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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Norma Bengell, pobre e cadeirante, atriz é afastada da mídia e escreve biografia

 Pobre e cadeirante, atriz é afastada da mídia e escreve biografia

Uma das maiores musas de nosso cinema e de nosso teatro, Norma Bengell está esquecida. Aos 76 anos, ela só se locomove com ajuda de uma cadeira de rodas e passa por muitos problemas financeiros.

A informação é da coluna do jornalista Ancelmo Góis no jornal O Globo deste domingo (23).

Para tentar ganhar algum dinheiro, a atriz esta escrevendo a autobiografia, que pretende lançar no primeiro semestre de 2012.

Norma foi a atriz que realizou o primeiro nu frontal do cinema brasileiro, em uma inesquecível cena do filme Os Cafajestes, de Ruy Guerra, em 1961.

Artista muito politizada nos anos da ditadura militar, Norma foi presa várias vezes e chegou a ser sequestrada por militares durante a temporada do espetáculo Cordélia Brasil em São Paulo nos anos 60. Por ser de esquerda, sofreu muita perseguição e chegou a ser banida de uma cidade a pauladas.

Em conversa com o R7 em 2010, quando estreou seu mais recente espetáculo, Dias Felizes, em São Paulo, Norma disse que ainda se sentia uma mulher bonita. [R7]

Presa a dívidas, a uma cadeira de rodas e sem trabalho, Norma Bengell quer voltar ao cinema

RIO - Numa sala espaçosa, na casa onde mora, na Gávea, Norma Bengell passa o dia num canto, sentada numa poltrona, vendo TV. Ao alcance da mão, uma garrafa d'água e dois maços de cigarro. Quando precisa se levantar, aperta uma campainha e chama a acompanhante, Vilma Gomes, que trabalha para ela há duas décadas. Para virar o corpo para a foto, ela tem dificuldades; para mudar o braço de posição, também. Aos 75 anos, sem filhos e viúva, a mulher que foi uma das principais estrelas do país, presente na música, no teatro, na TV e, sobretudo, no cinema, passa semanas sem sair de casa, sem uma fonte de renda regular há mais de um ano e, diz, sem poder saldar as dívidas acumuladas. Norma quer voltar a filmar.

O último papel de Norma foi na televisão, como a personagem Deise Coturno no humorístico "Toma lá, dá cá", da TV Globo, encerrado em dezembro de 2009. Pouco depois, ela escorregou num tapete de casa, sofreu um tombo e precisou operar a coluna e o cotovelo. Dali em diante, a atriz só deixou sua casa para ir ao hospital e para dar entrada no pedido de aposentadoria, que ainda não saiu. Até agora, Norma também não recebeu a pensão de anistia do governo, que requereu por ter sido presa durante o regime militar: o valor seria de R$ 2,7 mil mensais, mais uma indenização retroativa de R$ 254,4 mil. Na última semana, um perito médico examinou a atriz e disse que o dinheiro pode sair em 60 dias.

Norma teve suas contas bancárias e bens bloqueados depois da polêmica envolvendo o filme "O guarani" (1996), dirigido e produzido por ela. Na época, o Ministério da Cultura e o Tribunal de Contas da União encontraram irregularidades nas notas de prestação de contas do longa. Norma recebeu críticas de todos os lados. E processos. Os criminais foram arquivados. Outros dois - tributários - aguardam decisão. Enquanto isso, além dos bens bloqueados, ela está impedida de assinar projetos como produtora.

- Publicaram que eu não tinha feito filme algum, que tinha comprado uma cobertura com o dinheiro. Mas o filme estava pronto, passou na TV para milhões de espectadores - ela diz.


Hoje, o maior problema da atriz-diretora-produtora são as dívidas. Com o plano de saúde, já são R$ 3 mil, e o serviço deve ser cancelado este mês. Ela também não consegue mais pagar o fisioterapeuta, as contas do cartão de crédito, um empréstimo bancário, o salário de Vilma e nem o aluguel da cadeira de rodas, a R$ 150 mensais. Norma já vendeu joias e quadros, e os amigos consideram levá-la para o Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá.

