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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Madeira-mamoré, a 'Ferrovia do diabo'

Uma parte importante da história do Brasil enferrujou abandonada por 35 anos, e lentamente começa a ser recuperada. A ferrovia Madeira-Mamoré, que tinha 366 km e ligava Porto Velho a Guajará Mirim, em Rondônia, foi inaugurada em 1912, durante o ciclo da borracha, e desativada em 1972.
Com fotos panorâmicas em 360 graus, o Globo Amazônia traz esse monumento histórico até você: em um mapa interativo, é possível entrar em um vagão de madeira, conhecer de perto uma maria-fumaça, visitar a oficina de trens, ver de perto o pátio de manobras e ainda viajar até o cemitério de locomotivas.

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'Ferrovia do diabo'

A Madeira-mamoré é um dos maiores - e mais desastrosos - projetos já implantados na Amazônia. Durante sua construção, devido a doenças tropicais e falta de cuidados médicos, mais de seis mil operários morreram. Por conta disso, o empreendimento ficou conhecido como "ferrovia do diabo", e espalhou-se a lenda de que, para cada dormente da ferrovia, havia morrido um homem.

A construção começou em 1907, em Porto Velho, e terminou em 1912, quando a ferrovia chegou à divisa com a Bolívia, em Guajará-Mirim. A ideia da obra era servir para o escoamento da borracha produzida na região. Como o Rio Madeira tem muitas cachoeiras nesse trecho de Rondônia, a ferrovia levaria a borracha até um ponto em que os barcos pudessem navegar.

Deu no “The Porto Velho Marconigram”, o jornal dos engenheiros e operários americanos encarregados, no início do século passado, da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, na Amazônia brasileira: “Perigoso encontro com um tamanduá”. A matéria de primeira página da edição de 19 de novembro de 1910 narra em tom bem-humorado a aventura do dr. Garrett e de um funcionário da construtora, ambos envolvidos em uma “luta breve e decisiva com a fera” que, com “uma pata poderosa, rasgou a bota do médico e feriu-lhe a perna”. Essa publicação circulou na nascente Porto Velho (à época com uma população de mil habitantes), mas nenhum dos seus exemplares havia sobrevivido. Agora, uma dezena deles aparece reproduzida no livro “Trilhos na Selva” (Bei Editora), dos autores americanos Rose e Gary Neeleman, junto a imagens inéditas dos fotógrafos Oscar Pyles e Dana Merrill, o documentarista oficial desse empreendimento faraônico no meio da floresta, planejado para escoar a produção de borracha do Brasil e da Bolívia. De posse do valioso material, o casal Neeleman descortina um novo panorama sobre a história da Madeira-Mamoré centrando no cotidiano dos trabalhadores aventureiros. São detalhes anedóticos – e também trágicos – que, em meio à série de livros já publicados sobre o assunto, dão colorido a esse episódio com ares de epopeia.

Editado completamente em inglês, o “Marconigram” tinha a função de entreter uma mão de obra envolvida com perigos maiores que um mero tamanduá de patada certeira. Vítimas de malária, febre amarela, beribéri, febre hemorrágica e outros males tropicais, metade dessas pessoas vindas de diversas partes do mundo morria na selva, criando-se a lenda de que, debaixo de cada dormente da estrada de 360 quilômetros, escondia-se uma alma. Ao todo, dez mil trabalhadores perderam a vida e estão sepultados ao longo do rio Madeira. O dia a dia nas clareiras não era fácil. O uso do álcool era proibido. A prática religiosa, banida.


À noite, os trabalhadores ficavam aterrados com os uivos dos animais e muitos deles passavam a ter transtornos psicológicos.

O livro narra um episódio envolvendo o responsável pelo registro das horas de trabalho J.E. James que sentiu-se mal na mata e, com medo de pernoitar no local, começou a delirar. Baseado em outra edição do “Marconigram”, fica-se sabendo de um levante comandado por uma centena de alemães, em dezembro de 1910. Eles haviam sido contratados para trabalhar na construção, mas não imaginavam o “mico” em que iriam se meter. “Nas várias paradas feitas no rio Amazonas, a desilusão foi aumentando: quando chegaram a Porto Velho, recusaram-se a desembarcar”, lê-se no jornal. O que se segue é a formação de um pequeno exército rebelde ameaçando deflagrar uma “guerra civil na selva”. Atendidos, saíram em debandada. Nove homens que partiram numa jangada improvisada nunca mais foram vistos: mais tarde as cabeças de cinco deles foram encontradas flutuando no rio.



