normal. Mas podemos verificar o perfil psicopata demonstrado e não há dúvidas de que ele tenha praticado o mesmo ato contra outros pacientes", declarou o delegado ao Olhar Direto.


Fonte: Olhar Direto