- Não vou. Não quero sair daqui. Moro nesta casa há quase dez anos - diz. - Algumas pessoas estão me ajudando, mas o que eu preciso é de patrocínio para rodar meu filme. Tenho um projeto de um média-metragem sobre o J. Carlos, o cartunista, que o Silvio Tendler vai produzir. Eu consigo dirigir da cadeira de rodas, só preciso de alguém que apoie.

O desejo é compreensível. Durante muito tempo, Norma disputou com Odete Lara o título informal de musa do cinema nacional. Depois de fazer sucesso como vedete nos espetáculos de Carlos Machado, sua estreia nas telas aconteceu em 1959, quando contracenou com Oscarito na chanchada "O homem do Sputnik", de Carlos Manga. No mesmo ano, ela levou para as lojas o disco "Ooooooh! Norma", em que aparecia lindamente seminua na capa, num projeto de César Villela, e surpreendia a todos cantando bossa nova, ainda nos primórdios do gênero.

Mas os dois trabalhos fundamentais para sua carreira só foram lançados em 1962. Primeiro, a atriz escandalizou a conservadora sociedade brasileira ao protagonizar o primeiro nu frontal da história do cinema brasileiro, em "Os cafajestes", de Ruy Guerra, em que atuava ao lado de Jece Valadão e Daniel Filho. Em seguida, foi a vez de interpretar a prostituta Marli em "O pagador de promessas", de Anselmo Duarte, o primeiro e até hoje único longa-metragem brasileiro a receber uma Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Dali, ela foi morar na Itália, casou-se com o ator Gabrielle Tinti, já falecido, e despontou para o estrelato, com filmes no Brasil e na Europa. Por aqui, foi dirigida por Domingos Oliveira, Julio Bressane, Rogério Sganzerla, Antônio Calmon, Walter Hugo Khouri, Paulo Cesar Saraceni, Glauber Rocha, Neville D'Almeida e Paulo Thiago.

- Aquela cena dos "Cafajestes" deu muito o que falar. A TFP (a organização Tradição, Família e Propriedade) mandou tirar meu nome de todos os cartazes e organizou uma passeata contra mim. Disseram que, se eu fosse a Belo Horizonte, iria morrer a paulada - lembra. - Eu nunca tinha ficado nua assim. O Ruy Guerra falou para eu entrar na água, e eu tirei o maiô dentro do mar. Aí ele botou a câmera atrás de um jipe, disse "corre", e eu saí correndo pela praia. Foi feito uma vez só.

Hoje, a rotina de Norma é reduzida à fisioterapia que faz cinco vezes por semana - o fisioterapeuta continua atendendo mesmo sem receber há dois meses -, a assistir a programas na TV e à internet. Norma acorda cedo, por volta das 6h30m, e só consegue se locomover na cadeira de rodas e com auxílio de alguém. Seus ambientes se limitam ao quarto, à sala e ao escritório, onde responde a e-mails e lê notícias na rede. Fuma bastante. Já tentou parar, mas nunca conseguiu. E vive cercada de prêmios, fotos antigas e cartazes de filmes.

Ao contar suas histórias, Norma às vezes ri ("o Anselmo Duarte era tão engraçado", diz), em alguns momentos olha para o alto ("Ah, eu briguei com o Glauber no 'Idade da Terra'"), e muitas vezes chora. O choro é de quem gostaria de voltar a exercer seu ofício mais uma vez, mais de 50 anos após o início de uma muita bem-sucedida carreira artística.

- Eu não sou saudosista, vivo muito o presente, não sinto falta daquele tempo. Mas sinto falta de atuar. Quando a luz acende, a gente se sente outra pessoa. É lindo - afirma. - E também sinto falta do mar. Eu gostava de nadar, de sentir aquele cheiro de sal. Mas eu acho que tudo vai melhorar. Se eu não achar, eu morro.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Restart em preto e branco: biografia revela momentos difíceis nas vidas dos coloridos

Até os coloridos da Restart têm seu lado preto e branco. Na recém-lançada biografia da banda de happy rock, "Coração na mão" (Editora Benvirá, R$ 35), os jovens músicos dão depoimentos reveladores sobre os maus bocados por que passaram antes de saírem do anonimato. O livro conta que Pe Lanza perdeu um irmão atropelado, Koba teve uma meningite que quase o matou e Pe Lu e Thomas tiveram graves complicações ao nascer.
Restart: biografia revela detalhes íntimos dos coloridos Foto: Divulgação
— Sempre quisemos contar nossa história. Tem muita gente que fala da gente e não nos conhece bem. São coisas que talvez nem os fãs saibam — diz o vocalista Pe Lu, que acrescenta: — O que mais me emocionou foi falar sobre a perda do meu avô, que significava muito para mim.