Segundo os Neeleman, a região era habitada pelos hostis índios paintintins e cangas-piranhas. Nem todos os nativos, contudo, eram perigosos. Os caripunas, de barriga avantajada por se alimentar unicamente de amido, aparecem em fotos de Merrill. O cacique veste um pijama que o fotógrafo havia comprado de um navio holandês de suprimentos: o trocou por flechas e algumas poses vaidosas. Em outra imagem, vê-se um caripuna de cabelo encaracolado, o que deveria ser uma moda local. Acompanhando a distância a chegada do progresso, as tribos indígenas ficavam admiradas ao ver uma locomotiva testando os trilhos. Se o bicho metálico parava de andar, viravam as costas, indiferentes.

Apesar de a construção da “Ferrovia do Diabo” ter sido uma façanha da engenharia (tinha até hospital completo), os trabalhadores narram esses episódios em tom de faroeste e até uma prática da corrida do ouro nos EUA é reproduzida no que eles chamavam de “zona ardente”: o pôquer. O jogo de cartas era praticado no dia seguinte ao pagamento e quem ganhasse deveria abandonar o emprego e retornar aos EUA. Alguns perdiam tudo, cerca de US$ 150, uma boa soma para a época. Voltar para o lar era, aliás, o sentimento geral, expresso inclusive em versos. O poeta mais frequente no “Marconigram”, R.S. Stout, não poupava o Brasil: o pintava como “a terra da febre sombria”.

istoe.com.br

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vídeo: flagrantes de falta de atenção e imprudência de motoristas capixabas

Vídeos registrados neste ano pelo DER-ES nas rodovias ES 010 e ES 060 mostram imagens chocantes de acidentes.

Assista todas as fortes cenas que mostram a imprudência e a irresponsabilidades de motoristas. São flagrantes de avanços de sinal nas rodovias estaduais ES 010 e ES 060. A grande maioria de dia. Veja!







Rodrigo Araújo - gazeta online

Percorrendo as estradas brasileiras, é comum perceber a desatenção e falta de respeito às leis de trânsito por parte de alguns motoristas. E no Espírito Santo a situação não é diferente. Os vídeos registrados neste ano pelas câmeras de monitoramento instaladas pelo Departamento de Estradas e Rodagem do Estado (DER-ES) nas rodovias ES 010 (Vitória-Jacaraípe) e ES 060 (Rodovia do Sol) mostram bem essa realidade.

Em um dos registros, por exemplo, um condutor que trafegava pela ES 010 resolve avançar o sinal vermelho, faltando apenas dois segundos para que o mesmo se abrisse. O resultado foi uma colisão grave com uma carreta, que cruzava a rodovia. Nesse vídeo, assim como em todos os que registram casos de acidente, é possível notar que o cruzamento está calmo no momento da colisão, que acontece fora do horário de pico, quando o fluxo de veículos é maior.

Apesar da persistência de alguns motoristas em desrespeitar a sinalização, o DER-ES garante que, desde que as câmeras foram implantadas, em 2008, houve uma redução de cerca de 70% nos índices de acidentes nos locais onde elas atuam. As imagens dessas ocorrências são enviadas pelo órgão para a polícia, para constar nas peças de investigação, mesmo quando os condutores fogem.

De acordo com a diretora de transportes do DER-ES, Guilhermina Gama, estatísticas apontam que a grande maioria das colisões são provocadas pela imprudência dos condutores.

"Existe um ditado norte-americano que diz que se todos os veículos que circulam pelas ruas e estradas fossem tão bons quanto o melhor dentre eles, o número de acidentes se reduziria a 10%. Se todas as ruas e estradas fossem tão boas, esse número seria reduzido a 50%. Mas se todos os motoristas fossem tão bons quanto o melhor dentre eles, a redução seria de 90%", destacou a diretora, que disse que o número de vítimas fatais em todo o país ainda é preocupante.

"No Brasil, temos uma média de 100 mortos em acidentes de trânsito por dia. Essa é uma estatística do Ministério da Saúde que foi feita em 2008. Para 2010, esse número pode ter piorado ainda mais", admite a diretora.

Guilhermina compara a quantidade de vítimas fatais registradas por ano no país ao número de mortos nos atentados terroristas de 11 de setembro, que mataram cerca de 3 mil pessoas. "Podemos dizer, com base nessas estatísticas, que no Brasil é como se houvesse um ataque terrorista por mês".

A diretora do DER lamenta o fato de as campanhas educativas no trânsito não surtirem o efeito esperado ou demorarem demais para apresentar resultados satisfatórios. Por isso, ela acredita que as medidas punitivas ainda é o método mais eficaz para combater as infrações cometidas pelos motoristas.

"De julho do ano passado a junho deste ano, tivemos 304 mil autuações. Esse número corresponde a 0,13% dos cerca de 230 milhões de veículos que passaram por nossas câmeras. Isso demonstra que, apesar de tudo, as câmeras estão ajudando a coibir ainda mais infrações", alega.