O livro remonta às antigas bandas do quarteto e revela que nos primeiros shows eles precisaram pagar para tocar. Outra curiosidade ocorreu em 2008, quando Thomas passou por uma dificuldade financeira e chegou a anunciar que deixaria o grupo.

A tarefa de revolver o passado e a intimidade dos coloridos coube à jornalista Fátima Gigliotti, que acompanhou a banda em turnê e entrevistou os parentes dos jovens.

— Quando falávamos de alguma história mais tocante os meninos geralmente me pediam para falar com os familiares — explica Fátima.

Leia abaixo alguns trechos do livro

Sobre a perda do irmão de Pe Lanza

“Quando (o Pe Lanza) tinha dez meses, a família foi vítima de uma tragédia. (...) No dia 24 de janeiro, o Marco (irmão de Pe Lanza), que estava com doze anos, saiu com o primo Fabio para passear na praia e tomar sorvete, como fazia todas as tardes. Quando eles estavam voltando para casa, o farol fechou, o Fabio atravessou a rua e o Marco ficou no acostamento, esperando um carro passar, mas foi atropelado. O acidente foi muito grave, o Marco sofreu politraumatismo craniano, teve o pulmão perfurado e não resistiu. (...) Para o Pe Lanza, a lembrança se fez com as histórias que a mãe, a irmã e o pai contaram, porque ele era muito bebê quando perdeu o irmão. ‘A lei da vida é um filho enterrar a mãe, e não a mãe enterrar um filho tão novinho como aconteceu, não é?’, pergunta o Pe Lanza.”

Sobre a doença de Koba

“Se a gravidez foi tranquila, os primeiros anos de vida do Koba não foram fáceis. (...) Nos primeiros cinco dias de vida, ele vomitava tudo o que mamava, e começava a ficar muito magrinho. A Rita levou o bebê para o Hospital Beneficência Portuguesa, que tinha mais recursos pediátricos, e obteve o diagnóstico: estenose do piloro, uma doença congênita de causa desconhecida, caracterizada pelo estreitamento da abertura o estômago para o intestino. O caso do Koba era muito grave, e o médico sugeriu duas opções. A primeira era uma cirurgia, que trazia risco de morte. ‘Disseram que meu filho podia não voltar da mesa de operação, já que ele estava muito debilitado’. A segunda opção era uma dilatação do piloro feita por endoscopia, seguida de um regime de superalimentação, para alargar a passagem entre o estômago e o intestino.”

Sobre os problemas financeiros da C4 (anterior à Restart)

“No começo de 2008, houve uma situação complicada para a C4 enfrentar. A família do Thomas estava passando por uma fase financeira difícil, e a mãe dele estava com sérios problemas de saúde. Os shows estavam indo bem, a banda crescia, mas ninguém ganhava nada, e, como o Thomas precisava de grana, ele comunicou aos moleques, ao Duds e ao Didio que iria sair da banda. Foi como ter jogado uma bomba no colo de todo mundo, mas, além do apoio moral, ninguém tinha muito como ajudar também. Os meninos marcaram um ensaio num estúdio perto da casa do Thomas, com o novo candidato às baquetas, que era colega de sala do Pe Lu, e pediram para o Thomas aparecer para dar umas dicas. ‘Foi um fiasco total’, lembra o Duds.”


Pedro Zuazo

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Luan Santana, o novo "rei do sertanejo", vai ganhar biografia

Apontado como o novo "rei do sertanejo", o cantor sul-mato-grossense Luan Santana, 20, vai ganhar uma biografia. O livro será lançado, ainda neste ano, pela editora Creative Books.
Cantor sertanejo Luan Santana, que gravou uma participação especial na novela "Morde & Assopra"

Os novos astros juvenis são o principal filão da empresa, que aposta em nomes como Fiuk e banda Restart. Para 2011, a Creative Books também pretende colocar nas livrarias um livro sobre a cantora Ivete Sangalo.

"Meteoro da Paixão", principal hit de Luan Santana, é o nome provisório de sua biografia. Luan Santana nasceu em Campo Grande (MS) no dia 13 de março de 1991. Ele começou com 14 anos, mas o sucesso só chegou em 2009, quando lançou o álbum "Tô de Cara".

A plateia de seus shows vai de crianças a senhoras. O novo ídolo assume um visual mais para roqueiro do que para sertanejo tradicional, atraindo fãs do que se rotulou de "sertanejo universitário".

Uma apresentação do cantor no HSBC Arena, em dezembro último, no Rio, rendeu um DVD e um CD pela Som Livre. "Luan Santana Ao Vivo no Rio - DVD + CD" (R$ 49,90) tem lançamento previsto para esta quinta-feira (7).

Cantor Luan Santana foi uma das atrações da primeira transmissão ao vivo pelo YouTube no Brasil

Fonte:

domingo, 28 de novembro de 2010

Fiuk, Justin Bieber, Luan Santana, Rick Martin, Adolf Hitler... vidas em letras

Que tal passar o Natal, as festas de fim de ano e as férias de verão afora na companhia do ditador austríaco Adolf Hitler, do guitarrista inglês Keith Richards ou do ator e cantor teen Fiuk? Delírio? Não se depender das editoras, que promovem uma verdadeira "chuva" de biografias no mercado livreiro nessa época, quando há um reforço nas estantes.

Afinal, quem gosta de ler vai ter mais tempo para se dedicar à atividade por causa das viagens e folgas prolongadas. E ficar por dentro da trajetória de personalidades históricas, figuras que entraram para o imaginário coletivo ou simplesmente celebridades e artistas que fizeram revelações que deixaram muitos de cabelo em pé é simplesmente irresistível para quem curte a leitura.

Dentro desse conjunto, a obra "Hitler" (Companhia das Letras) já é tratada como best-seller da temporada. Em 1024 páginas, o livro de Ian Kershaw é considerado pela imprensa internacional como o volume definitivo sobre a vida da personalidade mais sinistra do século XX.

Saindo do mais repelente do século XX para o mais aclamado no campo político e dos direitos humanos, "Nelson Mandela: Conversas que Tive Comigo" é o lançamento da editora Rocco. A obra traça um retrato pessoal do líder Nelson Mandela. Com prefácio de Barack Obama, o livro se baseia no arquivo pessoal de materiais inéditos do líder que promoveu a união entre negros e brancos na África do Sul.


Na seara dos artistas, gente que não tem nem mais que duas décadas de vida já rende biografias. O ator e cantor Fiuk, a bola da vez para a geração teen, ganhará um livro sobre sua existência. A ser lançado em 30 de novembro (mas já pode ser pedido na internet), "Diário do Fiuk" foi escrito pela jornalista Clene Salles.

O sul-mato-grossense Luan Santana deve ganhar uma biografia em março de 2011, segundo a assessoria da Creative Books, mesma editora do livro Diário de Fiuk, que chega às lojas no dia 30 de novembro.

O paralelo de Fiuk e Luan Santana no mercado internacional, o cantor Justin Bieber, também tem a sua trajetória contada em livro para os fãs brasileiros. Trata-se de "Justin Bieber - Uma Biografia Não-Autorizada" (Prumo), de Chas Newkey-Burden.

Mas se está sentindo falta de polêmica em artistas biografados, opte por "Vida" (Globo), autobiografia de Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones. Em meio a relatos sobre sexo, drogas e muito rock and roll, o músico conta segredos de bastidores da banda.

Já Ricky Martin, o ex-Menudo que surpreendeu o mundo ao assumir, este ano, que era gay, tem sua história contada em "Eu", da Editora Planeta.



A Gazeta (Marcelo Pereira)